Para não ficarmos imobilizados nas ruas

A woman with a child on her bicycle navigates through Beijing traffic.Washington Novaes, O Estado de S.Paulo, 19 de julho de 2013

Já não era sem tempo. A mobilização social, dezenas de grandes manifestações nas cidades com reivindicações em muitas áreas, afinal trouxe para as ruas um tema – a chamada “mobilidade urbana” – até então quase limitado às notícias de prejuízos financeiros ou de tempo perdido pelos usuários. Por isso mesmo, a discussão mais ampla ficava bastante confinada a editoriais de jornais ou artigos de especialistas.

Os números e outras informações sobre transporte urbano nesses dias foram impressionantes. A começar pelo cálculo (Mobilize, 12/7) de que as isenções de impostos para veículos de transporte individual e gasolina desde 2003 já somam R$ 32,5 bilhões, com os quais seria possível implantar 1.500 km de corredores de ônibus ou 150 km de metrô. Pode-se comparar essa cifra também com aplicações do Ministério das Cidades para financiar 95,6 km de metrô, trens, estações: R$ 15,4 bilhões. Só a redução da Cide no preço da gasolina significou R$ 22 bilhões; as reduções de IPI sobre veículos chegarão no fim deste ano a R$ 10,5 bilhões. Mas o ministro da Fazenda tem dito que esses subsídios são importantes porque a indústria automobilística significa 25% da produção industrial – ainda que, pode-se acrescentar, signifique prejuízos imensos para os usuários de transportes coletivos. Continue lendo

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Cartografia de espaços híbridos: as manifestações de junho de 2013

dia17_brancoTiago Pimentel e Sergio Amadeu da Silveira, #interagentes, 10 de julho de 2013

Junho de 2013 foi marcado por um sem número de manifestações e mobilizações sociais em todo o Brasil. Originalmente convocadas pelo Movimento Passe Livre de São Paulo, os atos contra o aumento das tarifas de transporte público ganharam corpo e adesões em massa ao mesmo tempo em que as manifestações adquiriram outras cores e outras pautas.

O curso dos eventos culminou em um ponto de inflexão na história das mobilizações sociais brasileiras. A mobilização de cidadãs e cidadãos nas ruas, levada a cabo por meios eletrônicos de comunicação social, particularmente as redes sociais, influenciaram enormemente a agenda política dos governos em todas as suas instâncias: federal, estaduais e municipais. E o fizeram de maneira tão instantânea quanto as mobilizações ganharam adesão massiva.

Ver o texto com mapas e gráficos em:

http://interagentes.net/2013/07/11/cartografia-de-espacos-hibridos-as-manifestacoes-de-junho-de-2013/

O “partido das ruas” está sendo construído nas manifestações

5983_10151665765099295_1680612744_nUma nova geração política está, extasiada, tomando consciência da sua força coletiva quando ocupa as ruas. E pretende ficar nelas enquanto o transporte público se degradar, evangélicos aprovarem a “cura gay”, ruralistas assassinarem índios e ecologistas, tecnocratas e banqueiros continuarem suas negociatas e os governantes administrarem tudo isso em nome da governabilidade

José Correa Leite, 18 de junho de 2013

O descontentamento latente com a política brasileira, por parte da juventude das grandes cidades, que vinha se acumulando nos últimos anos eclodiu nesta segunda-feira em protestos por todo o país. Centenas de milhares de pessoas – 230 mil numa soma rebaixada de alguns jornais – saíram às ruas para manifestar sua inconformidade, tendo como catalisador o aumento da tarifa dos transportes públicos e os protestos convocados pelo Movimento Passe Livre a partir da grande repressão que sofreu em São Paulo na última quinta-feira. E nesta terça atos massivos continuam ocorrendo. Continue lendo

Porque ir às manifestações nesta segunda-feira

guy-fawkesJosé Correa Leite, 16 de junho de 2013

Porque é uma demanda justa e urgente, que precisa ser reforçada
É justa para quase tod@s. O problema da mobilidade urbana está se tornado catastrófico na vida dos brasileiros. 55% dos paulistanos consideram o sistema de transportes públicos ruim ou péssimo. Os governos federal e estadual continuam estimulando a industria automobilística e nada fazem pelo transporte coletivo, degradando as condições de vida das grandes cidades e a saúde da população. Vivemos numa ditadura da sociedade do automóvel. As obras de mobilidade prometidas como o legado da Copa do Mundo para a melhoria das cidades ficaram no papel, na mais pura hipocrisia. Do jeito que as coisas vão, a feição das grandes cidades e de São Paulo em particular só vai mudar em 30 ou 40 anos.
É justa e urgente para os mais pobres. O transporte público nas grandes cidades brasileiras é um dos mais caros do mundo. Dezenas de milhões de brasileir@s tem gastar dezenas de horas por semana andando a pé porque o preço do transporte público não cabe em seus orçamentos – apesar de todo o alvoroço sobre a ascensão de uma “classe C”. Sem transporte público barato e de qualidade, qualquer acesso à cidade, aos seus serviços e suas possibilidades é propaganda vazia. Continue lendo

Quanto valem 20 centavos?

O que une os manifestantes de São Paulo é o movimento: o ato literal e simbólico de romper o imobilismo da cidade parada e andar

Eliane Brum, Época, 17 de junho de 2013

Vinte centavos não são vinte centavos. Vinte centavos tornaram-se ao mesmo tempo estopim e símbolo de um movimento tão grávido de possibilidades que foi reprimido a balas de borracha, a bombas de gás lacrimogêneo e também a golpes de caneta. O que começou com o aumento da passagem do ônibus, se alargou, se metamorfoseou e virou um grito coletivo que tomou a Avenida Paulista e ecoou nas ruas do Brasil. O que há de tão ameaçador nestes 20 centavos, a ponto de fazer com que governos da democracia protagonizem cenas da ditadura, é talvez algo que se acreditava morto por aqui: utopia. A notícia perigosa anunciada pelas ruas, a novidade que o Estado tentou esmagar com os cascos dos cavalos da polícia paulista, é que, enfim, estamos vivos. Continue lendo

Manifestantes preparam maior protesto em São Paulo, Rio, Brasília e Belo Horizonte

casal_agredido_pm_spA cidade de São Paulo deve ser palco de novas manifestações nesta segunda-feira (17) contra o aumento das tarifas do transporte público. Usando as redes sociais como catalisador do protesto, o Movimento Passe Livre (MPL) marcou para as 17h, no Largo da Batata, na zona oeste, o quinto encontro.

Wanderley Preite Sobrinho, portal do iG, 16 de junho de 2013

E poderá ser maior do que os anteriores devido ao confronto de quinta-feira (13), onde a força imposta pela Polícia Militar gerou críticas e revolta. Naquela noite, manifestantes se reuniram no centro para o 4º dia de protestos contra o aumento de R$ 0,20 na passagem de ônibus. A PM prendeu mais de 200 pessoas , a maioria antes do protesto começar, por porte de vinagre e outros objetos suspeitos. Continue lendo

As manifestações, a tarifa e a política

Lúcio Gregori, Caros Amigos, 14 de junho de 2013

As manifestações promovidas pelo MPL e diversos outros movimentos e setores da sociedade civil contra o aumento das passagens dos transportes coletivos em São Paulo precisam ser entendidas em todos os seus aspectos.
“Foi uma manifestação para trazer à tona a discussão sobre a política de transportes públicos em geral e, particularmente, sobre a política tarifária”

Não se tratou de uma manifestação pontual contra o recente aumento das tarifas, que foram reajustadas abaixo da inflação por fator conjuntural e não por uma política tarifária permanente. Continue lendo

Manifestantes param quatro capitais contra aumento de tarifa

tn_600_430_protestoSP090613Protestos liderados por jovens contrários ao aumento da tarifa do transporte público pararam ontem o centro de quatro capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Maceió. Nas mobilizações mais radicais, como em São Paulo, o confronto entre a tropa de choque da Polícia Militar e os estudantes transformaram o centro da cidade numa praça de guerra. O Movimento Passe Livre, fundado há dez anos, apartidário, iniciou a onda de manifestações mas não controla mais os protestos.

Cristiane Agostine e Raphael Di Cunto, Valor, 14 de junho de 2013

Em São Paulo, de braços dados, estudantes com camisetas de movimentos sociais e de partidos, punks com o rosto coberto, garotas segurando flores e jovens com faixas contra o aumento da tarifa de ônibus formavam, na noite de ontem, um cordão que ocupava a rua Consolação, importante via da capital. Atrás deles, seguiam mais de cinco mil jovens, embalados por gritos como “Vem para a rua, vem contra o aumento”, em direção à avenida Paulista. A manifestação seguia pacífica até encontrar uma fila de motocicletas da Polícia Militar. Menos de dois minutos depois de um dos jovens avisar a PM do itinerário do protesto, começaram as bombas de efeito moral e o gás pimenta, jogados pela barreira policial que estava perto. Jovens corriam e gritavam “sem violência, sem violência” até a quinta bomba jogada pela polícia. O confronto tomou conta da situação. Continue lendo

Por que estamos nas ruas

thumb-110611-protesto-sao-paulo-resizedO impacto violento do aumento das tarifas no bolso da população faz as manifestações extrapolarem os limites do movimento

Nina Cappello, Erica de Oliveira, Daniel Guimarães e Rafael Siqueira, Folha de S.Paulo, 13 de junho de 2013

O modelo de transporte coletivo baseado em concessões para exploração privada e cobrança de tarifa está esgotado. E continuará em crise enquanto o deslocamento urbano seguir a lógica da mercadoria, oposta à noção de direito fundamental para todas e todos.

Essa lógica, cujo norte é o lucro, leva as empresas, com a conivência do poder público, a aumentar repetidamente as tarifas. O aumento faz com que mais usuários do sistema deixem de usá-lo, e, com menos passageiros, as empresas aplicam novos reajustes. Continue lendo

Movimentos protestam contra a violência policial nos protestos de jovens pelo transporte público

jornallistaEntidades e movimentos lançaram ontem, 14-06-2013, um manifesto contra a violência policial nos protestos de jovens pelo transporte público. Eis o manifesto.

A ação da Polícia Militar do estado de São Paulo em protesto de jovens contra o aumento das tarifas da passagem do ônibus, metrô e trem na capital paulista é mais um episódio na história de violência e desrespeito ao direito de organização e manifestação. Continue lendo