Crise Alimentar: Os Jogos da Fome

Esta terça-feira comemora-se o Dia Mundial da Alimentação, mas o planeta sofre uma crise alimentar com consequências sobre a nossa saúde a as nossas vidas.

Esther Vivas, Esquerda.net, 16 de outubro de 2012

A crise alimentar chicoteia o mundo. Trata-se de uma crise silenciosa, sem grandes títulos, que não interessa nem ao Banco Central Europeu, nem ao Fundo Monetário Internacional, nem à Comissão Europeia, mas afeta 870 milhões de pessoas, que passam fome, segundo indica o relatório ‘O estado da insegurança alimentar no mundo 2012’, apresentado esta semana [09/10] pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). Continue lendo

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The era of cheap food may be over

A spike in prices caused by poor harvests and rising demand is an apt moment for the west to reassess the wisdom of biofuels

Larry Elliott, guardian.co.uk, September 2, 2012

The last decade saw the end of cheap oil, the magic growth ingredient for the global economy after the second world war. This summer’s increase in maize, wheat and soya bean prices – the third spike in the past five years – suggests the era of cheap food is also over. Price increases in both oil and food provide textbook examples of market forces. Rapid expansion in the big emerging markets, especially China, has led to an increase in demand at a time when there have been supply constraints.

For crude, these have included the war in Iraq, the embargo imposed on Iran, and the fact that some of the older fields are starting to run dry before new sources of crude are opened up. The same demand dynamics affect food. It is not just that the world’s population is rising by 1% a year. Nor is it simply that China has been growing at 9% a year on average; it is that consumers in the big developing countries have developed an appetite for higher protein western diets. Meat consumption is rising in China, India and Brazil, and since it takes 7kg of grain to produce 1kg of beef (and 4kg to produce 1kg of pork), this is adding to global demand. Continue lendo

O grande negócio da fome

A disponibilidade de alimentos – ou seja, a fome potencial – tornou-se um campo de afirmação do mercado de futuros e, como tal, cada vez mais dominado por uma lógica de especulação.

José Manuel Pureza, Esquerda.net, 18 de agosto de 2012

Multiplicam-se os indícios de uma crise alimentar global de gravidade idêntica à experimentada em 2008. Os preços de cereais como o milho, o trigo ou a soja vêm batendo recordes de preço em bolsa, com subidas de 23% para o milho e 19% para o trigo, num só mês, dando assim expressão a expetativas de colheitas tragicamente escassas, com quedas na ordem dos 2,5 milhões de toneladas (trigo).

Como em 2008, as explicações mais comuns voltam a ser casuísticas e técnicas, sugerindo que se trata de uma anomalia passageira a um estado das coisas bem ordenado, eficiente e justo. Ele é o aquecimento global, ele é o upgrade da dieta alimentar nos países mais pobres, ele é a transformação de países tradicionalmente auto-suficientes em países largamente importadores de alimentos. Ora, estas explicações, sendo em si mesmas acertadas e relevantes, não dão conta dos fatores de fundo que determinam a instalação da crise alimentar como situação normal. Na verdade, a persistência de longa duração de cerca de três mil milhões de pessoas com fome crónica e outros tipos de subnutrição não se explica por razões conjunturais. Continue lendo

Calor, sequía, aumento de los costes de los alimentos y malestar global

Las guerras del hambre en nuestro futuro

Michael T. Klare, Tom Dispatch / Rebelión, 10 de agosto de 2012. Traducido del inglés para Rebelión por Germán Leyens

La Gran Sequía de 2012 todavía no termina, pero ya sabemos que sus consecuencias serán severas. Con más de la mitad de los condados de EE.UU. identificados como zonas de desastre por la sequía, es seguro que la cosecha 2012 de maíz, soja y otros alimentos básicos será inferior a los pronósticos. Esto, por su parte, aumentará los precios de alimentos dentro y fuera de EE.UU., causando más miseria para los agricultores y estadounidenses de bajos ingresos y dificultades mucho mayores para gente pobre en países que dependen de la importación de granos estadounidenses. Continue lendo

The Coming Hunger Wars: Heat, Drought, Rising Food Costs, and Global Unrest

Michael Klare, TomDispatch.com, August 7, 2012

The Great Drought of 2012 has yet to come to an end, but we already know that its consequences will be severe. With more than one-half of America’s counties designated as drought disaster areas, the 2012 harvest of corn, soybeans, and other food staples is guaranteed to fall far short of predictions. This, in turn, will boost food prices domestically and abroad, causing increased misery for farmers and low-income Americans and far greater hardship for poor people in countries that rely on imported U.S. grains. Continue lendo

Biocombustíveis e fome, dois lados da mesma moeda

Apesar das crescentes provas de que a produção de combustíveis orgânicos é responsável pela insegurança alimentar, o novo projeto da União Europeia (UE) sobre energias renováveis ignora as consequências sociais desta atividade agrícola.

Daan Bauwens, IPS Envolverde/IPS, 28 de junho de 2012

Para reduzir a emissão de dióxido de carbono na atmosfera, a UE decidiu, há três anos, aumentar o uso de biocombustíveis no transporte. Na diretriz de 2009 sobre energias renováveis, foi fixado o objetivo obrigatório de elevar para 10% a proporção de agrocombustíveis no transporte até 2020. Contudo, mesmo antes da aprovação desse documento, organizações não governamentais de diferentes partes do mundo já haviam assinalado vários dos problemas associados aos combustíveis orgânicos. Continue lendo

Speculation and Criminal Manipulation of Food and Commodities Prices

Real News Network, April 13, 2012

Michael Greenberger: Weak regulations on speculators swamping markets and lack of enforcement of existing laws on criminal intent, are driving up prices

Como a Goldman Sachs criou a Crise Alimentar

Não ponham as culpas nos apetites americanos, no aumento dos preços do petróleo, ou as colheitas geneticamente modificadas pelo aumento dos preços dos alimentos. Wall Street tem as maiores culpas pela disparada do custo da comida.

Frederick Kaufman, Foreign Policy, 24 de agosto de 2011

Foram necessárias as mentes brilhantes da Goldman Sachs para perceber a simples verdade de que nada é mais valioso do que o nosso alimento diário. E onde há valor, há a possibilidade de fazer dinheiro. Em 1991, funcionários da Goldman, liderados pelo precavido presidente Gary Cohn, vieram com um novo tipo de produto de investimento, um derivado que acompanhava 24 matérias brutas, de metais preciosos, a energia e café, cacau, gado, milho, suínos e trigo. Eles pesavam o valor de investimento de cada elemento, fundiam e misturavam as partes em somas, e depois reduziam o que seria uma complicada colecção de coisas reais a uma fórmula matemática, e que seria doravante denominada de Goldman Sachs Commodity Index (GSCI). Continue lendo

Muito mais alimentos, sem reduzir a pobreza

Washington Novaes, O Estado de S.Paulo, 1 de julho de 2011

Na reunião em que foi eleito diretor-geral da Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), da ONU, há poucos dias, o ex-ministro brasileiro José Graziano da Silva assegurou – com sua experiência de gestor do programa de combate à fome entre nós – que esta será a sua prioridade: enfrentar esse problema no mundo, para que até 2015 o número de carentes de alimentos no planeta, hoje em torno de 1 bilhão, se reduza à metade. “É o desafio do nosso tempo”, disse na ocasião o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, lembrando que um dos complicadores dessa questão, “o protecionismo dos ricos” à sua produção de alimentos, só tem aumentado. E isso quando a própria FAO alerta que os preços desses produtos continuarão a subir nos próximos dez anos. E que a produção precisará crescer 70% até 2050, para alimentar os 9,2 bilhões de pessoas que estarão no mundo nessa época. Continue lendo

The New Geopolitics of Food

From the Middle East to Madagascar, high prices are spawning land grabs and ousting dictators. Welcome to the 21st-century food wars.

Lester Brown, Foreign Police, May 31, 2011

In the United States, when world wheat prices rise by 75 percent, as they have over the last year, it means the difference between a $2 loaf of bread and a loaf costing maybe $2.10. If, however, you live in New Delhi, those skyrocketing costs really matter: A doubling in the world price of wheat actually means that the wheat you carry home from the market to hand-grind into flour for chapatis costs twice as much. And the same is true with rice. If the world price of rice doubles, so does the price of rice in your neighborhood market in Jakarta. And so does the cost of the bowl of boiled rice on an Indonesian family’s dinner table.

Welcome to the new food economics of 2011: Prices are climbing, but the impact is not at all being felt equally. For Americans, who spend less than one-tenth of their income in the supermarket, the soaring food prices we’ve seen so far this year are an annoyance, not a calamity. But for the planet’s poorest 2 billion people, who spend 50 to 70 percent of their income on food, these soaring prices may mean going from two meals a day to one. Those who are barely hanging on to the lower rungs of the global economic ladder risk losing their grip entirely. This can contribute — and it has — to revolutions and upheaval. Continue lendo

Cómo creó Goldman Sachs la crisis alimentaria

Frederick Kaufman, Foreign Policy / Rebelión, 10 de mayo de 2011. Traducido para Rebelión por Jorge Aldao y revisado por Caty R.

No culpe del alza de los precios de los alimentos al apetito de los estadounidenses, a los crecientes precios del petróleo o a los cultivos modificados genéticamente. Wall Street tiene la culpa de los precios, que crecen en espiral, de los alimentos. Continue lendo

Ocho mitos sobre la crisis alimentaria actuali

Con el mercado hemos topado, amigo Sancho

Vicent Boix, Rebelión, 10 de mayo de 2011

Un accidente nuclear, unos bombardeos de la OTAN y un Bin Laden después, y sigue subiendo el número de hambrientos. De hecho, desde el verano pasado los precios de los alimentos no han dejado de crecer hasta alcanzar valores récord en 2011. El punto de ignición se originó con la disminución de las cosechas de cereales en algunos países exportadores, que se transformó en una reducción de la oferta que espoleó el incremento de los precios. Para garantizar su propio abastecimiento y poder defenderse del aumento, estas naciones limitaron sus exportaciones lo que constriñó más aún la oferta generando más tensión y alzas en el mercado, a la vez que el caos se iba expandiendo a otros alimentos. Continue lendo

Aumento do preço dos alimentos “é a maior ameaça aos pobres de todo o mundo“

A afirmação é de Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial. Este organismo aponta para uma subida em Março de 36% dos preços dos bens alimentares em relação a 2010. Subida do preço dos alimentos em mais 10% pode empurrar para a pobreza extrema mais 10 milhões de pessoas.

Esquerda.net, 15 de abril de 2011

Os mais recentes números do Índice dos Preços Alimentares do Banco Mundial (BM), divulgados na passada quinta-feira, apontam para uma subida de 36 por cento dos preços dos bens alimentares, próximo do máximo histórico registado pelo BM de 2008. Os dados evidenciam também a manutenção da volatilidade dos preços.

“É a maior ameaça aos pobres de todo o mundo: os elevados e voláteis preços alimentares”, alertou Robert Zoellick, presidente do BM, em conferência de imprensa.

Este responsável considera que os últimos números divulgados “contam uma história cruel e persistente, de uma pressão esmagadora sobre os pobres” e, apesar de não serem a causa directa dos protestos no Médio Oriente e norte de África, são um “factor agravante” destes.

Zoellick alertou também para o facto de uma subida do preço dos alimentos em mais 10 por cento poder empurrar para a pobreza extrema mais 10 milhões de pessoas, que passarão a dispor de menos de 1,25 dólares por dia. Uma subida de 30 por cento implicaria, por sua vez, mais 34 milhões de pessoas na pobreza.

Desde Junho do ano passado, a escalada do custo dos alimentos já empurrou 44 milhões de pessoas para a pobreza. Uma das propostas avançadas pelo Banco Mundial para contrariar esta realidade passa pela diversificação da produção para além dos biocombustíveis, de modo a prevenir que milhões de novas pessoas sejam empurradas para a situação de pobreza, devido ao aumento do preço dos alimentos.

The Collapse of Globalization

Chris Hedges, Truthdig, March 28, 2011

The uprisings in the Middle East, the unrest that is tearing apart nations such as the Ivory Coast, the bubbling discontent in Greece, Ireland and Britain and the labor disputes in states such as Wisconsin and Ohio presage the collapse of globalization. They presage a world where vital resources, including food and water, jobs and security, are becoming scarcer and harder to obtain. They presage growing misery for hundreds of millions of people who find themselves trapped in failed states, suffering escalating violence and crippling poverty. They presage increasingly draconian controls and force—take a look at what is being done to Pfc. Bradley Manning—used to protect the corporate elite who are orchestrating our demise.

We must embrace, and embrace rapidly, a radical new ethic of simplicity and rigorous protection of our ecosystem—especially the climate—or we will all be holding on to life by our fingertips. We must rebuild radical socialist movements that demand that the resources of the state and the nation provide for the welfare of all citizens and the heavy hand of state power be employed to prohibit the plunder by the corporate power elite. We must view the corporate capitalists who have seized control of our money, our food, our energy, our education, our press, our health care system and our governance as mortal enemies to be vanquished. Continue lendo

Agronegócio apropria-se da crise alimentar para aprovar novo Código Florestal

Valéria Nader, Correio da Cidadania, 25 de março de 2011

A ‘tropa de choque’ do agronegócio deve contar, a partir de agora, com um de seus mais poderosos interlocutores em um dos veículos de maior visibilidade e circulação do país, o jornal Folha de S. Paulo. Kátia Abreu, a senadora do DEM que se destaca como uma das figuras mais famosas e entusiastas da bancada ruralista no Congresso, passará a escrever quinzenalmente no diário. Continue lendo

Para impedir uma nova crise alimentar

Jim Harkness,  IATP / Carta Maior, 24 de março de 2011

Quando os preços globais dos alimentos atingiram um pico, entre 2007 e 2008, 100 milhões de pessoas entraram no contingente dos famintos, que ultrapassou pela primeira vez na História a marca de 1 bilhão de seres humanos. Agora, apenas dois anos depois, vivemos outra alta, e é provável que mais fome esteja à espreita. Continue lendo

La crisis alimentaria golpea de nuevo

La especulación alimentaria y la ‘petrodependencia’ como detonantes

Esther Vivas, 24 de marzo de 2011

La amenaza de una nueva crisis alimentaria es ya una realidad. El precio de los alimentos ha vuelto a aumentar alcanzando cifras récord, en una escalada creciente y consecutiva de precios desde hace ocho meses, según informa el Índice de la FAO para los Precios de los Alimentos de febrero de 2011, que analiza mensualmente los precios a escala global de una cesta formada por cereales, oleaginosas, lácteos, carne y azúcar. El Índice apunta a un nuevo máximo histórico, el más elevado desde que la FAO empezó a estudiar los precios alimentarios en 1990. Continue lendo

El alza de precios del petróleo anuncia “motines del hambre”

Paul Walder, Punto Final, 4 de marzo de 2011

Durante los primeros meses del año, el precio internacional de los principales alimentos registró, en promedio, una marca histórica, lo que generó inquietud en todos los organismos y agencias internacionales por las consecuencias que tendrán estas alzas globales en los precios internos de los alimentos de los países pobres y emergentes. La última gran alza mundial del precio de los alimentos había ocurrido en 2008, tras la explosión de la crisis financiera mundial, oportunidad en que estuvo impulsada por la especulación en los mercados.

Esta nueva tendencia al alza está reforzada por dos factores principales. La especulación, que además se expresa en otras materias primas como el cobre, el oro y, por cierto, el petróleo, y también el cambio climático, fenómeno que ha tenido consecuencias desastrosas por una ola mundial de sequías. Continue lendo

El hambre de ganancias infla el precio de la comida

Belén Carreño, Público, 8 de marzo de 2011

Fondos de alto riesgo acaparan toneladas de un producto para disparar su precio. Un tercio de los ingresos de Goldman Sachs procede de las materias primas.

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Especuladores da fome fazem preço dos alimentos aumentar

Os mesmos bancos, fundos de investimento de risco e investidores cuja especulação nos mercados financeiros globais causaram a crise das hipotecas sub-prime são responsáveis por causar a inflação no preço dos alimentos.

John Vidal, Esquerda.net, 6 de março de 2011

Há pouco menos de três anos, as pessoas da vila de Gumbi, no oeste de Malawi, passaram por uma fome inesperada. Não como a de europeus,que pulam uma ou duas refeições, mas aquela profunda e persistente fome que impede o sono e embaralha os sentidos e que acontece quando não se tem comida durante semanas. Estranhamente, não houve seca, a causa tradicional da mal nutrição e fome no sul da África, e havia bastante comida nos mercados. Por uma razão não óbvia o preço de alimentos básicos, como milho e arroz, havia quase dobrado em poucos meses. Não havia também evidências de que os donos de mercados estivessem a fazer estoque de comida. A mesma história repetiu-se em mais de 100 países em desenvolvimento. Continue lendo