Kadafi: na lista com Ben Ali e Mubarak

Eduardo Febbro

Um a menos no mapa. Ainda que tardio, Kadafi foi o melhor porta-voz do Ocidente, o mais solícito, que fez e desfez sua vontade nas capitais da Europa que visitou. Deixaram-no reprimir sem vacilos e exibir suas excentricidades vazias enquanto estava com as contas em dia com o FMI, deixou abertos os portões da exploração petroleira e dos investimentos, e combateu a Al Qaeda. Assim como o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak, Kadafi foi um amigo fiel das grandes potências. Também foi o eterno adorno de uma esquerda que seguiu vivendo como um emblema do anti-imperialismo quando o hábil ditador era já, desde muito tempo, um obediente soldado do capitalismo, um investidor voraz cujos capitais circulavam nos mesmos circuitos que seu socialismo sangrento combatia com palavras. Seis meses depois da insurreição que surgiu na localidade líbia de Benghazi logo depois da prisão do militante de direitos humanos Fethi Tarbel, o coronel seguiu os passos de Ben Ali e Mubarak.

Mas sua queda não tem os ingredientes nobres da Tunísia e do Egito. Ben Ali e Mubarak cederam diante da potência da insurreição popular enquanto Kadafi perdeu o poder uma vez que as potências ocidentais, que antes só sustentavam-no, intervieram militarmente e respaldaram com suas armas e sua tecnologia a ainda enigmática oposição líbia agrupada no Conselho Nacional de Transição (CNT). Continue lendo

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