Krugman e Stiglitz alertam para ‘desastre’

Apesar de ser uma das decisões mais importantes já tomadas pela União Europeia (UE) desde sua criação, o novo formato de união não passará por uma consulta popular, o que deixou ontem ativistas e sindicatos enfurecidos. Já economistas alertam que o acordo não será suficiente para tirar a UE da crise, enquanto o Papa Bento XVI prometeu que rezaria por um entendimento.

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo, 10 de dezembro de 2011

O Prêmio Nobel de economia Joseph Stiglitz alertou para o “déficit democrático” e ainda disse que a receita proposta está “equivocada”. “Os dirigentes europeus carecem dos conhecimentos adequados”, atacou, alertando que as medidas vão empurrar as economias a “mais recessão”.

“As bolsas estão subindo e não tenho ideia porque”, escreveu ontem o economista Paul Krugman, outro Prêmio Nobel de Economia. “Essa foi uma cúpula desastrosa. Mais austeridade, mais interpretação errada da crise, atribuindo-a ao déficit fiscal e nenhum mecanismo automático para o funcionamento do Banco Central Europeu”, acusou. Continue lendo

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Juros da dívida de Itália ultrapassam 7%, Krugman diz que “este é o caminho para o fim do euro”

Os juros das dívidas de Itália, Espanha e França dispararam. As bolsas estão a afundar em todo o mundo. O economista Paul Krugman, prémio Nobel da Economia em 2008, diz que “este é o caminho para o fim do euro” e defende que a “salvação do euro depende de uma mudança radical na política do

BCE”.
Esquerda.net, 9 de novembro de 2011

Juros das dívidas de Itália ultrapassaram a barreira dos 7%, mas a subida atingiu significativamente também os juros das dívidas de Espanha e França. Krugman numa nota publicada nesta quarta feira no jornal “The New York Times”, responsabiliza os “líderes europeus” pela política errada que têm vindo a seguir e diz que actualmente “parecem veados encadeados pelos faróis”. Continue lendo

Here Comes the Sun

Paul Krugman, The New York Times, November 7, 2011

For decades the story of technology has been dominated, in the popular mind and to a large extent in reality, by computing and the things you can do with it. Moore’s Law — in which the price of computing power falls roughly 50 percent every 18 months — has powered an ever-expanding range of applications, from faxes to Facebook. Our mastery of the material world, on the other hand, has advanced much more slowly. The sources of energy, the way we move stuff around, are much the same as they were a generation ago. But that may be about to change. We are, or at least we should be, on the cusp of an energy transformation, driven by the rapidly falling cost of solar power. That’s right, solar power. Continue lendo

Markets Can Be Very, Very Wrong

Paul Krugman, The New York Times, September 30, 2011

Muller, Mendelsohn, and Nordhaus have a new paper in the American Economic Review that should be a major factor in how we discuss economic ideology. It won’t, of course, but let me lay out the case anyway.

What MMN do is estimate the cost imposed on society by air pollution, and allocate it across industries. The costs being calculated, by the way, don’t include the long-run threat of climate change; they’re focused on measurable impacts of pollution on health and productivity, with the most important effects involving how pollutants — especially small particulates — affect human health, and use standard valuations on mortality and morbidity to turn these into dollars. Continue lendo

A sangria enfraquece o paciente

Felizmente, os médicos já não acreditam que sangrar os doentes vai torná-los saudáveis. Infelizmente, muitos dos que fazem a política económica ainda acreditam. E a sangria económica está a começar a minar as nossas perspectivas económicas de longo prazo.

Paul Krugman, Esquerda.net, 21 de setembro de 2011

Os médicos chegaram a acreditar que pela retirada do sangue dos pacientes poderiam purgar os “humores” diabólicos que, pensavam eles, eram causadores das doenças. Na realidade, é claro, tudo o que a sangria fazia era tornar o paciente mais fraco e com maior chance de sucumbir.

Felizmente, os médicos já não acreditam que sangrar os doentes vai torná-los saudáveis. Infelizmente, muitos dos que fazem a política económica ainda acreditam. E a sangria económica não está apenas a infligir vastas dores; está a começar a minar as nossas perspectivas económicas de longo prazo.

Algumas informações: no último ano e meio, o discurso político, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, tem sido dominado por pedidos de austeridade fiscal. Ao cortar os gastos e reduzir os défices, disseram-nos, as nações poderiam restaurar a confiança e promover o renascimento económico.

E a austeridade tem sido real. Na Europa, nações com problemas como a Grécia e a Irlanda, impuseram cortes selvagens, enquanto nações mais fortes impuseram programas mais suaves de austeridade. Nos Estados Unidos, o modesto estímulo federal de 2009 extinguiu-se, enquanto governos estaduais e locais cortaram os seus orçamentos, de forma que no conjunto tivemos de facto um movimento em direção à austeridade não muito diferente do da Europa. Continue lendo

Livre para morrer

A falta de compaixão tornou-se uma questão de princípio, pelo menos na base republicana

Paul Krugman, Folha de S. Paulo, 17 de setembro de 2011

Em 1980, justamente quando os Estados Unidos estavam descrevendo uma virada política para a direita, Milton Friedman defendeu a mudança com a famosa série de TV “Free to Choose”. Em um episódio após outro, o simpático economista identificou a economia do laissez-faire com a escolha e o empoderamento pessoais – uma visão otimista que seria ecoada e ampliada por Ronald Reagan. Continue lendo

Islândia-Irlanda, novamente

Foram publicados dois artigos no Irish Times comparando a Islândia com a Irlanda e concluindo que a Islândia não se saiu melhor. Eu daria quatro contra-argumentos.

Paul Krugman, Esquerda.net, 16 de abril de 2011

Por via do Irish Economy, vejo que foram publicados dois artigos no Irish Times comparando a Islândia com a Irlanda e concluindo que a Islândia não se saiu melhor. Os artigos não são maus – mas precisam ser lidos com atenção. Especificamente, eu daria quatro contra-argumentos: Continue lendo

As terras do gelo e da ira

Enquanto o FMI está a exigir que a Irlanda corte no salário mínimo e reduza os benefícios ao desemprego, a sua missão para a Islândia elogia o “enfoque em preservar o modelo de assistência social nórdico valorizado pela Islândia.”

Paul Krugman, Esquerda.net, 16 de abril de 2011

Em 2009 era suposto ser uma piada de humor negro: Qual a diferença entre a Islândia e a Irlanda? Resposta: duas letras e seis meses. Continue lendo

Budget Deal Leaves Liberals Disheartened

Abby Phillip, Politico.com, April 10, 2011

The $38.5 billion deal brokered between Republicans and President Barack Obama on Friday night may have resolved the immediate threat of a government shutdown. But it didn’t take long for many liberal Democrats to begin to realize that there might be not much cause for celebration in the substance of that deal. Continue lendo

Como assassinar uma recuperação

O perigo vem da exigência dos republicanos de que o governo americano corte gastos com nutrição infantil, entre outros

Paul Krugmam, O Estado de S.Paulo / The New York Times, 7 de março de 2011

O noticiário econômico tem melhorado ultimamente. As novas solicitações de seguro-desemprego diminuíram e pesquisas com empresas e consumidores sugerem um crescimento sólido. Ainda estamos perto da base de um buraco muito fundo, mas ao menos estamos subindo. Continue lendo

Doutrina do Choque, Estados Unidos

O que está a acontecer em Wisconsin é uma tentativa de explorar a crise fiscal para destruir o último contrapeso ao poder político das corporações e dos ricos. E a jogada de poder vai além de destruir os sindicatos.

Paul Krugman, Esquerda.net, 5 de março de 2011

Aqui vai uma reflexão: talvez Madison, Wisconsin, não seja mesmo o Cairo. Talvez seja Bagdade — especificamente, Bagdade em 2003, quando o governo Bush colocou o Iraque sob o controle de autoridades escolhidas mais pela lealdade e confiabilidade políticas do que pela experiência ou competência. Continue lendo

Uma Europa particular

Paul Krugman, Folha de S.Paulo, 28 de janeiro de 2011

O discurso do presidente Obama sobre o Estado da União não foi muito inspirador. Mas a resposta oficial do Partido Republicano, apresentada pelo deputado Paul Ryan, foi realmente interessante. E não o afirmo como elogio. Continue lendo

A economia do fundo do poço

Paul Krugman, The New York Times / Folha.com, 3 de janeiro de 2010

Se existe uma pérola de sabedoria econômica que espero que as pessoas compreendam este ano, é a seguinte: ainda que talvez tenhamos finalmente deixado de cavar, continuamos bem perto do fundo de um poço muito profundo. Continue lendo

EUA: Quando os mortos-vivos vencem

Os fundamentalistas do mercado erraram sobre tudo. Mas, ainda assim, dominam a cena política mais completamente que nunca. Como é que isto aconteceu?

Paul Krugman, New York Times / Vi o Mundo / Carta Maior / Esquerda.net, 1 de janeiro de 2011

Quando historiadores olharem de volta para o período 2008-10, o que mais vai intrigá-los, acredito, é o estranho triunfo de ideias falidas. Os fundamentalistas do mercado erraram sobre tudo — ainda assim eles dominam a cena política mais completamente que nunca. Continue lendo

Krugman, frustrado

Rick Wolff, Monthly Review / Rebelion, 6 de octobre de 2010. Traducido por S. Seguí para Rebelión.

Pobre Paul Krugman, atrapado en la vieja rutina keynesiana y limitado por sus anteojeras. La recesión terminaría, dice, sólo con que el gobierno se endeudara aún más a fin de proporcionar el impulso fiscal necesario. Si al menos la gente de Obama y esos republicanos chiflados tuvieran menos miedo de tomar una medida de gobierno así de audaz; si estuvieran menos confundidos por la ideología y fueran menos ignorantes de la economía. Krugman sigue alertándonos de que 2010 será una repetición de 1937 y hundirá la economía aún más. Continue lendo

EUA mergulham na escuridão

As nações emergentes estão realizando enormes esforços para melhorar as suas estradas, portos e colégios. Contudo, nos EUA estamos recuando.

Paul Krugman, Esquerda.net, 28 de agosto de 2010

As luzes apagam-se em todos os Estados Unidos. A cidade de Colorado Springs estampou nas manchetes dos jornais locais a sua intenção desesperada de economizar dinheiro apagando um terço de seus sinais de trânsito, mas estão a acontecer coisas parecidas em todo o país, desde a Filadélfia até Fresno. Contudo, um país que assombrou o mundo com os seus visionários investimentos nos transportes, desde o canal de Erie até o sistema de auto-estradas inter-estatais, agora encontra-se em um processo de despavimentação: em vários estados, os governos locais estão a destruir estradas que já não podem manter e a reduzi-las a cascalho. Continue lendo

‘Brasil potência ainda é especulação’

Nívea Terumi e João Caminoto entrevistam Paul Krugman, O Estado de S. Paulo, 8 de julho de 2010.

O sr. acredita que existe um otimismo exagerado com a economia brasileira e outros países emergentes? O conceito dos Brics ainda é válido?

Sempre considerei o conceito dos Brics muito pobre, porque são economias díspares. Índia e China talvez possam pertencer a um mesmo grupo, por ainda serem economias com mão de obra barata; Rússia é um exportador de petróleo e o Brasil é um país de renda média baixa muito diferente dos outros. O Brasil é uma boa história, que na última década teve desempenho melhor do que o esperado, conseguiu evitar uma crise severa, promoveu melhoras na base de sua população ante um histórico de desigualdade, mas não é uma história notável de crescimento. A ideia do Brasil como superpotência econômica futura é ainda muito baseada em especulação. Espero que um dia seja verdade, mas ainda não vejo isso acontecendo. Continue lendo

Myths of Austerity

Paul Krugman, The New York Times, July 2, 2010

When I was young and naïve, I believed that important people took positions based on careful consideration of the options. Now I know better. Much of what Serious People believe rests on prejudices, not analysis. And these prejudices are subject to fads and fashions. Continue lendo

A terceira depressão

O mundo pode estar nos primeiros estágios de uma terceira depressão, alerta Paul Krugman, com o custo de milhões de vidas arruinadas pela falta de empregos. Esta depressão será o resultado do fracasso das políticas econômicas ortodoxas sobre empréstimos e orçamentos equilibrados

Paul Krugman, Esquerda.net, 30 de junho de 2010

As recessões são comuns, mas as depressões são raras. Até onde eu sei, apenas dois períodos da história económica foram chamados na sua época de “depressões”: os anos de deflação e instabilidade após o Pânico de 1873 e os anos de desemprego em massa após a crise de 1929 a 1931. Continue lendo

Krugman Predicts Painful Road if Deficit Hypocrites Prevail

Paul Krugman Vs. Alan Greenspan On Deficits

Ryan McCarthy, Huffington Post,  June 18, 2010

We don’t know for sure that New York Times columnist Paul Krugman and former Federal Reserve chief Alan Greenspan had each other in mind when they penned diametrically opposed op-eds, both of which ran today. But, we can hope.

Start with their titles. Greenspan’s Wall Street Journal piece is dubbed “U.S. Debt and the Greece Analogy” (You can guess where that piece is headed.) Ever the Keynesian, Krugman’s piece is titled, “That ’30s Feeling.” Continue lendo