Fim do euro seria ‘parada cardíaca’ para a Europa

Fragmentação econômica da Europa interromperia, a curto prazo, os fluxos transacionais de bens, serviços e capitais, com risco de calotes múltiplos.

Nicolas Berggruen, Mohamed El-Erian e Nouriel Roubine, O Estado de S.Paulo, 22 de agosto de 2012

Vozes respeitáveis na opinião dominante estão concluindo que a zona do euro pode não ser mais sustentável. Nessa visão emergente, a Europa faria melhor dividindo-se agora do que mais tarde, quando os custos seriam muito maiores. Mas essa opinião vai longe demais. Ninguém deve duvidar: se a zona do euro se fragmentar totalmente, a Europa fracassará como mercado único e a União Europeia também poderá desmoronar.

No curto prazo, uma fragmentação seria o equivalente econômico e financeiro de uma parada cardíaca para a Europa. Os fluxos transnacionais de bens, serviços e capitais seriam interrompidos na medida em que preocupações com as denominações em moedas sobrepujariam o cálculo de valor normal. Os grandes descompassos entre moedas alimentariam uma tensão financeira corporativa, podendo até causar calotes múltiplos. O desemprego aumentaria. E a provisão de serviços financeiros básicos, dos bancários aos seguros, seriam reduzidos, com uma alta probabilidade de corridas aos bancos nos membros mais vulneráveis da zona do euro. Continue lendo

Anúncios

Abaixo a zona do euro

A dissolução desordenada da eurozona representaria um choque talvez até maior do que o colapso de 2008

Nouriel Roubini, Folha de S.Paulo, 13 de novembro de 2011

A crise na zona do euro parece estar atingindo seu clímax, com a Grécia à beira de um calote e de uma saída inglória da união monetária e a Itália a ponto de perder seu acesso aos mercados. Mas os problemas na zona do euro são ainda mais profundos. Trata-se de problemas estruturais, que afetam severamente pelo menos outras quatro economias: Irlanda, Portugal, Chipre e Espanha. Continue lendo

A instabilidade da desigualdade

Os protestos pelo mundo expressam a preocupação de classes diante do maior poder nas mãos das elites

Nouriel Roubini, Folha de S.Paulo, 16 de outubro de 2011

Este ano foi caracterizado por uma onda mundial de inquietações e instabilidades sociais e políticas, com participação popular maciça em protestos reais e virtuais: a Primavera Árabe; os tumultos em Londres; os protestos da classe média israelense contra o alto preço da habitação e os efeitos adversos da inflação sobre os padrões de vida; os protestos dos estudantes chilenos; a destruição dos carros de luxo dos “marajás” na Alemanha; o movimento contra a corrupção na Índia; a crescente insatisfação com a corrupção e a desigualdade na China; e agora o movimento “Ocupe Wall Street”, em Nova York e em outras cidades dos Estados Unidos. Continue lendo

Como previnir uma recessão

Os riscos agora são de uma contração severa, que poderia se transformar em nova Grande Depressão

Nouriel Roubini, Folha de S.Paulo, 25 de setembro de 2011

Os mais recentes dados econômicos sugerem que a recessão está voltando nas economias mais avançadas, com os mercados financeiros atingindo agora níveis de desgaste semelhantes aos registrados quando do colapso de 2008. Os riscos de uma crise econômica e financeira ainda pior que a anterior -e agora envolvendo países insolventes- são significativos. Continue lendo

O capitalismo está condenado?

As autoridades financeiras mundiais já tiraram vários coelhos da cartola, mas eles parecem ter acabado

Nouriel Roubini, Folha de S.Paulo, 21 de agosto de 2011

A IMENSA instabilidade e a correção acentuada nos preços das ações que vêm varrendo os mercados mundiais sinalizam que as economias mais avançadas estão à beira de uma recessão de duplo mergulho. Continue lendo

Petróleo pode levar economia à recessão

Alta nos preços causada por turbulência política traz riscos; plano de assistência a países deve ser proposto

Nouriel Roubini, Folha de S.Paulo, 20 de março de 2011

O tumulto no Oriente Médio tem fortes implicações econômicas, especialmente por elevar o risco de estagflação, uma combinação letal de desaceleração no crescimento e inflação em alta.

De fato, caso surja estagflação, existe sério risco de uma recessão de duplo mergulho, em uma economia mundial que mal acaba de sair da pior crise em décadas. Continue lendo

Roubini: França não está melhor que a Grécia

Roubini traça cenário de pesadelo na evolução das dívidas soberanas na Europa, salientando que a socialização das perdas do sistema bancário privado provocou um enorme aumento da dívida pública. Para o economista, Portugal será o próximo, mas o grande problema é a Espanha.

Esquerda.net, 20 de novembro de 2010

Em entrevista ao canal CNBC, Nouriel Roubini aborda a crise das dívidas soberanas e afirma: “Decidimos socializar as perdas do sistema bancário privado. Agora temos um enorme aumento da dívida pública – a passar de 7% para 100% do PIB. Em breve representará 120%”. Continue lendo

Nouriel Roubini vê risco de nova bolha financeira nos EUA

Sílvio Guedes Crespo, Radar Economico, 13 de agosto de 2010

O economista Nouriel Roubini, que ficou conhecido como Dr. Doom [Dr. Destino, um vilão dos comics da Marvel] por prever a crise internacional, disse em entrevista ao site da revista “The Economist”, que a reforma do sistema financeiro nos Estados Unidos foi uma iniciativa tardia e limitada.

Ele considera que a reforma vai à direção correta, mas “é muito menos do que poderia ser, é desapontadora e insuficiente para prevenir uma nova crise financeira ou bolha”, afirmou o economista.

As regras estabelecidas para limitar o tamanho dos bancos não resolverão o problema, a regulação deveria desincentivar as pessoas a não assumir riscos altos demais e propostas como a limitações para negociações de derivativos foram diluídas no Congresso, assinalou o economista.

Una época de dobles caídas de la economía mundial

Abróchense los cinturones para un viaje muy accidentado

Nouriel Roubini, Rebelión, 21 de julio de 2010

La economía mundial, artificialmente impulsada desde la recesión de 2008–2009 por un estímulo fiscal y monetario en gran escala y rescates financieros, va camino de una profunda recesión este año, al ir desapareciendo los efectos de esas medidas. Peor aún, no se han abordado los tremendos excesos que alimentaron la crisis: demasiada deuda y demasiado endeudamiento en el sector privado (familias, bancos y otras entidades financieras e incluso en gran parte del sector empresarial). Continue lendo

A Grécia é apenas a ponta do iceberg

Precisamos reconhecer que estamos no estágio seguinte da crise financeira. A questão iminente é a dívida do setor público. Hoje é a Grécia. Amanhã serão outros países

NOURIEL ROUBINI, GLOBAL VIEW POINT, O Estado de S.Paulo, 6 de maio de 2010

Crises financeiras são muito frequentes na história. Elas são causadas por bolhas insustentáveis que estouram, e pelas alavancagens de dívidas e riscos excessivos assumidos pelo setor privado durante a bolha. Na esteira da recessão econômica, como parte da resposta a ela, dívidas e déficits governamentais crescem para níveis insustentáveis que podem causar calote ou inflação se não forem corrigidos. A crise que estamos atravessando agora segue esse padrão. Continue lendo

A armadilha mortal da dívida

Contração fiscal pode, ao menos em curto prazo, agravar mais a recessão

NOURIEL ROUBINI. Folha de S. Paulo, 19 de abril de 2010

A saga financeira grega é a ponta de um iceberg de problemas de sustentabilidade de dívidas públicas em muitas das economias avançadas, e não só entre os chamados Piigs (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha). De fato, a OCDE agora estima que a relação entre dívida pública e PIB nas economias ricas chegue a uma média de 100% do PIB. Continue lendo

Estados de risco

Nouriel Roubini, Folha de S.Paulo, 14 de março de 2010

A Grande Recessão de 2008/9 foi deflagrada pelo acúmulo de dívidas e pela alavancagem exagerada nos domicílios, instituições financeiras e até o setor empresarial. Embora haja muita conversa sobre a redução da carga de dívidas, agora que a crise está se dissipando, a realidade é que os níveis de endividamento do setor privado se estabilizaram em patamares muito elevados. Continue lendo

Duas análises de Nouriel Roubini

Os dois artigos abaixo procuram dar conta, da ótica adotada por Nouriel Roubini, do risco de contagio sistêmico do sistema financeiro internacional provocado pela atual crise da Grécia e de outros países europeus profundamente endividados (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha).

A cura dos males do sul da Europa

Nouriel Roubini e Arnab Das, Folha de S.Paulo, 7 de fevereiro de 2010

Uma nova Grande Depressão pode ter sido evitada, mas a crise está longe de encerrada. O crédito está apertado e todos os pontos de alto endividamento da economia mundial estão sendo contagiados: os domicílios com pesadas dívidas hipotecárias (Islândia, Estados Unidos, Espanha, Irlanda, Europa central e oriental); os bancos (Islândia, Estados Unidos, União Europeia, Rússia e países da antiga União Soviética); a dívida quase pública (Naftogaz, da Ucrânia; Dubai World); e agora a Grécia e os outros elos vulneráveis na zona do euro. Continue lendo

Economia dos EUA está mais fraca do que parece

Ricos estão se tornando mais ricos com a alta nas Bolsas, mas a maior parte do país enfrenta uma quase depressão

Nouriel Roubini, Folha de S. Paulo, 15 de novembro de 2009

Embora os Estados Unidos tenham recentemente registrado crescimento de 3,5% para o seu PIB no terceiro trimestre, o que sugere que a mais severa recessão desde a Grande Depressão está encerrada, a economia norte-americana na verdade está muito mais fraca do que os dados oficiais sugerem. Os indicadores oficiais de Produto Interno Bruto podem superestimar grosseiramente o crescimento econômico, porque não capturam os sentimentos negativos que prevalecem entre as pequenas empresas e a sua severa queda de produção. Continue lendo

Quanto maior a bolha atual, maior será o inevitável estouro

Para o economista Nouriel Roubini, juros negativos nos EUA e dólar fraco geram “mãe” de todos os “carry trades” e bolha global cujo estouro é inevitável

Nouriel Roubini, Folha de S.Paulo, 3 de novembro de 2009

Desde março vem ocorrendo um aumento maciço em ativos de alto risco de todo tipo -participações, preços do petróleo, energia e commodities-, um estreitamento dos “spreads” de alta rentabilidade e alta classificação e um aumento maior ainda nas classes de ativos de mercados emergentes (suas ações, obrigações e moedas). Continue lendo

Cresce o risco de nova contração

nouriel-roubiniNOURIEL ROUBINI, “FINANCIAL TIMES” – Folha de S.Paulo, 25 de agosto de 2009

A ECONOMIA mundial está começando a se recuperar da pior recessão e crise financeira desde a Grande Depressão. No quarto trimestre de 2008 e nos primeiros três meses de 2009, o ritmo de contração na maioria das economias avançadas era semelhante à queda livre do PIB que os países registraram nos estágios iniciais da Depressão. No entanto, no final do ano passado, as autoridades econômicas, que até aquele momento estavam agindo tardiamente, enfim começaram a usar a maioria das armas disponíveis em seus arsenais. Continue lendo

Os horrores da “estagdeflação”

Nouriel Roubini ou Dr. Destino

Nouriel Roubini ou Dr. Destino

Nouriel Roubini, Especial para o Financial Times. Folha de S.Paulo, 4 de dezembro de 2008

A ECONOMIA dos EUA e mundial corre o risco de uma severa “estagdeflação”, uma combinação mortífera de estagnação/recessão econômica e deflação.

Uma recessão mundial severa resultará em pressões deflacionárias. A queda na demanda resultará em inflação mais baixa, à medida que as empresas cortem preços para reduzir seus estoques excedentes. A folga nos mercados de trabalho gerada pelo desemprego ajudará a controlar os custos de mão-de-obra e os salários. A folga nos mercados de commodities devido à queda de preços também conduzirá a uma queda acentuada na inflação. Assim, o nível de inflação nas economias avançadas deve rumar ao patamar de 1%, que costuma despertar temores de deflação. Continue lendo

“Poderemos ter uma depressão global”

Sergio Dávila entrevista Nouriel Roubini. Folha de S.Paulo, 10 de outubro de 2008

Economista que previu crise diz que sistema financeiro precisa mudar para evitar “derretimento total”

Na segunda-feira, Nouriel Roubini escreveu que o governo norte-americano deveria organizar um corte coordenado de juros nas principais economias mundiais e o Federal Reserve, o banco central do país, tinha de fazer empréstimos de curto prazo diretamente para as empresas. Na terça e na quarta, as duas medidas foram anunciadas. Você sabe que a crise é realmente grave quando um economista conhecido pelo apelido de “Sr. Apocalipse” começa a ser ouvido pela Casa Branca. Continue lendo

Plano privatiza ganhos e socializa perdas

Comprar 700 mil milhões de activos tóxicos é a melhor forma de recapitalizar o sistema financeiro? Não! É uma desgraça e um roubo que apenas beneficia os accionistas e os credores sem garantias dos bancos

Nouriel Roubini (Nouriel Roubini’s Global EconoMonitor), Esquerda.net, 29 setembro de 2008

Sempre que há uma crise do sistema bancário, há a necessidade de recapitalizar o sistema bancário/financeiro para evitar uma contracção de crédito excessiva e destrutiva. Mas comprar activos tóxicos/ilíquidos do sistema financeiro não é a forma mais eficiente e efectiva de recapitalizar o sistema bancário. Esta recapitalização – através do uso de recursos públicos – pode ocorrer de várias maneiras alternativas: compra de maus activos/empréstimos; injecção pelo governo de acções preferenciais; injecção pelo governo de acções comuns; compra pelo governo de dívida subordinada; emissão pelo governo de acções comuns; compra pelo governo de dívida subordinada; emissão pelo governo de títulos do governo para serem colocados nos balanços dos bancos; injecção pelo governo de dinheiro: linhas de crédito do governo aos bancos; assunção do governo das dívidas governamentais. Continue lendo

EUA/Europa: Governos procuram salvar mercados financeiros

Esquerda.net, 29 de setembro de 2008

Durante todo este fim de semana, nos Estados Unidos e na Europa, multiplicaram-se as reuniões, entre ministros, administradores dos bancos centrais e banqueiros para tentar salvar os mercados financeiros e diversas instituições bancárias, em risco de falência eminente. Intervenções maciças dos bancos centrais, nacionalização de dívidas dos bancos, garantia estatal sobre venda de activos a outras instituições, são algumas das medidas tomadas pelos governos e administrações dos bancos centrais. Continue lendo