Uso de sacolas plásticas está ameaçado na Califórnia

Em um recente dia chuvoso, Esha Moya se viu do lado de fora de uma mercearia localizada na zona sul de Los Angeles com meia dúzia de sacolas de papel se desmanchando na chuva e desejando ter nas mãos alguns dos pequenos itens que durante sua vida inteira foram gratuitos e abundantes, mas que agora estão proibidos nesta cidade: as sacolas plásticas.

Ian Lovett, The New York Times / Uol, 27 de fevereiro de 2014

Companheiras dos consumidores durante meio século, atualmente as sacolas plásticas estão correndo perigo de desaparecer da Califórnia, onde um número crescente de políticos passou a considerá-las como um símbolo do desperdício ambiental. Desde 2007, as sacolas plásticas foram proibidas em quase 100 municípios do estado, incluindo a cidade de Los Angeles, que no início deste ano se tornou a maior cidade dos Estados Unidos a adotar a proibição. As sacolas de papel, que são biodegradáveis e mais fáceis de reciclar, muitas vezes são disponibilizadas após o pagamento de uma pequena taxa. Mas agora os parlamentares de Sacramento estão tentando transformar a Califórnia no primeiro estado norte-americano a aprovar uma proibição generalizada para essa embalagem ubíqua. Continue lendo

Jorge Riechmann: ¿Cómo pensar las transiciones poscapitalistas?

Earth Day – Its Legacy and Our Future

Paul Prescod, Europe Solidaire Sans Frontières, April 22, 2013

EARTH DAY BEGAN on April 22, 1970 as an environmental teach-in modeled after those on the Vietnam War, initiated by Wisconsin Senator Gaylord Nelson in response to the 1969 Santa Barbara oil spill. It had resonance because there was a vibrant environmental movement that had been developing. The date was deliberately chosen because it was not during students’ exams or spring break, and 20 million activists participated. Streets, parks, auditoriums, and college campuses were the sites of protests against environmental degradation. Continue lendo

O mais vasto fracasso do fundamentalismo de mercado

After FailureA inútil Cúpula da Terra de junho, as medidas débeis agora em discussão em Doha, o projeto de lei sobre energia e o estudo sobre redução da demanda de eletricidade lançado na Grã-Bretanha na semana passada expõem o mais vasto fracasso do fundamentalismo de mercado: sua incapacidade para resolver a crise existencial da espécie. O legado de 1000 anos das atuais emissões de carbono é amplo o suficiente transformar em lascas qualquer coisa parecida com a civilização humana.

George Monbiot, The Guardian,  7 de dezembro de 2012

A maior crise da humanidade coincide com a ascensão de uma ideologia que a torna impossível resolver. Ao final dos anos 1980, quando se tornou claro que as mudanças climáticas provocadas pelo homem colocavam em perigo a vida no planeta e a humanidade, o mundo estava sob o domínio de uma doutrina política extrema, cujos princípios proibiam o tipo de intervenção necessária para enfrentá-las. Continue lendo

Barry Commoner, Pioneering Environmental Scientist and Activist, Dies at 95

Peter Dreier, Common Dreams, , October 1, 2012

Described in 1970 by Time magazine as the “Paul Revere of ecology,” Commoner followed Rachel Carson as America’s most prominent modern environmentalist. He viewed the environmental crisis as a symptom of a fundamentally flawed economic and social system. A biologist and research scientist, he argued that corporate greed, misguided government priorities, and the misuse of technology undermined “the finely sculptured fit between life and its surroundings.”

Commoner insisted that scientists had an obligation to make scientific information accessible to the general public, so that citizens could participate in public debates that involved scientific questions. Citizens, he said, have a right to know the health hazards of the consumer products and technologies used in everyday life. Those were radical ideas in the 1950s and 1960s, when most Americans were still mesmerized by the cult of scientific expertise and such new technologies as cars, plastics, chemical sprays, and atomic energy. Continue lendo

Para Abramovay, bens produzidos necessitam ter relevância social

Há 20 anos, a teoria econômica preconizava que, se cada agente usasse suas competências para satisfazer os consumidores e se houvesse liberdade, sem intervenções do Estado, tudo funcionaria bem. “Esse raciocínio, aceitável num mundo de 3 bilhões de habitantes, não funciona num planeta que logo terá 10 bilhões de pessoas “, diz Ricardo Abramovay, professor titular do Departamento de Economia da FEA e do Instituto de Relações Internacionais da USP.

Gisele Paulino, Valor, 21 de agosto de 2012

Abramovay é filósofo, mas muitos o tomam por economista. Ele dedicou-se a entender as razões pelas quais a sociedade atual está produzindo, e as conclusões estão em seu novo livro: “Muito Além da Economia Verde”, lançado pela Editora Planeta Sustentável. Continue lendo

Vivemos em um regime de produtos com preços mentirosos

As mudanças na perspectiva ambiental passam necessariamente por alterações no setor empresarial. Essa é opinião do economista Ricardo Abramovay, que esteve em Curitiba ontem para participar do Fórum Sustentabilidade e Governança – evento direcionado a gestores de grandes empresas.

Abramovay destaca que bem-estar e qualidade de vida não precisam estar atrelados a consumismo e desperdício de recursos naturais. O acesso a transporte público de qualidade, por exemplo, faria muitas pessoas desistirem de ter automóvel.

Autor do recém-lançado livro Muito além da economia verde, o professor desenha um panorama em que a valorização dos recursos ambientais afeta os preços dos produtos e propõe que o Brasil assuma o protagonismo mundial na construção de um novo modelo econômico.

Katia Brembatti entrevista Ricardo Abramovay, Gazeta do Povo, 22 de agosto de 2012 Continue lendo

On the agenda: the relaunching… of social and ecological destruction

The question of growth has resurfaced in political discourse. The European Trade Union Confederation (ETUC) has been demanding it for several years. François Hollande made it a major theme of his campaign. The social democrats are asking for it in all countries, particularly in Germany. The Right has also joined in, by the intermediary of Mario Draghi – President of the European Central Bank – and Herman Van Rompuy – President of the European Council. Even Angela Merkel has paid lip-service to the idea that austerity is not enough, we have to relaunch growth.

Daniel Tanuro, International Viewpoint, June 2012

The ETUC is wrong to see something to celebrate in these developments [1]: what is being talked about is a stimulus in the framework of neoliberal austerity. Limited by the size of the deficits and subject to the law of profit, this very hypothetical stimulus will not get rid of mass unemployment, will serve as a pretext for new anti-social and anti-democratic attacks, and will exacerbate the ecological crisis. Rather than be fooled by the publicity around this (mini) change within continuity, it should be seen as an encouragement to intensify the fight and build relationships of forces for an alternative worthy of the name: an alternative model of development, both social and ecological, based not on growth but on the sharing of labour and wealth, respecting the environmental limits. Continue lendo

Os dramas do mundo e os olhos das crianças

Washington Novaes, O Estado de S.Paulo, 1 de junho de 2012

É paradoxal e aflitivo: 2.800 cientistas reunidos em Londres assinam, no simpósio Planet Under Pressure, uma declaração sobre o estado do planeta, na qual dizem que “o funcionamento do sistema Terra (…) está em risco”; que poderemos enfrentar ameaças graves na questão da água, dos alimentos e da biodiversidade, com crises econômicas, ecológicas e sociais. No Brasil, quase 800 municípios do Semiárido enfrentam estado de emergência, com uma seca que pode ser a mais grave em 40 anos e já deixa prejuízos superiores a R$ 12 bilhões. Também no Extremo Sul do País a seca é gravíssima. No Amazonas, dois terços dos municípios se veem às voltas com uma inundação inédita, que já afetou 70 mil famílias e inundou até partes de Manaus (após fortes estiagens em 2005 e 2010 e outra forte inundação em 2009). Continue lendo

Renovar los recursos no renovables

Fander Falconí, El Telégrafo, 19 de abril de 2012

Debemos aceptar como una realidad el inicio concreto de un debate importante que ya está vigente en la sociedad: los recursos naturales agotables como riesgo o alternativa. De nosotros depende el rumbo de este debate. Debemos preguntarnos ¿cuándo es el mejor momento para extraer estos recursos? ¿Dónde es posible extraerlos y a qué costo económico, social y ambiental? ¿Cómo se puede impedir la desposesión de las comunidades? ¿Cómo la sociedad puede evitar o realizar el debido control de daños por los procesos extractivos? ¿Cómo se puede “acordar” el uso correcto de los recursos económicos que deja? ¿Cómo se puede usar parte de esos recursos, justamente, en la preservación ambiental? O en el cambio de la matriz productiva, por ejemplo. Continue lendo

Estudo lista os desafios ambientais deste século

A comunidade científica internacional listou as 21 questões ambientais emergentes no século XXI, e no topo do ranking está a necessidade de ajustar a governança aos desafios da sustentabilidade global. Ou seja: no sistema atual faltam representatividade, dados, transparência, maior participação e eficiência na transição para economias de baixo carbono. O segundo lugar do ranking é surpreendente: não há profissionais capacitados para a economia verde.

Governança é um temas-chave da Rio+20, a conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável que acontece no Rio em junho.

Daniela Chiaretti, Valor, 24 de fevereiro de 2012

Ali o debate será sobre fortalecer e achar uma nova arquitetura para ambiente e desenvolvimento sustentável dentro da ONU. No estudo, divulgado esta semana em Nairóbi, cientistas apontam uma falha generalizada que extrapola a ONU e existe nas pequenas comunidades, cidades e regiões e em nível nacional. Há um grande descompasso entre o que a ciência aponta como problemático e a capacidade dos governos de encontrar soluções, mesmo que existam mais de 900 acordos internacionais com foco na proteção ambiental. A convenção do clima é um dos exemplos emblemáticos. Continue lendo

Decrescimento e a busca de uma sociedade convivial

Discutir o decrescimento é “essencial para desmistificar o ‘fetiche do crescimento ilimitado da população e do consumo’” e o “fetiche da exploração ilimitada dos recursos naturais”

IHU On-liine entrevista José Eustáquio Diniz Alves, IHU On-Line, 15 de novembro de 2011

A teoria do decrescimento, explica, “visa garantir a qualidade de vida das pessoas e a preservação ambiental sem reproduzir a lógica do crescimento infinito do consumo”.

Recordando Karl Marx, Alves diz que a sociedade capitalista “funciona na base do ‘fetichismo da mercadoria’ e da ‘coisificação das pessoas’”. Nesse sentido, assinala, na sociedade do crescimento econômico “a convivência humana é intermediada pela posse de bens de consumo e pelo domínio das outras espécies vivas da Terra. (…) Na sociedade antropocêntrica não existe convivência harmônica entre o homo sapiens e as demais espécies, mas sim relações de dominação e exploração. Uma sociedade convivial tem que romper com essa lógica e estabelecer os princípios da solidariedade ecocêntrica”. Continue lendo

Belo Monte e as cobras

Rodolfo Salm, Correio da Cidadania, 14 de Outubro de 2011

Conta o artigo “Devemos ter medo de Dilma Dinamite?,” de Eliane Brum, repórter especial da revista ÉPOCA (publicado em setembro no blog Brigada Contra a Corrupção Brasileira), que, em 2004, a então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, concedeu uma audiência a Antônia Melo, liderança na luta contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, sobre os estudos para a construção da barragem. Segundo Eliane, depois de ouvir brevemente as preocupações de seus interlocutores com o projeto, Dilma teria apenas dado um murro na mesa, dito “Belo Monte vai sair”, levantado e ido embora. Em 2009, o então presidente Lula pegou pelo braço Dom Erwin Kräutler, bispo do Xingu e disse: “Não vamos empurrar esse projeto goela abaixo de ninguém”. Empurraram. Dom Erwin voltou para Altamira com a promessa de Lula de que uma nova audiência seria marcada para conversarem mais sobre os receios da comunidade local, o que nunca aconteceu. Continue lendo

Quando cuidaremos das nossas torres?

Washington Novaes, O Estado de S.Paulo, 9 de setembro de 2011

Na manhã de 11 de setembro de 2001 o autor destas linhas estava em Tefé, no Amazonas, preparando-se para embarcar no porto rumo à Reserva de Mamirauá, lá pelas bandas dos Rios Japurá e Solimões, onde seriam gravadas cenas para um documentário da TV Cultura de São Paulo chamado Biodiversidade: Primeiro Mundo é Aqui. Sentado na calçada em frente a um hotel, olhava enquanto a equipe carregava numa van os equipamentos de gravação. Até que o porteiro do hotel, correndo e batendo uma mão na outra, veio dizer, esbaforido: “Um avião derrubou o maior prédio de Nova York. Está lá, na televisão”. De fato, estava, deixando-nos todos perplexos. Mas era preciso partir. As “voadeiras” que nos levariam pararam, entretanto, num posto flutuante de combustíveis e lá havia uma televisão que mostrava um segundo avião derrubando uma segunda torre. Porém não tínhamos como esperar uma explicação, seguimos adiante. Nos cinco dias seguintes, como em Mamirauá não havia televisão nem telefone, ficamos, todos a circundar a reserva, a ver só água e florestas, sem nenhuma notícia, imaginando: será a terceira guerra mundial? Só no fim do quinto dia, num posto flutuante do Ibama, pudemos ver um noticiário de TV e entender o que acontecera. Continue lendo

A crise e a aposta de Ignacy Sachs para a Rio-2012

Entrevista com Ignacy Sachs

A urgência ambiental tem um encontro marcado no Brasil em 2012: o país sediará a Cúpula da Terra, o mais importante fórum da ONU sobre as agendas, compromissos e diretrizes em torno de um novo padrão de relação entre desenvolvimento e meio ambiente. O que a sustentabilidade do século XXI pode esperar de Estados inabilitados para sustentar a própria contabilidade? Em entrevista exclusiva à Carta Maior, o economista e sociólogo Ignacy Sachs apresenta as linhas gerais de uma proposta que pode ser o elo entre forças e agendas ainda desencontradas, mas de cuja afinidade depende em grande parte o êxito ou o fracasso da intervenção brasileira na Rio-2012 e, por que não, da própria cúpula.

Há cinco anos, o mundo quase não encontra tempo para respirar. Manchetes em cascata regurgitam evidências de um magma em erupção. Desde a eclosão da crise imobiliária nos EUA, a partir de 2007, os fatos se precipitam a uma velocidade que não deixa dúvida: a história apertou o passo. Na ventania desordenada surgem os contornos de uma crise sistêmica . Restrita aos seus próprios termos, a engrenagem das finanças desreguladas não dispõe de uma alternativa para o próprio colapso. Uma crise se desdobra em outra. Iniciativas convencionais e cúpulas decisivas adquirem a validade de um pote de iogurte. Continue lendo

Conferencia de Carlos Taibo sobre el decrecimiento

Conferencia desarrollada por Carlos Taibo en Getaria, el 4 de mayo de 2011.

Why fast fashion is slow death for the planet

With high-street chains churning out fresh designs every few weeks, we now buy more cheap clothes than ever before. But as Lucy Siegle reveals in her hard-hitting new book To Die For, it’s a trend that will cost us far more than we imagine

Lucy Siegle, The Observer, May 8, 2011

Every morning when I wake up I am confronted by my fashion history. Mistakes, corrections, good buys, bad buys, comfort buys, drunk buys: they refuse to go away. This is because my wardrobe is opposite my bed, and the door, like a broken zipper, will no longer pull across to hide the tale of excess. In the cold light of day many of the micro trends I’ve “invested in” – T-shirts with chains, a one-shouldered jumpsuit, and other designer lookalike items – merge to form a type of sartorial wasteland. Continue lendo

Poet Wendell Berry on Mankind’s Ecological Imprint

The author of more than 40 works of fiction, nonfiction, and poetry, Wendell Berry has been the recipient of numerous awards and honors.

The Washington Post, May 5, 2011

Clique aqui para ver o video.

Sustentabilidade em um mundo lotado

A exploração de recursos naturais é tão intensa que não podemos mais fingir que vivemos em um ecossistema ilimitado. Desenvolver uma economia sustentável em uma biosfera finita exige novas maneiras de pensar.

Herman E. Daly, Scientific American n 41, outubro de 2005

Objetos criados pelo homem atulham o meio ambiente. Teorias econômicas que funcionavam bem em um mundo vazio já não se adequam a um planeta lotado. Continue lendo

Embate entre expansão econômica e ambiente trava obras de infraestrutura

Usina hidrelétrica de Belo Monte, projeto de exploração do pré-sal, portos em São Paulo, Rio e Bahia e o Rodoanel paulista são casos polêmicos. Mesmo com as modificações nos planos, ONGs e o Ministério Público continuam alertando sobre os futuros impactos

Afra Balazina e Andrea Vialli, O Estado de S.Paulo, 20 de fevereiro de 2011

As dificuldades para conciliar desenvolvimento econômico e proteção ambiental travam as grandes obras de infraestrutura. Casos emblemáticos são a usina hidrelétrica de Belo Monte, o projeto de exploração do pré-sal e portos em São Paulo, Rio e Bahia, além do Rodoanel. Continue lendo