Wallerstein: “nenhum sistema dura para sempre”

Para sociólogo, capitalismo não sobreviverá à crise, mas o que emergirá é imprevisível. Por isso, próximas décadas serão cruciais

Lee Su-hoon entrevista Immanuel Wallerestein, Outras Palavras, 12 de novembro de 2012. Tradução: Hugo Albuquerque e Inês Castilho

Em dois sentidos, pelo menos, o sociólogo norte-americano Immanuel Wallerestein parece disposto a contrariar as ideias que ainda predominam sobre a crise iniciada em 2007. Primeiro, no diagnóstico do fenômeno. Para ele, estamos diante de algo muito mais profundo que uma mera turbulência financeira. Foram abaladas as bases do próprio capitalismo. Ou, para usar um conceito caro a Wallerstein, do “sistema-mundo” que se desenhou a partir do século 16, em algumas partes da Europa, e se tornou globalmente hegemônico desde os anos 1800. Tal sistema teria atingido “o limite de suas possibilidades”, sendo incapaz de sobreviver à crise atual. Se ainda temos dificuldade para compreender o alcance das transformações em curso é porque, presos à inércia, demoramos a aceitar que “há alguns dilemas insolúveis”. “Nada dura para sempre – nem o Universo”, lembra Wallerstein, um tanto irônico.

O segundo ponto de vista não-convencional deste sociólogo – também um pesquisador de enorme repercussão internacional nos terrenos da História e da Geopolítica – diz respeito ao que virá, diante do eventual colapso do atual sistema-mundo. Ele diverge dos que pensam, baseados numa interpretação pouco refinada do marxismo, que podemos permanecer tranquilos – já que o declínio do sistema atual dará necessariamente lugar a uma ordem fraterna e socialista.  Não – diz Wallerstein – o futuro está mais aberto que nunca. O declínio do capitalismo pode abrir espaço, inclusive, a um sistema mais desumano – como sugere a forte presença, em todo o mundo, de correntes de pensamento autoritárias e xenófobas. Continue lendo

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Se vienen años de incertidumbre y caos mundial

Immanuel Wallerstein

Divulgado em Rebelión – Publicado em ALAI

El destacado académico de las ciencias sociales, Immanuel Wallerstein, es uno de los más connotados exponentes del pensamiento crítico contemporáneo, y durante su reciente visita a Ecuador ALAI conversó con él sobre la actual crisis de deuda que golpea duramente a Estados Unidos y sus consecuencias para los países emergentes y América Latina.

El investigador principal de la Universidad de Yale considera que el dólar ha entrado en un proceso grave e irreversible de pérdida de valor como moneda de reserva mundial, subrayando que era “el último poder serio que mantenía Estados Unidos”.

Wallerstein piensa que las diferentes medidas de emergencia que se están implementando en su país simplemente están retrasando la bancarrota mundial. “Los daños son hechos concretos, la situación de los Estados Unidos es grave y no es recuperable”, recalca. Estima que el desenlace ocurrirá dentro de dos o tres años, con resultados caóticos para el sistema mundial porque “no habrá una moneda de reserva internacional” y tampoco existen condiciones para que otra moneda pueda ocupar ese rol. Entonces con el fin del dólar como reserva mundial “van a existir cinco, seis o siete monedas importantes, una situación caótica porque habrá fluctuaciones enormes continuas”. Continue lendo

A nova guerra fria

Rodrigo Turrer com Luíza Karam
Revista Época

O conflito subterrâneo entre China e Estados Unidos pode definir o futuro não apenas da economia, mas de todos nós.

A história mostra que os Estados Unidos se valeram muitas vezes da sua condição de superpotência para ditar o comportamento de outros países. Desde a política de intervenção do Big Stick (O Grande Porrete) de Theodore Roosevelt, no começo do século XX, até a invasão do Iraque, 100 anos depois, os americanos eram os diretores da escola mundial, distribuindo tanto conselhos como advertências pela classe. Agora, um de seus melhores alunos já dá palpites na vida dos mestres. A China não se considera mais um mero receptor de discursos de Washington sobre economia – ou democracia. Logo após o rebaixamento da nota dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos pela Standard&Poor’s, no último dia 5, os chineses cobraram mudanças na conduta americana. “A China, o maior credor da única superpotência do mundo, tem todo o direito de exigir que os Estados Unidos resolvam seus problemas estruturais da dívida e garantam a segurança dos ativos chineses em dólares”, afirmou uma nota da agência oficial do país, Xinhua. Horas depois, a Casa Branca se manifestou. Sem mencionar os chineses, o porta-voz Jay Carney admitiu que os EUA “precisam melhorar” na tarefa de enfrentar os problemas de sua economia. Na Guerra Fria que se configura neste século XXI, a voz de Pequim está mais grossa do que nunca. Continue lendo

2016: When China Overtakes the US

After more than a century as the world’s largest economy, the US will need to adjust to its declining global hegemony

Mark Weisbrot, The Guardian, April 28, 2011

Various observers have noted this week that China’s economy will be bigger than that of the United States in 2016. This comes from the International Monetary Fund’s (IMF’s) latest projections, which were made in its semi-annual April world economic outlook database. Since 2016 is just a few years away, and it will be the first time in more than a century that the United States will no longer be the world’s largest economy, this development will be the object of some discussion – from various perspectives. Continue lendo

Structural Crisis in the World-System: Where Do We Go from Here?

Immanuel Wallerstein, Monthly Review (1), March 2011

I have written repeatedly on the structural crisis in the world-system, most recently in New Left Review in 2010. (2)  So, I shall just summarize my position, without arguing it in detail. I shall state my position as a set of premises. Not everyone agrees with these premises, which are my picture of where we are at the present time. On the basis of this picture, I propose to speak to the question, where do we go from here? Continue lendo

Economistas preveem declínio dos EUA e ascensão da China

Maioria das estimativas aponta para que a economia chinesa alcance o tamanho da norte-americana por volta da década de 2020, diz professor de Harvard

Mark Felsenthal, Reuters / O Estado de S.Paulo, 09 de janeiro de 2011

DENVER – Segundo importantes economista, o cenário para a economia dos Estados Unidos não parece bom, nem neste ano, nem nos próximos 10 anos.

Os principais pensadores dessa visão pessimista para os EUA, falando em uma convenção anual, propuseram diferentes visões para o declínio econômico do país no curto, médio e longo prazos. Este ano, a recuperação pode se perder à medida que as iniciativas de estímulo do governo expiram. Continue lendo

Caleidoscópio mundial

José Luís Fiori, Carta Maior, 30 de dezembro de 2010

Durante a primeira década do século XXI, o Brasil conquistou um razoável grau de liberdade, para poder definir autonomamente sua estratégia de desenvolvimento e de inserção internacional, num mundo em plena transformação. O sistema mundial saiu da crise econômica de 2008, dividido em três blocos cada vez mais distantes, do ponto de vista de suas políticas e da sua velocidade de recuperação: os EUA, a União Europeia e algumas grandes economias nacionais emergentes, entre as quais se inclui o Brasil. Mas do ponto de vista geopolítico, o sistema mundial ainda segue vivendo uma difícil transição – depois do fim da Guerra Fria – de volta ao seu padrão de funcionamento original. Desde o início do século XIX, o sistema inter-estatal capitalista se expandiu liderado pela Grã Bretanha, e por mais algumas potências europeias, cuja competição e expansão coletiva foi abrindo portas para o surgimento de novos “poderes imperiais”, como foi o caso da Prússia e da Rússia, num primeiro momento, e da Alemanha, EUA e Japão, meio século mais tarde. Da mesma forma como aconteceu depois da “crise americana” da década de 1970. Continue lendo

A China irá dominar o mundo?

A descolagem econômica do império do Meio perturba a ordem mundial e suscita uma interrogação: irá a China dominar o mundo?

Guillaume Duval, Esquerda.net, 20 de fevereiro de 2010 Continue lendo

Impacto global

ignacio-ramonet1Ignacio Ramonet, Le Monde Diplomatique Portugal, 6 de novembrod e 2008

O apocalipse financeiro não terminou. Está a transformar-se em recessão global. E tudo indica que estamos a caminhar para uma Grande Depressão. As medidas adoptadas na Europa e nos Estados Unidos, por muito espectaculares que sejam, não vão provocar o fim das dificuldades. Admitiu-o o próprio Henry Paulson, secretário do Tesouro estadunidense: «Apesar do nosso grande plano de salvamento, mais instituições financeiras vão falir». Continue lendo

Wallerstein: O capitalismo está a chegar ao fim

Depois de ter, antes de todos, previsto o declínio do império americano, Immanuel Wallerstein afirma agora que entrámos desde há 30 anos na fase terminal do sistema capitalista. “A situação torna-se caótica, incontrolável para as forças que até então o dominavam, e assiste-se à emergência de uma luta, já não entre os detentores e os adversários do sistema, mas entre todos os actores para determinar o que o vai substituir”, diz o sociólogo norte-americano.

Entrevista feita por Antoine Reverchon, para o diário francês Le Monde em 11 de outubro de 2008. Reproduzido do Esquerda.net

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O mito do colapso americano

José Luis Fiori, Valor Econômico, 8 de outubro de 2008

Na segunda feira, 6 de outubro de 2008, a crise financeira americana desembarcou na Europa e repercutiu em todo mundo de forma violenta. As principais Bolsas de Valores do mundo tiveram quedas expressivas, e governos e bancos centrais tiveram que intervir para manter a liquidez e o crédito de seus sistemas bancários. Continue lendo