Estamos preparados para o pré-sal e o gás de xisto?

Washington Novaes, O Estado de S. Paulo, 20 de setembro de 2013

Anuncia-se que em novembro vão a leilão áreas brasileiras onde se pretende explorar o gás de xisto, da mesma forma que estão sendo leiloadas áreas do pré-sal para exploração de petróleo no mar. Deveríamos ser prudentes nas duas direções. No pré-sal, não se conhecem suficientemente possíveis consequências de exploração em áreas profundas. No caso do xisto, em vários países já há proibições de exploração ou restrições, por causa das consequências, na sua volta à superfície, da água e de insumos químicos injetados no solo para “fraturar” as camadas de rocha onde se encontra o gás a ser liberado. Mas as razões financeiras, em ambos os casos, são muito fortes e estão prevalecendo em vários lugares, principalmente nos Estados Unidos. Continue lendo

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Gás de xisto, uma nova revolução energética?

José Goldemberg, O Estado de S. Paulo, 20 de maio de 2013

A Revolução Industrial teve início no fim do século XVIII e foi baseada no uso do carvão. A Inglaterra, com suas amplas reservas desse mineral, liderou a revolução. Com o correr do tempo, contudo, o petróleo começou a substituir o carvão por causa de suas características mais atraentes, como ser líquido e mais fácil de transportar. Finalmente, em meados do século XX, o gás natural, que é mais limpo, começou a dominar o cenário energético.

O que vemos aqui é a confirmação do malicioso comentário atribuído ao secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de que “a Idade da Pedra não acabou por falta de pedras”, mas pela descoberta de que metais eram melhores para fazer machados (ou lanças) do que pedras.

Hoje, no mundo, o carvão representa 26% do consumo de energia; o petróleo, 32%; e o gás natural, 20%. O petróleo é ainda dominante, mas a produção mundial está se concentrando no Oriente Médio porque nos Estados Unidos (o maior consumidor mundial) e na maioria dos demais países ela está caindo. Continue lendo

An Ascending Trajectory?: Ten of the Most Important Social Conflicts in the US in 2012

occupy togetherDan La Botz, Europe Solidaire Sans Frontiere / New Politics, January 3, 2012

The most important American social conflict of 2012—the Chicago Teachers Union strike—suggests that the rising trajectory of social struggle in the United States that began at the beginning of 2011 may be continuing to ascend. While the United States has a much lower level of class struggle and social struggle than virtually any other industrial nation—few American workers are unionized (only 11.8%) and unionized workers engage in few strikes and those involve a very small numbers of workers—still, the economic crisis and the demand for austerity by both major political parties, Republican and Democrat, has led to increased economic and political activity and resistance by labor unions, particularly in the public sector.[1] Continue lendo

EUA vivem debate acirrado sobre gás de xisto

Global-Shale-Gas-BasinsHá uma década, o xisto respondia por apenas 1% da produção de gás natural no país. Hoje, está perto de 29%.

Alex Ribeiro, Valor Economico, 12 de dezembro de 2012

Num filme que entra em cartaz na última semana deste mês, “Terra Prometida”, o ator Matt Demon faz o papel de um representante de uma companhia petrolífera que convence agricultores de um vilarejo na Pensilvânia a venderem o direito de explorar gás em suas terras. O solo e a água são contaminados por vazamentos de produtos químicos e Demon, que se apaixona por uma ambientalista local, fica dividido entre sua carreira e o futuro da comunidade atingida.

Esse é o mais recente ataque de Hollywood à extração de gás de xisto nos Estados Unidos, que para muitos por aqui é uma séria ameaça ao meio ambiente. Outros dizem que o recurso natural, se explorado de forma consciente, pode garantir autossuficiência a um país com apetite quase insaciável por combustíveis fósseis, além de ser uma fonte de energia mais limpa e barata que vai ajudar a reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa. As discussões que acontecem por aqui são um exemplo para o Brasil, que engatinha na exploração de uma das maiores reservas do mundo.

A extração de gás de xisto tem sido associado nos Estados Unidos à contaminação de água de rios e poços artesianos, à poluição do ar e até a pequenos tremores de terra. Especialistas reconhecem que há riscos ambientais, mas dizem que eles podem ser controlados a níveis seguros com a adoção de regulação adequada e o uso das melhores práticas na produção. “Se for feito direito, a exploração do gás de xisto tem impacto ambiental mínimo”, afirma Philip Verleger, especialista em energia do Peterson Institute for International Economics, um centro de estudos de Washington. Continue lendo

A Thermonuclear Energy Bomb in Christmas Wrappings

Suncor Oil RefineryWorld Energy Report 2012: The Good, the Bad, and the Really, Truly Ugly

Michael T. Klare, TomDispatch.com, November 27, 2012

Rarely does the release of a data-driven report on energy trends trigger front-page headlines around the world. That, however, is exactly what happened on November 12th when the prestigious Paris-based International Energy Agency (IEA) released this year’s edition of its World Energy Outlook. In the process, just about everyone missed its real news, which should have set off alarm bells across the planet.

Claiming that advances in drilling technology were producing an upsurge in North American energy output, World Energy Outlook predicted that the United States would overtake Saudi Arabia and Russia to become the planet’s leading oil producer by 2020. “North America is at the forefront of a sweeping transformation in oil and gas production that will affect all regions of the world,” declared IEA Executive Director Maria van der Hoeven in a widely quoted statement. Continue lendo

Fault Lines: Fracking in America

With the US looking to ease its reliance on foreign oil, Fault Lines investigates the impact of natural gas extraction.

Al-Jazeera, November 21, 2012

For years now, the United States has tried to lower its dependence on foreign oil for its energy needs. With stability in the Middle East in question, drilling at home has never been more attractive. But it often comes at a cost. Natural gas extraction – fracking – is being touted as the answer. But questions are being asked about the process and its implications.

La sombra del fracking

Rebelion, 24  de octobre de 2012

The Fracking of Rachel Carson, by Sandra Steingraber with Photographs by Nina Berman

Orion Magazine, October 8, 2012

A maioria das pessoas ainda não percebeu que como resultado da elevação do preço do petróleo nos últimos anos não tivemos uma aceleração da transição para energias renováveis, mas sim para formas mais sujas de combustíveis fósseis, em especial o gás de xisto, que passou a ser extraído principalmente com um novo método, a chamada fratura hídrica – altamente destrutiva para o meio-ambiente, envenenando os lençois freáticos  e dispersando substancias cancerígenas utilizadas para separar o gás da rocha.

É em função desta nova “fonte” de combustíveis que os EUA (e nisso Obama e Romney estão unidos) está agora com o objetivo de atingir a “autonomia energética” em poucos anos. E é por isso que a principal luta ambiental nos EUA é, hoje, contra o gasoduto Keystone, que trara gás de xisto de Alberta, no Canadá, para o Golfo do México. Muita gente famosa está se deixando prender nos protestos…

Este vídeo, todavia, aborda este problema de outro ponto e trata da extração por fratura hídrica nos próprios EUA. Faz isso a partir de uma homenagem a Rachel Carsons, cujo livro Primavera Silenciosa lançou o movimento ambiental moderno. The Fracking of Rachel Carsons alude à perseguição que ela sofreu nos últimos dias de vida, com um câncer terminal. Uma intervenção política poderosa, mas infelizmente só disponível em inglês sem legendas. [JC]

Extreme Energy Means an Extreme Planet

The new “Golden Age of Oil” that wasn’t as forecasts of abundance collide with planetary realities

Michael T. Klare, Tom Dispatch.org, October 4, 2012

Last winter, fossil-fuel enthusiasts began trumpeting the dawn of a new “golden age of oil” that would kick-start the American economy, generate millions of new jobs, and free this country from its dependence on imported petroleum.  Ed Morse, head commodities analyst at Citibank, was typical.  In the Wall Street Journal he crowed, “The United States has become the fastest-growing oil and gas producer in the world, and is likely to remain so for the rest of this decade and into the 2020s.” Continue lendo