Por uma vida plena de sentido: os socialistas e sua revolução interrompida na luta por outra civilização

Os socialistas e sua revolução interrompida na luta por outra civilização

José Correa Leite, junho de 2011

O questionamento da defesa do PLC 122, que criminaliza a homofobia, a partir de considerações religiosas, suscitou uma reação de justificada de indignação. Vários camaradas argumentaram corretamente os equívocos desta posição. Na mesma linha de argumentação, foi questionado também nosso envolvimento na luta pela legalização do aborto e pela descriminalização da maconha. Isso traz para dentro da pauta política da esquerda as posições dos setores religiosos mais conservadores. Continue lendo

A crise de civilização que assoma e os desafios da Cúpula dos Povos

A Cúpula dos Povos deve apontar para outra civilização: grande parte do que é produzido hoje é desnecessário para uma vida digna e prejudicial para o planeta e a maioria da humanidade. Mas para isso, a esquerda deve romper com uma certa tradição produtivista e, em nosso continente, com o neodesenvolvimentismo inseparável do modelo chinês.

José Correa Leite, 15 de abril de 2012, atualizado em 10 de maio de 2012

A Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) ocorrerá em um momento em que a crise econômica estrutural, que irrompeu abertamente em agosto de 2008, mergulhou a Tríade EUA-UE-Japão em um prolongado período de depressão, acirrou a competição entre os governos centrais e os emergentes e enfraqueceu não apenas os projetos mas até mesmo as veleidades ambientais de todos eles. Continue lendo

As ciências do Sistema Terra e as disputas epistemológicas do século XXI

A ciência moderna nasce com uma dupla vocação, buscando um entendimento abrangente e verificável da realidade e o controle das forças da natureza. Mas as ciências do sistema Terra, consolidadas nas últimas décadas, apontam a necessidade não da humanidade ampliar seu controle sobre a natureza, mas refrear seu ímpeto de modela-la – apontam para o auto-controle da intervenção da sociedade sobre seu meio ambiente. Isto provoca um choque político entre cientistas e governos: figuras de proa das ciências da Terra tem sofrido censura e perseguição por suas posições. Mas há também um confronto epistemológico, um questionamento à tradição baconiana da ciência.. Poderão estas ciências oferecer um novo paradigma de cientificidade, distinto aquele que tem prevalecido nos últimos séculos?

José Correa Leite, Revista FACOM, maio de 2012

A ciência nasceu, no século XVII, com uma alma dupla, buscando um entendimento abrangente e verificável da realidade e o controle das forças da natureza. Descartes e Bacon expressam esta dupla vocação desta nova forma de conhecimento, a ciência experimental e matematizável, desenvolvida por Galileu e Newton. Sua trajetória posterior confirmou esta simbiose entre os dois aspectos – tendo cada vez mais o domínio da natureza como força motora. A transformação da tecnociência em um grande empreendimento capitalista, a partir do final do século XIX, coloca esta atividade no coração da economia contemporânea – fonte do crescimento e, portanto, do “progresso”. Continue lendo