A pane no metrô: dos rolêzinhos à irresponsabilidade política

metro spJoão Sette Whitaker, Cidades para que(m)?, 6 de fevereiro de 2014

Seria muito, mas muito bom que o governador provasse, o quanto antes, as graves acusações que fez sobre a interrupção do dia 5 no metrô de São Paulo e toda a confusão que se seguiu (milhares de usuários andando pelos trilhos, gente passando mal, brigas, que mais uma vez não resultou em mortes por pura sorte): a de que ela foi provocada pela ação de “vândalos”. Caso não consiga, estaremos face a um perigoso cenário em que não há limites para criar versões que isentem o governo de suas responsabilidades.

Vale qualquer coisa para fugir dos fatos. Aponta-se como causa dos problemas os “distúrbios sociais”, o “vandalismo”, de responsabilidade difusa (a “situação do país”, o prefeito, o Governo Federal?), desviando-se o foco das suas causas reais, absolutamente mensuráveis e de responsabilidade bem precisa: o Governo do Estado. Continue lendo

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Horizontes urbanos

Os dilemas e os rumos da metrópole que potencializa os problemas das principais cidades brasileiras

Carolina Rossetti e Ivan Marsiglia entrevistam Erminia Maricato, Candido Malta e Jorge Wilheim, O Estado de S.Paulo, 18 de junho de 2011

A morte trágica de um ciclista atropelado por um ônibus. Bairros inteiros sem luz por dias, após uma tempestade que derrubou árvores. Imagens de degradação da Cracolândia incorporadas à paisagem cotidiana. O esvaziamento do centro velho e o caos dos carros nas vias públicas. A São Paulo de 20 milhões de habitantes é hoje uma metrópole defasada em infraestrutura e em padrões de civilidade, em relação a cidades de grande porte pelo mundo.

Para debater os problemas potencializados na capital paulista, mas que afligem outras metrópoles brasileiras, o Aliás convidou três urbanistas: Erminia Maricato, Cândido Malta Campos e Jorge Wilheim. O trio concorda em vários aspectos: é preciso planejar intervenções urbanas substanciais, superar o modelo rodoviarista, valorizar os espaços de convivência coletiva na lógica contrária à dos condomínios e bunkers privados. A discordância mais evidente refere-se ao projeto Nova Luz, de revitalização da área central da cidade – que consideram necessário – e suas formas de implantação. Continue lendo

Gente diferenciada invade Higienópolis para exigir Metrô

Foto de Maira Kubik Mano
Maíra Kubík Mano, Carta Maior, 14 de maio de 2011

– Eu não imaginava que as redes sociais pudessem mobilizar tanta gente.

– Eu fiquei um tempão na Praça Vilaboim e não tinha ninguém. Pensei que era lá. Ainda bem que quando cheguei aqui encontrei a multidão.

– Eu acho que tem pouca gente. Mais de 50 mil confirmaram pelo Facebook e não vieram. Tem pessoas que se escondem atrás do computador, fazem ativismo só online.

Divergências à parte, o churrasco da “gente diferenciada” estava cheio. Bem cheio. Eram pouco mais de 14h quando cerca de mil pessoas começaram a se concentrar em frente ao shopping Pátio Higienópolis. O motivo? Protestar contra a mudança da futura estação de Metrô da av. Angélica para a av. Pacaembu. A alteração dos planos na Linha 6 – laranja teria ocorrido após a Associação Defenda Higienópolis alegar que a obra não deveria ser feita ali porque aumentaria o “número de ocorrências indesejáveis” e a área se tornaria “um camelódromo”. Continue lendo

A mobilidade urbana de Porto Alegre e região metropolitana. Entrevista especial com Luciana Rohde e João Fortini Albano

IHU On-line entrevista Luciana Rohde e João Albano, IHU On-line, 15 de abril de 2011

Todas as manhãs a notícia é a mesma para quem vive em Porto Alegre e região metropolitana: as vias estão trancadas, os ônibus superlotados. E essa é a realidade de todas as grandes cidades brasileiras. Na entrevista a seguir, dois pesquisadores analisam a situação do metrô [1] que liga a capital gaúcha a algumas cidades da região metropolitana, o projeto de um novo metrô [2] dentro de Porto Alegre e, ainda, falam sobre planejamento de mobilidade urbana. Continue lendo

Ciudades europeas sin coches de gasolina y diésel en 2050?

Emili Vinagre, Reuters/dpa, 30 de marzo de 2011

Europa quiere revolucionar el sector del transporte. Acabando con la dependencia del petróleo y reduciendo emisiones. Por ejemplo, eliminando los coches impulsados por combustibles fósiles de los centros urbanos.

¿Objetivo verdaderamente alcanzable o simple brindis al sol fruto de un planteamiento propio de visionarios? La propuesta del comisario de Transportes de la Unión Europea (UE), Siim Kallas, para eliminar la dependencia del petróleo y reducir las emisiones de dióxido de carbono en el horizonte de 2050 ha despertado reacciones encontradas. Un documento estratégico que, de momento, es tan sólo eso: una propuesta que ahora deberán debatir los socios comunitarios. Pero que sin duda cuenta con propuestas, como mínimo, atrevidas. Continue lendo

Velocidade mínima

Ao se aposentar, um cidadão que enfrenta o congestionamento nas megalópoles pode ter passado dois anos de sua vida produtiva preso num carro. O que é possível fazer para melhorar o caos no trânsito?

Maurício Oliveira, Valor Econômico, 14 de janeiro de 2011

Desperdiçar duas horas por dia no trajeto entre casa e trabalho tornou-se algo tão corriqueiro nas grandes cidades brasileiras que muita gente entregou os pontos de vez e passou a considerar que os congestionamentos são um daqueles incômodos da vida contra os quais não há o que fazer. Talvez a mesma informação suscite algum tipo de atitude dita de outra forma: ao se aposentar, um cidadão que enfrenta tal situação no cotidiano terá passado o equivalente a dois anos da vida produtiva – justamente o período em que tem mais planos e desfruta de maior disposição física – preso dentro de um carro. E não se trata, certamente, do lugar mais agradável para estar. Eventuais lampejos de prazer proporcionados por uma boa trilha sonora não resistem ao desgaste emocional causado pelas buzinas, o medo de assaltos nos semáforos e a ausência de cordialidade entre os motoristas. Sem falar no risco de ficar ilhado por inundações como as ocorridas em São Paulo e no Rio neste início de ano. Continue lendo

Parado quase devagar

Mauricio Broinizi Pereira, Carta Capital, 29 de novembro de 2010

Mobilidade urbana é o nome que se dá para a possibilidade de se movimentar na cidade, o direito de ir e vir entre os nossos destinos cotidianos, como, por exemplo, de casa para o trabalho, do trabalho para a escola e da escola para casa. Parece muito simples, mas a mobilidade nas grandes e médias cidades brasileiras está se tornando cada vez mais difícil, e, em muitos casos, um sacrifício diário. Tomando a cidade de São Paulo como uma referência para este problema, podemos deixar um alerta para todas as cidades que buscam crescer, mas se esquecem de realizar um planejamento adequado – acabam focando estratégias apenas de curto prazo, e nem tanto de médio e longo. Por exemplo: São Paulo, hoje, no lugar de ter 70 quilômetros de metrô, deveria ter, no mínimo, 350 quilômetros, o que permitiria a mobilidade urbana (e, consequentemente, o bem-estar coletivo) ser muito melhor. E por que na cidade não se tem uma estrutura de transportes adequada? Continue lendo

Planos de Kassab para ônibus têm só `verba simbólica´

No Orçamento de R$ 34,6 bilhões de 2011, prefeito reserva R$ 2.000 para terminais e R$ 1 mi a corredores. Maior parte da verba de investimentos vai para planos de monotrilhos; já a passagem de ônibus subiu acima da inflação.

Jose Benedito da Silva, Folha de S.Paulo, 3 de outubro de 2010

Embora a tarifa de ônibus tenha subido acima da inflação este ano -o que deve se repetir em 2011-, o usuário do serviço na cidade de São Paulo vê os investimentos da prefeitura no serviço avançar com um ímpeto bem menor.  No Orçamento para o próximo ano, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) colocou só valores simbólicos em algumas ações de melhoria da rede. Continue lendo

Maioria das linhas da CPTM, em São Paulo, supera limite de lotação

Paradas como a 7 – Rubi registram 8,4 passageiros por m² em horário de pico

O Estado de S.Paulo, 27 de setembro de 2010

Os passageiros da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) viajam de modo minimamente confortável em apenas uma das sete linhas em operação na região metropolitana de São Paulo. Dados sobre número de passageiros no horário de pico no primeiro semestre evidenciam a piora na superlotação nos trens – no mesmo período do ano passado, cinco ramais da CPTM apresentavam boas condições dentro dos vagões. Continue lendo

Brasil precisa quebrar a ‘cultura de que ônibus é para pobre’

Ao contrário da Europa, Ásia e América do Norte, o uso do transporte público no Brasil se vincula à falta de dinheiro. Quem tem carro dificilmente troca o conforto e a segurança do transporte individual pelo ônibus. Isso acontece pelo fato de os benefícios ofertados pelo transporte coletivo ainda não compensarem a mudança.

Vinicius Boreki, Gazeta do Povo, 30 de agosto de 2010.

Em Nova Iorque, Tóquio ou Paris, os deslocamentos levam menos tempo. Especificamente em Curitiba, os sistemas não convencem a deixar o carro em casa: são lentos e não oferecem segurança. Para mudar o panorama, cabe aos gestores municipais inverter a lógica de investimento: mais para ônibus e menos para carros. Na avaliação do superintendente da Associação Nacional dos Transportes Públicos, Marcos Pimentel Bicalho, os gestores públicos temem encarar a pressão da sociedade caso deem preferência aos ônibus. “Existe muita resistência, porque os formadoras de opinião usam automóveis”, afirma. Por esse motivo, a lógica equivocada na aplicação de recursos das prefeituras persiste. “O prefeito acredita que vai se sair bem se melhorar as condições para os carros, asfaltando as ruas ou ampliando as avenidas”, opina o professor do Departamento de Transportes da UFPR, Garrone Reck. Continue lendo