Cuando el hambre llama a la puerta

esther-vivas (1)Esther Vivas, 11 de julio de 2013

Llega el verano, acaba el curso escolar, y para cada vez más familias la preocupación ya no es “qué van hacer los niños en las vacaciones”, sino “qué van a comer”. En el Estado español, según indica UNICFEF, el 20% de la población infantil vive por debajo del umbral de la pobreza. El hambre ha dejado de ser patrimonio de los países del Sur, para llamar a nuestra puerta.

En Barcelona, el ayuntamiento detectó, a principios de año, 2.865 menores con deficiencias alimentarias. En Andalucía, el gobierno autonómico ha empezado a repartir desayunos y meriendas a más de 50 mil niños en riesgo de exclusión. En el 2010, un informe de la Fundación Foessa, señalaba que unas 29 mil familias con menores pasaban hambre en el Estado español. Dos años más tarde, ¿cuántos serán los afectados? Sin lugar a dudas, muchos más. Continue lendo

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Un mundo de obesos y famélicos

Esther Vivas, Ets el que menges, 21 de junio de 2013

Hoy, mientras millones de personas en el mundo no tienen qué comer, otros comen demasiado y mal. La obesidad y el hambre son dos caras de una misma moneda. La de un sistema alimentario que no funciona y que condena a millones de personas a la malnutrición. Vivimos, en definitiva, en un mundo de obesos y famélicos. Continue lendo

Alimentos para comer ou jogar fora?

desperdicio2Esther Vivas, Publico, 1 de janeiro de 2013

Vivemos em um mundo de abundância. Hoje se produz mais comida do que em nenhum outro período na história. A produção alimentar se multiplicou por três desde os anos 60, enquanto que a população mundial, desde então, somente se duplicou. Há alimento de sobra. Mas 870 milhões de pessoas no planeta, de acordo com indicações da FAO, passam fome e 1 milhão e 300 mil toneladas de alimentos são desperdiçadas anualmente no mundo, um terço do que se produz. Alimentos para comer ou para jogar fora, esta é a questão.

No estado espanhol, de acordo com o Banco de Alimentos, são jogados fora, a cada ano, 9 milhões de toneladas de alimentos em boas condições. Na Europa este número aumenta para 89 milhões, de acordo com um estudo da Comissão Europeia: 179 quilos por habitante e por ano. Um número que, inclusive, seria muito superior se o referido relatório incluísse também os resíduos de alimentos de origem agrícola gerados no processo de produção, ou os descartes de pescados jogados ao mar. Realmente, calcula-se que na Europa, ao longo de toda a cadeia agroalimentar, do campo aos lares, até 50% dos alimentos saudáveis e comestíveis se perdem. Continue lendo

Um em cada oito tem fome

José Graziano da Silva, Valor, 23 de outubro de 2012

Vasculhar a evolução da luta contra a fome é uma das responsabilidades da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Ela requer o mapeamento e o escrutínio dos acertos, erros e omissões – de governos e da cooperação internacional – diante da latejante abrangência de um mal que tem cura, mas mantém sua desconcertante presença no repertório das vulnerabilidades humanas do século XXI.

A fome não é um estoque, mas uma dinâmica histórica. Impulsionada por fragilidades locais e globais, ela sofre agora as determinações profundas da mais abrangente crise registrada no sistema econômico mundial desde 1930. Não há escassez de oferta ou deficiência tecnológica que justifique a procissão de 870 milhões de pessoas com fome no atual estágio de desenvolvimento humano. 12,5% da população da Terra sobrevive em condições de subnutrição. Continue lendo

We Are Now One Year Away From Global Riots, Complex Systems Theorists Say

Brian Merchant, Mother Board, September 10, 2012

What’s the number one reason we riot? The plausible, justifiable motivations of trampled-upon humanfolk to fight back are many—poverty, oppression, disenfranchisement, etc—but the big one is more primal than any of the above. It’s hunger, plain and simple. If there’s a single factor that reliably sparks social unrest, it’s food becoming too scarce or too expensive. So argues a group of complex systems theorists in Cambridge, and it makes sense.

In a 2011 paper, researchers at the Complex Systems Institute unveiled a model that accurately explained why the waves of unrest that swept the world in 2008 and 2011 crashed when they did. The number one determinant was soaring food prices. Their model identified a precise threshold for global food prices that, if breached, would lead to worldwide unrest. Continue lendo

O grande negócio da fome

A disponibilidade de alimentos – ou seja, a fome potencial – tornou-se um campo de afirmação do mercado de futuros e, como tal, cada vez mais dominado por uma lógica de especulação.

José Manuel Pureza, Esquerda.net, 18 de agosto de 2012

Multiplicam-se os indícios de uma crise alimentar global de gravidade idêntica à experimentada em 2008. Os preços de cereais como o milho, o trigo ou a soja vêm batendo recordes de preço em bolsa, com subidas de 23% para o milho e 19% para o trigo, num só mês, dando assim expressão a expetativas de colheitas tragicamente escassas, com quedas na ordem dos 2,5 milhões de toneladas (trigo).

Como em 2008, as explicações mais comuns voltam a ser casuísticas e técnicas, sugerindo que se trata de uma anomalia passageira a um estado das coisas bem ordenado, eficiente e justo. Ele é o aquecimento global, ele é o upgrade da dieta alimentar nos países mais pobres, ele é a transformação de países tradicionalmente auto-suficientes em países largamente importadores de alimentos. Ora, estas explicações, sendo em si mesmas acertadas e relevantes, não dão conta dos fatores de fundo que determinam a instalação da crise alimentar como situação normal. Na verdade, a persistência de longa duração de cerca de três mil milhões de pessoas com fome crónica e outros tipos de subnutrição não se explica por razões conjunturais. Continue lendo

Biocombustíveis e fome, dois lados da mesma moeda

Apesar das crescentes provas de que a produção de combustíveis orgânicos é responsável pela insegurança alimentar, o novo projeto da União Europeia (UE) sobre energias renováveis ignora as consequências sociais desta atividade agrícola.

Daan Bauwens, IPS Envolverde/IPS, 28 de junho de 2012

Para reduzir a emissão de dióxido de carbono na atmosfera, a UE decidiu, há três anos, aumentar o uso de biocombustíveis no transporte. Na diretriz de 2009 sobre energias renováveis, foi fixado o objetivo obrigatório de elevar para 10% a proporção de agrocombustíveis no transporte até 2020. Contudo, mesmo antes da aprovação desse documento, organizações não governamentais de diferentes partes do mundo já haviam assinalado vários dos problemas associados aos combustíveis orgânicos. Continue lendo

Especulación con el hambre

Cómo controlar el comercio global de los productos alimentarios básicos

Jean Ziegler, Znet/Le Monde Diplomatique, 15 de marzo de 2012. Traducido del inglés para Rebelión por Germán Leyens

Los especuladores financieros invirtieron en futuros relacionados con alimentos incluso antes del gran crac de 2008, aumentando los precios de alimentos a niveles peligrosos. Esto se puede y se debe parar.

La carretera de asfalto era recta y monótona. Los baobabs pasaban unos tras otros y la tierra era amarilla y polvorienta, a pesar de la temprana hora. El aire en el viejo Peugeot negro era asfixiante. Iba viajando hacia el norte, a las grandes plantaciones de Senegal, con Adama Faye, agrónomo y asesor de desarrollo en el extranjero de la embajada suiza, y su conductor Ibrahima Sar. Queríamos evaluar el impacto de la especulación financiera sobre los alimentos, y teníamos las últimas estadísticas del Banco de Desarrollo Africano. Pero Faye sabía que nos esperaba otro tipo de evidencia. En la aldea de Louga, a 100 km de Saint-Louis el coche se detuvo abruptamente. “Venga y vea a mi hermanita”, dijo Faye. “No precisa sus estadísticas para explicar lo que sucede”. Continue lendo

Conocimientos científicos y decisiones políticas

Salvador López Arnal, El Viejo Topo, noviembre de 2011

[…] Los comunistas deben demostrar que sólo bajo condiciones comunistas podrán tornarse prácticas las verdades tecnológicas ya alcanzadas…
Carta de Marx [en Londres] a Roland Daniels [en Colonia], mayo de 1851

[…] Pero no quería que mi muerte fuese inútil, que mi vida se perdiese sin dejar rastro. Pensé en ti y en cómo habías estado buscando el espíritu de Henrik en todo lo que él había hecho o intentando hacer. Vine aquí para ver si las cosas eran tal como Henrik sospechaba, si detrás de toda aquella buena voluntad existía otra realidad, si detrás de los jóvenes idealistas se ocultaban personas de alas negras que utilizaban a los moribundos para sus propios fines.

-¿Y qué es lo que has visto?

La débil voz de Lucinda tembló al contestar:

-Crueldad …

Henning Mankel, El cerebro de Kennedy (2005)

Carmen Magallón [CM] hablaba recientemente en Público de la situación en Somalia [1]. Parece mentira, señalaba, “que en un mundo globalizado como el actual, en el que según los expertos hay comida suficiente para todos”, 13 millones -¡trece!, la tercera parte de la población española- de personas del cuerno de África –se ha hablado también en otras aproximaciones de 11,5 millones- estén afectadas por una crisis alimentaria que se ha cobrado hasta el momentos miles y miles de vidas. La falta de lluvias malogró las cosechas y la gente se está muriendo de hambre, proseguía CM. “La situación más grave se vive en Somalia donde, según Naciones Unidas, 29.000 niños menores de cinco años han muerto y 3,7 millones de personas necesitan asistencia humanitaria”. La hambruna ha causado un enorme flujo de desplazados y refugiados a Kenia y Etiopía. Continue lendo

How to feed a hungry world

Nature

Producing enough food for the world’s population in 2050 will be easy. But doing it at an acceptable cost to the planet will depend on research into everything from high-tech seeds to low-tech farming practices.

With the world’s population expected to grow from 6.8 billion today to 9.1 billion by 2050, a certain Malthusian alarmism has set in: how will all these extra mouths be fed? The world’s population more than doubled from 3 billion between 1961 and 2007, yet agricultural output kept pace — and current projections (see page 546) suggest it will continue to do so. Admittedly, climate change adds a large degree of uncertainty to projections of agricultural output, but that just underlines the importance of monitoring and research to refine those predictions. That aside, in the words of one official at the Food and Agriculture Organization (FAO) of the United Nations, the task of feeding the world’s population in 2050 in itself seems “easily possible”. Continue lendo

Menos tierra, más hambre

Esther Vivas

El drama del hambre toma de nuevo actualidad a raíz de la emergencia alimentaria en el Cuerno de África, pero las hambrunas son una realidad cotidiana silenciada. En todo el mundo, más de mil millones de personas, según datos de la Organización de las Naciones Unidas para la Agricultura y la Alimentación (FAO), tienen dificultades para acceder a los alimentos. Una hambruna que tiene causas y responsabilidad políticas.

África es una tierra expoliada. Sus recursos naturales han sido arrebatados a sus comunidades a lo largo de siglos de dominio y colonización. Aunque no sólo se trata del expolio de oro, petróleo, coltán, caucho, diamantes… sino, también, de agua, tierras, semillas que dan de comer a sus habitantes. Si el 80% de la población en el Cuerno de África, como indica la FAO, depende de la agricultura como principal fuente de alimentos e ingresos, ¿qué hacer cuando no hay tierra que cultivar? Continue lendo

Vivir del aire?

Eduardo Montes de Oca, Rebelión, 18 de mayo de 2011

Como si definitivamente constituyera un hecho el eterno retorno proclamado por Nietzsche, abierta negación del optimismo en materia de progreso social, la humanidad vuelve a afrontar la fatídica cifra de mil millones de personas sin acceso a los alimentos Es decir, a la posibilidad de la vida.

Sí, alrededor de un sexto de los terrícolas está condenado a la inactividad maxilar -el aire no se mastica, ¿no?-, a no ser que la emprenda con el cuero, las cortezas vegetales, algún que otro prójimo. Crisis en cuya constatación los analistas coinciden, si bien difieren en cuanto a las causas, o a la jerarquía de estas. Porque no todos encuentran la misma fuente en la escalada del dinero necesario para adquirir la cesta global, formada por cereales, oleaginosas, lácteos, carne y azúcar, que desde 1990 analiza la FAO, de portavoces posiblemente afónicos de tanta advertencia. En diciembre de 2010 los precios sobrepasaron el nivel de junio de 2008, cuando provocaron protestas en países tan alejados entre sí como México, Filipinas, la India y Egipto. En los últimos cuatro años se han disparado nada menos que ¡47 por ciento! Continue lendo

Mil millones de obesos, mil millones de hambrientos

Una mejor gestión y conservación de los alimentos reduciría el hambre en el mundo

Rosa M. Bosch, La Vanguardia, 19 de abril de 2011

Paralelamente a la lucha por reducir el hambre en el mundo se ha emprendido otra batalla para rebajar las tasas de obesidad. Frente a los casi mil millones de personas desnutridas emerge una cifra similar de ciudadanos con sobrepeso. Este es uno de los datos que destaca el informe del 2011 La situación del mundo. Innovaciones para alimentar el planeta (Icaria) del Worldwatch Institute de Washington. Si antaño unos cuantos kilos de más los lucían los ciudadanos más pudientes actualmente también sufren gordura las clases más humildes, las que no tienen acceso a una alimentación saludable. De los 43 millones de niños de menos de cinco años con sobrepeso, 35 millones viven en países en desarrollo, especialmente en Asia y África, según los últimos datos de la Organización Mundial de la Salud (OMS). Continue lendo

Fome: Fazer a opção pelo pequeno é sonhar grande

Leonardo Sakamoto, Blog do Sakamoto, 14 de março de 2011

Jacques Diouf, presidente da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), alertou hoje para o risco de uma crise alimentar nos países em desenvolvimento semelhante à que ocorreu entre 2007 e 2008 devido ao aumento no preço da comida. Enumera entre motivos, o aumento no preço do petróleo, utilizado não apenas no transporte mas intensivamente na produção de fertilizantes. Continue lendo

El hambre de ganancias infla el precio de la comida

Belén Carreño, Público, 8 de marzo de 2011

Fondos de alto riesgo acaparan toneladas de un producto para disparar su precio. Un tercio de los ingresos de Goldman Sachs procede de las materias primas.

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Especuladores da fome fazem preço dos alimentos aumentar

Os mesmos bancos, fundos de investimento de risco e investidores cuja especulação nos mercados financeiros globais causaram a crise das hipotecas sub-prime são responsáveis por causar a inflação no preço dos alimentos.

John Vidal, Esquerda.net, 6 de março de 2011

Há pouco menos de três anos, as pessoas da vila de Gumbi, no oeste de Malawi, passaram por uma fome inesperada. Não como a de europeus,que pulam uma ou duas refeições, mas aquela profunda e persistente fome que impede o sono e embaralha os sentidos e que acontece quando não se tem comida durante semanas. Estranhamente, não houve seca, a causa tradicional da mal nutrição e fome no sul da África, e havia bastante comida nos mercados. Por uma razão não óbvia o preço de alimentos básicos, como milho e arroz, havia quase dobrado em poucos meses. Não havia também evidências de que os donos de mercados estivessem a fazer estoque de comida. A mesma história repetiu-se em mais de 100 países em desenvolvimento. Continue lendo

Preços globais dos alimentos atingem novo recorde

No espaço de um ano, subiram 70%. Causas são a crescente procura e o declínio da produção mundial em 2010. Aumento inesperado dos preços do petróleo pode exacerbar a já precária situação dos mercados.

Esquerda.net, 3 de março de 2011

Os preços globais dos alimentos subiram pelo oitavo mês consecutivo em Fevereiro, atingindo um novo recorde quer em termos nominais quer em termos reais, de acordo com a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) das Nações Unidas, que faz a monitorização destes valores desde 1990. A única excepção foi o açúcar.

“O aumento inesperado dos preços do petróleo pode exacerbar ainda mais a já precária situação dos mercados de alimentos”, alerta David Hallam, director da Divisão de Comércio e Mercado da FAO. Continue lendo

O aumento dos preços dos alimentos afunda 44 milhões de pessoas a mais na pobreza

O alívio nos preços das matérias-primas foi um reflexo da crise que se evaporou. Desde junho, ao menos 44 milhões de pessoas passaram à pobreza devido ao aumento dos preços dos alimentos, e outras várias dezenas de milhões correm o risco de engrossar este número.

Público, 15 de fevereiro de 2011

O Banco Mundial lançou nesta segunda-feira esta advertência às vésperas da reunião que terão os ministros de Finanças do G-20 neste fim de semana em Paris. A crise alimentar foi o principal catalisador das revoltas nos países árabes, e foi incluído in extremis nas agendas dos dignitários internacionais, que temem que o mal-estar se estenda a outros países em desenvolvimento. Continue lendo

How Can We Feed the World and Still Save the Planet?

Underinvestment and market failures have trapped many countries in a vicious cycle of low productivity and exposure to price hikes, says Olivier de Schutter, the UN special rapporteur on the right to food

Madeleine Bunting, The Guardian, January 22, 2011

Food has become subject to one of the sharpest global debates, with rising anxiety about how the world’s growing population is going to feed itself. Increasingly, Olivier de Schutter, the UN special rapporteur on the right to food, is establishing himself as one of its key protagonists with an unapologetically radical agenda. Continue lendo

O desafio de decidir a quem alimentar: brincando de Deus com um orçamento limitado

Uwe Buse, Der Spiegel / Portal UOL, 9 de janeiro de 2011

O Programa Alimentar Mundial da ONU tenta impedir que os mais pobres entre os pobres passem fome. Mas seu orçamento diminuiu durante a crise à medida que os países doadores estão mais concentrados em seus próprios problemas econômicos. Funcionários de ajuda humanitária enfrentam a desagradável tarefa de decidir quem recebe alimento – e quem não recebe. Continue lendo