Sacrificando a biodiversidade no altar dos mercados

A UE, assim como vários outros governos do mundo, pretende criar um mercado global para a biodiversidade. A ideia é que passaria a ser possível, por exemplo, a uma empresa destruir um rio construindo uma mega-barragem num ponto do planeta, desde que pague a outra empresa para preservar um rio noutro ponto do planeta.

Ricardo Coelho, Esquerda.net, 18 de outubro de 2012

Os sucessivos acordos internacionais sobre biodiversidade têm falhado no seu objetivo de travar a destruição sistemática de espécies pela máquina produtiva capitalista. Mas os líderes dos países mais desenvolvidos têm uma ideia revolucionária para preservar a biodiversidade: usar o poder dos mercados financeiros. Continue lendo

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Os abutres que lucram com a crise

Talvez o melhor exemplo de quem lucra com a crise seja dado pelos “fundos abutre”. Estes fundos têm como finalidade comprar dívida de países em dificuldades financeiras a um preço tão baixo quanto possível.

Ricardo Coelho, esquerda.net, 21 de setembro de 2011

Quando vemos a actividade económica a entrar numa recessão prolongada como a que atravessamos, tendemos a pensar que este é o pior momento para investir. Mas há quem lucre no meio da crise e há mesmo quem lucre com a crise. Continue lendo

E o crescimento, para quê?

O crescimento da actividade económica não deve ser o objectivo de uma economia socialista ou em transição para o socialismo.
opiniao

Ricardo Coelho, Esquerda.net, 14 de agosto de 2011

Num momento em que as políticas de austeridade redistribuem riqueza dos pobres para os ricos e destroem a actividade económica, parece uma loucura colocar em questão o crescimento económico como objectivo político. Afinal, a crítica comum às políticas de austeridade, de cariz keynesiano, é a de que estas políticas travam o crescimento económico, agravando a recessão. Permitam-me, contudo, defender que o crescimento da actividade económica não deve ser o objectivo de uma economia socialista ou em transição para o socialismo. Continue lendo

Menos

A resposta da esquerda à crise não se pode limitar a soluções que visem o relançamento do consumo.

Ricardo Coelho, Esquerda.net, 24 de abril de 2011

Quando perguntaram a Samuel Gompers, fundador e ex-presidente da AFL-CIO, a maior central sindical dos EUA, o que queriam os trabalhadores ele simplesmente respondeu “mais!”. Hoje, podemos responder ainda da mesma forma quando nos perguntam o que quer a esquerda. Queremos mais direitos, mais emprego, mais prosperidade e mais bem-estar. Mas atrevo-me a acrescentar, por mais difícil que o seja fazer em período de crise, que poderíamos responder com a mesma assertividade “menos!” a esta questão. Continue lendo

Dilemas atômicos

Apesar de todos os riscos inerentes à energia nuclear, ainda há alguns ambientalistas que seguem a lógica do mal menor, defendendo a sua expansão como um mal menor face à utilização de carvão.

Ricardo Coelho, Esquerda.net, 27 de março de 2011

Apesar de todos os riscos inerentes à energia nuclear, ainda há alguns ambientalistas que seguem a lógica do mal menor, defendendo a sua expansão como um mal menor face à utilização de carvão. Continue lendo

O mercado de carbono europeu na base do capitalismo fóssil

Todo o tipo de argumentos ridículos são usados para disfarçar o facto de que o mercado de carbono não reduz emissões, nem irá reduzir no futuro.

Ricardo Coelho, Esquerda.net, 9 de março de 2011

Todo o tipo de argumentos ridículos são usados para disfarçar o fato de que o mercado de carbono não reduz emissões, nem irá reduzir no futuro.

Em 1997, quando o Protocolo de Quioto estava a ser negociado, a UE opôs-se à proposta dos EUA de introduzir o comércio de direitos de emissão de carbono como forma de cumprimento das metas de redução de emissões, favorecendo antes políticas e medidas coordenadas. Mas em 2001, quando os EUA abandonaram unilateralmente as negociações climáticas, a UE tinha já mudado a sua posição, tendo-se tornado uma ávida entusiasta da ideia de entregar o destino da política climática a um mercado especulativo. Em 2005, lóbis industriais como a UNICE (indústria) e a EURELECTRIC (produtores de energia) e grandes corporações petrolíferas, como a BP e a Shell, finalmente conseguiram o que queriam: um mercado europeu para direitos de emissão de CO2 que permitiria à indústria continuar a poluir e até obter um lucro. Continue lendo

Os dois paradoxos de Ellsberg

Ellsberg foi o economista e ex-militar que abalou as bases tanto da ortodoxia económica como da guerra imperialista.

Ricardo Coelho, Esquerda.net, 1 de janeiro de 2011

Nestes tempos em que enfrentamos mais uma crise bolsista e em que Julian Assange, a cara do Wikileaks, é perseguido criminalmente por ter divulgado documentos secretos do governo dos EUA, vale a pena lembrar a história de Daniel Ellsberg, o economista e ex-militar que abalou as bases tanto da ortodoxia económica como da guerra imperialista.

Ellsberg estudou economia em Harvard, tendo-se juntado à RAND Corporation, um think-tank com ligações ao exército dos EUA, onde trabalharam muitos economistas famosos. Aí fez parte de um grupo que estudava teoria da decisão, liderado por John von Neumann, do qual saiu a teoria da utilidade esperada, em 1944. Continue lendo

Agora a bola está do nosso lado

A cimeira de Cancún surge como mais uma tentativa de reanimar um mercado especulativo que apresenta já sinais de fraqueza.

Ricardo Coelho, Esquerda.net, 15 de dezembro, 2010

A cimeira de Cancún surge como mais uma tentativa de reanimar um mercado especulativo que apresenta já sinais de fraqueza. Continue lendo

Cientistas alertam para necessidade de reduzir emissões

A mais antiga publicação científica do mundo estudou o que aconteceria caso o Acordo de Copenhaga fosse cumprido. No pior dos cenários, enfrentaremos um aquecimento global de 4ºC até 2060, no cenário mais provável este nível será alcançado até 2070

Ricardo Coelho, Esquerda.net, 1 de dezembro de 2010

As consequências do aquecimento global são catastróficas. No momento em que as negociações climáticas prosseguem com outra cimeira, em Cancún, México, a comunidade científica tem alertado os líderes mundiais para a necessidade de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, responsáveis pelas alterações climáticas. Neste momento já se sabe que 2010 será um dos anos mais quentes de sempre e que as emissões continuam a aumentar. Continue lendo

O euro como um impossível projeto neoliberal

O problema de fundo é o de que temos uma moeda única sem um estado, sem uma união política e sem mecanismos de redistribuição de rendimento entre estados.

Ricardo Coelho, Esquerda.net, 21 de outubro de 2010

Em 1944, Karl Polanyi, no seu magistral livro “A grande transformação”, mostrava como o capitalismo se tem desenvolvido desde o século XIX à custa de forte intervenção estatal. A sua famosa frase “o laissez-faire foi planeado, o planeamento não” ilustrava a ideia de que a crescente desregulação dos mercados foi um projecto estatal, cujas consequências nefastas levaram a um processo de re-regulação. Em última instância, o movimento de liberalização apoiado no mito dos mercados auto-regulados acarreta pesadíssimos custos em termos de desemprego, pobreza e degradação ambiental, pelo que levará à desintegração da sociedade caso não seja travado. Continue lendo

O mundo em marcha-ré

Alterações climáticas: torna-se evidente que nenhum acordo vinculativo será assinado em Cancún.

Ricardo Coelho, Esquerda.net, 9 de outubro de 2010

Nesta semana, decorre em Tanjin, China, a última conferência de preparação para a cimeira de Cancún, México, onde será discutido pela comunidade internacional o futuro do Protocolo de Quioto. A cada ano que passa, os avisos que vêm da investigação científica sobre alterações climáticas tornam-se mais dramáticos. Sabemos hoje, melhor que nunca, que temos a obrigação de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa drasticamente nos próximos anos, sob pena de termos de viver num mundo com um clima muito mais agreste, o que terá consequências graves sobretudo para os mais pobres do planeta. Continue lendo

O mito do consumo responsável

Este mito diz-nos que podemos mudar o mundo pelo consumo, usando o nosso dinheiro para “votar” em produtos ecológicos. Obviamente, a realidade é muito diferente.

Ricardo Coelho, Esquerda.net, 25 de agosto de 2010

Um dos mitos propagandeado pelos diáconos do capitalismo e apropriado acriticamente por muitas ONGs é o do consumo responsável. Este mito diz-nos que podemos mudar o mundo pelo consumo, usando o nosso dinheiro para “votar” em produtos ecológicos. Assim se transfere a responsabilidade pela crise ecológica dos produtores para os consumidores e se cria a ilusão de que vivemos numa “democracia de mercado”. Obviamente, a realidade é muito diferente.

Dizer que consumindo produtos que vão de encontro a determinados padrões de ética ambiental podemos ter um impacto positivo no mundo em que vivemos é enfatizar uma evidência. Mas partir daqui para defender que a mudança social pode vir da acção descentralizada de consumidores individuais é não perceber nada sobre como funciona o sistema capitalista. Continue lendo

O capitalismo lava mais verde

O mito da responsabilidade ambiental das empresas atinge hoje proporções alarmantes, com as empresas a gastar mais dinheiro em práticas de “esverdeamento” da imagem que em medidas de combate à poluição.

Ricardo Coelho, Esquerda.net, 14 de agosto de 2010

“No conceito de “greenwash” cabem todas as práticas pelas quais uma empresa transmite a ideia de que está preocupada com o bem-estar do planeta quando na realidade nada faz para reduzir o seu impacto na natureza”. Foto blogue eco-action.
Nas últimas décadas, as campanhas de educação ambiental tiveram como resultado um aumento da procura por produtos ecológicos. Naturalmente, a maioria das empresas reagiu a esta evolução da procura investindo não na limpeza dos seus métodos produtivos mas antes em propaganda de limpeza de imagem. A prática tornou-se de tal forma generalizada que foi cunhado o termo “greenwash”(1) para a designar.

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Porque sou vegetariano

Quero hoje, num registo mais pessoal que o costume, deixar uma resposta a esta pergunta.

Ricardo Coelho, Esquerda.net, 17 de julho de 2010 

Há cerca de seis anos, tornei-me vegetariano. Esta opção de vida ainda é pouco comum em Portugal, pelo que é corrente pessoas conhecidas perguntarem-me o porquê de ter tomado a decisão de deixar de consumir carne, peixe e produtos animais. Quero hoje, num registo mais pessoal que o costume, deixar uma resposta a esta pergunta. Continue lendo

Crime no Golfo do México

Ricardo Coelho, Esquerda.net, 5 de maio de 2010

De um lado, um enorme desastre ambiental. Do outro, activistas assassinados por paramilitares. Centremos as nossas atenções no Golfo do México. Continue lendo

A Terra é plana e o Sol aquece-a

Ricardo Coelho, Esquerda.net, 10 de fevereiro de 2010

Em 1988 foi fundado o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), um órgão consultivo da ONU. O seu objectivo é fornecer aos governos do mundo uma revisão da ciência sobre as alterações climáticas, elaborando periodicamente relatórios que contam com a participação de cientistas de várias áreas e países. Estes relatórios mostram aos políticos como a libertação de gases com efeito de estufa (resultante sobretudo da queima de combustíveis fósseis), está a provocar um aumento da temperatura média global e a causar perturbações no clima que tornam a nossa vida neste planeta cada vez mais difícil. Continue lendo

O mercado de carbono na base do capitalismo fóssil

Ricardo Coelho, Ecoblogue, 1 de dezembro de 2009

As alterações climáticas são consequência da acumulação de gases com efeito de estufa da atmosfera, libertados essencialmente pela queima de combustíveis fósseis (carvão, gás natural e petróleo). Daqui decorre que apenas podemos continuar a viver num planeta com o clima que conhecemos desde que o ser humano surgiu se acabarmos com a nossa dependência dos combustíveis fósseis. Mas esta dependência traz consigo poderosos lobbies, que os governantes dos países industrializados não querem enfrentar.

O capitalismo fóssil está ainda vivo, embora de má saúde. A sua mais perversa criação, o mercado de carbono, permite aos maiores poluidores ganhar biliões, enquanto provocam o caos climático, com consequências dramáticas sobretudo para os mais pobres do planeta. Como foi então isto possível? Continue lendo

Pensar de forma diferente

Por Ricardo Coelho
Fonte: Ecoblogue

O preço do barril de petróleo ultrapassou já os 135 dólares. Mesmo tendo em conta a inflação, esta valor ultrapassa o do pico das crises petrolíferas dos anos 70. Está na altura de fazer uma pausa e reflectir sobre a sociedade que construímos.

História esquecida

Em 17 de Outubro de 1973, a Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo (compreendendo os membros árabes da OPEP mais Egito e Síria) retaliaram contra o apoio de países ocidentais e do Japão a Israel na guerra de Yom Kippur decretando um embargo à exportação de petróleo. Ao mesmo tempo, a OPEP reduziu a sua produção, depois de as negociações com as sete grandes petrolíferas terem falhado. Como resultado, o preço do barril de petróleo disparou. Continue lendo