Bancada evangélica e ruralista: O lobby que funciona

Articulação da bancada evangélica levou Marco Feliciano para a presidência de colegiado que trata de direitos humanos e minorias. Ruralistas se organizaram e conseguiram eleger Blairo Maggi para comandar Meio Ambiente.

 André Gonçalves, Gazeta do Povo, 10 de marco de 2013

A escolha do deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP), autor de comentários ofensivos a gays e negros e réu por homofobia no Supremo Tribunal Federal, para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara expôs dois tipos de lobbies setoriais na disputa pelo comando das comissões permanentes do Congresso. No formato tradicional, há casos como a eleição do ex-jogador Romário (PSB-RJ) para a presidência da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados. Em uma lógica “invertida”, Feliciano foi eleito para o colegiado de Direitos Humanos e Minorias e o ruralista Blairo Maggi (PR-MT) assumiu a Comissão de Meio Ambiente do Senado. Continue lendo

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Código Florestal e “Kit-Gay”: a falência de uma governabilidade conservadora

Eduardo d’Albergaria (Duda), Correio da Cidadania, 26 de Maio de 2011

Ainda nas eleições de 2002, o PT anunciava uma “nova” estratégia de governabilidade, mais afinada com as transformações que o partido vinha passando: a obtenção de maiorias no parlamento, utilizando-se de alianças com partidos conservadores, liberais e/ou fisiológicos. Essa estratégia já era a regra geral da política brasileira, a novidade era a opção feita pelo PT.

Até 2002, o PT buscava construir uma forma inovadora de governabilidade: alargar os espaços de democracia – por meio de mecanismos como o Orçamento Participativo e os Congressos das Cidades – e a pressão popular sobre o parlamento. Não por coincidência, as administrações petistas que mais avançaram na “inversão de prioridades” e radicalizaram o “modo petista de governar” foram aquelas que aplicaram de forma mais intensa essa aposta popular de governabilidade – mesmo com minorias no parlamento: as prefeituras de Porto Alegre e Belém, por exemplo. Continue lendo

Com fogo nas ventas

Que pacíficos que nada. “Os brasileiros têm pouca tolerância ao diferente”, diz pesquisador gaúcho

Monica Manir entrevista Fernando Seffner, O Estado de S.Paulo, 20 de novembro de 2010

Um militar está detido por ter baleado um rapaz no Arpoador depois da Parada no Rio. O motivo suposto? O fato de esse rapaz ser homossexual. Cinco jovens de classe média agrediram três jovens na Avenida Paulista com socos, pontapés e lâmpadas fluorescentes. O motivo alegado? As vítimas os teriam paquerado. Ainda que, por enquanto, imagens não comprovem de vez coisa ou outra, o clima de suspeição levou a uma grita contra e a favor da discriminação sexual que envolveu manifestos, disparos no Twitter de lado a lado e discussão sobre o projeto de lei que propõe a criminalização da homofobia. Continue lendo

Homofobia e a violência da intolerância

Navi Pillay, Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Folha de S.Paulo, 21 de novembro de 2010

Seth Walsh tinha 13 anos quando foi até o jardim da casa onde morava com sua família, na Califórnia, e se enforcou. Seth é um dos seis adolescentes que sabemos que se suicidaram nos EUA, só em setembro, devido ao que sofreram nas mãos de perseguidores homofóbicos. Continue lendo

Lei anti-homofobia: uma resposta à onda do ódio

Pesquisa do Grupo Gay da Bahia mostra que, a cada 2 dias, um homossexual é assassinado no Brasil.

Patrícia Benvenuti, Brasil de Fato, 19 de novembro de 2010

Foi em uma escola pública de Taboão da Serra (SP) que Pierre Freitaz, então com 13 anos, foi vítima de homofobia pela primeira vez. As agressões vieram, inicialmente, na forma de piadas. “Nunca gostei de ser amigo dos meninos, eu andava mais com as meninas. Eu não gostava de jogar futebol, e aí começou”. As “brincadeiras” aumentaram, e os meninos passaram a cobrar “pedágio” para deixá-lo entrar na escola. Com medo, Pierre pagava, até que avisou que não entregaria mais o dinheiro. As ameaças se concretizaram. “Vieram com empurrões, a violência foi crescendo até que quebraram o meu braço”. Continue lendo

Mais de cem gays são mortos por ano

Carolina Benevides e Rafael Galdo, O Globo, 17 de outubro de 2010

Alçados a tema central da campanha presidencial, o casamento gay, a união civil entre pessoas do mesmo sexo e a criminalização da homofobia têm sido debatidos pelos candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) a partir do viés religioso e sem levar em conta um dado alarmante: o número de homossexuais assassinados por motivação homofóbica cresce a cada ano. Em 2009, 198 foram mortos no Brasil. Onze a mais que em 2008, e 76 a mais do que em 2007, um aumento de 62%. Os dados são do Grupo Gay da Bahia (GGB), fundado em 1980 e o único no país a reunir as estatísticas. Segundo o GGB, de 1980 a 2009 foram documentados 3.196 homicídios, média de 110 por ano. Continue lendo