Relatos do regime militar levam comissão a rever direito de índios

Optimized-guaraniDocumentos produzidos pelo regime militar na década de 1960 já apontavam focos de tensão fundiária em áreas dos Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, que estariam ligados a irregularidades na ocupação de terras pertencentes aos índios. Parte desses documentos – muitos deles de caráter confidencial – foi encaminhada à Fundação Nacional do Índio (Funai) e acabou esquecida no Museu do Índio, no Rio. Os documentos estão sendo recuperados agora pelo grupo da Comissão Nacional da Verdade que analisa a questão indígena na ditadura.

Roldão Arruda, O Estado de S. Paulo, 16 de junho de 2013

Os documentos sinalizam que as irregularidades no avanço sobre terras indígenas tinham início dentro dos serviços públicos, com a participação de políticos. Envolviam frequentemente funcionários do extinto Serviço de Proteção ao Índio (SPI), que, como o nome diz, tinha a função de cuidar dos interesses deles. Continue lendo

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Uma tragédia indígena

Pistolagem, homicídio, suicídio, desnutrição, alcoolismo, racismo, narcotráfico, desmatamento e falta de terra. A expectativa de vida do maior grupo indígena do país é de 45 anos, só comparável à do Afeganistão

Ricardo Mendonça e Mariana Sanches, Época, 2 de dezembro de 2011

Na margem da BR-463, entre Dourados e Ponta Porã, no sul do Mato Grosso do Sul, a indiazinha Sandriele, de 2 anos de idade, passa o dia inteiro deitada num colchão velho e apodrecido sob a lona de uma barraca escaldante. O acampamento chama Apikay. Com uma dúzia de barracos parecidos, fica na estreita faixa que separa a cerca de um canavial do acostamento da rodovia. A família inteira de Sandriele vive há oito anos ali, sustentada pelas cestas básicas doadas pelo governo. A líder religiosa do grupo, a índia Damiana, reivindica a mata que fica exatamente do outro lado da rodovia, a poucos passos do acampamento. Ela, filhos, netos e agregados passam os 365 dias do ano totalmente desocupados, apenas olhando para o local que julgam sagrado. E ouvindo o barulho irritante dos carros, ônibus e caminhões que passam a mais de 100 quilômetros por hora. Continue lendo

Uma epidemia de violência assola a América Central: primeira anotação

Carta Maior -Eric Nepomuceno

A América Central vive uma situação limite. A economia, que nunca foi lá essas coisas, míngua rapidamente. O Estado, que sempre foi frágil, está sendo corroído. O item segurança consome, em média, 2,66% do PIB da região. Em El Salvador, chega a 11%. Só no ano passado a região investiu pelo menos quatro bilhões de dólares na luta contra o crime. Em vão. Os cartéis mexicanos dispõem de melhores armas e recursos que a polícia e o exército de vários desses países.

Em El Salvador, a cada duas horas alguém é assassinado. Doze assassinados por dia. Quase 4.400 por ano, a maioria com menos de 17 anos de idade. A taxa de homicídios é assustadora: 69 a cada cem mil habitantes. A média mundial é de 8,8. A da Europa, 3,3.

Na guerra civil que durou de 1980 a 1992, morreram em El Salvador 75 mil pessoas. Eu cobri os três primeiros anos daquela guerra, vi aquele horror. Muito daquilo ficou impregnado, intacto, na minha memória. Passaram-se 19 anos do fim da guerra. E, de lá para cá, 74 mil pessoas foram assassinadas em El Salvador. Ou seja: há 31 anos o país não teve um só instante sem a permanente maré de mortes violentas. O horror é parte do cotidiano, e dia a dia vai matando o amanhã. Continue lendo

Dourados é a maior tragédia indígena do mundo, afirma Deborah Duprat

“A reserva de Dourados é talvez a maior tragédia conhecida na questão indígena em todo o mundo”, afirmou a vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, ao falar sobre a questão indígena em Mato Grosso do Sul no XI Encontro Nacional da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão (CCR) do Ministério Público Federal (MPF), realizado essa semana nesta capital.

Antonio Carlos Ribeiro, Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 3 de dezembro de 2010

Duprat atua no setor do MPF que trata de assuntos relativos aos povos indígenas e minorias étnicas. A escolha de Mato Grosso do Sul se deve ao fato de o Estado contar com 70 mil índios, a segunda maior população indígena do Brasil, e que tem os maiores problemas de conflito de demarcação de terras, especialmente pela situação de discriminação da população, violência por parte dos proprietários rurais e uma política do governo estadual cujo descaso transforma a vulnerabilidade dessa população em genocídio. Continue lendo

Los pueblos indígenas de la Amazonía confrontan al neoliberalismo

Genocidio por despojo

Stefano Varese, Servindi, 29 de abril de 2010

A mediados del mes de octubre del año pasado escribí un texto corto sobre los trágico hechos de Bagua y sobre la continua lucha de los pueblos indígenas de la Amazonía y del Perú en defensa de sus tierras, sus recursos y su derecho a la vida. El ensayo fue recogido por Servindi [http://www.servindi.org/] y recibió más difusión de la que yo esperaba, algunas voces de apoyo y también algunos insultos que llegaron directamente a mi correo electrónico universitario. Hace pocos días la editorial Línea Andina me solicitó una contribución adicional a un libro colectivo que están preparando AIDESEP y CONACAMI. Acepto con gusto y humildad la invitación y me siento honrado de poder expresar una cuantas ideas que puedan fomentar el entendimiento entre todos los peruanos, la justicia social, la equidad cultural y la coexistencia pacífica y creativa de todas las expresiones histórico-culturales del país. Continue lendo