O mais vasto fracasso do fundamentalismo de mercado

After FailureA inútil Cúpula da Terra de junho, as medidas débeis agora em discussão em Doha, o projeto de lei sobre energia e o estudo sobre redução da demanda de eletricidade lançado na Grã-Bretanha na semana passada expõem o mais vasto fracasso do fundamentalismo de mercado: sua incapacidade para resolver a crise existencial da espécie. O legado de 1000 anos das atuais emissões de carbono é amplo o suficiente transformar em lascas qualquer coisa parecida com a civilização humana.

George Monbiot, The Guardian,  7 de dezembro de 2012

A maior crise da humanidade coincide com a ascensão de uma ideologia que a torna impossível resolver. Ao final dos anos 1980, quando se tornou claro que as mudanças climáticas provocadas pelo homem colocavam em perigo a vida no planeta e a humanidade, o mundo estava sob o domínio de uma doutrina política extrema, cujos princípios proibiam o tipo de intervenção necessária para enfrentá-las. Continue lendo

O mundo empresarial está muito à frente dos políticos no que diz respeito às mudanças climáticas

Jesús Ruiz Mantilla entrevista Nicholas Stern, El País, 5 de junho de 2011. A tradução é do Cepat. Reproduzido de IHU Online.

O seu Relatório sobre o impacto das mudanças climáticas na economia mudou a maneira de se abordar este problema a partir do  poder. Foi chamado de exagerado e apocalíptico, mas Nicholas Stern (Hammersmith, Reino Unido, 1946) mostrou em sua vida e em seus estudos que anda com os pés no chão. Stern assume uma importância para o debate sobre a crise climática proporcional ao do Greenpeace e de Al Gore, para citar dois exemplos. O Relatório Stern, produzido por Tony Blair e lançado em 2005, com 700 páginas foi a fonte de consulta dos fóruns mais poderosos na tomada de consciência sobre a gravidade da questão.

Stern saltou para a esfera pública com o trabalho, e o seu trabalho se transformou em base para diversas políticas subsequentes. Ele adverte que se medidas urgentes não forem tomadas, o crescimento diminuirá entre 5% e 20% a nível global e a desertificação de muitas áreas do planeta resultará em movimentos de massa com os seus respectivos conflitos. Uma política da indiferença e de braços cruzados com a temática ambiental conduzirá à pobreza e a tensões. Continue lendo

Ailing UN climate talks jolted by record surge in greenhouse gases

Lord Stern talks of ‘wake-up call’ for governments meeting in Bonn next week with no sign of an agreement to succeed Kyoto

Fiona Harvey, guardian.uk.co, May 29, 2011

The record leap in global greenhouse gas emissions last year has thrown the spotlight on the world’s only concerted attempt to stem the tide of global warming – the United Nations climate negotiations.

Next week, governments will convene in Bonn, Germany, for the latest round of more than 20 years of tortuous talks, aimed at forging a binding international agreement on climate change which so far has eluded them.

Little is expected of the meeting, a staging post on the road to a bigger conference in Durban, South Africa, in December. But the data from the International Energy Agency (IEA) should shock even the most jaded of negotiators. Continue lendo

Revolução industrial de baixo carbono

Nicholas Stern defende políticas de estímulo à inovação e consumo sustentáveis.

Juliana Lopes, Revista Idéia Socioambiental, 13 de agosto de 2010

“Devemos pensar estratégias eficientes no combate ao aquecimento e à pobreza. Se falharmos em um desses desafios, automaticamente fracassaremos no outro.” Assim Nicholas Stern iniciou sua apresentação no Fórum de Varejo 2010, organizado em São Paulo, pelo Walmart Brasil. Para o ex-presidente do Banco Mundial, a percepção de que esses dois objetivos concorrem entre si precisa ser superada para dar lugar à inovação e ao desenvolvimento de baixo carbono, iniciando uma quinta revolução industrial. Continue lendo

O clima ainda em compasso de espera

poznanWashington Novaes, O Estado de S. Paulo , 5 de dezembro de 2008

Estas linhas são escritas ainda sob o impacto das notícias sobre o mais grave desastre climático em Santa Catarina, problemas da mesma ordem nos Estados do Espírito Santo e do Rio de Janeiro e com centenas de municípios do Nordeste em estado de emergência por causa da seca – no mesmo momento em que pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais, da Embrapa e da Fiocruz prevêem (Estado, 26/11) que as mudanças no clima nas próximas décadas podem agravar a situação no Semi-Árido, com perdas superiores a 60% nas áreas aptas para a agricultura em vários Estados. E tudo isso acontece no mesmo momento em que 192 países discutem em Poznan, na Polônia, caminhos para novo acordo que permita reduzir no mundo as emissões de gases que intensificam o efeito estufa. Continue lendo

O tempo é curto na área do clima

angeli-desmatamentoWashington Novaes, O Estado de S.Paulo, 7 de novembro de 2008

Avivou muito as discussões a presença em São Paulo, esta semana, do afável e cordial – mas não menos contundente – sir Nicholas Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial e coordenador do relatório sobre mudanças climáticas pedido pelo governo britânico em 2006. Nesse documento, que mudou o rumo das discussões, Stern afirmara que tínhamos dez anos para enfrentar a questão do clima, aplicando em soluções pelo menos 1% do produto bruto mundial (cerca de US$ 600 bilhões) a cada ano; se não o fizermos, corremos o risco da “mais grave recessão econômica da História”, que pode significar a perda de 20% do produto mundial. Continue lendo