Ucrânia: nem tropas russas, nem fascismo, nem instituições euro-atlânticas

russian troops in crimeaA queda de Ianukovitch não é “um golpe” fascista. Mas a composição e as orientações do “governo de união”, apoiado pelas potências ocidentais, vão provocar a explosão da Ucrânia. As explicações de tipo complot e polarizadas ocultam os desafios sociais e democráticos, apoiando-se apenas numa parte da verdade.

Catherine Samary, Esquerda.net, 4 de março de 2014

Do lado da Maidan: Foi um movimento popular, desafiante para todos os partidos por causa dos seus próprios métodos, que fez cair Ianukovitch: mais do que por causa da Europa, a Maidan mobilizou-se massivamente contra a “família” dominante, oligárquica e contra o curso cada vez mais repressivo e personalista do regime, temendo-se que uma integração dos projetos de Putin agrave estas derivas. Continue lendo

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Os excluídos da Europa

Graça Magalhães-Ruether, O Globo, 19 de setembro de 2010

Com a deportação de milhares de ciganos romenos e búlgaros para seus países de origem por ordem do governo francês nas últimas semanas, mais uma vez a atenção do mundo volta-se para a minoria mais desprivilegiada do continente — a maior parte vivendo no Leste Europeu. Mesmo com o ingresso dos países dessa área na União Europeia (UE), os milhões de ciganos de Romênia, Hungria ou Bulgária continuaram a viver em guetos, como ilhas do Terceiro Mundo na rica UE. Alvos da violência neonazista na Hungria, ameaçados na Romênia, os ciganos tornam-se bodes expiatórios também nos seus países de origem. Continue lendo

Antiguo dilema para la izquierda: el caso Brasil

Immanuel Wallerstein, La Jornada / Rebelión, 21 de marzo de 2010

Con ocasión de celebrar el trigésimo aniversario de la creación del Partido de los Trabajadores (PT) en Brasil, el principal periódico independiente de izquierda, Brasil de Fato, publicó entrevistas con cuatro de los principales intelectuales de izquierda. Los cuatro fueron activos alguna vez en el PT, de hecho se cuentan entre sus fundadores. Tres de ellos se retiraron del PT –el historiador Mauro Lasi se unió al Partido Comunista Brasileño, el sociólogo Francisco de Oliveira se unió al Partido Socialismo y Libertad y el historiador Rudá Ricci se hizo izquierdista independiente. El cuarto, el historiador Valter Poner, permanece en el PT y es una de las figuras principales de su facción de izquierda. Continue lendo

Aldo Rebelo entra de vez para a Bancada Ruralista

Leonardo Sakamoto, http://www.blogdosakamoto.com.br, 5 de fevereiro de 2010

O deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) encontrou um nicho a ser explorado, a do nacionalismo cego que passa por cima de direitos humanos para alimentar a paranóia do risco do inimigo externo. Que pode vir travestido de inescrupulosos indígenas aliados dos yankees, que tramam a independência de suas terras nas regiões de fronteira, ou de perversos militantes do desenvolvimento sustentável, que impedem o Brasil de atingir seu ideal de nação previsto por Pero Vaz de Caminha e reafirmado por Celso Furtado. Continue lendo

O mito do colapso americano

José Luis Fiori, Valor Econômico, 8 de outubro de 2008

Na segunda feira, 6 de outubro de 2008, a crise financeira americana desembarcou na Europa e repercutiu em todo mundo de forma violenta. As principais Bolsas de Valores do mundo tiveram quedas expressivas, e governos e bancos centrais tiveram que intervir para manter a liquidez e o crédito de seus sistemas bancários. Continue lendo

Negócios da Rússia e dos EUA

Mario Tomé e Victo Franco, Esquerda.net, 16 de agosto de 2008

O conflito entre a Rússia e a Geórgia faz lembrar, de certa forma, os tempos da “guerra fria”. Até as reações das diferentes correntes políticas, alinhamentos político/ideológicos e linhas editoriais deram um cheirinho a um tempo que já passou. Parece que se sentem órfãos desses tempos que já não voltam.

Mas esta crise vem confirmar a marcha sem freio da arbitrariedade que, sob a égide e a imposição da superpotência imperial, os EUA, parece querer apoderar-se das relações internacionais.

Algumas apreciações parecem consensuais. Que a aventura partiu da Geórgia, tentando assumir o controle sobre territórios seus à luz do direito internacional, e que depois a Rússia respondeu rápida e duramente. Verificaram-se atrocidades de parte a parte. Todos os especialistas concordam que o controle sobre o petróleo e o gás assumem papel chave. Afinal os mesmos motivos para outros conflitos em curso. A dependência da Europa dos combustíveis russos talvez explique melhor as posições de alguns países – procurando uma mediação rápida.

De facto os tempos são outros, não são os da guerra fria. Têm circunstâncias e factores novos. Continue lendo