De onde vem o lixo

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Indústria porca

Esther Vivas, 19 de abril de 2012

Nas últimas décadas, a produção e o consumo de carne aumentaram em escala mundial. Os padrões de consumo, bem como os métodos produtivos pecuários mudaram radicalmente. Porém, quais os impactos sociais, ao meio ambiente, trabalhistas… da indústria pecuarista? Quem ganha e quem perde nesse negócio? No presente artigo, abordamos ditas questões.

Uma revolução pecuarista?

A partir dos anos 50 a produção de carne em âmbito mundial multiplicou-se por cinco. A produção de porco, seguida pela de frango e de terneiro são as que registraram maiores aumentos(1). O consumo de carne nos países do sul multiplicou-se por dois entre 1964-66 a 1997-99, no qual passaram de consumir 10,2kg anuais por pessoa para 25,5kg; e, para 2030, espera-se um incremento de até 37kg. Porém, esse crescimento tem sido desigual, registrando-se um aumento significativo da demanda no Brasil e na China, enquanto que na África subsaariana as cifras permanecem estancadas. Nos países do Norte se prevê o consumo de carne por pessoa/ano de 88kg em 1997-99 para 100kg em 2030(2). Continue lendo

Maior parte da área desmatada da Amazônia foi transformada em pastos

Carta Maior, 03 de setembro de 2011

Levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostra que mais de 60% da área já desmatada na Amazônia foram transformados em pastos. A produção agrícola ocupa cerca de 5% da área total desmatada na Amazônia. Os 720 mil quilômetros quadrados de florestas derrubados até 2008 representam uma área equivalente ao tamanho do Uruguai. Segundo avaliação do Inpe, produtividade da pecuária é baixa e desmatamento não gerou necessariamento desenvolvimento econômico.

Mais de 60% da área já desmatada na Amazônia foram transformados em pastos. A conclusão está em um levantamento divulgado sexta-feira (2) e que, pela primeira vez, mapeou o uso das áreas desmatadas do bioma e mostrou o que foi feito com os 720 mil quilômetros quadrados de florestas derrubados até 2008 – uma área equivalente ao tamanho do Uruguai. A maior parte foi convertida para a pecuária.

O levantamento, feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), dividiu a área desmatada em dez classes de uso, que incluem pecuária, agricultura, mineração, áreas de vegetação secundária, ocupações urbanas e outros. Continue lendo

WWF e lideranças da indústria de carne bovina concordam em desenvolver produção sustentável

WWF, 5 de novembro de 2010

A Rede WWF e as lideranças mundiais da indústria de carne bovina anunciaram nesta quinta-feira (04), o compromisso de melhorar a sustentabilidade do sistema de carne bovina com o engajamento — em escala nacional, regional e local — das múltiplas partes interessadas.

Mais de 300 partes (stakeholders) reunidas esta semana na cidade de Denver, no estado do Colorado, nos Estados Unidos, para uma conferência com duração de três dias, conseguiram esclarecer questões chaves, tanto positivas quanto negativas, e alcançar uma posição comum para influenciar a sustentabilidade do sistema produtivo da carne bovina. Continue lendo

Batalha entre floresta e gado na Amazônia

Mario Osava, Envolverde/IPS, 1 de novembro de 2010

“Agarre na mão de Deus”, disse sua mãe ao falecer. Só mais tarde compreendeu que ela, enquanto agonizava com falência dos rins, o exortava a continuar seu trabalho de evangelização católica. Era 1980, e viviam isolados no seringal de Iracema, como uma grande família formada por dezenas de adultos, meninos e meninas, sobrevivendo do que a selva amazônica oferecia e da venda de látex natural extraído da seringueira. Continue lendo

Governo prevê limitar agropecuária na Amazônia

Catarina Alencastro,  O Globo, 25 de outubro de 2010

A agenda verde, que ganhou espaço nesta segunda fase da disputa eleitoral com os dois candidatos à Presidência tentando conquistar os votos dos eleitores de Marina Silva (PV), cresce em importância também no governo. Um documento que contou com a participação de 14 ministérios traça um plano para controlar a expansão da fronteira agropecuária na Amazônia, principal causa do desmatamento. Depois do segundo turno, deve ser editado um decreto definindo o macrozoneamento Ecológico-Econômico da Amazônia Legal, que foi dividida em dez áreas estratégicas com um plano para cada uma. As atividades que essas áreas poderão explorar — agropecuária, mineração, turismo, entre outras — estão definidas no documento. Continue lendo

Eating Less Meat Could Save 45,000 Lives a Year, Experts Claim

Cutting meat consumption to 210g a week would hugely reduce deaths from heart disease and cancer, research shows

Denis Campbell, The Guardian, October 19, 2010

More than 45,000 lives a year could be saved if everyone began eating meat no more than two or three times a week, health experts and Friends of the Earth claim today.

Widespread switching to low-meat diets would stop 31,000 people dying early from heart disease, 9,000 from cancer and 5,000 from strokes, according to new analysis of British eating habits by public health expert Dr Mike Rayner contained in an FoE report. Continue lendo

Animais de corte são responsáveis por cerca de 18% das emissões mundiais de gases estufa

Os relatórios da FAO/ ONU revelam que a criação de animais de corte é responsável por cerca de 18% das emissões mundiais de gases estufa, que agravam o aquecimento do planeta, superando a indústria global de transportes. “O consumo de carne e o aquecimento global” foi o tema do professor de direito ambiental e promotor de justiça da Bahia, Heron José de Santana Gordilho.

Danielle Sibonis, EcoAgência de Notícias Ambientais, 17-09-2010

“No Brasil, as pessoas continuam a consumir grandes quantidades de carne, contribuindo não apenas com os efeitos negativos sobre o clima e a biodiversidade, mas também sobre a nossa saúde, aumentando o risco de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e câncer do aparelho digestivo. Uma conta que, no final, será paga por todos nós”. O promotor defendeu em sua palestra a necessidade do governo em implantar ações nas escolas para incentivar uma alimentação vegana, além de uma diferenciação de tributos, reduzindo os valores dos produtos que não possua origem animal. Continue lendo

Let Them Eat Meat – But Farm It Properly

The ethical case against eating animal produce once seemed clear. But a new book is an abattoir for dodgy arguments

George Monbiot, The Guardian, September 7, 2010

This will not be an easy column to write. I am about to put down 1,200 words in support of a book that starts by attacking me and often returns to this sport. But it has persuaded me that I was wrong. More to the point, it has opened my eyes to some fascinating complexities in what seemed to be a black and white case. Continue lendo

Carne do futuro pode ser artificial, afirma cientista

Governo britanico pediu pesquisa sobre alimentacao global em 2050

Vaguinaldo Marinheiro, Folha de S. Paulo, 17 de agosto de 2010

Se você gosta de carne, corra para uma churrascaria, porque renomados cientistas acreditam que em 40 anos não haverá suculentos bifes para todo mundo. Muitos terão de comer carne produzida em laboratório. A advertência faz parte de uma série de 21 artigos científicos encomendados pelo governo britânico para projetar a situação alimentar do mundo em 2050. As conclusões: a população será de 9 bilhões de pessoas, e o consumo per capita de alimentos também crescerá, principalmente nos países em desenvolvimento. Continue lendo

O BNDES e as novas potências do agronegócio

A política do BNDES de promover a formação de grandes corporações transnacionais brasileiras levou a uma enorme transferência de recursos para empresas do agronegócio, em especial a JBS Friboi, a Bertin e a Brasil Foods (fusão da Sadia e da Perdigão). Uma reportagem da Exame oferece um bom panorama do setor, mas mesmo uma publicação conservadora, como O Estado de S.Paulo,  tem questiona, em editorial, o sentido desta política. Continue lendo

Campanha Carne Legal levou a toda a mídia defesa da pecuária que respeita a legislação

No primeiro mês após seu lançamento, a campanha Carne Legal conseguiu espaço na mídia , alertando cidadãos e poder público para os crimes provocados pela pecuária ilegal e mostrando como o consumidor pode banir esse tipo de pecuarista ao optar por só comprar produtos de fazendas que respeitam a legislação.

Ministério Público Federal, 13 de julho de 2010 Continue lendo

Brasil é o ator principal no cenário mundial da produção de alimentos

[Um artigo sobre o olhar estrategico do agronegocio brasileiro do ponto de vista do próprio]

Marcos Fava Neves, Folha de S.Paulo, 3 de julho de 2010

Qual a ligação entre as cidades de Boston, Pequim, Brasília e Bogotá? A universitária Boston é o berço. Lá está Harvard, que sediou o 20º Congresso Mundial de Alimentos e Agronegócios e onde leciona com lucidez impressionante, aos 85 anos, o sr. Ray Goldberg, criador do conceito de agronegócios, em 1957. O tópico mais discutido foi a explosão do consumo de alimentos no mundo e a necessária produção e conversão de grãos em proteínas para uma população cada vez maior, mais urbana, com mais renda e consumo sofisticado. Foi projetado em 109% o crescimento do consumo mundial até 2020. Continue lendo

Chaco paraguaio em perigo

Autoridades paraguais reconhecem serem impotentes diante do avanco da pecuaria e da soja sobre as florestas do Chaco, onde vive mais da metade dos indigenas do pais.

Natalia Ruiz Diaz, Terramerica, 14 de junho de 2010

A pecuária extensiva no noroeste do Paraguai é a principal causa do desmatamento que sofre o Grande Chaco Americano, uma das regiões de maior diversidade biológica do mun do e a segunda maior área florestal do continente, depois da Amazônia. A organização não governamental Associação Guyra Paraguay denunciou à Secretaria do Ambiente (Seam) que, no ano passado, foram desmatados 267 mil hectares, 17% a mais do que em 2008, apenas nos departamentos de Boquerón e Alto Paraguay que, junto com Presidente Hayes, formam a região Ocidental. Continue lendo

Planeta contaminado pela sociedade de consumo

Stephen Leahy, IPS / Envolverde, 7 de junho de 2010

Berlim – O crescimento da riqueza mundial não faz prever nada bom para a saúde do planeta, afirma o primeiro estudo exaustivo sobre o consumo mundial, divulgado na semana passada. Os maiores assassinos do planeta são o uso do combustível fóssil e a agricultura, segundo a pesquisa “Impactos ambientais do consumo e da produção: produtos e materiais prioritários”, divulgado pela Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia (UE), com sede em Bruxelas. Continue lendo

Sudeste consome carne originária de área desmatada

Herton Escobar, O Estado de S.Paulo, 22 de outubro de 2008

A maior parte da carne produzida em áreas de desmatamento na Amazônia está sendo consumida no Sudeste, segundo um levantamento feito por pesquisadores do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Os números indicam que apenas 5% da carne produzida na região é exportada. E dos 95% que ficam no País, quase 70% são enviados para o Sudeste. Só 12% viram alimento dentro da própria Amazônia Legal. Continue lendo

O capital internacional esta dominando a agricultura brasileira

João Pedro Stedile, Brasil de Fato, 30 de julho de 2008

O movimento do capital financeiro

Nos últimos anos houve um processo intensivo e permanente de concentração e centralização das empresas que atuam e controlam todo processo produtivo da agricultura mundial.

Concentração é o conceito utilizado pela economia política para explicar o movimento que as grandes empresas fazem. Ir aglutinando, acumulando e se constituindo em grandes grupos. Assim, em cada ramo de produção vai se gerando uma situação de oligopólio, em que algumas poucas empresas controlam aquele setor. O segundo movimento do capital foi a centralização, que é a situação em que uma mesma empresa passa a controlar sozinha vários setores de produção, às vezes sem mesmo relação entre si. Esses dois movimentos lógicos do capital, foi complementado no setor agrícola com um processo de internacionalização do controle do mercado e do comércio a nível mundial. Ou seja, algumas empresas passaram a atuar em todos os países e controlar o mercado a nível mundial. Continue lendo