Ucrânia: nem tropas russas, nem fascismo, nem instituições euro-atlânticas

russian troops in crimeaA queda de Ianukovitch não é “um golpe” fascista. Mas a composição e as orientações do “governo de união”, apoiado pelas potências ocidentais, vão provocar a explosão da Ucrânia. As explicações de tipo complot e polarizadas ocultam os desafios sociais e democráticos, apoiando-se apenas numa parte da verdade.

Catherine Samary, Esquerda.net, 4 de março de 2014

Do lado da Maidan: Foi um movimento popular, desafiante para todos os partidos por causa dos seus próprios métodos, que fez cair Ianukovitch: mais do que por causa da Europa, a Maidan mobilizou-se massivamente contra a “família” dominante, oligárquica e contra o curso cada vez mais repressivo e personalista do regime, temendo-se que uma integração dos projetos de Putin agrave estas derivas. Continue lendo

O ataque ao modelo social europeu

Em Espanha e noutros países do sul do continente, todos eles submersos em ditaduras fascistas ou fascistoides, a Europa era o lugar de destino para as forças antifascistas que lutavam pela liberdade, justiça social e bem-estar. A Europa era o sonho que aspirávamos. Pois bem, este sonho converteu-se num enorme pesadelo.

Vicenç Navarro, Carta Maior, 21 de julho de 2013

A Europa, com todas as suas limitações, era o ponto de referência internacional para aquelas forças progressistas que aspiravam alcançar um elevado nível de bem-estar social através da via democrática. Essa identificação da Europa com o Estado Social e a democracia era a sua marca. Em Espanha e noutros países do sul da Europa, todos eles submersos em ditaduras fascistas ou fascistoides, a Europa era o lugar de destino para as forças antifascistas que lutavam pela liberdade, justiça social e bem-estar. A Europa era o sonho que aspirávamos. Continue lendo

Crise europeia interrompe processo de globalização

Jovens_e_EspanhaPara Ignacio Ramonet, “o curso da globalização parece suspenso” e o momento é marcado por “desglobalização e decrescimento”. “Todas as sociedades do sul da Europa tornaram-se furiosamente anti alemãs, uma vez que a Alemanha, sem que ninguém lhe tenha outorgado esse direito, se erigiu em chefe. (…) A Europa é agora, para milhões de cidadãos, sinónimo de castigo e sofrimento: uma utopia negativa”.

Manuel Fernández-Cuesta entrevista Ignacio Ramonet, Eldiario.es, 26 de abril de 2013

Ignacio Ramonet (Redondela, 1943) é um dos pensadores mais lúcidos dos últimos tempos. Falamos com ele sobre a atualidade política, a crise e os emergentes movimentos sociais, a Europa e o porvir.

Assistimos a um renascimento dos movimentos de protesto cidadão?
Ignacio Ramonet – Desde que estourou a atual crise económico-financeira, em 2008, estamos a assistir a uma multiplicação dos movimentos de protesto cidadão. Em primeiro lugar, nos países mais afetados (Irlanda, Grécia, Portugal, Espanha), os cidadãos – civicamente – apostaram em apoiar, com os seus votos, a oposição, pensando que esta traria uma mudança de política tendente a menos austeridade e menos ajuste. Mas quando todos estes países mudaram de Governo, passando da esquerda ou centro-esquerda à direita ou centro-direita, a estupefação foi completa, já que os novos Governos conservadores radicalizaram ainda mais as políticas restritivas e exigiram mais sacrifícios, mais sangue e mais lágrimas aos cidadãos. Aí é quando começam os protestos. Sobretudo porque os cidadãos têm diante dos seus olhos os exemplos de dois protestos com êxito: o do povo unido na Islândia e o dos contestadores que derrubaram as ditaduras na Tunísia e no Egito. Além disso, destaca o facto de que as redes sociais estão a facilitar formas da organização espontânea das massas sem necessidade de líder, de organização política, nem de programa. Tudo está preparado então para que surjam, em maio de 2011, os indignados espanhóis, e que o seu exemplo se imite de um modo ou outro em toda a Europa do sul. Continue lendo

Manifestações de 15 de Setembro

Catarina Martins: “Este é um momento único de indignação e de combate”

Marisa Matias de Bruxelas: Que se Lixe a Troika! Queremos as nossas Vidas!

14 novembro: A primeira greve internacional do século XXI

Se qualquer convocatória de greve geral merece uma atenção especial pela sua transcendência e impacto político, a que se realiza este dia 14 de Novembro, ainda mais: trata-se da primeira greve internacional do século XXI.

Nacho Álvarez, Público.es / Esquerda.net, 14 de novembro de 2012

A Europa vive nesta quarta-feira uma Jornada Europeia de Ação e Solidariedade pelo emprego e contra as medidas de austeridade, que inclui protestos e manifestações em vários países assim como uma convocatória de greve geral em Espanha, Portugal, Itália e Grécia. Além disso, à convocatória uniram-se diversos coletivos e movimentos sociais, contribuindo com isso para que a greve transcenda o âmbito estritamente laboral. Continue lendo

Hemos perdido el miedo como ciudadanos, pero como trabajadores predomina la resignación

Entrevista a Esther Vivas y Josep Maria Antentas, expertos en movimientos sociales, autores del libro Planeta Indignado. Ocupando el futuro

Brais Benitez, MasPublico, 11 de noviembre de 2012

El 2011 quedará en la memoria como el año de las revueltas. Las protestas de la primavera árabe prendieron la chispa del 15-M. La ola de movilizaciones fue de Madrid a Barcelona, y de Atenas a Nueva York bajo un sentimiento común: la indignación. Pero, ¿en qué medida podemos relacionar las revueltas árabes con los movimientos indignados? ¿Responden a causas comunes? ¿Estas nuevas formas de movilización han sustituido ya a las protestas sindicales tradicionales? ¿Hasta dónde llega la crisis de la democracia?

Estas y otras cuestiones son las que han abordado Esther Vivas y Josep Maria Antentas, expertos en movimientos sociales, en su libro ‘Planeta Indignado. Ocupando el futuro’. Publicado a principios de este año, el ensayo va ya por la segunda edición. En un encuentro con MásPúblico, los autores repasan los temas más destacados del libro, y exponen sus razones por las cuales la sociedad debe avanzar hacia un cambio de sistema. Continue lendo

The new European treaty – the fiscal pact – explained in a few minutes

AttacTVFrance, Octobre 26, 2012

The treaty is called TSCG (treaty on stability, coordination and governance) and not SGP (stability and growth pact) as said in the subtitles.

A short and educational video on the new European treaty, and its consequences. Austerity doesn’t work ! http://www.audit-citoyen.org/

La sombra del fracking

Rebelion, 24  de octobre de 2012

A segurança das centrais nucleares europeias em xeque

A chamada “prova de resistência” realizada nas centrais nucleares da União Europeia confirmaram os piores temores de ambientalistas e opositores às centrais atómicas: que estas não cumprem os padrões mínimos de segurança.

Julio Godoy, IPS / Esquerda.net, 21 Outubro de 2012

Os testes realizados em 134 reatores nucleares em 14 países da UE obedeceram à preocupação da população diante da possibilidade de um desastre como o ocorrido na central japonesa de Fukushima Daiichi, em março de 2011. Continue lendo

Não devemos, não pagamos

Esther Vivas,  1 de outubro de 2012

“A dívida: paga-se ou paga-se”. Ela foi gravada em nós a ferro e fogo; é como uma dessas máximas que, ao ser repetida inúmeras vezes, se converte em verdade absoluta. Porém, isso é correto? E se a dívida hipoteca nosso futuro? E se a dívida não foi contraída por nós? Então, por que pagá-la?

Anteontem o Ministro da Fazenda, Cristóbal Montoro, apresentava o projeto de Lei dos Orçamentos Gerais do Estado. Tudo, ou praticamente tudo, calculado por baixo. A saúde encabeça a lista, com uns 22,6% de recortes; a educação perde 17,4%. Querem que fiquemos doentes e analfabetos. Também diminui o seguro desemprego, os fundos destinados às políticas de igualdade, as subvenções à cultura, à cooperação ao desenvolvimento… E, o que sobe? Somente os juros da dívida! Continue lendo

Desemprego na Europa bate novo recorde: 25 milhões

O desemprego na zona do euro quebrou um novo recorde histórico no mês de agosto. Dados revelados ontem pelo Escritório Estatístico das Comunidades Europeias (Eurostat), de Bruxelas, indicam que 25 milhões de pessoas – ou 11,4% da população ativa – estão desempregadas na União Europeia. No agregado dos últimos 12 meses, o desemprego cresceu 1,2%. Para a União Europeia, os números apontam para um provável “desastre econômico e social”.

Andrei Netto, O Estado de S. Paulo, 2 de setembro de 2012

Os números revelados ontem comprovam o que institutos nacionais de estatísticas já vinham anunciando. De norte a sul, o desemprego vem aumentando mês após mês e pelo 16.º período consecutivo superou a barreira dos 10%. São 2,14 milhões a mais de trabalhadores sem postos na zona do euro em apenas um ano. Continue lendo

A foto, o remix e a lógica do Facebook

A propósito dos protestos da Europa no Facebook

José Correa Leite, 1 de outubro de 2012

Uma foto emblemática das manifestações anti-austeridade de Madrid circula imediatamente pelo mundo todo. Um garçom de um restaurante aonde se refugiaram alguns manifestantes protege-os, junto com os fregueses de seu estabelecimento. Um garçom conservador, que vota no Partido Popular, mas que, como disse depois em uma entrevista, queria evitar uma tragédia, pois havia crianças e velhos comendo no restaurante. Eis uma destas muitas foto que circularam nas redes sociais:

Mas na sequencia também começa a circular um remix, bastante criativo e crítico:

Agora, o massacre da população espanhola pelas tropas francesas, retratado por Goya, é evocado. Talvez isso não faça muito sentido para os brasileiros, mas é uma imagem bastante conhecida pelos europeus cultos. A ironia do remix propicia um uso político nas redes sociais da imagem consagrada, acentuando a crítica dentro da lógica do espetáculo.

Mas essa ironia fina passa batida ou é banalizada na sequencia infinita de postes de festas, gatinhos, doces e clipes de músicas que vão se substituindo no Facebook, iluminando a efemeridade de tudo aquilo que se processa ai.

Também aqui um Benjamin contemporâneo lembraria que o anjo da história precisaria deter-se, mas é levado sempre adiante…

Espanha: #25S ao resgate da democracia

Esther Vivas, 27 de setembro de 2012

“O chamam democracia e não é ” tem sido a frase dita reiteradamente em praças, manifestações… E na medida que o tempo passa esta consigna ganha cada vez mais sentido. A estigmatização e a repressão contra aqueles que lutam por seus direitos nas ruas não tem feito senão intensificar-se nos últimos tempos.Temos mais crise, mais apoio popular a quem protesta, mais criminalização e mais mão dura. As ânsias de liberdade parecem estar em conflito com a atual “democracia”. Continue lendo

Europa, Europa: El Viejo Continente despliega las alas

Raúl Zibechi, Alai, 28 de septiembre de 2012

Luego de casi tres años de desestabilizadora crisis económica, que puso a la Unión Europea contra las cuerdas, se empiezan a dar los primeros pasos para profundizar la unidad, crear mecanismos de gobernabilidad y se comienza a debatir la posibilidad de crear un ejército europeo. Hasta el momento todos ellos eran temas tabú. Continue lendo

Madrid: Milhares de manifestantes mobilizaram-se para “resgatar a democracia”

 

A iniciativa “Cercar o Congresso” mobilizou milhares de pessoas que se insurgiram contra as medidas de  austeridade e exigiram a demissão do governo de Rajoy e a abertura de um novo processo constituinte “transparente e democrático”.

Esquerda.net, 26 de setembro de 2012

Os manifestantes concentraram-se, na sua maioria, na Praça Neptuno, nos arredores do Congresso dos Deputados, durante o plenário que teve lugar esta terça feira. Para o local foi mobilizado um aparatoso contingente policial, composto por 1300 agentes da polícia de choque, oriundos de 30 dos 52 grupos operacionais das Unidades de Intervenção Policial de toda a Espanha. O local foi ainda patrulhado por polícias a cavalo e por polícias acompanhados de cães.

Alguns elementos terão tentado transpor as barreiras policiais e terão arremessado alguns objetos aos elementos da polícia de choque, ao que estes responderam com inúmeras investidas indiscriminadas contra os manifestantes, e com o recurso a balas de borracha e a gás lacrimogéneo. Ainda assim, a polícia de choque não conseguiu dispersar todas as pessoas que se concentraram no local. Continue lendo

Biodiesel industry dealt a blow by EU policy changes

Green campaigners have hailed the move to limit food-based biofuels to 5% as a major victory for the environment

Damian Carrington, guardian.co.uk, September 21, 2012

Europe‘s multibillion-euro biodiesel industry has been dealt a blow by major policy changes outlined by the EU climate commissioner on Friday.  The changes proposed by Connie Hedegaard will limit food-based biofuels to 5%, just above the current output of 4.5%. Green campaigners, who see biodiesel as doing more harm than good, hailed the move as a major victory for the environment. But the biodiesel industry condemned what it sees as a catastrophic U-turn that will cost thousands of jobs. Continue lendo

Portugal: um milhão exige demissão do governo

Maior manifestação desde o 1º de maio de 1974 exigiu a demissão de Passos Coelho, a saída da troika de Portugal e o fim da austeridade, que “deu maus resultados em todo o lado no mundo”. Organizadores propõem uma greve geral popular que pare efetivamente o país e convocam uma nova manifestação para a frente do palácio de Belém na 6ª feira às 18h, dia do Conselho de Estado.

Esquerda.net, 15 de setembro de 2012

O repórter do Esquerda.net esteve há 38 anos na manifestação do 1º de maio em Lisboa, em 1974, e apenas essa – que terá reunido um milhão de pessoas – foi maior que aquela que este sábado decorreu entre a Praça José Fontana e a Praça de Espanha. Mesmo a manifestação da “Geração à Rasca”, a 12 de março do ano passado, que reuniu cerca de 200 mil pessoas, foi superada largamente pela que desfilou sob o lema “Que se lixe a troika, queremos as nossas vidas”. Assim, o número de um milhão de pessoas em todo o país, apesar de não confirmado, não parece exagerado. Além disso, a jornada deste sábado realizou-se também em outras 33 cidades do país e pelo menos seis no estrangeiro, quando se reuniram mais muitos milhares – só no Porto ter-se-ão manifestado 150 mil pessoas. Continue lendo

Outono quente

Estamos a assistir à grande batalha do Mercado contra o Estado. Chegámos a um ponto em que o Mercado, na sua ambição totalitária, quer controlar tudo: a economia, a política, a cultura, a sociedade, os indivíduos…

Ignacio Ramonet, Esquerda.net, 15 de setembro de 2012

Como se as férias de verão fossem um manto de esquecimento que dissipasse a brutalidade da crise, os meios de comunicação tentaram distrair-nos com doses massivas de embrutecimento coletivo: Europeu de futebol, Jogos Olímpicos, aventuras estivais de ‘famosos’, etc. Tentaram fazer-nos esquecer que uma nova ronda de cortes se avizinha e que o segundo resgate de Espanha será socialmente mais lamentável… Mas não o conseguiram. Entre outras razões, porque as audazes ações de Juan Manuel Sánchez Gordillo e do Sindicato Andaluz de Trabalhadores (SAT) romperam o esquecimento e mantiveram o alerta social. O outono será quente. Continue lendo

Castells: como as elites estão rompendo o pacto social

Com argumentos inconsistentes e sem visão de futuro, o Ocidente constroi um Estado de Mal-estar. Para enfrentá-lo, novas alianças serão indispensáveis.

Manuel Castells, Outras Palavras, 4 de setembro de 2012

O que estamos a viver em todo o mundo, no contexto da crise financeira, é uma transição – do Estado de Bem-estar social para um Estado de Mal-estar. Na convenção do Partido Republicano, nos Estados Unidos, realizada em Tampa, na semana passada, aclamou-se um programa baseado na proposta de Orçamento apresentada por Paul Ryan, o líder mais carismático da direita. Implica cortar serviços públicos; reduzir maciçamente os impostos pagos pelos endinheirados e grandes empresas; manter os que são exigidos aos setores médios e baixos. Alega-se que, assim, será possível reduzir o défice orçamental (principalmente através dos cortes de despesas) e estimular o investimento (porque os ricos supostamente investiriam com o dinheiro disponível, o que contraria a evidência empírica dos últimos vinte anos…). Continue lendo