Bye bye Mariano

A paciência é como um copo de água que se enche e enche e enche e, no final, acaba por se derramar. Nunca sabemos qual será a gota definitiva que fará as pessoas saírem à rua, em massa, e dizerem “já basta”. Mas o que é certo é que, mais tarde ou mais cedo, esse momento chega.

Esther Vivas, Esquerda.net, 20 de julho de 2013

Estamos nas mãos de chouriços. Enquanto nos dizem que temos de ter paciência, que cedo chegará o final da crise, que agora sim veremos os, tão cacarejados, brotos verdes, damo-nos conta, já quase sem estupefação, que os mesmos que nos dão lições de austeridade, têm vivido, durante anos, na abundância e na opulência. Roubaram-nos, defraudaram-nos e enganaram-nos. E ainda têm a pouca vergonha de olhar para outro lado. Continue lendo

Manifestações de 15 de Setembro

Catarina Martins: “Este é um momento único de indignação e de combate”

Marisa Matias de Bruxelas: Que se Lixe a Troika! Queremos as nossas Vidas!

14 novembro: A primeira greve internacional do século XXI

Se qualquer convocatória de greve geral merece uma atenção especial pela sua transcendência e impacto político, a que se realiza este dia 14 de Novembro, ainda mais: trata-se da primeira greve internacional do século XXI.

Nacho Álvarez, Público.es / Esquerda.net, 14 de novembro de 2012

A Europa vive nesta quarta-feira uma Jornada Europeia de Ação e Solidariedade pelo emprego e contra as medidas de austeridade, que inclui protestos e manifestações em vários países assim como uma convocatória de greve geral em Espanha, Portugal, Itália e Grécia. Além disso, à convocatória uniram-se diversos coletivos e movimentos sociais, contribuindo com isso para que a greve transcenda o âmbito estritamente laboral. Continue lendo

La sombra del fracking

Rebelion, 24  de octobre de 2012

Não devemos, não pagamos

Esther Vivas,  1 de outubro de 2012

“A dívida: paga-se ou paga-se”. Ela foi gravada em nós a ferro e fogo; é como uma dessas máximas que, ao ser repetida inúmeras vezes, se converte em verdade absoluta. Porém, isso é correto? E se a dívida hipoteca nosso futuro? E se a dívida não foi contraída por nós? Então, por que pagá-la?

Anteontem o Ministro da Fazenda, Cristóbal Montoro, apresentava o projeto de Lei dos Orçamentos Gerais do Estado. Tudo, ou praticamente tudo, calculado por baixo. A saúde encabeça a lista, com uns 22,6% de recortes; a educação perde 17,4%. Querem que fiquemos doentes e analfabetos. Também diminui o seguro desemprego, os fundos destinados às políticas de igualdade, as subvenções à cultura, à cooperação ao desenvolvimento… E, o que sobe? Somente os juros da dívida! Continue lendo

A foto, o remix e a lógica do Facebook

A propósito dos protestos da Europa no Facebook

José Correa Leite, 1 de outubro de 2012

Uma foto emblemática das manifestações anti-austeridade de Madrid circula imediatamente pelo mundo todo. Um garçom de um restaurante aonde se refugiaram alguns manifestantes protege-os, junto com os fregueses de seu estabelecimento. Um garçom conservador, que vota no Partido Popular, mas que, como disse depois em uma entrevista, queria evitar uma tragédia, pois havia crianças e velhos comendo no restaurante. Eis uma destas muitas foto que circularam nas redes sociais:

Mas na sequencia também começa a circular um remix, bastante criativo e crítico:

Agora, o massacre da população espanhola pelas tropas francesas, retratado por Goya, é evocado. Talvez isso não faça muito sentido para os brasileiros, mas é uma imagem bastante conhecida pelos europeus cultos. A ironia do remix propicia um uso político nas redes sociais da imagem consagrada, acentuando a crítica dentro da lógica do espetáculo.

Mas essa ironia fina passa batida ou é banalizada na sequencia infinita de postes de festas, gatinhos, doces e clipes de músicas que vão se substituindo no Facebook, iluminando a efemeridade de tudo aquilo que se processa ai.

Também aqui um Benjamin contemporâneo lembraria que o anjo da história precisaria deter-se, mas é levado sempre adiante…

Espanha: #25S ao resgate da democracia

Esther Vivas, 27 de setembro de 2012

“O chamam democracia e não é ” tem sido a frase dita reiteradamente em praças, manifestações… E na medida que o tempo passa esta consigna ganha cada vez mais sentido. A estigmatização e a repressão contra aqueles que lutam por seus direitos nas ruas não tem feito senão intensificar-se nos últimos tempos.Temos mais crise, mais apoio popular a quem protesta, mais criminalização e mais mão dura. As ânsias de liberdade parecem estar em conflito com a atual “democracia”. Continue lendo

Madrid: Milhares de manifestantes mobilizaram-se para “resgatar a democracia”

 

A iniciativa “Cercar o Congresso” mobilizou milhares de pessoas que se insurgiram contra as medidas de  austeridade e exigiram a demissão do governo de Rajoy e a abertura de um novo processo constituinte “transparente e democrático”.

Esquerda.net, 26 de setembro de 2012

Os manifestantes concentraram-se, na sua maioria, na Praça Neptuno, nos arredores do Congresso dos Deputados, durante o plenário que teve lugar esta terça feira. Para o local foi mobilizado um aparatoso contingente policial, composto por 1300 agentes da polícia de choque, oriundos de 30 dos 52 grupos operacionais das Unidades de Intervenção Policial de toda a Espanha. O local foi ainda patrulhado por polícias a cavalo e por polícias acompanhados de cães.

Alguns elementos terão tentado transpor as barreiras policiais e terão arremessado alguns objetos aos elementos da polícia de choque, ao que estes responderam com inúmeras investidas indiscriminadas contra os manifestantes, e com o recurso a balas de borracha e a gás lacrimogéneo. Ainda assim, a polícia de choque não conseguiu dispersar todas as pessoas que se concentraram no local. Continue lendo

El campo no será un parque temático

En todo el territorio español existen cerca de 9.000 pueblos abandonados

Laura Corcuera, Diagonal, 12 de agosto de 2012

Catorce pueblos ocupados se reunieron entre el 6 y el 9 de agosto en la Puebla de la Sierra (Madrid) para avanzar en la construcción de una red estatal de colectivos de okupación y agitación rural.

El centro de educación ambiental de la Puebla de la Sierra (Madrid) se convirtió durante cuatro días en un espacio para el intercambio de experiencias, y para la reflexión sobre las motivaciones, limitaciones y objetivos comunes de pueblos okupados y colectividades rurales que funcionan bajo las premisas del asamblearismo, la autonomía, y la autogestión ligadas a la vida en naturaleza y al aprovechamiento local de los recursos naturales. Continue lendo

El gran despilfarro: La crisis bancaria en España

Declaración econoNuestra, 16 de Mayo de 2012

La nacionalización parcial de Bankia, intervención de hecho de la entidad, llevada a cabo por el gobierno del Partido Popular, es un hito importante, y no el último, en el desarrollo de la grave crisis en la que está instalado el sistema bancario.

La forma en la que se ha realizado la intervención es tanto un reflejo de las contradicciones que recorren al PP, como de la falta de profesionalidad de sus dirigentes, en un tema en el que deberían tener interés en aparecer como gente capaz. Un suceso tan relevante como la nacionalización de una entidad sistémica, señalada públicamente como tal por el FMI, ha sido ejecutado con improvisación, filtraciones y titubeos. Fácilmente se podría haber disparado el pánico de los depositantes, con lo que alguna modalidad de “corralito” habría sido una realidad en nuestras tierras. Continue lendo

Ni presente, ni futuro

Com desemprego em 50%, jovens espanhóis que não ganhavam nem 1.000 hoje ganham menos e emigram

Juliana Sayuri entrevista Javier de Lucas, O Estado de S.Paulo, 7 de abril de 2012

Quiçá destino. Pois emprego não há. Na semana passada, a Espanha foi palco de uma greve geral – trabalhadores cruzaram os braços, indignados fizeram manifestações em 110 cidades espanholas. A paralisação nacional do dia 29 de março confrontava as medidas de austeridade e reformas trabalhistas propostas pelo primeiro-ministro Mariano Rajoy.

Depois da algazarra espanhola, o silêncio europeu. Na terça-feira, dia 3, índices minavam expectativas esperançosas no continente mais uma vez. O desemprego na zona do euro hasteou o nível mais elevado desde 1997, com mais de 17,1 milhões de pessoas sem trabalho. As maiores altas foram justamente na Espanha, onde a taxa de desemprego entre jovens está na casa dos 50,5%, ingrato recorde que derruba o “conquistado” pelo país em 1986. Na quarta, as ações castelhanas despencaram, arrastando novamente os mercados europeus. Continue lendo

Los retos del movimiento del 15 de mayo

Carlos Taibo, Rebelión, 4 de marzo de 2012

El futuro del movimiento del 15 de mayo depende de factores varios: si uno de ellos es la condición de las políticas de nuestros gobernantes, otro lo aportan circunstancias azarosas de muy difícil consideración. Pero, por encima de todo, el porvenir del movimiento depende de la capacidad de éste para hacer frente a un puñado de retos que se presentan en su horizonte inmediato. Identificaremos aquí diez de esos retos. Continue lendo

El año de la indignación

Ecologistas en Acción hacen balance de 2011

Ecologistas en Acción, Rebelión, 3 de enero de 2012

En 2011, la irrupción del 15M ha marcado los movimientos sociales españoles (y no solo), pero también el devenir político estatal. Este es el hecho más significativo, por encima de la crisis y de la hegemonía alcanzada por el PP en las instituciones. Continue lendo

Invasión interna

Miguel Romero, Vineto Sur, 21 de noviembre de 2011

1. Con ser importante, la mayoría absoluta del PP (186 diputados, 10.830.693 votos, 44, 62%; 32 diputados y unos 600.000 votos más que en el 2008) y los cuatro años de manos libres del gobierno en el Parlamento, no me parecen la mayor consecuencia de 20-N para el futuro inmediato.

De arriba a abajo, desde la cúspide del Estado hasta la sociedad, vamos a conocer en las próximas semanas una invasión interna que se irá ramificando fácilmente por el sistema circulatorio del régimen de la Transición, en todos los niveles de las administraciones públicas, de los “cuerpos y fuerzas de la Seguridad del Estado”, de las relaciones con los “poderes fácticos” públicos y privados, los medios de comunicación, la cultura, los sectores y las organizaciones dependientes de las subvenciones públicas… hasta las “gentes de bien”, los “buenos ciudadanos” convencidos de que ahora mandan ellos. Sólo se librarán de la invasión Euskadi y,en cierto sentido, Catalunya, porque allí impera ya desde las pasadas elecciones autonómicas, la derecha nacionalista catalana. Continue lendo

Tela quente

A percepção de que os de cima saqueiam o Estado, fazendo minguar recursos para saúde e educação, chegou à periferia: a tela está ficando quente

Ricardo Antunes, Folha de S.Paulo, 29 de agosto de 2011

O ano de 2011 começou com a temperatura social alta: na Grécia, várias manifestações se sucederam, repudiando o receituário da constrição de tudo que é público em benefício das grandes corporações. E a pólis moderna presenciou uma nova rebelião do coro.

Depois, veio a revolta no mundo árabe: cansados do binômio ditadura e pauperismo, riqueza petrolífera e fruição diamantífera dos clãs dominantes, a Tunísia deu o pontapé inicial. A forte revolta popular, com boa organização sindical, derrubou a ditadura de Ben Ali.

Os ventos rapidamente sopraram para o Egito: manifestações plebiscitárias diuturnas na praça Tahrir, conectadas pelas redes sociais, exigiam dignidade, liberdade e o fim da ditadura de Mubarak. Continue lendo

15M. A força que brota das redes sociais. Entrevista especial com Esther Vivas

IHU On-line entrevista Esther Vivas, 10 de julho de 2011

O mal-estar gerado pela crise econômica internacional e pela precariedade do estado de bem-estar social “se converteu em uma ação coletiva” chamada de 15M. Com a palavra de ordem “Basta!”, europeus de todas as idades e classes sociais manifestam sua indignação com o atual modelo democrático e reivindicam uma democracia que dê conta das necessidades básicas das pessoas e do ecossistema.

Em entrevista à IHU On-Line via Skype, a autora do livro Resistências Globais. De Seatle à crise de Wall Street explica que o movimento é plural e conta com a adesão de jovens com qualificação educacional, mas sem emprego e trabalhadores em situação precária, que estão “sofrendo graves cortes de seus benefícios”.

Para Esther, redes sociais como Twitter e Facebook desempenham um papel crucial na ampliação do movimento, pois através desses instrumentos as pessoas aderem ao processo de “redemocratização social”. “Muitas mais pessoas apoiam agora o movimento e sua base social é mais diversa porque muito outros se identificaram com as reivindicações feitas pelo 15M nesse contexto de crise econômica e social profunda”, conclui. Continue lendo

A multidão na ágora reinventa a política

A análise da conjuntura da semana é uma (re)leitura das ‘Notícias do Dia’ publicadas, diariamente, no sítio do IHU. A análise é elaborada, em fina sintonia com o Instituto Humanitas Unisinos – IHU, pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – CEPAT – com sede em Curitiba, PR, parceiro estratégico do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

Sumário:

O momento político é da multidão; Nem políticos, nem banqueiros
O que pedem os Indignados?
Tahrir e Puerta del Sol. Aproximações e diferenças
O recado da Ágora. Reinventar a política; Esgotamento da política tradicional
Basta à esquerda que assumiu a agenda da direita
Multidão. O poder constituinte; A força do “anonimato”
A multidão em frases

Tahrir (Egito), Puerta del Sol (Madri), Syntagma (Grécia). A “multidão” – conceito negriniano – se move. Também na Itália, em Portugal, em Londres. Os Indignados, os invisíveis, os anonymous, o indivíduo não governamental (ing) tomam as ruas e praças numa luta coletiva que tem em comum a radicalização da democracia. “Tomar a vida em nossas mãos”, é o grito que eclode nas ágoras dos grandes centros urbanos.

Hoje, quem move, impulsiona e dá vida às lutas radicalmente anticapitalistas já não são os partidos políticos e os sindicatos. É sobretudo a multidão – sujeito social que se compõe a partir da multiplicidade de subjetividades e que age com base naquilo que as singularidades têm em comum e se articulam a partir das redes sociais. Continue lendo

”As esquerdas européias têm que se refundar”, afirma Boaventura de Sousa Santos

Bárbara Schijman entrevista Boaventura de Sousa Santos, Debate, 1 de julho de 2011. A tradução é do blog Boca do Mangue. Reproduzido de IHU On-line.

Doutor em Sociologia do Direito pela Universidade de Yale, professor de Sociologia na Universidade de Coimbra, Portugal, e professor emérito do Institute for Legal Studies da Universidade de Wisconsin-Madison, Estados Unidos, Boaventura de Sousa Santos se converteu num referente indisputado no pensamento político e social contemporâneo. Suas obras, traduzidas para diversos idiomas, são um fiel reflexo de seu compromisso com o social e abordam, entre outras questões, a sociologia do direito, o Estado, a globalização, a democracia, os direitos humanos e os movimentos sociais. Identificado como promotor e ativista do Fórum Social Mundial, De Sousa Santos é um árduo defensor das lutas dos silenciados e um crítico vigoroso dos poderes hegemônicos.

A partir dos protestos reivindicatórios encarnados pelo movimento dos “indignados” na Espanha e num contexto assinado por amplas manifestações sociais que sacodem as diversas cidades européias, Boaventura de Sousa Santos analisa – nessa entrevista por telefone, desde Portugal – os protestos sociais atuais e os antecedentes imediatos no Oriente Médio e no norte da África. Também, o papel dos partidos políticos e da influência dos meios de comunicação no cenário mundial. Continue lendo

Indignad@s. E agora?

Josep Maria Antentas e Esther Vivas, Publico, 29 de junho de 2011

A impressionante jornada de manifestações do 19 de junho passado fechou a primeira fase da “rebelião das e dos indignados(as)” aberta em 15 de maio e marca o início de uma nova, ainda por definir. Em um mês ol moviiento experimentou uma verdadeira ampliação quantitativa e qualitativa. Sua base social se diversificou social e geracionalmente, e se enraizou por todo o território.

A consistência da jornada do dia 19 confirma a profundidade do movimento emergente e do mal estar social que reflexa. Não estamos frente a um fenõmeno conjuntural, mas sim frente ao começo de uma previsível nova onda de mobilizações, da qual a manifestação de 15 de maio e os acampamentos têm sido a lançadeira e a primeira sacudida. Dois anos e meio depois do estouro da crise, nos quais a apatía e o medo têm sido a nota dominante, os fatos das últimas semanas confirmam que o protesto social voltou para ficar. E, como quase sempre, o faz reaparecendo de forma inesperada, intempestiva e rompedora, surpreendendo aos proprios e estranhos.

Internet e as redes sociais, twitter e facebook, têm jogado um papel muito significativo no desenvolvimento do movimento, não só como ferramenta de comunicação, mas sim também como espaço de discusão, de politização e de formação de uma identidade e um patrimônio compartilhado. Continue lendo

15 M – Um Acontecimento

As manifestações e os acampamentos em mais de 50 cidades constituem um Acontecimento fundador de um novo tipo de movimento social com perspectivas de duração

Esquerda.net entrevista Jaime Pastor, 15 de junho de 2011

1. Já podemos falar de um «movimento 15M»? Como se dá o salto de uma manifestação para um acampamento?

Talvez seja prematuro chamar-lhe assim, mas julgo que sim, que efectivamente as manifestações em mais de 50 cidades e os acampamentos nas praças principais de muitas cidades nos dias seguintes constituem um Acontecimento fundador de um novo tipo de movimento social com perspectivas de duração, uma vez que se expressa uma indignação colectiva perante as consequências negativas de uma crise pela qual uma maioria social não se sente responsável. Continue lendo