Em defesa dos Guaranis-Kaiowa

Etnocídio e luta dos Guarani-Kaiowá pela tekoha

“Desde 1983 os fazendeiros já mataram 583 indígenas. Nós, os indígenas, nunca temos matado um só fazendeiro, porque não temos armas e sempre estamos sendo assassinados como galinhas. Pensem! Se nós matamos a um estancieiro, não vão tardar a agarrar-nos. Mas até agora nenhum fazendeiro foi preso”, constata Genito, lider Guarani-Kaiowá, segundo relata João Inácio Wenzel, do Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente – FORMAD e assessor do CEBI-MT.

João Inácio Wenzel, IHU-On-line, 25 de agosto de 2012

A situação dos Garani-Kaiowá, em Mato Grosso do Sul, é mesmo muito grave. Tive a oportunidade de acompanhar recentemente uma equipe da Holanda que está produzindo um documentário sobre os impactos da produção de soja sobre as comunidades indígenas e os pequenos agricultores. Com o apoio do CIMI-MS fomos à Dourados e visitamos a Aldeia Guaiviry, onde foi assassinado o cacique Nísio, em fevereiro de 2011, Kurusu Ambá, e dois acampamentos à beira da estrada: Dourados e Laranjeira Nhandiru. Continue lendo

Cartas de Luta e Solidariedade

Egon Heck, IHU On-line, 15 de fevereiro de 2011

O ano mal começa e centenas de cartas cortam a linha do equador para atingir seus alvos nas aldeias ou no Palácio do Planalto.

Do Canadá nos vem um exemplo admirável de solidariedade. Na cidade de Quebec decidiram fazer uma campanha de apoio e solidariedade com a Comunidade do Ypo’i, acampada em sua terra tradicional. Ali sofreram horrores: fome, isolamento, ameaças…E não puderam ainda iniciar seu grande objetivo de conseguir informações sobre o corpo do professor Rolindo assassinado juntamente com Genivaldo, quando do retorno ao tekohá no final de outubro de 2009. Com incrível perseverança e espírito guerreiro, enfrentaram todas essas adversidades para reconquistar um pedacinho de seu território tradicional. E lá estão eles lutando heroicamente contra todo poderio econômico regional, dos fazendeiros e do agronegócio. Continue lendo

Dourados é a maior tragédia indígena do mundo, afirma Deborah Duprat

“A reserva de Dourados é talvez a maior tragédia conhecida na questão indígena em todo o mundo”, afirmou a vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, ao falar sobre a questão indígena em Mato Grosso do Sul no XI Encontro Nacional da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão (CCR) do Ministério Público Federal (MPF), realizado essa semana nesta capital.

Antonio Carlos Ribeiro, Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 3 de dezembro de 2010

Duprat atua no setor do MPF que trata de assuntos relativos aos povos indígenas e minorias étnicas. A escolha de Mato Grosso do Sul se deve ao fato de o Estado contar com 70 mil índios, a segunda maior população indígena do Brasil, e que tem os maiores problemas de conflito de demarcação de terras, especialmente pela situação de discriminação da população, violência por parte dos proprietários rurais e uma política do governo estadual cujo descaso transforma a vulnerabilidade dessa população em genocídio. Continue lendo

A morte no caminho da cana

Egon Heck, Brasil de Fato, 1 de julho de 2010

A morte de Julio Gonçalves Rocha, Kaiowá Guarani, 16 anos, talvez apenas engrosse a estatística de mortes por homicídio, suicídio ou assassinato. Cacique Carlitos liga com voz embargada e indignada – “mataram meu neto e jogaram que nem cachorro”. Calma Carlitos, deixa entender o que aconteceu!

“Meu neto Julio , de 16 anos foi praticamente roubado para ser levado pelo cabeçante (o responsável por arregimentar um grupo de trabalhadores) para ir cortar cana. Ele foi com o documento do tio dele. Isso foi sábado de noite. Na madrugada recebi uma ligação do cabeçante dizendo que algo muito ruim tinha acontecido, meu neto Julio havia se jogado do ônibus e morrido. O corpo dele foi levado para Nioaque e depois para a terra indígena de Caarapó. Depois só chegou o corpo aqui para nós enterrar. Não deram explicação nenhuma. Isso não pode ficar assim. Morreu que nem um animal…” Continue lendo

Índios guaranis vivem situação de extermínio silencioso

Gabriel Brito, Correio da Cidadania, 1 de abril de 2010

Um recente relatório da organização indigenista Survivor International (ver aqui) trouxe novamente à luz a deplorável situação humanitária vivida pelos índios Guarani Kaiowá no estado do Mato Grosso do Sul. Como se sabe, há milhares de indígenas vivendo em condições absolutamente degradantes enquanto esperam, à beira de estradas, pela demarcação de seus territórios, como ordena nossa Constituição.

Em entrevista ao Correio da Cidadania, a professora do Núcleo de Estudos da População (NEPO) da Unicamp, Marta Azevedo, que já realizou diversas visitas às comunidades guaranis, nos oferece um assustador quadro no estado do Centro-Oeste, definido por ela como “o mais anti-indígena do país”.

Com um vasto território, não é por falta de espaço que não se concedem as terras devidas à maior etnia indígena remanescente no país. Ninguém no governo federal ousa enfrentar os interesses do agronegócio no estado comandado pelo governador do PMDB André Puccinelli, enquanto que a mídia mostra mais uma vez sua total insensibilidade, obviamente calada pelos mesmos interesses supracitados. Continue lendo

Tribunal Popular: A luta pela terra dos povos originários

povos-originarios-2– Negação de direitos, criminalização e genocídio dos Guarani/Kaiowa – MS; com a presença de lideranças indígenas e representante do CIMI-MS
– TI Serra Raposa do Sol – Lúcia Rangel, antropóloga PUC-SP
– Unidade de conservação de uso restrito na Amazônia Brasileira, Edson Kayapó (a confirmar)

Dia 25 de novembro, terça-feira, 19hs
Sala dos Estudantes, Faculdade de Direito da USP
Largo São Francisco, São Paulo

A situação de extrema gravidade em que se encontra o povo Guarani Kaiowá de Mato Grosso do Sul será destaque no debate que o Tribunal Popular: o Estado brasileiro no banco dos réus promoverá dia 25 de novembro, na Sala dos Estudantes da Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco da cidade de São Paulo. Continue lendo