Quando o Crato voltou a ser senzala

crato 1Raquel Paris, Casca de Banana, fevereiro de 2013

No dia 06 de fevereiro de 2013, às 15h, na Rua Bárbara de Alencar, centro comercial do Crato, Francisco do Nascimento foi amarrado por dois homens a um poste e assim permaneceu durante duas horas. O motivo: em surto, teria quebrado vidraças de lojas.

Francisco do Nascimento, morador do bairro São Miguel possui histórico de outros atentados, como pôr fogo no carro de um vizinho. Ele também possui diversas entradas no Hospital Psiquiátrico Santa Tereza. Segundo a sobrinha, a família não sabe mais o que fazer com Francisco do Nascimento: no hospital não há vagas e ele se torna cada vez mais violento.

Durante as duas horas em que ficou amarrado, algumas pessoas tentaram libertá-lo, ato que foi violentamente rechaçado pelos homens que o prenderam. No mais, a multidão, estonteada, admirava estupidamente o espetáculo do homem que gritava, rugia e pedia por socorro. Diversas autoridades estiveram no local, a exemplo de soldados do Ronda que não o saltaram alegando que não o homem amarrado não era de sua competência. Continue lendo

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O pelourinho carioca e a transmissão do ódio via concessão pública de TV

justiceiros do rioLeonardo Sakamoto, Blog do Sakamoto, 6 de fevereiro de 2014

Depois que algum braço da Ku Klux Klan composto por cariocas desmiolados prendeu um rapaz negro pelo pescoço em um poste no Rio de Janeiro, imaginei que o caso iria atiçar o debate sobre a dignidade da molecada pobre nas grandes cidades – que, mais de 20 anos depois da Chacina da Candelária, continua uma peça de ficção científica. Continue lendo

Rolezinho e roleta-russa

1490702_781379198556597_2129245307_oEugênio Bucci, O Estado de S.Paulo, 23 de janeiro de 2014

1. Trilhas sonoras defasadas. Uma canção ecoa na cabeça das autoridades do governo federal, numa trilha sonora trazida de memória: “Tudo era apenas uma brincadeira/ E foi crescendo, crescendo, me absorvendu-u-u…”.

A prática do rolezinho, que começou na planície periférica de modo quase inocente, como brincadeira juvenil, foi crescendo, crescendo, ganhou proporções de impasse político e de potencial perturbação da ordem pública e hoje atormenta os corredores planaltinos, absorvendo o tempo escasso do pessoal que bate ponto na Esplanada dos Ministérios. A esta altura, a composição de Peninha, provavelmente nos vibratos indefiníveis de Caetano Veloso, faz o fundo musical das piores paranoias das autoridades. Entre um respiro e outro, elas torcem para que outro verso da mesma letra seja igualmente verdadeiro: “Mas não tem revolta, não”. Continue lendo

‘Rolezinhos’ têm raízes na luta pelo espaço urbano, diz pesquisador

charge54881_linkEleonora de Lucena entrevista James Holston, Folha de S.Paulo, 19 de janeiro de 2014

Como os protestos de junho passado, os rolezinhos são manifestações de uma cidadania insurgente cujas raízes estão na luta pelo espaço urbano que ocorre há décadas no Brasil. A análise é do antropólogo James Holston, professor da Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA).

“O Brasil vibra nos últimos 50 anos de cidadania insurgente. É uma coisa ótima para sacudir uma sociedade de muita desigualdade. As manifestações são necessárias e vão continuar. Até hoje, considerando o tamanho da desigualdade, há muita pouca violência. A violência maior é a da polícia”, afirma, prevendo um “ano quente” para o Brasil. Continue lendo

O rolê da ralé

RolezinhoGrito dos quase incluídos? Flash mob da periferia? Repique das jornadas de junho? Marcha do desprezo pela cultura democrática? Ou apenas e tão somente “um rolê”? O País discute o que vai pela cabeça daqueles rapazes de bombeta e bermudas, que se endividam para comprar um tênis Mizuno, a congestionar os corredores dos shopping centers – estes também chamados aqui e ali de “templos do consumo”, “espaço privado aberto ao público” ou “única opção de lazer na quebrada”, de acordo com o gosto do freguês. Os rolezinhos entraram com tudo no vocabulário político nacional e andaram nas bocas do prefeito Fernando Haddad, do governador Geraldo Alckmin e até da presidente Dilma Rousseff.

Ivan Marsiglia entrevista Jessé Souza, O Estado de S. Paulo, 19 de janeiro de 2014

Para o sociólogo potiguar Jessé Souza, doutor pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha, e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, com todas as interpretações que se possam atribuir ao fenômeno (e, em especial, às reações da sociedade brasileira a ele), uma coisa é certa: estamos diante de “um reflexo do apartheid brasileiro que separa, como se fossem dois planetas distintos, os brasileiros ‘europeizados’, da classe média verdadeira, e os percebidos como ‘bárbaros’, das classes populares”. Continue lendo

O rolezinho e o risco de uma guerra “longa e dolorosa”

jovens-no-plaza-shopping-intitulado-de-rolezinho-em-niteroiAndré Singer, Viomundo, 18 de janeiro de 2014

O prefeito Fernando Haddad indicou o caminho certo. Diante do crescimento do conflito causado pelos “rolezinhos”, estimulou as partes a conversar. Como ficou claro em junho passado, atitudes extremadas só levarão ao desgaste da autoridade pública, com aumento da tensão social já visível nas grandes metrópoles.

O problema é que não há solução fácil no horizonte. Não basta disposição para o diálogo quando interesses materiais e simbólicos começam a se opor de maneira radical. Os jovens que estão deixando os centros de compra em pânico podem não saber, mas explicitam um confronto crescente entre ricos e pobres no Brasil. Continue lendo

Profanando os templos do consumo e da desigualdade

rolezinho 2Com seus rolezinhos, jovens da periferia de São Paulo profanam os shopping centers, os templos do consumo, desacralizando o que de mais valioso eles oferecem para as camadas conservadoras da sociedade, a sensação de segurança e a segregação das “classes perigosas”. Eles visibilizam a profunda desigualdade social e racial do Brasil e estão contribuindo para tematizar a privatização do espaço urbano.

José Correa, Outra política, 16 de janeiro de 2014

Valquiria Padilha, em seu estudo sobre os shopping centers no Brasil, chama-os de “templos da mercadoria”. E, de fato, sua proliferação pelo mundo acompanha a expansão da sociedade de consumo de massa e a difusão do american way of life, de sua religião, o culto ao mercado, e de seu ideal de felicidade, o consumo. Desde que o Shopping Center Iguatemi foi inaugurado em 1966 em São Paulo, o número de shoppings no Brasil atingiu 577 em 2004, passando para 766 em 2010 (sendo 153 no estado de São Paulo) e prevendo-se que eles cheguem a 985 em 2016.

Segurança e segregação em questão. Em uma das sociedades mais desiguais do mundo, que aboliu formalmente a escravidão há pouco mais de um século, os “templos do consumo” teriam que institucionalizar fortemente a segregação e preconceito. Os shoppings prometem aqui, aos seus freqüentadores, segurança e segregação social – dois “serviços” que, aos olhos da burguesia e das classes médias conservadoras, estão diretamente ligados. Eles se tornaram um componente central na segregação territorial e social das cidades brasileiras, recebendo todo tipo de isenção e apoio dos governos. Continue lendo

Os novos “vândalos” do Brasil

rolezinhoO rolezinho, a novidade deste Natal, mostra que, quando a juventude pobre e negra das periferias de São Paulo ocupa os shoppings anunciando que quer fazer parte da festa do consumo, a resposta é a de sempre: criminalização. Mas o que estes jovens estão, de fato, “roubando” da classe média brasileira?

Eliane Brum, El Pais, 23 de dezembro de 2013

O Natal de 2013 ficará marcado como aquele em que o Brasil tratou garotos pobres, a maioria deles negros, como bandidos, por terem ousado se divertir nos shoppings onde a classe média faz as compras de fim de ano. Pelas redes sociais, centenas, às vezes milhares de jovens, combinavam o que chamam de “rolezinho”, em shopping próximos de suas comunidades, para “zoar, dar uns beijos, rolar umas paqueras” ou “tumultuar, pegar geral, se divertir, sem roubos”. No sábado, 14, dezenas entraram no Shopping Internacional de Guarulhos, cantando refrões de funk da ostentação. Não roubaram, não destruíram, não portavam drogas, mas, mesmo assim, 23 deles foram levados até a delegacia, sem que nada justificasse a detenção. Neste domingo, 22, no Shopping Interlagos, garotos foram revistados na chegada por um forte esquema policial: segundo a imprensa, uma base móvel e quatro camburões para a revista, outras quatro unidades da Polícia Militar, uma do GOE (Grupo de Operações Especiais) e cinco carros de segurança particular para montar guarda. Vários jovens foram “convidados” a se retirar do prédio, por exibirem uma aparência de funkeiros, como dois irmãos que empurravam o pai, amputado, numa cadeira de rodas. De novo, nenhum furto foi registrado. No sábado, 21, a polícia, chamada pela administração do Shopping Campo Limpo, não constatou nenhum “tumulto”, mas viaturas da Força Tática e motos da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) permaneceram no estacionamento para inibir o rolezinho e policiais entraram no shopping com armas de balas de borracha e bombas de gás. Continue lendo

Rolezinhos: limpando o campo para pensar o papel de esquerda organizada

Edemilson Paraná, Imaginar para revolucionar, 15 de janeiro de 2014

Diagnóstico

Não, não são “protestos” por justiça-social (por mais que gostaríamos que fossem). São flashmobs, encontros de jovens onde a vida no Brasil, por várias razões, passou a dizer que jovens devem se encontrar: nos shoppings. É sobre curtir, azarar, cantar, viver (porque no capitalismo viver é, antes de tudo, consumir). O Funk Ostentação, trilha sonora dos eventos, não tem no seu conteúdo (ainda que ironicamente o tenha na sua forma, sobretudo por conta do “choque estético” que produz em certos setores) nada de flagrantemente contra-hegemônico do ponto de vista político – assim como hip-hop bling-bling nunca teve. Continue lendo

Bancada evangélica e ruralista: O lobby que funciona

Articulação da bancada evangélica levou Marco Feliciano para a presidência de colegiado que trata de direitos humanos e minorias. Ruralistas se organizaram e conseguiram eleger Blairo Maggi para comandar Meio Ambiente.

 André Gonçalves, Gazeta do Povo, 10 de marco de 2013

A escolha do deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP), autor de comentários ofensivos a gays e negros e réu por homofobia no Supremo Tribunal Federal, para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara expôs dois tipos de lobbies setoriais na disputa pelo comando das comissões permanentes do Congresso. No formato tradicional, há casos como a eleição do ex-jogador Romário (PSB-RJ) para a presidência da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados. Em uma lógica “invertida”, Feliciano foi eleito para o colegiado de Direitos Humanos e Minorias e o ruralista Blairo Maggi (PR-MT) assumiu a Comissão de Meio Ambiente do Senado. Continue lendo

An Ascending Trajectory?: Ten of the Most Important Social Conflicts in the US in 2012

occupy togetherDan La Botz, Europe Solidaire Sans Frontiere / New Politics, January 3, 2012

The most important American social conflict of 2012—the Chicago Teachers Union strike—suggests that the rising trajectory of social struggle in the United States that began at the beginning of 2011 may be continuing to ascend. While the United States has a much lower level of class struggle and social struggle than virtually any other industrial nation—few American workers are unionized (only 11.8%) and unionized workers engage in few strikes and those involve a very small numbers of workers—still, the economic crisis and the demand for austerity by both major political parties, Republican and Democrat, has led to increased economic and political activity and resistance by labor unions, particularly in the public sector.[1] Continue lendo

O caos da ordem

Em Londres, estamos perante a denúncia violenta de modelo que tem recursos para resgatar bancos, mas não os tem para uma juventude sem esperança

BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS

Os motins na Inglaterra são um perturbador sinal dos tempos. Está a ser gerado nas sociedades um combustível altamente inflamável que flui nos subterrâneos da vida coletiva sem que se dê conta.
Esse combustível é constituído pela mistura de quatro componentes: a promoção conjunta da desigualdade social e do individualismo, a mercantilização da vida individual e coletiva, a prática do racismo em nome da tolerância, o sequestro da democracia por elites privilegiadas e a consequente transformação da política em administração do roubo “legal” dos cidadãos. Cada um dos componentes tem uma contradição interna. Continue lendo

A islamofobia espalha-se pela Europa

A intolerância religiosa é uma realidade quotidiana na Europa, tem por alvo principal os muçulmanos e ataca o pluralismo religioso, negando-se a compartilhar o espaço público com religiões minoritárias ou tolerando apenas práticas consideradas “seculares”.

Virginie Guiraudon, Esquerda.net/IPSNews, 10 de junho de 2011

Os que encarnam as principais vozes da intolerância não são marginais nem podem ser considerados antiquados activistas de extrema-direita. Frequentemente são de chefes de governo, importantes ministros ou poderosos políticos. Continue lendo

Ascensão histórica da extrema-direita na Finlândia

Enquanto todos os outros partidos perdem votos, a extrema-direita consegue, nas eleições legislativas finlandesas, converter-se na terceira força política. O partido Verdadeiros Finlandeses conquista 39 deputados, contra os 5 alcançados em 2007.

Esquerda.net, 18 de abril de 2011

O resultado obtido pelo partido de extrema-direita nas legislativas de 2011 é cerca de oito vezes maior que o obtido pelo partido nas eleições de 2007. Este é o maior avanço de um partido político na história da Finlândia.

O partido Verdadeiros Filandeses (True Finns) registou uma enorme subida de 15 pontos percentuais em relação às últimas eleições legislativas de há 4 anos, quando se ficou pelos 4,1%. Apesar de os imigrantes só representarem 3,5% da população do país, uma das cifras mais baixas da União Europeia, um dos trunfos do partido foi exactamente as propostas anti-imigração. Continue lendo

Reflexões sobre o crescimento da Frente Nacional em França

Com Marine Le Pen, a Frente Nacional mudou de programa económico.

Isaac Johsua, Esquerda.net, 16 de abril de 2011

As recentes eleições cantonais foram a ocasião de uma forte subida da Frente Nacional (FN). Voto de desespero, feito de rejeições, de desgostos, e que se explica antes de mais pelo terrível fechamento do horizonte político, onde talvez haja alternância, mas de forma nenhuma alternativa. No entanto, não se pode dar conta dos pontos marcados pela FN apenas por esta configuração, que valia antes das cantonais e valerá sem dúvida depois delas. Uma mudança política rápida e recente do posicionamento político desta formação contribuiu para este sucesso, uma evolução sem dúvida facilitada pelas mudanças na cabeça do partido, mas que não se reduzem a ela. Continue lendo

Schengen se incendia

Incendio en Lampedusa, atentado incendiario en el centro de acogida de Génova, declaraciones incendiarias de los ministros de la Liga Norte

Gorka Larrabeiti, Rebelión, 13 de abril de 2011

“Hay que devolver a los inmigrantes, pero no podemos dispararles, al menos por ahora”, lo dijo ayer el ministro de Justicia italiano, Roberto Castelli, de la Liga Norte. Anteayer, en la reunión durante la reunión de ministros de Interior de los Veintisiete en que se discutía los permisos temporales de residencia que Italia ha concedido a los migrantes que han llegado hasta el 5 de abril y que les permite circular libremente por el espacio Schengen, dijo Roberto Maroni, ministro de Interior italiano, también de la Liga Norte: “Ante esta crisis social y geopolítica la respuesta de los gobiernos europeos es: ‘Querida Italia, es asunto tuyo: apáñate sola’. Me pregunto si tiene sentido continuar en esta posición, formar parte de la Unión Europea, una institución que se activa enseguida para salvar bancos, declarar guerras pero cuando se ha de expresar solidaridad concretamente a un país en dificultad como hoy es Italia, se esconde”. Continue lendo

Quem está a anexar quem?

Parlamento de Israel está prestes a aprovar uma lei não só anti-democrática e discriminatória, como também flagrantemente anexionista.

Uri Avnery, Esquerda.net, 31 de março de 2011

Numa rara sessão que foi pela noite adentro, o Knesset [parlamento de Israel] aprovou finalmente duas chocantes leis racistas. Ambas são claramente dirigidas contra os cidadãos árabes de Israel, que representam um quinto da população. Continue lendo

Na mira do sonho americano

A direita e os seus aliados nos meios de comunicação foram o motor do clima de ódio que impera não só no Arizona, mas em muitos outros estados dos EUA

Alejandro Nadal, La Jornada / Esquerda.net, 17 de janeiro de 2011

O portal de Internet do comité político de Sarah Palin incluía Gabrielle Giffords, a parlamentar do Arizona, na lista dos 20 membros do Congresso que tinham aprovado a legislação de Obama sobre a saúde. Não era uma lista qualquer. Os nomes apareciam abaixo de um mapa, a cujos estados esses parlamentares pertencem, marcados com a típica cruz de mira telescópica de uma espingarda. Na parte superior do mapa há outra legenda belicosa, em que se faz alusão à necessidade de resistir. Continue lendo

Quando os demônios são os outros

O pior não são as ideias extremistas, mas a falta de oposição eficaz a elas, diz advogado criminalista

Carolina Rossetti entrevista Brian Levin, O Estado de S.Paulo, 16 de janeiro de 2011

Analistas ligados aos democratas não demoraram em culpar pela tentativa de assassinato da deputada democrata Gabrielle Giffords o discurso incendiário da direita, personificado pela tea-partier Sarah Palin e vocalizado por radialistas e apresentadores de talk-shows republicanos. O presidente Barack Obama preferiu não comentar o acirrado clima político no país em seu discurso na Universidade do Arizona, no qual pediu união e civilidade a todos os americanos. Obama precisou interromper a fala por quase um minuto ao comentar sobre a menina de 9 anos morta com outras cinco vítimas por Jared Lee Loughner – o jovem que, armado com uma pistola Glock 19, foi a um evento político em Tucson, Arizona, e encheu de balas a deputada e quem estava perto dela. Continue lendo

Barbárie com rosto humano

A onda de rejeição dos imigrantes na Europa é hoje a principal ameaça para seu legado cristão. O medo ao estrangeiro começa a impregnar também o antigo e tolerante multiculturalismo liberal.

Slavoj Zizek, El País, 22 de outubro de 2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto e revisado pela IHU On-Line.

A recente expulsão da França dos ciganos residentes em seu território em situação legal, que foram deportados à Romênia, seu país de origem, levantou muitos protestos na Europa, em meios progressistas e também entre importantes políticos, e não de esquerda. Continue lendo