Espionagem da CIA, FBI, DEA, NSA…e o silêncio no Brasil

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=aPV0kebN8o4

Bob Fernandes, Jornal da Gazeta, 10 de junho de 2013

O ex-presidente Fernando Henrique diz: “Nunca soube de espionagem da CIA” no Brasil. O governo atual cobra explicações dos Estados Unidos, e a presidente Dilma trata do assunto com a cúpula do Mercosul no Uruguai. O Congresso envia protesto formal ao governo de Obama.

Vamos aos fatos. Entre Março de 99 e abril de 2004, publiquei 15 longas e detalhadas reportagens na revista Carta Capital. Documentos, nomes, endereços, histórias provavam como os Estados Unidos espionavam o Brasil. Continue lendo

As manifestações e o direito à política

Tales Ab’Sáber, Folha de S.Paulo, 24 de junho de 2013

A crise universal da integração capitalista de 2008, produzida pelos ganhos desregulamentados de Wall Street –dos “terroristas” de Wall Street–, que liquidou a vida econômica e degradou a vida social em vários países, disparou outro processo mundial, o da desestabilização por movimentos populares de realidades políticas nacionais. Continue lendo

Fim da letargia

Ricardo Antunes, Folha de S.Paulo, 20 de junho de 2013

Nosso país esteve à frente das lutas políticas e sociais na década de 1980, conseguindo retardar a implantação do neoliberalismo no Brasil fazendo com que a chamada “década perdida” fosse, para os movimentos sociais e políticos populares, o seu exato inverso. Continue lendo

Os inúteis caminhos para ‘derrotar a seca’

 seca-nordesteWashington Novaes, O Estado de S.Paulo, 30 de novembro de 2012

Com a cobertura mais frequente que a televisão vem dando nas últimas semanas à questão da seca no Semiárido nordestino, vai-se de espanto em espanto, diante da gravidade do panorama, da insuficiência – para não dizer ausência – de providências eficazes do governo federal e das informações sobre tudo o que se poderia fazer por caminhos competentes, mas não se faz. E tudo isso na mesma hora em que se vê a teimosia do foco oficial no projeto de transposição de águas, como se ele fosse o santo milagreiro – quando não é, já está custando quase o dobro do orçamento inicial (de R$ 4,6 bilhões para R$ 8,2 bilhões), com vários trechos parados, outros já necessitando de obras reparadoras e outros ainda, de novos “aditivos” nos orçamentos. Inacreditável.

Diz o Operador Nacional do Sistema Elétrico (Estado, 31/10) que o último mês de outubro foi o mais seco em toda a região nos últimos 83 anos. As opiniões de especialistas asseguram que se trata da mais forte estiagem entre 30 e 50 anos. Em depoimento na audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, o diretor da Secretaria Nacional de Defesa Civil do Ministério da Integração Nacional (Agência Brasil) afirmou que 10 milhões de pessoas foram atingidas em 1.317 municípios. Continue lendo

Lula’s Brazil – Part 1

Perry Anderson, London Review of Books, March 31, 2011

This article is posted online in two parts. The seconde part: Lula’s Brazil – Part 2

Contrary to a well-known English dictum, stoical if self-exonerating, all political lives do not end in failure. In postwar Europe, it is enough to think of Adenauer or De Gasperi, or perhaps even more impressively, Franco. But it is true that, in democratic conditions, to be more popular at the close than at the outset of a prolonged period in office is rare. Rarer still – indeed, virtually unheard of – is for such popularity to reflect, not appeasement or moderation, but a radicalisation in government. Today, there is only one ruler in the world who can claim this achievement, the former worker who in January stepped down as president of Brazil, enjoying the approval of 80 per cent of its citizens. By any criterion, Luiz Inácio da Silva is the most successful politician of his time. Continue lendo

Lula’s Brazil – Part 2

Perry Anderson, London Review of Books, March 31, 2011

This article is posted online in two parts. This is the second part. For the first part, look here : Lula’s Brazil – Part 1

Official reports, backed by much statistical analysis and endorsed by sympathetic agencies and journalists abroad, claim not only a major reduction of poverty in Brazil in these years, of which there is absolutely no doubt, but a substantial diminution of inequality, with the Gini index falling from an astronomic 0.58-plus at the start of Lula’s term to a merely towering 0.538 at the end of it. In such estimates, from the turning point of 2005 onwards, the incomes of the poorest decile of the population purport to have grown at nearly double the rate of those in the top decile. Best of all, some 25 million people have moved into the ranks of the middle class, henceforward a majority of the nation. For many commentators, domestic and foreign, this is the most hopeful single development of Lula’s presidency. It is the ideological pièce de résistance in the glowing accounts of boosters like the Latin American editor of the Economist, Michael Reid, eager to hold up the new middle class in Brazil as the beacon of a stable capitalist democracy in the ‘battle for the soul’ of a ‘forgotten continent’ against dangerous rabble-rousers and extremists. Continue lendo

Belo Monte: o diálogo que não houve

Dom Erwin Kräutler, Correio da Cidadania, 30 de março de 2011

Carta aberta à Opinião Pública Nacional e Internacional

Venho mais uma vez manifestar-me publicamente em relação ao projeto do governo federal de construir a Usina Hidrelétrica Belo Monte, cujas conseqüências irreversíveis atingirão especialmente os municípios paraenses de Altamira, Anapu, Brasil Novo, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Vitória do Xingu e os povos indígenas da região.

Como Bispo do Xingu e presidente do Cimi, solicitei uma audiência com a presidente Dilma Rousseff para apresentar-lhe, à viva voz, nossas preocupações, questionamentos e todos os motivos que corroboram nossa posição contra Belo Monte. Lamento profundamente não ter sido recebido. Continue lendo

”A outra Era Vargas”, por Wanderley Guilherme

Dois anos antes do golpe de 1964, quando a esquerda embarcava na onda da revolução, Wanderley Guilherme dos Santos alertava num livro lendário (Quem dará o Golpe no Brasil, Civilização Brasileira, 1962) sobre a quartelada que estava em curso e que acabaria por sufocá-la.

Maria Cristina Fernandes, Valor, 25 de março de 2011

Meio século depois, quando a análise política predominante situa o governo Luiz Inácio Lula da Silva como continuador da herança varguista e já trata de delinear os atritos deste legado com o governo Dilma Rousseff, lá vem Wanderley Guilherme novamente na mão contrária. Aos 75 anos, continua com um facho na mão. Continue lendo

Evolução da renda no governo Lula: cinco conclusões definitivas

Reinaldo Gonçalves, Fundação Lauro Campos, 14 de Março de 2011

A divulgação dos dados de evolução da renda do Brasil pelo IBGE e a base de dados do FMI permitem algumas conclusões definitivas a respeito do desempenho da economia brasileira (renda) durante o governo Lula (2003-10).1

Primeira conclusão: fraco desempenho pelos padrões históricos do país

O crescimento médio anual do PIB real é de 4,0% (quatro por cento) no governo Lula. Mais especificamente, 3,5% em 2003-06 e 4,5% em 2007-10. Mesmo no segundo mandato, a taxa alcançada não supera a média secular do país (1890-2010, período republicano, 4,5%). Portanto, o desempenho do governo Lula é fraco pelos padrões históricos brasileiros (ver Tabela 1).2 Continue lendo

Desindustrialização relativa atinge indústria brasileira

IHU On-line entrevista Rogério César de Souza, IHU On-line, 7 de março de 2011

“A indústria não está perdendo espaço na economia porque outros setores estão crescendo e, sim, porque ela está encolhendo, crescendo muito menos em comparação ao passado”, constata o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Para ele, o crescimento expressivo da economia brasileira no último ano não reflete o desempenho do setor industrial, que fechou 2010 com um “déficit estrondoso”. Continue lendo

É um erro falar que existe nova classe média, diz sociólogo

É um erro falar que existe nova classe média, diz sociólogo

Uirá Machado entrevista Jessé Souza, Folha de S.Paulo, 13 de fevereiro de 2011

Autor do livro “Os Batalhadores Brasileiros”, o sociólogo Jessé Souza afirma que a ascensão social de 30 milhões de pessoas no governo Lula não produziu uma “nova classe média”, mas uma classe social diferente, que ele chama provocativamente de “batalhadores”. Continue lendo

Abramos la caverna de Platón

Denunciar la casa de los horrores del Tío Sam

Richard Neville, CounterPunch / Rebelion, 7 de enero de 2011. Traducido del inglés para Rebelión por Germán Leyens y revisado por Caty R.

Pueden pasar años antes de que los revienta-secretos de WikiLeaks lleguen a los corredores del poder, pero hay señales en el terreno de que por fin los ciudadanos se están quitando las legañas de los ojos. Es un gran momento: “Nos han estado mintiendo todo este tiempo”. Y es lo que han hecho: violan impunemente la ley, instigan guerras, favorecen la tortura, los secuestros y las cárceles secretas; destruyen documentos, conspiran para robar ADN de diplomáticos, asesinan a civiles en varios continentes, y muchas cosas más y… extrañamente… se salen con la suya. ¿Hasta cuándo? Continue lendo

A Ciber-guerra da Wikileaks

A ciberguerra começou. Não uma ciberguerra entre Estados como se esperava, mas sim entre Estados e a sociedade civil internauta. Nunca mais os governos poderão ter a certeza de manter os seus cidadãos na ignorância das suas manobras.

Manuel Castells, Esquerda.net, 1 de janeiro de 2011

Como documentei no meu livro “Comunicação e Poder”, o poder reside no controlo da comunicação. A reacção histérica dos EUA e outros governos contra o Wikileaks confirma-o. Entramos numa nova fase da comunicação política. Não tanto por se revelar segredos ou fofocas, mas porque se difundem por um meio que escapa ao aparelho do poder. A fuga de confidências é a fonte do jornalismo de investigação com que sonha qualquer meio de comunicação em busca de novidades (scoops no original). Desde Bob Woodward e o seu ‘Garganta Funda’ no Washington Post até às campanhas de Pedro J. na política espanhola, a difusão de informação supostamente secreta é prática habitual protegida pela liberdade de imprensa. Continue lendo

Belo Monte e as eleições presidenciais

Rodolfo Salm, Correio da Cidadania, 22 de dezembro de 2010

Há uma infinidade de problemas importantes, para todos os gostos, no país e no mundo. Mas a minha perspectiva de ecólogo me indica que a grande marca do nosso tempo é a destruição da maior floresta tropical do planeta, a Floresta Amazônica. As gerações futuras sofrerão as conseqüências desta devastação e uma grande parcela de culpa cairá sobre nós, os brasileiros de hoje, que apesar de termos conhecimento sobre a importância dessas florestas seguimos indiferentes na marcha destrutiva. Escrevo isso tudo para dizer que o ano de 2010 foi absolutamente desastroso para o meio ambiente. Aqui no Xingu foi ainda pior, principalmente pela aprovação da obra de Belo Monte e a derrota da oposição nas eleições presidenciais. Continue lendo

Avatar é aqui! Povos indígenas, grandes obras e conflitos em 2010

Rosane F. Lacerda, Conselho Missionário Indigenista – Cimi, 8 de dezembro de 2010

Tentar efetuar um balanço e uma análise em poucas linhas de uma realidade tão rica e complexa quanto à relativa aos direitos humanos dos povos indígenas é algo que exige imenso esforço de síntese, além da natural busca por dados fidedignos. Devido aos estreitos limites desta obra coletiva, trazemos aqui apenas um apanhado geral sobre os acontecimentos mais relevantes do ano, tendo como fontes de dados publicações especializadas e matérias jornalísticas disponibilizadas na internet.

Em 2010, além dos tradicionais conflitos envolvendo a posse e demarcação das terras indígenas, destacaram-se aqueles relativos a grandes projetos infraestruturais ligados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, ou a interesses econômicos regionais e locais com incidência naquelas terras. Continue lendo

Queda na produção industrial. Importados ‘roubam’ três pontos do PIB

A disparada das importações “roubou” três pontos porcentuais do PIB do terceiro trimestre. Se as compras externas tivessem se mantido no mesmo patamar do ano passado, o crescimento econômico no período, em relação ao terceiro trimestre de 2009, teria ficado em torno de 10%, bem acima do resultado de 6,7% apurado pelo IBGE.

Irany Tereza, O Estado de S.Paulo, 10 de dezembro de 2010

O cálculo, feito pelo economista Paulo Levy, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), leva em conta o crescimento da demanda interna, que bateu 10,1% no terceiro trimestre, na mesma base de comparação. A combinação da taxa de juros em nível relativamente baixo – para os padrões brasileiros – no último ano e meio, com uma política fiscal expansionista e uma capacidade ociosa no mundo, traz uma enxurrada de importados ao País. Continue lendo

O clima, de mal a pior

O Brasil se destaca num mundo imóvel contra o CO2

Catarina Alencastro e Renato Grandelle, O Globo, 7 de dezembro de 2010

O Brasil foi o país mais bem avaliado no índice de performance sobre o combate às mudanças climáticas, divulgado na segunda-feira (6/12) em Cancún pelas redes Climate Action Network e Germanwatch.

O bom desempenho, porém, não foi considerado suficiente – as três primeiras posições ficaram vagas, já que nenhuma nação avaliada tem feito o suficiente para reduzir suas emissões de gases do efeito estufa. O país deve o bom resultado, em parte, ao vácuo deixado por outros grandes emissores, sem políticas efetivas para cortar CO2. Continue lendo

Governo já é sócio de 119 empresas

Em 1996, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) detinha participação, direta ou indireta, em 30 grandes empresas brasileiras. Em 2009, esse número triplicou e chegou a 90. Incluídos os fundos de pensão Previ, Petros e Funcef, a mão do governo no setor privado atingiu 119 empresas no ano passado.

Raquel Landim, O Estado de S. Paulo, 2 de dezembro de 2010

Os dados são o resultado de seis anos de garimpo do professor do Insper, Sérgio Lazzarini, que agora foi transformado no livro “Capitalismo de Laços – os donos do Brasil e suas conexões”, editado pela Campus-Elsevier, que chega às livrarias na próxima semana. Continue lendo

Clima: o Brasil deve fazer mais

Antonio Hill, O Globo, 18 de novembro de 2010

Até o momento, o poder e a voz do Brasil nas questões de negociações sobre o clima estiveram notadamente ausentes. Ainda que participe ativamente dos debates internos das Nações Unidas, o comprometimento do país com um nível político mais amplo tem sido limitado. No entanto, um dos dados mais surpreendentes de uma pesquisa de opinião realizada globalmente este ano foi o de que os brasileiros são os que mais estão convencidos da magnitude dos problemas relacionados ao clima. Por que, então, o Brasil não está fazendo mais por um acordo internacional abrangente e justo? E o que mais ele poderia fazer para que as negociações avancem na próxima conferência climática da ONU, COP – 16, em Cancún, México, no fim deste mês? Ainda que saibamos que nenhum país sozinho move moinhos, especialmente em negociações tão complexas como as do clima, uma nação com estaturas político e econômica consideráveis no cenário mundial, como as do Brasil, pode e deve fazer mais. Continue lendo

Governo quer aprovar PL que aumenta desmatamento

A pouco menos de dois meses da transição de governo, o presidente Lula poderá encerrar seu mandato com a sanção de uma lei que possibilita ampliar legalmente o desmatamento no Brasil.

Renata Camargo, Congresso em Foco, 16 de novembro de 2010

Na semana passada, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, entregou ao líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), uma lista de propostas que o Executivo deseja ver aprovada ainda neste ano. A primeira delas é o polêmico Projeto de Lei 01/2010, que fixa as normas de competência e cooperação entre União, estados e municípios em matéria ambiental, e está em análise no Senado.

“Toda licença para desmatamento é competência dos estados. Esse projeto diz que somente o órgão licenciador poderá multar se houver ilegalidades, mas os órgãos estaduais têm capacidade muito menor que o Ibama, por exemplo, para fiscalizar. Então, um cara que pedir licença para desmatar uma área tal, na verdade, poderá desmatar oito vezes esse tamanho e o estado não terá controle”, explica o coordenador de políticas públicas do Greenpeace, Nilo D’Ávila, apontando para a necessidade de ajustes no projeto. Continue lendo