Negociações entre os gigantes da web: “o nome do jogo é controle”

2wn9u05Internet é, ao mesmo tempo, um instrumento insuperável de liberdade e de controle

IHU On-line entrevista Pedro Rezende, IHU On-line, 27 de fevereiro de 2014

A compra do WhatsApp pelo Facebook na última semana, no valor de 16 bilhões de dólares, pode ser compreendida como uma “aposta da empresa Facebook numa próxima fase evolutiva da TI que asfixiaria o mercado de PCs programáveis em favor de tablets e smartphones, esses mais facilmente controláveis pelo fabricante. Tal aposta se alinharia com a estratégia dos globalistas infiltrados na TI determinados a acabar com a autonomia da computação pessoal programável”. A avaliação é de Pedro Rezende, professor do Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Brasília.

Autor de inúmeros artigos sobre criptografia, segurança na informática, software livre, revolução digital, epistemologia da ciência, Rezende esclarece, em entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail, que “os computadores pessoais universalmente programáveis representam um risco para a agenda globalista muito maior do que para o usuário comum, pois iniciativas inovadoras desenvolvidas colaborativamente em regime de licenciamento permissivo, tais como o software livre e seus emblemáticos navegadores web, podem atrapalhar a implantação de um regime de vigilantismo e controle social máximos necessário ao ambicionado hegemon”.

Apesar de a rede ser composta por “vários monopólios”, há uma cartelização “fortuita ou ocasional”. Mas o “nome do jogo”, adverte, “é controle”. E explica: “O que as revelações de Snowden denunciam, no fundo, é uma parte essencial de um plano ofensivo de guerra cibernética posto em marcha para implantar um regime dominante de vigilantismo global, a pretexto do inevitável jogo de espionagem das nações, nele camuflado como combate ao terrorismo, cibercrime, etc.”. Continue lendo

Cartografia de espaços híbridos: as manifestações de junho de 2013

dia17_brancoTiago Pimentel e Sergio Amadeu da Silveira, #interagentes, 10 de julho de 2013

Junho de 2013 foi marcado por um sem número de manifestações e mobilizações sociais em todo o Brasil. Originalmente convocadas pelo Movimento Passe Livre de São Paulo, os atos contra o aumento das tarifas de transporte público ganharam corpo e adesões em massa ao mesmo tempo em que as manifestações adquiriram outras cores e outras pautas.

O curso dos eventos culminou em um ponto de inflexão na história das mobilizações sociais brasileiras. A mobilização de cidadãs e cidadãos nas ruas, levada a cabo por meios eletrônicos de comunicação social, particularmente as redes sociais, influenciaram enormemente a agenda política dos governos em todas as suas instâncias: federal, estaduais e municipais. E o fizeram de maneira tão instantânea quanto as mobilizações ganharam adesão massiva.

Ver o texto com mapas e gráficos em:

http://interagentes.net/2013/07/11/cartografia-de-espacos-hibridos-as-manifestacoes-de-junho-de-2013/

A revolução não será transmitida por Facebook

cnt474291_h229_w407_aNoChange_veja-protesto-contra-a-copa-das-confederacoes-em-brasiliaOsvaldo Coggiola, 22 de junho de 2013

O movimento de manifestações de rua pela redução da tarifa de transporte começou há duas semanas, a 6 de junho, com manifestações que reuniram 2.000 pessoas na Av. Paulista. Dez dias depois, os jornais avaliavam subestimados 230 mil manifestantes em doze capitais. A 20 de junho, os manifestantes já se contavam na casa do “mais do milhão”, com um milhão só no Rio de Janeiro. Continue lendo

A política do Facebook e as tarefas da esquerda: a revolução se faz no presente

João Telésforo e Edemilson Paraná, Imaginar para revolucionar, 21 de junho de 2013

Autoconvocação de massas. Algumas análises têm observado como a mídia tradicional, em especial a Rede Globo, mostra-se capaz de influenciar as atuais manifestações, fortalecendo ou enfraquecendo agendas e grupos. Não ignoramos esse fato. Porém, talvez se esteja superestimando a capacidade da grande imprensa – ou melhor, da velha mídia oligárquica – de dirigir os “movimentos” espontâneos dos últimos dias, por se desprezar um fator fundamental para a sua gênese e dinâmica política: as redes sociais, em especial o Facebook. Continue lendo

Google, Facebook, YouTube y proveedores cooperan con agencias de espionaje de EE.UU.

Large Man Looking At Co-Worker With A Magnifying GlassMicrosoft, Yahoo, Google, Facebook, PalTalk, AOL, Skype, YouTube, Apple y otros proveedores de Internet proporcionan a las agencias de inteligencia de Estados Unidos audios, videos, fotografías, correos electrónicos y documentos personales de sus clientes, en el marco de un programa ultra secreto de espionaje, revelaron esta semana los diarios The Washington Post, The New York Times y The Guardian. El presidente ejecutivo de Google admitió que proporciona datos de sus usuarios.

Bolpress, 13 de mayo de 2013

A fines de enero de 2013 la red social Twitter informó que el Ejecutivo de Estados Unidos es el país que más datos privados de sus ciudadanos pide: 815 de las mil nueve solicitudes gubernamentales de acceso a información personal a escala global durante el segundo semestre de 2012. El buscador Google también confirmó que en el primer semestre de 2012 recibió 7.969 solicitudes de agencias como el Buró Federal de Investigaciones (FBI) para acceder a cuentas personales de correos electrónicos. Continue lendo

Facebook’s New Business Plan: From Utility to Monopoly

In the wake of its IPO debacle, expect Facebook to leverage its market dominance aggressively – with its billion users hostage

Dan Gillmor, The Guardian, October 9, 2012

The tweet, posted a little over two years ago by someone with deep connections in the internet world, was illuminating. It said, simply: “A friend working for Facebook: ‘we’re like electricity.'”

I recalled that tweet last week when Facebook made two announcements of note. First, as everyone knows by now, it has a billion users – including, I suspect, nearly everyone I know. I scarcely use the social network myself, but I am constantly invited to look at items that others post there – and which are unavailable unless I log in. It is getting more and more difficult to avoid Facebook in daily life, and if Facebook gets its wish, it will be an outright necessity. Continue lendo

A foto, o remix e a lógica do Facebook

A propósito dos protestos da Europa no Facebook

José Correa Leite, 1 de outubro de 2012

Uma foto emblemática das manifestações anti-austeridade de Madrid circula imediatamente pelo mundo todo. Um garçom de um restaurante aonde se refugiaram alguns manifestantes protege-os, junto com os fregueses de seu estabelecimento. Um garçom conservador, que vota no Partido Popular, mas que, como disse depois em uma entrevista, queria evitar uma tragédia, pois havia crianças e velhos comendo no restaurante. Eis uma destas muitas foto que circularam nas redes sociais:

Mas na sequencia também começa a circular um remix, bastante criativo e crítico:

Agora, o massacre da população espanhola pelas tropas francesas, retratado por Goya, é evocado. Talvez isso não faça muito sentido para os brasileiros, mas é uma imagem bastante conhecida pelos europeus cultos. A ironia do remix propicia um uso político nas redes sociais da imagem consagrada, acentuando a crítica dentro da lógica do espetáculo.

Mas essa ironia fina passa batida ou é banalizada na sequencia infinita de postes de festas, gatinhos, doces e clipes de músicas que vão se substituindo no Facebook, iluminando a efemeridade de tudo aquilo que se processa ai.

Também aqui um Benjamin contemporâneo lembraria que o anjo da história precisaria deter-se, mas é levado sempre adiante…

”Extimidade”: o fim da intimidade

As relações significativas hoje passaram da intimidade àquilo que Tisseron chama de “extimidade”: expomos em público os nossos segredos. Eis, assim, o triunfo do exibicionismo na era das redes sociais.

Zygmunt Bauman, La Repubblica, 9 de abril de 2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Reproduzido de IHU On-line.

O Facebook afastou-se em muito de qualquer outra novidade e moda passageira ligada à Internet e bateu todos os recordes de crescimento do número de usuários regulares. Diga-se o mesmo sobre o seu valor comercial, que, segundo o Le Monde do dia 24 de fevereiro passado, já alcançou a cifra inaudita de 50 bilhões de dólares.

Enquanto escrevo, o número dos “usuários ativos” do Facebook duplicou a marca do meio bilhão: alguns deles, naturalmente, são mais ativos do que outros, mas a cada dia pelo menos a metade de todos os seus usuários ativos acessa o Facebook. Continue lendo

Google quer tornar seu Zuckerberg conhecido

Pedro Doria, Link, 23 de janeiro de 2011

Larry Page, o novo CEO do Google, é o mais tímido no triunvirato que comanda a empresa desde 2001. E, no entanto, assume desde a semana passada um dos cargos de maior visibilidade do mundo corporativo. Embora a saída do presidente Eric Schmidt seja uma surpresa, talvez o movimento faça sentido. Continue lendo

Facebook impõe sua própria moeda virtual na internet

A rede social obrigará os criadores de jogos a utilizar o Facebook Credits. O objetivo final é impor-se como um padrão de transações na rede.

Manuel Ángel Méndez, El País, 27 de janeiro de 2011. A tradução é do Cepat. Reproduzido do IHU On-line.

Novo golpe de efeito (e de autoridade) de Mark Zuckerberg. A partir de julho todos os criadores de jogos no Facebook, desde a Zynga e a Playfish até os pequenos estúdios, estarão obrigados a utilizar a moeda virtual da rede social, o Facebook Credits, para vender produtos digitais. Seu objetivo imediato é evidente: abocanhar parte dos ingressos em jogos sociais, um setor que este ano moverá 1,9 milhão de euros. Continue lendo

A revolução não será tuitada

Os limites do ativismo político nas redes sociais

Malcolm Gladwell, Folha de S.Paulo, 12 de dezembro de 2010. Traducao de Paulo Migliacci.

RESUMO
O ativismo em redes sociais como o Facebook e o Twitter deriva de vínculos fracos entre seus participantes, que não correm riscos reais como os militantes tradicionais, unidos por vínculos fortes, em ações hierarquizadas e de alto risco, tais como as organizadas durante a campanha pelos direitos civis nos EUA dos anos 60. Continue lendo

Online ou offline? Usos e apropriações das novas tecnologias

IHU On-line entrevista Adriana Amaral, IHU On-line, 7 de setembro de 2010

A professora Adriana Amaral é online. Twitta e retwitta notícias relacionadas à área da comunicação, divulga oportunidades e interage com seus followers, atualiza seu blog com notas sobre cibercultura e cultura pop, usa seu Facebook e seu Orkut para manter novos e velhos contatos. Mas quando sai em férias é offline, se desliga desse mundo das notícias e interações rápidas. “Essa velocidade traz muito apagamento da memória a curto prazo, por isso é interessante que tenha outras manifestações para contrabalançar”, explica na entrevista que concedeu à IHU On-Line, direto da sua sala na Unisinos. Continue lendo

Facebook cresce na velocidade de um vírus

Apenas seis anos depois de sua fundação, a rede social Facebook irá alcançar nesta semana os 500 milhões de usuários, consolidando seu status de site mais popular na história da Internet e – junto com o Google – provavelmente o mais influente.

Clarín, 21 de julho de 2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto para IHU On-line.

Lançado em fevereiro de 2004 pelo estudante Mark Zuckerberg, o Facebook se limitou inicialmente aos estudantes de Harvard. Depois, se expandiu para Stanford, Columbia e Yale e depois às outras universidades de Boston e gradualmente aos demais centros de estudos superiores dos Estados Unidos. O passo seguinte foi abri-lo a todos os estudantes do Ensino Médio, em setembro de 2005 e, um ano depois, a qualquer pessoa maior de 13 anos que contasse com um e-mail válido. Continue lendo