Belo Monte no ENEM: o errado vira certo

De forma geral, a marca maior desta passagem do PT pela presidência da República será o descaso com o meio ambiente. Mas Belo Monte não será apenas um exemplo entre muitos outros. Mais que a maior obra do PAC, seria aquela com os impactos mais amplos e profundos, com conseqüências continentais e repercussão mundial

Rodolfo Salm, EcoDebate, 8 de dezembro de 2010

Leciono na faculdade de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará, em Altamira, no Xingu, onde se pretende construir a hidrelétrica de Belo Monte. Apesar de os meus futuros alunos estarem sendo selecionados pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), eu vinha acompanhando apenas por alto os vários problemas das provas. Continue lendo

Mangabeira, o desbravador da mata

mangabeira-ungerRodolfo Salm, Correio da Cidadania, 31 de outubro de 2008

Em meu último artigo, arrisquei afirmar que a cidade de Altamira, na beira do rio Xingu, em uma região ainda relativamente bem preservada no centro do estado do Pará, estará no olho do furacão das grandes lutas ambientais. Um evento em particular, ocorrido no dia 20 de agosto último, reforçou esta impressão. Descobri que, a poucas quadras da universidade, a governadora do Pará, Ana Julia Carepa, e o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, lançariam o Plano Amazônia Sustentável (PAS) no município. Continue lendo

Guerra mundial no Xingu?

Por Rodolfo Salm
Fonte: Correio da Cidadania, 13 de junho de 2008

Apesar de Altamira estar a “apenas” 450 quilômetros em linha reta de Belém, são necessárias quase 24 horas de viagem de ônibus da capital paraense até lá. E as companhias aéreas locais cobram pelo trecho o mesmo preço de passagens para o Rio ou São Paulo, a mais de 2 mil quilômetros dali. Então, a despeito da grande vontade que tive de comparecer à manifestação dos povos indígenas do Xingu contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, resolvi ficar em Belém e acompanhar o seu desenrolar de casa, pela mídia e pelas notícias trazidas pelos amigos que lá estiveram. No artigo que publiquei no dia 21 de maio, após o incidente envolvendo os índios armados de facões e o engenheiro da Eletrobrás, defendi que o corte em seu braço direito foi provavelmente acidental. Escrevi que ele obviamente não foi “atacado a golpes de facão” como noticiou em peso a grande imprensa, pois, se o fosse, teria inevitavelmente morrido, e que o corte foi uma ameaça simbólica, ou uma conseqüência não intencional. Continue lendo