Jogos do Rio podem custar 4 vezes mais

bandeiraA realização de Jogos Olímpicos oferece grande risco financeiro e a Olimpíada do Rio pode chegar a ficar três vezes mais caro do que o orçamento inicial, na opinião de uma pesquisadora da Universidade de Oxford.

BBC Brasil, 30 de janeiro de 2014

Allison Stewart, coautora de um estudo que concluiu que as Olimpíadas desde 1960 têm estourado orçamentos em 252%, diz ver o risco de que os Jogos do Rio tenham um aumento na mesma magnitude do verificado nos Jogos de Londres em 2012, orçados inicialmente em US$ 3,95 bilhões e com custo final de US$ 15 bilhões – um aumento de mais de quatro vezes o valor inicial.

“Com base nos nossos estudos e no que temos visto do Rio eu diria que não é impossível que o orçamento dos Jogos de 2016 também tenha um aumento nesta magnitude”, disse ela em entrevista à BBC Brasil. Continue lendo

Organizações preparam ato nacional contra o investimento nas obras para a Copa neste domingo

protesto_licitacao_maracana_andur2O Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro realiza neste domingo (30), dia da final da Copa das Confederações no estádio do Maracanã, o ato nacional “Domingo eu vou ao Maracanã por direitos”. A caminhada pacífica terá concentração a partir das 10h na Praça Saens Peña e seguirá até a Praça Afonso Pena. O objetivo é protestar contra obras relacionadas com a Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (2016) e levantar uma série de questionamentos sobre os gastos com as obras de preparação aos megaeventos mundiais esportivos frente aos investimentos precários nas áreas de saúde e educação.

 Tatiana Félix, Adital, 28 de junho de 2013

Segundo Sandra Quintela, coordenadora da Rede Jubileu Sul Américas, a ideia é fazer atos descentralizados ao mesmo tempo em várias cidades do país, como forma de potencializar as manifestações em todos os locais. De acordo com ela, os pontos principais da pauta de reivindicações são a anulação imediata da privatização do estádio Maracanã, “que foi feita com cartas marcadas”, e o fim das remoções não só no Rio de Janeiro, mas em todo o Brasil. Ela ressaltou que o estádio Maracanã deve servir para a população de todo o Brasil e que a comunidade do Horto e a Vila Autódromo, locais onde as famílias sofrem ameaça de remoção, não podem ser removidas e, por isso, pedem a permanência, urbanização e regularização fundiária dessas e de outras comunidades do Rio. Continue lendo

Rio perdeu o pudor de adotar o terrorismo de Estado como política pública

maraLeonardo Sakamoto, Blog do Sakamoto, 26 de junho de 2013

O governo do Estado do Rio de Janeiro enlouqueceu. Não há outra forma de descrever o comportamento de suas forças de segurança nas últimas semanas. E olha que quem escreve é um morador de São Paulo, que possui uma das polícias mais meigas do país. Não estou surpreso com a violência desmesurada ou com o pouco respeito à vida e à dignidade, mas pelo fato do governo ter perdido o pudor e não se preocupar mais em esconder as besteiras que faz.

Primeiro, a selvageria contra manifestantes que marchavam em paz no Centro da capital carioca sem nenhum constrangimento, ignorando que o comportamento de um grupo de idiotas não pode justificar o tratamento ignóbil dispensado à imensa maioria pacífica. Os policiais não atuavam entre os que causavam danos ao patrimônio público, mas intimidavam ostensivamente qualquer um que não estivesse em casa vendo a novela. Isso sem contar as bombas de gás, balas de borracha e spray de pimenta lançados contra quem protestava pacificamente próximo ao estádio do Maracanã.

Somado a isso, o pânico provocado no Complexo da Maré com a operação que deixou, pelo menos, dez mortos – inclusive um policial. Supostamente, em busca de supostos responsáveis por um arrastão e, depois em clara vingança pela morte de um sargento, a força pública esculachou moradores, invadiu casas, abusou da autoridade, enfim. Centenas se reuniram para protestar contra a presença do Bope na favela e a própria polícia – pasmem – reconheceu que inocentes foram mortos. Continue lendo

Shocking images of police violence draw much-needed attention to protests and larger issue of police brutality

Lauren McCauley, Common Dreams, June 19, 2013

Associated Press photographer Victor R. Caivano captured this powerful image of a military police officer pepper-spraying a female protester during a demonstration in Rio on Monday night, June 17, 2013.

A more widely-cropped version of the now viral photograph shows just how isolated the woman was when she was attacked by officers in Rio de Janiero, Brazil Monday evening. (Photo: Victor Caivano)A captured instance of brazen police brutality against a civilian has, once again, captured the attention of the global community. The shocking photograph of a lone woman being pepper sprayed at close range by Brazilian police has gone viral, drawing criticism and attention to the ongoing mass demonstrations in Brazil—at which the attack took place—and the chronic undercurrent of police violence that so often follows peaceful citizen uprisings. Continue lendo

Saiu o perfil dos manifestantes

Perfil dos manifestantes no Rio

Que a primavera carioca contagie o Brasil

Das Colinas de Golan à Serra Pelada: a Polícia e a organização do crime no Rio de Janeiro.

José Cláudio Souza Alves, IHU On-line, 17 de fevereiro de 2011

Como dizia Marx, a história, quando se repete, ou é como farsa ou como tragédia. Na Guerra do Rio, vimos a farsa na transformação midiática do aparato policial em “heróis” que retomavam as Colinas de Golan, no dia “G” do sistema Globo e demais subordinados.

Na atual crise da polícia do Rio de Janeiro a repetição nos vem como tragédia. Os “heróis” libertadores do Complexo do Alemão e Vila Cruzeiro transformam-se, como num passe de mágica, nos rapinadores que roubam a população, saqueiam o espólio dos traficantes e revendem drogas e armas de volta para o crime, além de venderem informações para os criminosos e fazerem segurança de bingos e caça-níqueis. Continue lendo

Represas evidenciam que é preciso ter pressa

Washington Novaes, O Estado de S. Paulo, 11 de fevereiro de 2011

É inacreditável e ameaçadora a lentidão com que reage – quando reage – o poder público, no Brasil, diante de fenômenos rápida e progressivamente mais frequentes e mais intensos, como têm sido os “desastres naturais” provocados por chuvas volumosas, em curto espaço de tempo – abalando estruturas rodoviárias (pontes, aterros, pistas, barrancos) e, cada vez mais, estruturas urbanas. Está mais do que evidente que essas estruturas mais antigas não foram calculadas para suportar o peso, a pressão, o volume, a rapidez com que chega a água. Da mesma forma, não se consegue reagir adequadamente aos fantásticos volumes de água que se acumulam nas cidades e não conseguem vazão suficiente em rios e canais estreitados, canalizados, assoreados. Piscinões não suprem os espaços que se tornam necessários pela impermeabilização do solo urbano e pelas redes de drenagem insuficientes e entupidas. Continue lendo

Catástrofe na região serrana do Rio já é o maior desastre climático do País

Mortos são 785, mesmo número de enchente no Rio em 1967. Em ranking da ONU, também é o 8º maior deslizamento do mundo

Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo, 22 de janeiro de 2011

A tragédia da região serrana do Rio se igualou ontem ao maior desastre climático da história do País. Até as 22 horas de ontem, as autoridades contabilizavam 785 mortos, o mesmo número de vítimas da enchente do Rio em 1967, segundo ranking da ONU. O número tende a aumentar, pois o Ministério Público fluminense estima que ainda existam 400 desaparecidos nos seis municípios devastados pelas chuvas do dia 12.

O desastre também entra para os registros da ONU como o 8.º pior deslizamento da história mundial. O maior evento dessa natureza, segundo o Centro para a Pesquisa da Epidemiologia de Desastres, ocorreu em 1949, na antiga União Soviética, com 12 mil mortes. O segundo maior foi no Peru, em dezembro de 1941, e deixou 5 mil vítimas. Continue lendo

A surda guerra oculta

Francisco de Oliveira, O Estado de S. Paulo, 5 de dezembro de 2010

A celebração quase unânime do assalto das forças estatais aos morros da Vila Cruzeiro e Complexo do Alemão revela mais de nossa sociedade, dos impasses da política e do exercício do poder do que as firulas do PMDB e o negaceio do PT em torno da formação do governo da presidente Dilma.

Sob o mantra do combate ao crime organizado, o que se oculta é uma surda guerra de classes na outrora charmosa e agora ultraperigosa Cidade Maravilhosa. Essa guerra explode de tempos em tempos nos “bondes” (o termo é aplicado aos bandidos) das forças repressivas, levantando apenas a ponta do iceberg. Na verdade, nossa cidade mais bonita, ao lado de Salvador, que fazia os encantos dos brasileiros nas décadas de 40 e 50 do século passado, não resistiu à emergência da pobreza rude e sem eufemismos, como aqueles que cantava Sílvio Caldas em seu Favela. Continue lendo

O tráfico no Rio e o crime organizado transnacional

Marco Aurélio Weissheimer, Carta Maior, 3 de dezembro de 2010

Os verdadeiros chefes do narcotráfico no Rio de Janeiro são ligados à rede do crime organizado transnacional que movimenta no sistema bancário internacional cerca de 400 bilhões de dólares por ano. Esses são os grandes responsáveis pela violência e pelo tráfico de drogas e armas em todo o mundo. A situação que vemos no hoje no Rio reflete um quadro internacional, onde as polícias só conseguem apreender entre 3 e 5% das drogas ofertadas no mercado. É preciso ter em mente essa dimensão global do crime organizado na hora de buscar soluções para enfrentar o problema em nossas cidades. A avaliação é do jurista Wálter Maeirovitch, colunista da revista Carta Capital e ex-secretário nacional antidrogas da Presidência da República. Continue lendo

Violência no Rio. Milícias em berço esplêndido, segundo críticas ao governador Cabral.

Wálter Fanganiello Maierovitch, Terra Magazine, 2 de desembro de 2010

1. Enquanto as forças de ordem realizavam varredura no Complexo do Alemão, os paramilitares organizados em milícias tentaram, a bala, retomar o controle do Morro dos Dezoito.

Esse oportunismo miliciano saiu pela culatra, pois serviu para engrossar o coro dos descontentes com o governo de Sérgio Cabral, que querem repressão às milícias e consideram a repressão na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão puro engodo e marketing político. Em outras palavras, aumentou a pressão voltada a cobrar imediata repressão às milícias. Continue lendo

O símbolo sexual e a guerra civil

Eugênio Bucci, O Estado de S. Paulo, 2 de dezembro de 2010

A arte inspira a vida – Não faz um mês, o ator Wagner Moura estrelou a capa da revista Veja, em trajes de capitão Nascimento, seu personagem em Tropa de Elite. A chamada, em letras alaranjadas, falava bem dele: O primeiro super-herói brasileiro.

Falava muitíssimo bem, e com razão. O primeiro Tropa de Elite foi um sucesso histórico. O segundo, agora, caminha para alcançar 10,7 milhões de espectadores e bater o recorde de público do cinema brasileiro – recorde que pertenceu, por décadas, a Dona Flor e seus Dois Maridos, de Bruno Barreto, lançado em 1976. O capitão Nascimento é tão adorado quanto sádico. No filme de estreia, torturava seus prisioneiros, enfiando-lhes a cabeça em sacos plásticos até fazê-los sangrar pelo nariz. No longa-metragem deste ano, o capitão foi promovido a coronel e, munido da nova patente, espanca políticos corruptos até nocauteá-los, ou quase. Fora isso, Nascimento é um herói que inspira derretimentos femininos: bonitão, voz grave, coração machucado (a mulher trocou-o por um ativista dos direitos humanos), o homem é o símbolo sexual da temporada. Continue lendo

Não haverá mudança no Rio com corrupção policial, afirma antropólogo

Luiz Fernando Vianna entrevista Luiz Eduardo Soares, Folha de S. Paulo, 2 de dezembro de 2010

Quando lançou o livro “Elite da Tropa 2”, o sr. deu declarações apontando que “o tráfico já era”. Agora, com a operação no Complexo do Alemão, chegou a ser ridicularizado, como se os fatos provassem que estava errado. O tráfico já era mesmo?

Sim, já era como tendência. O negócio de drogas vai muito bem, obrigado, mas não o tráfico na sua forma que envolve, no Rio, controle territorial, organização de grupos armados, pagamento a policiais, conflito com facções, num contexto político crescentemente antagônico e com pressões sobre os governos, pois a consciência pública vai amadurecendo e se tornando mais refratária a conviver com o ilegal nessa magnitude. Continue lendo

Rio corre atrás de alternativas para renda do tráfico

O tráfico do Rio teve um prejuízo de mais de R$ 100 milhões. A afirmação do secretário de Segurança do Estado, José Mariano Beltrame, foi feita na apresentação do material apreendido na operação do Complexo do Alemão. Em dois dias de ocupação, os policiais apreenderam 135 armas, 33 toneladas de maconha, 235 quilos de cocaína, 27 quilos de crack e 1.406 frascos de lança perfume.

Paola de Moura e Chico Santos, Valor, 1 de dezembro de 2010

O volume de armamento e drogas mostra a capacidade financeira dos traficantes. Sua redução, porém, poderá causar um impacto no comércio e na economia das favelas, pelo menos, no início. O ex-prefeito Cesar Maia relatou, em sua newsletter, que, em 2001, foi conversar com os moradores do Jacarezinho, que havia sido ocupada pela polícia. “As pessoas, comerciantes, famílias e trabalhadores, relacionavam a ocupação a uma crise de emprego, de salários e no comércio na comunidade. A razão era que, com o fechamento das ‘bocas’, a circulação de dinheiro havia diminuído muito, afetando o comércio e o emprego.” Continue lendo

No Rio, massacre e espetáculo são o novo significado de ‘segurança pública’

Beatriz Vargas Ramos, Correio da Cidadania, 1 de dezembro de 2010

“Segundo a investigadora Vera Malaguti, o inimigo público número um está sendo esculpido tendo por modelo o rapaz bisneto de escravos, que vive nas favelas, não sabe ler, adora música funk, consome drogas ou vive delas, é arrogante e agressivo, e não mostra o menor sinal de resignação” (Eduardo Galeano, De pernas para o ar: a escola do mundo ao avesso).

Desde domingo passado (21/11/2010), quando surgem os primeiros incêndios de veículos nas ruas do Rio de Janeiro e a imprensa dá início à cobertura dos fatos, uma voz vem repercutindo e crescendo acima do burburinho e do bombardeio – o outro bombardeio, o das imagens, estáticas ou dinâmicas, que vêm de todas as direções. Parece existir uma esperança no ar, algo semelhante àquele sentimento que paira em final de copa do mundo, de que, desta vez, sim, a vitória está garantida! Continue lendo

A ação policial e militar no Complexo do Alemão é uma regressão

IHU On-line entrevista Ignácio Cano, IHU On-line, 1 de dezembro de 2010

Enquanto o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, era ocupado pela polícia no domingo, operação que segue ainda durante a semana, iniciou-se a discussão do sentido e do que está em jogo com essa ação da polícia. Para o sociólogo Ignácio Cano, a “grande ação” de ocupação do Alemão “é uma regressão no sentido dessas políticas públicas reativas que consistiam numa retaliação territorial contra áreas cujos dirigentes criminosos, teoricamente, teriam ordenado as ações na cidade”. Em entrevista concedida por telefone à IHU On-Line, Cano fala sobre o posicionamento da polícia e das autoridades e aponta soluções para o problema do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. “Pela experiência das UPPs todas as comunidades têm agora a perspectiva da pacificação. A entrada da polícia significa a possibilidade de que o Alemão seja, finalmente, pacificado. Por isso, não me surpreende o apoio que a população tem dado. Mas não podemos esquecer que quando o tráfico e a própria milícia querem pacificar o local, eles também recebem o apoio de parte da população. O que as pessoas querem é viver tranquilas, é voltar para casa sem medo de tiroteio… qualquer um que fornecer isso será apoiado”, afirmou. Continue lendo

Lições da guerra carioca

Ricardo Vélez Rodríguez, O Estado de S. Paulo, 1 de dezembro de 2010

Passada a intervenção policial e militar que pôs fim ao império do tráfico no Complexo do Alemão e nas favelas que integram a comunidade de Vila Cruzeiro, na Penha, vale a pena refletir acerca do que do episódio se pode tirar a limpo, em termos de políticas de segurança pública, a fim de que, em outras oportunidades, não se repitam erros do passado e a população se beneficie com ações mais bem planejadas no combate à criminalidade. Continue lendo

A revolução do twitter. O conflito no Complexo Alemão em tempo real de dentro para fora

Uma revolução na cobertura jornalística dos conflitos no Complexo Alemão está acontecendo e ela vem pelo twitter, particularmente pelo @vozdacomunidade

Cesar Sanson, pesquisador do Cepat, 28 de novembro de 2010. Reproduzido de IHU On-line.

O twitter é porta-voz do jornal Voz da Comunidade distribuido no Complexo do Alemão há cinco anos. As notícias do @vozdacomunidade em tempo real apresentam uma particularidade, as notícias vêm de dentro e não de fora.

O twitter @vozdacomunidade já existe faz tempo, porém, em poucas horas, pulou de uma centena de seguidores para mais de 20 mil – até o fechamento desse texto. Isso em pouco mais de 24 horas. O twitter @vozdacomunidade passou a ser uma fonte alternativa de informações de que vê e está dentro do conflito, ao contrário da grande imprensa que depende das fontes oficiosas. Continue lendo

Não haverá vencedores

Marcelo Freixo, Folha de S.Paulo, 28 de novembro de 2010

Pode parecer repetitivo, mas é isso: uma solução para a segurança pública do Rio terá de passar pela garantia dos direitos dos cidadãos da favela

Dezenas de jovens pobres, negros, armados de fuzis, marcham em fuga, pelo meio do mato. Não se trata de uma marcha revolucionária, como a cena poderia sugerir em outro tempo e lugar. Eles estão com armas nas mãos e as cabeças vazias. Não defendem ideologia. Não disputam o Estado. Não há sequer expectativa de vida. Só conhecem a barbárie. A maioria não concluiu o ensino fundamental e sabe que vai morrer ou ser presa. Continue lendo