Bauman: Um mundo sem regras

Zygmunt Bauman, La Repubblica,  de setembro de 2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Reproduzido de IHU On-line.

“Quem disse que devemos seguir as regras?”. A pergunta aparece com grande destaque no topo do site locationindependent.com. Imediatamente mais abaixo, é sugerida uma resposta: “Você está cheio de seguir as regras? Regras que impõem que você se encha de trabalho e ganhe um punhado de dinheiro que lhe permite ter uma casa e um empréstimo imponente? E trabalhar ainda mais duramente para pagá-lo, até o momento em que você terá amadurecido uma bela aposentadoria […] e finalmente poderá começar a desfrutar a vida? Essa ideia não nos agradava – e se também não agradava a você, vocês está no lugar certo”. Continue lendo

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Zygmunt Bauman y la supuesta emocionalidad del 15M: una breve respuesta

John Brown, Iohannes Maurus, 18 de octobre de 2011

Las últimas afirmaciones de Zygmunt Bauman sobre el 15M resultan cuanto menos sorprendentes. El sociólogo y pensador polaco considera en unas declaraciones recogidas por el País que este movimiento es fundamentalmente “emocional” y que “si la emoción es apta para destruir resulta especialmente inepta para construir nada. Las gentes de cualquier clase y condición se reúnen en las plazas y gritan los mismos eslóganes. Todos están de acuerdo en lo que rechazan, pero se recibirían 100 respuestas diferentes si se les interrogara por lo que desean”. La emoción sería, por lo tanto, inestable y fluctuante y haría que el actual movimiento, que el el 15 de octubre se manifestó como potencia política en las calles y plazas del mundo entero, sólo sirviera para destruir. Un movimiento fundado sobre la “emoción” carecería, a su juicio de capacidad constituyente y sólo podría configurarse como una desordenada multitud, una hidra de 100 o mil cabezas. Continue lendo

”O 15-M é emocional, lhe falta pensamento”, afirma Zygmunt Bauman

Vicente Verdú entrevista Zygmunt Bauman, El País, 17 de outubro de 2011. A tradução é do Cepat.

Pergunto ao professor emérito da Universidade de Leeds (Inglaterra) se lhe parece que essas grandes manifestações massivas, pacíficas e tão heterogêneas conseguirão enfrentar os abusos dos mercados, promover uma democracia real, reduzir as injustiças e, em suma, melhorar a equidade no capitalismo global, mas como professor que é, não responde a questão de uma vez só.

Em sua opinião, a origem de todos os graves problemas da crise atual tem sua principal causa na “dissociação entre as escalas da economia e da política”. As forças econômicas são globais e os poderes políticos nacionais. “Essa descompensação arrasa as leis e as referências locais se convertem à crescente globalização. Daí que efetivamente, os políticos se pareçam como marionetes ou como incompetentes, quando não corruptos”. Continue lendo

Os fundamentalistas da economia

Se a parafernália cada vez mais rara, escassa e inacessível que é necessária para sobreviver e levar uma vida aceitável se tornar objeto de um confronto de morte entre aqueles que estão totalmente equipados com ela e os indigentes abandonados a si mesmos, a principal vítima da crescente desigualdade será a democracia.

Publicamos aqui um trecho do novo prefácio do sociólogo polonês Zygmunt Bauman à nova edição de Modernidade líquida, publicada pela editora italiana Laterza. O artigo foi publicado no jornal La Repubblica, 21-09-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Continue lendo

Foi um motim de consumidores excluídos

Foi um motim de consumidores excluídos’, diz sociólogo Zygmunt Bauman

LONDRES – Um dos mais influentes acadêmicos europeus, já descrito por alguns comentaristas mais entusiasmados como o mais importante sociólogo vivo da atualidade, o polonês Zygmunt Bauman viu nos distúrbios de Londres uma aplicação prática de suas teorias sobre o papel do consumismo na sociedade pós-moderna. Um assunto que o acadêmico, radicado em Londres desde 1968, quando deixou a Polônia após virar persona non grata para o regime comunista e por conta de uma onda de anti-semitismo no país, explorou bastante em conjunção com as discussões sobre desigualdade social e ansiedade de quem vive nas grandes cidades.

Aos 85 anos, autor de dezenas de livros, como “Amor líquido” e “O mal-estar da pós-modernidade”, Bauman não dá sinais de diminuir o ritmo. Há cinco anos, no lançamento de “Vida para Consumo”, uma de suas obras mais populares, fez uma turnê por vários países. Em entrevista ao GLOBO, por e-mail, ele afirma que as imagens de caos na capital britânica nada mais representaram que uma revolta motivada pelo desejo de consumir, não por qualquer preocupação maior com mudanças na ordem social. Continue lendo

”Extimidade”: o fim da intimidade

As relações significativas hoje passaram da intimidade àquilo que Tisseron chama de “extimidade”: expomos em público os nossos segredos. Eis, assim, o triunfo do exibicionismo na era das redes sociais.

Zygmunt Bauman, La Repubblica, 9 de abril de 2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Reproduzido de IHU On-line.

O Facebook afastou-se em muito de qualquer outra novidade e moda passageira ligada à Internet e bateu todos os recordes de crescimento do número de usuários regulares. Diga-se o mesmo sobre o seu valor comercial, que, segundo o Le Monde do dia 24 de fevereiro passado, já alcançou a cifra inaudita de 50 bilhões de dólares.

Enquanto escrevo, o número dos “usuários ativos” do Facebook duplicou a marca do meio bilhão: alguns deles, naturalmente, são mais ativos do que outros, mas a cada dia pelo menos a metade de todos os seus usuários ativos acessa o Facebook. Continue lendo