Cresce número de carros que transportam uma só pessoa

Reportagem de Alencar Izidoro e Raphael Veleda e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 22-09-2011.

Os carros mais populares costumam ter capacidade para transportar cinco pessoas, mas, na capital paulista, são utilizados quase como motos -e sem ninguém na garupa.

Em 2011, a taxa média de ocupação dos automóveis nas ruas pesquisadas pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) se limitou a 1,4 pessoa por veículo. Ou seja, a cada cinco carros em circulação nos horários de pico, somente sete pessoas são transportadas.

Esse cenário, a partir de monitoramento da CET em seis pontos, das 7h30 às 9h30 e das 17h às 19h, é citado por especialistas como exemplo do mau uso do carro – assim como da falta da cultura da carona por motoristas.
A queda foi de 1,49 pessoa por carro (em 2005) para 1,46 (em 2009) e agora para 1,40. Continue lendo

O trânsito no Brasil é uma multidão de surtados

Itamar Melo entrevista Roberto DaMatta, Zero Hora, 5 de março de 2011

O brasileiro não suporta a igualdade. Essa é a imagem sugerida por um dos intelectuais mais eminentes do país, o antropólogo Roberto DaMatta, para explicar a origem da atitude do servidor do Banco Central Ricardo Neis, que atropelou um grupo de ciclistas em uma rua de Porto Alegre.

Com uma carreira dedicada à tarefa de explicar o Brasil e os brasileiros, DaMatta sustenta que carregamos um sentimento aristocrático, que nega a igualdade com o outro. No trânsito, isso se traduz na dificuldade para seguir regras e para aguardar nossa vez. Na entrevista a seguir, concedida por telefone na tarde de sexta-feira, DaMatta aborda o atropelamento da Capital sob a luz dessa tese, desenvolvida por ele no recém-publicado Fé em Deus e Pé na Tábua – Ou Como e Por Que o Trânsito Enlouquece no Brasil. Continue lendo

Obras de R$ 9 bi só reduzem 6 km de lentidão em São Paulo

Adriana Ferraz, Agora, 22 de novembro de 2010. Reproduzido do Portal Nossa São Paulo

Depois de um investimento de quase R$ 9 bilhões em obras viárias e da ampliação das medidas de restrição à circulação de caminhões, o trânsito na capital foi reduzido em apenas 6 km nos horários de pico. Se fosse utilizada para a ampliação da malha do metrô, a mesma verba permitiria a construção de até 45 km de linhas.

Os dados de lentidão são da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e mostram que o motorista enfrenta hoje, em média, 99,3 km de trânsito nos períodos críticos da manhã e da tarde, contra a marca de 104,5 km registrada em 2009. A diferença é de 5%.

Os resultados obtidos após a inauguração do trecho sul do Rodoanel, das novas pistas da marginal Tietê e da extensão da avenida Jacu-Pêssego (aberta há um mês e meio) não justificam o volume de gastos, segundo especialistas ouvidos pelo Agora. Com exceção de regiões pontuais da cidade, como a avenida dos Bandeirantes –onde a fluidez aumentou 64%, segundo a prefeitura–, o trânsito continua pesado nas vias mais utilizadas pelos motoristas. Leia a notícia na íntegra aqui.

Paulistano perde 27 dias por ano no trânsito

Pesquisa mostra ainda que 68% dos entrevistados consideram tráfego ruim

Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo, 17 de setembro de 2010

Os paulistanos perdem, em média, 27 dias por ano no trânsito da cidade. Pesquisa do Ibope, feita a pedido do Movimento Nossa São Paulo, mostra que o tempo médio gasto no trânsito para realizar todos os deslocamentos diários é de 2 horas e 42 minutos, um minuto a menos do que a média do ano passado. Isso significa que a cada mês o cidadão passa dois dias e seis horas no carro ou no transporte público para se locomover. Continue lendo

São Paulo: moradores pagam por obra antitrânsito

CET paulistana dá aval para bairros nobres de Caxingui e Vila Paulista implantarem obstáculos que afastem carros. Ruas terão rotatórias, curvas e estreitamentos custeados por vizinhos; promotor teme elitismo e migração de tráfego

Alencar Izidoro, Folha de S.Paulo,

Motoristas que quiserem trafegar pelo bairro do Caxingui, entre as regiões do Butantã e do Morumbi, ou pelo também nobre Vila Paulista, vizinho ao parque Ibirapuera, enfrentarão uma série de obstáculos dispostos na via. A passagem de veículos ficará mais “apertada” devido ao estreitamento de ruas. Além de calçadas ampliadas, haverá rotatórias com jardins ou lombofaixas -um tipo de faixa de travessia elevada, como uma rampa, com sinalização e cor chamativa. Em alguns trechos, até chicanes -curvas artificiais que costumam ser implantadas para reduzir a velocidade dos carros em pistas de corrida. Continue lendo

São Paulo: recuo no transporte

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo, 23 de julho de 2010

O prefeito Gilberto Kassab recuou e transferiu para seu sucessor a tarefa de reorganizar o transporte público na cidade de São Paulo, para acabar com a concorrência danosa que, por falta de fiscalização, voltou a se instalar entre viações de ônibus e cooperativas de perueiros, que disputam passageiros nos principais corredores. Essa reforma era considerada inadiável, tanto pelos especialistas em mobilidade urbana quanto pelos milhões de passageiros que sofrem com o trânsito congestionado, com os itinerários irracionais dos ônibus, com o despreparo dos motoristas e com a frota mal distribuída. As consequências disso são filas quilométricas nos pontos, veículos superlotados e viagens demoradas. Continue lendo

Os motoboys no globo da morte

Guiada por lideranças sindicais emergentes, essa categoria atualiza sua força política no contexto da precarização no mundo do trabalho. É assim que os motoboys tomam o asfalto e colocam a centralidade do emprego e do espaço.

Ricardo Barbosa da Silva, Le Monde diplomatique Brasil, marco de 2010 

Como uma faísca no trânsito de São Paulo já em combustão, os motoboys aceleram forte. Entre insultos e gentilezas, agressões físicas e morais, um acidente e outro, um retrovisor que cai e uma porta que amassa, fazem a entrega chegar ao seu destino certo e no tempo previsto.

Sua atividade profissional é um fenômeno urbano bastante recente. Cada vez mais integrada à paisagem da cidade de São Paulo, ela tem suas origens em meados da década de 1980 e impulso definitivo no início da década de 1990. Devido ao seu rápido e exponencial crescimento, aliados à dinâmica e natureza de seu trabalho, os motoboys passam a ser alvos certos e constantes das mais diversas controvérsias e conflitos no trânsito paulistano. Continue lendo

Rodoanel não vai aplacar tráfego lento, aponta estudo

Obra reduzirá por algum tempo trânsito em marginal, mas efeito na Grande SP será pequeno. Aumento da frota de carros vai diluir o alívio causado pelo Rodoanel, diz estudo encomendado por agência ligada ao governo do Estado

José Ernesto Credencio e Mario Cesar Carvalho, Folha de S.Paulo, 13 de março de 2010

A inauguração do trecho sul do Rodoanel, prevista para o dia 27, vai reduzir temporariamente o trânsito na marginal Pinheiros e na avenida dos Bandeirantes, mas terá efeito insignificante nos congestionamentos da Grande São Paulo. Continue lendo

Poluição mata mais que Aids e trânsito juntos em São Paulo

Fabiana Parajara, O Globo, 14 de outubro de 2008

SÃO PAULO – A poluição já mata mais do que a Aids e o trânsito juntos na cidade de São Paulo. Paulo Saldiva, médico do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP, afirma que uma única medida, a redução da liberação de enxofre pelo óleo diesel usado pelos veículos, pode evitar 150 mortes por ano – pouco menos que o número total de vítimas de Aids na cidade de São Paulo, que chegaram a 232 em 2007, por exemplo.

Segundo estudos do laboratório, as doenças provocadas pela poluição, que vão de problemas respiratórios a enfartos, causam cerca de 9 mortes por dia na capital paulista. Por ano, são cerca de 3,5 mil óbitos. Na capital, o trânsito causou em todo o ano de 2007, 1.352 mortes de acordo com dados da secretaria municipal de Saúde. Somados, no ano passado, a Aids e o trânsito mataram 1.624 pessoas na cidade. Continue lendo

Uso do transporte coletivo cresce em São Paulo

Em 40 anos, é a 1ª vez que o uso do transporte público na região metropolitana de São Paulo cresce percentualmente no total de viagens. Pela pesquisa Origem/ Destino, diariamente há 37,6 milhões de viagens, sendo 66,4% motorizadas e 33,6% a pé ou de bicicleta

Ricardo Sangionavi, Folha de S.Paulo, 6 de setembro de 2008

Pela primeira vez em 40 anos, o uso do transporte coletivo inverteu a tendência de queda na região metropolitana de São Paulo, chegando a 55% das viagens motorizadas.
O dado é da mais recente pesquisa OD (Origem/Destino) do Metrô, feita no ano passado e divulgada ontem.

Pela pesquisa, todos os dias ocorrem 37,6 milhões de viagens -20% a mais que em 1997. Nos dez anos anteriores, o crescimento fora de 6,8%. Do total atual de viagens, dois terços são motorizadas e o restante é feito a pé ou de bicicleta. Continue lendo

Transportes para quem?

Por Mariana Almeida

Há uma importante mudança ocorrendo na área dos transportes, concentrada em São Paulo. Enquanto milhões de paulistanos perdem cada vez mais horas no deslocamento, pelo transporte público sucateado ou pelo trânsito, foi anunciada a publicação em um mês do edital para o Expresso Aeroporto para Cumbica (saindo da Luz), em regime de concessão pública à iniciativa privada, avaliado em R$ 3,4 bilhões – para estar funcionando no início de 2011. No mês passado, foi firmado um acordo para construir um veiculo leve sobre trilhos – já apelidado de “bonde chique” – entre a Estação São Judas do metrô e o Aeroporto de Congonhas (ao custo de R$ 200 milhões). Já está bem avançada a proposta do Trem Expresso Rio-São Paulo-Campinas (R$ 11 bilhões), cuja licitação será formalizada em outubro. Segundo anunciou a Ministra do Turismo, Marta Suplicy, o objetivo é preparar o país para a Copa do Mundo de 2012.

Há, portanto, dinheiro – e muito dinheiro – para investimentos em infra-estrutura. Mas nada disso é destinado para a grande maioria da população e sim para os usuários dos aeroportos -os empresários, a classe média abastada e os turistas da Copa de 2014. Há um olhar de classe dirigindo todos estes investimentos, pois os pobres das grandes cidades, em sua maioria negros, podem continuar sofrendo em linhas de ônibus cada vez mais lentas, caras (o preço das tarifas são maiores dos países centrais) e abarrotadas, podem no máximo almejar uma moto ou um carro usado, que gastará cada vez mais tempo no trânsito (em cinco anos o congestionamento em São Paulo será permanente!). Este é o olhar do capital financeiro, das montadoras, dos agro-exportadores e agora também dos setores que querem lucrar com as promessas do petróleo, uma minúscula elite que expressa o caráter “colonial” e excludente do poder no Brasil, que não conhece o problema de transportes.