Lições de um verão escaldante

rio50graus_link620André Trigueiro, Mundo Sustentável / Envolverde, 10 de fevereiro de 2014

Este verão ainda nem acabou, mas já marcou seu lugar na História. Não apenas por ser dos mais quentes, mas por revelar o quanto ainda precisamos fazer para lidar melhor com os chamados “eventos extremos”. Vejamos algumas situações:

1) O verão mais quente dos últimos 71 anos no Brasil e as ondas de frio recorde no hemisfério norte podem ser fenômenos climáticos mais frequentes e intensos daqui para frente. É o que apontam os relatórios recentes do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU). Convém conhecer melhor esses estudos e incorporá-los ao planejamento estratégico dos países. Continue lendo

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Mudanças climáticas: janeiro é marcado por extremos de calor no Brasil

rio-atibaia-esta-com-nivel-de-agua-reduzidoCapitais registraram novos recordes de temperaturas e sofreram também com a falta de água; preço da energia dispara por causa do acionamento de termoelétricas.

Fabiano Ávila, Instituto CarbonoBrasil, 3 de janeiro de 2014

O janeiro de 2014 será lembrado por muitos brasileiros como um dos meses mais quentes de suas vidas. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre estão entre as cidades que estabeleceram novos recordes para o calor.

A capital paulista apresentou no mês passado a média de 31,9°C, a mais alta desde que as medições começaram, em 1943. Já o Rio de Janeiro teve média de 36,2°C, a maior dos últimos 30 anos. Por sua vez, os porto-alegrenses tiveram que enfrentar a média de 33,1°C, a mais quente desde 1916. Continue lendo

Mudanças climáticas: Amazônia mostra sinais de degradação

secamazonianasaEstudo liderado pela NASA afirma que a floresta está sofrendo com a escassez de chuvas e que já é possível visualizar alterações na região em imagens de satélite que podem indicar uma transformação do ecossistema em longo prazo.

Fabiano Ávila, Instituto CarbonoBrasil, 18 de janeiro de 2013

Em 2005 a Amazônia passou pelo que foi batizado de “a seca do século”. Não muito depois, em 2010, outra nova grande seca aconteceu. É claro que é esperado que durante os dois fenômenos a floresta sofra consequências. Porém, o que um novo estudo publicado nesta semana pela NASA alerta é que a floresta não se recuperou entre as duas estiagens. Assim, a agência aponta que há uma tendência de degradação na região e em uma área de 600 mil quilômetros quadrados isso já pode ser visto por satélites.

“Nossa grande surpresa é que os efeitos da seca persistiram bem depois de 2005. Esperávamos que a floresta se recuperasse um pouco a cada ano, mas não foi o que aconteceu. A degradação estava lá quando a seca de 2010 chegou e piorou ainda mais o quadro”, afirmou Yadvinder Malhi, pesquisador da Universidade de Oxford e um dos coautores do estudo. Continue lendo

Os inúteis caminhos para ‘derrotar a seca’

 seca-nordesteWashington Novaes, O Estado de S.Paulo, 30 de novembro de 2012

Com a cobertura mais frequente que a televisão vem dando nas últimas semanas à questão da seca no Semiárido nordestino, vai-se de espanto em espanto, diante da gravidade do panorama, da insuficiência – para não dizer ausência – de providências eficazes do governo federal e das informações sobre tudo o que se poderia fazer por caminhos competentes, mas não se faz. E tudo isso na mesma hora em que se vê a teimosia do foco oficial no projeto de transposição de águas, como se ele fosse o santo milagreiro – quando não é, já está custando quase o dobro do orçamento inicial (de R$ 4,6 bilhões para R$ 8,2 bilhões), com vários trechos parados, outros já necessitando de obras reparadoras e outros ainda, de novos “aditivos” nos orçamentos. Inacreditável.

Diz o Operador Nacional do Sistema Elétrico (Estado, 31/10) que o último mês de outubro foi o mais seco em toda a região nos últimos 83 anos. As opiniões de especialistas asseguram que se trata da mais forte estiagem entre 30 e 50 anos. Em depoimento na audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, o diretor da Secretaria Nacional de Defesa Civil do Ministério da Integração Nacional (Agência Brasil) afirmou que 10 milhões de pessoas foram atingidas em 1.317 municípios. Continue lendo

Drought Conditions Trigger Smallest Gulf ‘Dead Zone’ in Years

Yale Environment 360, August 24, 2012

U.S. scientists say the nation’s worst drought in five decades has had at least one positive effect: the smallest so-called “dead zone” seen in the Gulf of Mexico in years. In a 1,200-mile research cruise conducted in the waters of the gulf this month, scientists from Texas A&M University found only 1,580 square miles of oxygen-depleted, or hypoxic, water in the gulf, compared with 3,400 square miles last August. The hypoxic zone is created when algal blooms, caused by large amounts of fertilizer and nutrients washing into the gulf, remove oxygen from the water and suffocate marine life. According to the researchers, hypoxia was found only in the waters near the Mississippi River delta — which accounts for nearly 90 percent of all freshwater runoff in the gulf — and no hypoxia was observed off the Texas coast. “What has happened is that the drought has caused very little fresh-water runoff and nutrient load into the gulf, and that means a smaller region for marine life to be impacted,” said Steve DiMarco, an oceanography professor at Texas A&M.

O grande negócio da fome

A disponibilidade de alimentos – ou seja, a fome potencial – tornou-se um campo de afirmação do mercado de futuros e, como tal, cada vez mais dominado por uma lógica de especulação.

José Manuel Pureza, Esquerda.net, 18 de agosto de 2012

Multiplicam-se os indícios de uma crise alimentar global de gravidade idêntica à experimentada em 2008. Os preços de cereais como o milho, o trigo ou a soja vêm batendo recordes de preço em bolsa, com subidas de 23% para o milho e 19% para o trigo, num só mês, dando assim expressão a expetativas de colheitas tragicamente escassas, com quedas na ordem dos 2,5 milhões de toneladas (trigo).

Como em 2008, as explicações mais comuns voltam a ser casuísticas e técnicas, sugerindo que se trata de uma anomalia passageira a um estado das coisas bem ordenado, eficiente e justo. Ele é o aquecimento global, ele é o upgrade da dieta alimentar nos países mais pobres, ele é a transformação de países tradicionalmente auto-suficientes em países largamente importadores de alimentos. Ora, estas explicações, sendo em si mesmas acertadas e relevantes, não dão conta dos fatores de fundo que determinam a instalação da crise alimentar como situação normal. Na verdade, a persistência de longa duração de cerca de três mil milhões de pessoas com fome crónica e outros tipos de subnutrição não se explica por razões conjunturais. Continue lendo

As más lembranças e as megaobras

Washington Novaes, O Estado de S. Paulo, 17 de agosto de 2012

Há poucos dias, o 67.º aniversário da primeira bomba atômica, despejada sobre Hiroshima, provocou uma catadupa de artigos na comunicação mundial, já preocupada com as consequências que a guerra cibernética – aqui comentada na semana passada – possa a vir a ter nos destinos do planeta. Agora se começa a recordar que no final do mês será lembrado o 25.º aniversário do acidente com o césio 137 em Goiânia. Continue lendo

Calor, sequía, aumento de los costes de los alimentos y malestar global

Las guerras del hambre en nuestro futuro

Michael T. Klare, Tom Dispatch / Rebelión, 10 de agosto de 2012. Traducido del inglés para Rebelión por Germán Leyens

La Gran Sequía de 2012 todavía no termina, pero ya sabemos que sus consecuencias serán severas. Con más de la mitad de los condados de EE.UU. identificados como zonas de desastre por la sequía, es seguro que la cosecha 2012 de maíz, soja y otros alimentos básicos será inferior a los pronósticos. Esto, por su parte, aumentará los precios de alimentos dentro y fuera de EE.UU., causando más miseria para los agricultores y estadounidenses de bajos ingresos y dificultades mucho mayores para gente pobre en países que dependen de la importación de granos estadounidenses. Continue lendo

Turn of the century drought worst in 800 years, study says

National Snow & Ice Data Center, July 30, 2012

A new scientific study indicates the turn-of-the-century drought in the North American West was the worst of the last millennium—with major impacts to the carbon cycle and hints of even drier times ahead.

The study, titled “Reduction in carbon uptake during turn of the century drought in western North America,” indicates that the major drought that struck western North America from 2000 to 2004 severely reduced carbon uptake and stressed the region’s water resources, with significant declines in river flows and crop yields. It was published on July 29 in Nature-Geoscience. NSIDC scientist Kevin Schaefer is a co-author on the study, along with Christopher Williams of Clark University. The study was led by Christopher Schwalm of Northern Arizona University (NAU). Continue lendo

The Coming Hunger Wars: Heat, Drought, Rising Food Costs, and Global Unrest

Michael Klare, TomDispatch.com, August 7, 2012

The Great Drought of 2012 has yet to come to an end, but we already know that its consequences will be severe. With more than one-half of America’s counties designated as drought disaster areas, the 2012 harvest of corn, soybeans, and other food staples is guaranteed to fall far short of predictions. This, in turn, will boost food prices domestically and abroad, causing increased misery for farmers and low-income Americans and far greater hardship for poor people in countries that rely on imported U.S. grains. Continue lendo

Conocimientos científicos y decisiones políticas

Salvador López Arnal, El Viejo Topo, noviembre de 2011

[…] Los comunistas deben demostrar que sólo bajo condiciones comunistas podrán tornarse prácticas las verdades tecnológicas ya alcanzadas…
Carta de Marx [en Londres] a Roland Daniels [en Colonia], mayo de 1851

[…] Pero no quería que mi muerte fuese inútil, que mi vida se perdiese sin dejar rastro. Pensé en ti y en cómo habías estado buscando el espíritu de Henrik en todo lo que él había hecho o intentando hacer. Vine aquí para ver si las cosas eran tal como Henrik sospechaba, si detrás de toda aquella buena voluntad existía otra realidad, si detrás de los jóvenes idealistas se ocultaban personas de alas negras que utilizaban a los moribundos para sus propios fines.

-¿Y qué es lo que has visto?

La débil voz de Lucinda tembló al contestar:

-Crueldad …

Henning Mankel, El cerebro de Kennedy (2005)

Carmen Magallón [CM] hablaba recientemente en Público de la situación en Somalia [1]. Parece mentira, señalaba, “que en un mundo globalizado como el actual, en el que según los expertos hay comida suficiente para todos”, 13 millones -¡trece!, la tercera parte de la población española- de personas del cuerno de África –se ha hablado también en otras aproximaciones de 11,5 millones- estén afectadas por una crisis alimentaria que se ha cobrado hasta el momentos miles y miles de vidas. La falta de lluvias malogró las cosechas y la gente se está muriendo de hambre, proseguía CM. “La situación más grave se vive en Somalia donde, según Naciones Unidas, 29.000 niños menores de cinco años han muerto y 3,7 millones de personas necesitan asistencia humanitaria”. La hambruna ha causado un enorme flujo de desplazados y refugiados a Kenia y Etiopía. Continue lendo

Nas cisternas de placas, um avanço importante

Washington Novaes, O Estado de S.Paulo, 29 de abril de 2011

É uma boa notícia a de que o governo federal está lançando, como uma das âncoras para seu plano de erradicação da miséria, o Programa Água para Todos, voltado para o semiárido nordestino (Estado, 2/4). E que o programa, segundo informação da própria presidente da República a dirigentes sindicais, inclui a construção de 800 mil cisternas de placas. Continue lendo

Nasa mostra extensão da seca devastadora na Amazônia em 2010

Por meio de uma imagem de satélite, a Agência Espacial Americana, Nasa (sigla em inglês de National Aeronautics and Space Administration) mostrou o efeito devastador da seca recorde que atingiu, no ano passado, o bioma Amazônia.

Amazonia.org, 18 de abril de 2011

Segundo o site mongabay.com, estudos revelam que a seca de 2010 foi a mais extrema analisada até hoje. Uma nova pesquisa publicada na revista “Geophysical Research Letters” constatou que a seca devastou 2,5 milhões de quilômetros quadrados em 2010. Isso é mais do que quatro vezes a área impactada em 2005, quando houve um período de forte estiagem. Continue lendo

Programa de cisternas atrasa, mas alivia seca

Sob o sol impiedoso do Cariri paraibano, algumas poças d’água resistem na estrada de terra batida, herança da chuva que caiu na noite anterior. Historicamente castigada pela seca, a região vive os últimos dias do cenário verde propiciado pela bonança das águas. Do início de maio até dezembro, período da estiagem, a população local terá de colocar em prática a conhecida arte da austeridade hídrica, tarefa que ficou um pouco mais simples nos últimos anos para a minoria que possui cisternas em suas casas. Para os demais, a repetição do drama secular se avizinha.

Murillo Camarotto, Valor, 19 de abril de 2011

Não é o caso do vaqueiro José Severino Antonio, nascido e criado em Juazeirinho, a 215 quilômetros de João Pessoa. Aos 63 anos, o velho sertanejo tinha nos olhos o brilho de um garoto enquanto observava a escavação de sua segunda cisterna, que servirá para a agricultura. A primeira, dedicada exclusivamente à “água de beber”, chegou em janeiro, pondo fim a décadas de martírio. “Tomar uma aguinha limpa é bom demais”, celebrou ele, enquanto a mulher lhe servia um copo generoso. Continue lendo

Estudo aponta impacto de seca na Amazônia sobre o clima mundial

Stuart Grundgins, Reuters / O Estado de S.Paulo, 3 de fevereiro de 2011

A seca do ano passado na Amazônia foi pior que a “estiagem do século” de 2005, e pode ter tido para o aquecimento global um impacto maior do que os Estados Unidos provocam em um ano, disseram cientistas brasileiros e britânicos nesta quinta-feira.

A maior frequência de secas como as de 2005 e 2010 ameaça transformar a maior floresta tropical do mundo em uma fonte de gases do efeito estufa, ao invés de uma esponja que os absorve, acelerando o aquecimento global. Isso ocorre porque as árvores, que normalmente absorvem o dióxido de carbono ao crescerem, ajudando a refrescar o planeta, liberam esses gases quando morrem e apodrecem. Continue lendo

Crop Failures and Drought Within Our Children’s Lifetimes

Steve Connor, The Independent, November 30, 2010

Children today are likely to reach old age in a world that is 4C warmer, where the 10,000-year certainties of the global climate can no longer be relied on, and widespread crop failures, drought, flooding and mass migration of the dispossessed become a part of everyday life.

This dire scenario could come as early as the 2060s – well within the lifetime of today’s young people. It could mark the point when, for the first time since the end of the Ice Age, human civilisation has to cope with a highly unstable and unpredictable global climate. Continue lendo

Mobilização para conviver com a aridez e a água

Fabiana FrayssinetIPS, 29 de outubro de 2010 

Rio de Janeiro, Brasil, (IPS) – A pitoresca, para quem vê de fora, paisagem de mulheres carregando pesadas vasilhas com água em suas cabeças começa a ser coisa do passado em vários lugares do semiárido brasileiro, em razão de uma iniciativa simples que se expande para outros países: a coleta e o armazenamento de água da chuva.

“As mulheres caminhavam de seis a oito quilômetros carregando 20 litros na cabeça. Duas vezes por dia, percorriam pelo menos 24 quilômetros diários para buscar água”, disse à IPS o coordenador executivo da Asa, Naidison Baptista, que promove o programa “Um milhão de cisternas rurais”. Continue lendo

Seca faz Rio Solimões atingir recorde negativo de volume

Já o Rio Negro está medindo 16,02 m em um porto de Manaus. Em 2009, a medição era de 20,40 m

Liege Albuquerque, Agência Estado, 8 de outubro de 2010

A seca do Rio Solimões bateu nesta sexta-feira, 8, novo recorde: foram registrados 60 centímetros negativos na régua de medição no porto de Tabatinga, a 1.105 quilômetros de Manaus.

O recorde anterior havia sido registrado no dia 7 de setembro, com 36 centímetros negativos – já abaixo da medida recorde no rio, segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), de 2 centímetros negativos, em 2005. No mesmo dia de 2005, o Solimões estava com 54 centímetros. Continue lendo

Queimadas: MT registra pior desastre de sua história

Só Notícias, Amazonia.org.br, 24 de setembro de 2010

As queimadas este ano causam o maior desastre da história em Mato Grosso. A devastação já gerou prejuízos financeiros avaliados em mais de R$ 200 milhões. Os danos ambientais e à saúde da população, por outro lado, são incalculáveis. Hoje, a quantidade de focos (mais de 194 mil) é semelhante a registrada em 2005, ano que era considerado o mais crítico desta década pelos pesquisadores. Mas agora há acréscimo na extensão das áreas incendiadas. No Brasil, o fogo em áreas florestais levaram outros 14 estados a uma situação caótica. Continue lendo

Umidade do ar chega a 15% e coloca São Paulo em estado de alerta

Folha de S.Paulo, 13 de setembro de 2010

A umidade relativa do ar caiu ainda mais no início da tarde desta segunda-feira e chegou a 15% por volta das 13h30, colocando a cidade em estado de alerta. Na estação automática do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a marcação de umidade mínima chegou a ficar em 12%, igualando ao menor nível do ano, registrado em 27 de agosto. Apesar disso, ela não é considerada oficial.

Mais cedo a cidade já tinha entrado em atenção, após ficar com a umidade abaixo dos 30%. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), índices de umidade relativa do ar inferiores a 30% caracterizam estado de atenção; de 20% a 12%, estado de alerta; e abaixo de 12%, estado de alerta máximo. Os principais efeitos da baixa umidade são secura na garganta e nos olhos e problemas respiratórios. Continue lendo