Clima de SP atinge idosos e crianças de formas diferentes, diz USP

Doenças respiratórias atingem as duas fases, mas os mais velhos também sofrem com circulação

Rafaela Carvalho, Agência USP / O Estado de S.Paulo, 3 de setembro de 2010

SÃO PAULO – O organismo de crianças menores de 5 anos e de idosos acima de 60 reage de forma diferente quando se expõe à poluição atmosférica da cidade de São Paulo. Segundo uma pesquisa apresentada na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, as doenças respiratórias podem aparecer nas duas fases da vida, mas os idosos sofrem também com problemas no aparelho circulatório.

Para a tese de doutorado “Ambientes atmosféricos intraurbanos da cidade de São Paulo e possíveis correlações com doenças dos aparelhos respiratório e circulatório”, a geógrafa Edelci Nunes da Silva analisou a parte Sul/Sudeste da cidade de São Paulo, dividindo-a em 14 distritos: Ibirapuera, Moema, Vila Mariana, Santo Amaro, Campo Belo, Socorro, Saúde, Cursino, Sacomã, Jabaquara, Cidade Ademar, Pedreira, Campo Grande e Cidade Dutra. Continue lendo

São Paulo tem agosto mais seco em quase 7 décadas

O Estado de S.Paulo, 1 de setembro de 2010

Agosto de 2010 terminou como o mês mais seco da cidade de São Paulo desde 1943, ano em que o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) iniciou as medições. O volume de chuva no mês foi de 0,4 milímetros – cerca de 1% da média para agosto, que é de 39 milímetros.

A umidade do ar ontem esteve novamente abaixo dos 30%, colocando a cidade em estado de atenção. Com 24%, a terça-feira foi o 12º dia em que a cidade registrou índices abaixo da marca dos 30% no último mês. O ar é considerado bom para a saúde com umidade acima de 60%. A temperatura ontem à tarde foi de 28,6°C. Continue lendo

Filtro verde para a poluição

Uma floresta numa grande cidade como São Paulo pode ser muito mais que uma boa opção lazer. Estudo no Parque do Ibirapuera mostra que a vegetação é capaz de reter poluentes do ar e servir como ‘biomonitor’ de baixo custo.

Debora Antunes, Ciencia Hoje On-line, 24 de agosto de 2010

Se tem sido difícil respirar ar puro em São Paulo, é possível que essa dificuldade fosse ainda maior se não houvesse o Parque do Ibirapuera, uma área verde de 157 mil metros quadrados na região central da cidade. Um estudo mostra que a capacidade da vegetação de absorver e reter poluentes do ar atmosférico faz do local um grande aliado dos paulistanos. Continue lendo

Parabéns, paulistanos! Hoje o ar de SP está irrespirável

Leonardo Sakamoto, Blog de Sakamoto, 21 de agosto de 2010

Para quem está (por sorte) fora daqui: mentalize um ar muito seco, atacamesco mesmo, somado à poluição gerada por milhões de felizes condutores de automóveis, motocicletas e caminhões que crescem a cada dia a taxas chinesas. Sentiu? Desistiu de vir para cá passar férias? O pior é que quem conta o número de anos perdidos pelos citadinos paulistanos por respirar meleca são considerados entraves ao desenvolvimento. É mais patriótico comemorar os recordes de fabricação de veículos.

Ah, e o dinheiro público que despejamos na indústria automobilistica não nos ajudou a sair da crise econômica? É verdade. Mas a confirmação disso é exatamente a certeza de que sempre optamos pela saída mais fácil, sem pensar nas consequências. Pois, como boa parte do capital não aceita condicionantes, contrapartidas ambientais decentes pelo dinheiro investido só quando um fusca falar. Continue lendo

Uma semana de muitos retrocessos

Washington Novaes, O Estado de S. Paulo, 16 de julho de 2010

Foi lamentável a semana passada no Congresso Nacional. Além de, pela enésima vez, a Comissão de Meio Ambiente da Câmara adiar a apreciação do relatório que recomenda o banimento do amianto em território brasileiro – comentada neste espaço na edição de sexta-feira passada -, outras decisões infelizes marcaram o período: 1) A aprovação, numa comissão especial da Câmara, do projeto que prevê várias alterações no Código Florestal brasileiro – com vários itens muito preocupantes; 2) a supressão, no Senado, de um dispositivo da Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos que não permitia a incineração de resíduos para geração de energia, a não ser quando esgotadas as opções de reciclagem. Continue lendo

A festa das poluidoras

Washington Novaes, O popular, 8 de julho de 2010

Misteriosamente, há duas semanas entrou de novo em funcionamento a usina termelétrica Xavantes II, ao lado de uma subestação da Celg, na região Norte da cidade, ao lado do conjunto Nossa Morada, não longe do campus da UFG. Junto com ela, a usina Goiânia II, na saída para São Paulo. Ambas já haviam funcionado durante algumas semanas, há dois anos, e foram desativadas após fortes protestos dos moradores das duas áreas, martirizados pela poluição resultante da queima de óleo diesel (700 mil litros por dia), pelo barulho infernal durante as 24 horas do dia e pelo despejo de resíduos dos geradores num córrego. Agora, tão misteriosamente quanto entrara, a Xavante saiu de funcionamento poucos dias depois, quando já se organizavam novos protestos. Mas nenhuma satisfação foi dada à sociedade. A explicação extraoficial era de que se fornecia energia “à Argentina” (ora vejam !). Continue lendo

It’s Not Just BP’s Oil in the Gulf That Threatens World’s Oceans

Les Blumenthal, McClatchy Newspapers, July 4, 2010

WASHINGTON – A sobering new report warns that the oceans face a “fundamental and irreversible ecological transformation” not seen in millions of years as greenhouse gases and climate change already have affected temperature, acidity, sea and oxygen levels, the food chain and possibly major currents that could alter global weather. Continue lendo

Brasil é o país que causa maior impacto ao meio ambiente, afirma estudo

Bruno Calixto, Amazonia.org, 19 de maio de 2010

Um estudo publicado na revista científica PloS One (www.plosone.org) identificou o Brasil como um dos países que mais causam danos ao meio ambiente. A pesquisa, intitulada “Evaluating the Relative Environmental Impact of Countries”, foi produzida por pesquisadores da Universidade de Adelaide, Austrália, e publicada no dia 9 deste mês. Continue lendo

A Second Garbage Patch: Plastic Soup Seen in Atlantic

Mike Melia, Associated Press, April 16, 2010

SAN JUAN, Puerto Rico — Researchers are warning of a new blight at sea: a swirl of confetti-like plastic debris stretching over a remote expanse of the Atlantic Ocean.
The floating garbage — hard to spot from the surface and spun together by a vortex of currents — was documented by two groups of scientists who trawled the sea between scenic Bermuda and Portugal’s mid-Atlantic Azores islands.

The studies describe a soup of micro-particles similar to the so-called Great Pacific Garbage Patch, a phenomenon discovered a decade ago between Hawaii and California that researchers say is likely to exist in other places around the globe.

“We found the great Atlantic garbage patch,” said Anna Cummins, who collected plastic samples on a sailing voyage in February. Continue lendo

Ozônio e fuligem são os vilões do ar

Relatório ambiental do Estado reforça a culpa do aumento da frota de veículos

Andrea Vialli, O Estadao de S.Paulo, 01 de abril de 2010

O ozônio e o material particulado (MP) foram os poluentes que mais comprometeram a qualidade do ar no Estado de São Paulo em 2009. Ambos têm origem nas emissões de veículos e estão ligados ao aumento da frota. O ozônio foi o poluente que mais ultrapassou os limites considerados aceitáveis, principalmente na região metropolitana de São Paulo: em 2009, o padrão de qualidade do ar foi violado em 57 dias contra 49 em 2008. Continue lendo

Sentença de morte

dieselOded Grajew, Folha de S.Paulo, 13 de novembro de 2008. Reproduzido de Alai.

Em outubro de 2002, o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) emitiu a resolução 315 determinando que, a partir de janeiro de 2009, a quantidade de enxofre no diesel baixasse de 2.000 ppm -quando vendido nas áreas não urbanas (70% do total)- e de 500 ppm -vendido nas áreas metropolitanas- para 50 ppm. Nos EUA, por exemplo, essa proporção é de 15 ppm; na Europa, de 10 ppm; e, em alguns países da América Latina, já é de 50 ppm.

O Conama determinou também que a indústria automobilística passasse a comercializar a partir da mesma data motores menos poluidores (Euro 4). A resolução se deve ao terrível impacto que as partículas de enxofre têm sobre a saúde pública, sendo responsáveis por graves doenças pulmonares e pela morte prematura (sobretudo de crianças e idosos) de cerca de 3.000 pessoas por ano na cidade de São Paulo e de 10 mil nas principais regiões metropolitanas do país. Continue lendo

Poluição mata mais que Aids e trânsito juntos em São Paulo

Fabiana Parajara, O Globo, 14 de outubro de 2008

SÃO PAULO – A poluição já mata mais do que a Aids e o trânsito juntos na cidade de São Paulo. Paulo Saldiva, médico do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP, afirma que uma única medida, a redução da liberação de enxofre pelo óleo diesel usado pelos veículos, pode evitar 150 mortes por ano – pouco menos que o número total de vítimas de Aids na cidade de São Paulo, que chegaram a 232 em 2007, por exemplo.

Segundo estudos do laboratório, as doenças provocadas pela poluição, que vão de problemas respiratórios a enfartos, causam cerca de 9 mortes por dia na capital paulista. Por ano, são cerca de 3,5 mil óbitos. Na capital, o trânsito causou em todo o ano de 2007, 1.352 mortes de acordo com dados da secretaria municipal de Saúde. Somados, no ano passado, a Aids e o trânsito mataram 1.624 pessoas na cidade. Continue lendo

Montadora já faz motor ‘mais limpo’, mas só para exportar

Dados apontados em estudo deverão ser usados pelo Ministério Público Federal para discutir acordos com as montadoras e com a Petrobras

Afra Balazina, Folha de S.Paulo, 13 de setembro de 2008

A Anfavea (representante das montadoras de veículos) admitiu que produz no Brasil motores com tecnologia exigida pela Europa para exportação, que são adaptados ao uso do diesel S-50. Esse combustível, muito mais limpo do que o usado no Brasil atualmente, deveria entrar em vigor no próximo ano. No entanto, a Petrobras condiciona o fornecimento do diesel à existência de motores novos. Continue lendo

Sementes do poder

Christina Palmeira, Carta Capital, 20/03/2008

A Monsanto produz 90% dos transgênicos plantados no mundo e é líder no mercado de sementes. Tal hegemonia coloca a multinacional norte-americana no centro do debate sobre os benefícios e os riscos do uso de grãos geneticamente modificados. Para os defensores da manipulação dos genes, a Monsanto representa o futuro promissor da “revolução verde”. Para ecologistas e movimentos sociais ligados a pequenos agricultores, a empresa é a encarnação do mal.

Esse último grupo acaba de ganhar um reforço a seus argumentos. Resultados de um trabalho de três anos de investigação da jornalista francesa Marie-Monique Robin, o livro Le Monde Selon Monsanto (O Mundo Segundo a Monsanto) e o documentário homônimo são um libelo contra os produtos e o lobby da multinacional. Continue lendo

Abaixo-assinado pela redução do enxofre no diesel

No final de 2002, o Conama (conselho Nacional do Meio Ambiente), diante da enorme quantidade de enxofre contido no diesel comercializado no Brasil, responsável por graves doenças pulmonares que causam a morte prematura de aproximadamente 3000 pessoas por ano só na cidade de São Paulo (vitimando principalmente crianças e idosos), emitiu uma resolução determinando que, a partir de janeiro de 2009, a quantidade de enxofre baixasse para 50 partículas por milhão (ppm S). Atualmente, essa proporção é de 2000 ppm S nas regiões rurais e 500 ppm S nas regiões metropolitanas.

Na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, a quantidade de enxofre no diesel está 10 partículas por milhão e a tendência é do número chegar a zero. Apesar de todo o prazo concedido e da gravidade do problema, nem as empresas petrolíferas e nem as montadoras de automóveis, de forma absolutamente irresponsável, se prepararam para tal mudança.

O governo brasileiro (por meio do Ministério do Meio Ambiente), por pressão das empresas envolvidas, está negociando um acordo que pode adiar e alterar a resolução do Conama. Este acordo, se firmado, representará um enorme prejuízo à saúde pública, afetando principalmente todas as pessoas e famílias que vivem nas grandes metrópoles. Somente a pressão da sociedade pode fazer com que as partes envolvidas na questão cumpram a determinação do Conama, preservando a saúde e a vida de milhares de brasileiros.

Neste sentido, gostaríamos de solicitar a inclusão de seu nome e/ou de sua organização ou empresa no abaixo-assinado (texto abaixo) que será entregue ao Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc (representando o governo brasileiro), ao Ministério Público, à direção das empresas petrolíferas e das montadoras de automóveis, aos organismos nacionais e internacionais envolvidos com as questões de responsabilidade social empresarial e direitos humanos e às embaixadas dos países de origem das montadoras de automóveis.

Esta concordância deverá ser enviada ao Movimento Nossa São Paulo, preferencialmente até o dia 21/08, pelo e-mail zuleica@isps.org.br, em nome de Zuleica Goulart.

Solicitamos que repassem o abaixo-assinado para as organizações e pessoas de seu relacionamento.

Agradecemos antecipadamente o seu apoio, que será de extrema importância para esta tão importante causa.

Atenciosamente,

Movimento Nossa São Paulo, Instituto Akatu, Greenpeace, Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, SOS Mata Atlântica, Instituto Brasileiro de Advocacia Pública (IBAP), Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e Associação dos Professores de Direito Ambiental do Brasil Continue lendo

Poluição mata mais do que trânsito e homicídios em São Paulo

A poluição mata muita gente em São Paulo, mais de duas mil pessoas por ano, e está crescendo rapidamente desde 2005. São em média oito mortes por dia, contra quatro em acidentes de trânsito e 6,5 por homicídio. O motivo é o aumento explosivo da frota de veículos em circulação na cidade, mais de seis milhões (e 8,5 milhões na região metropolitana). No mês de março de 2008, foram emplacados no Detran da capital 48.571 veículos, uma média de 1.566 por dia. Serão mais de meio milhão a mais no final do ano! Continue lendo