Contra enchentes, água do Pinheiros será bombeada mais rápido à Billings

Mas plano do governo do Estado, que inclui a compra de mais três bombas, é criticado por ambientalistas e secretário de São Bernardo

Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo, 2 de marco de 2011

O governo de São Paulo quer aumentar de 12 para 15 o número de equipamentos que bombeiam água dos Rios Tietê e Pinheiros para a Represa Billings. Hoje os existentes nas Usinas Elevatórias de Traição e Pedreira jogam 675 metros cúbicos por segundo. O plano é aumentar em 200 m³/s. Mas essa alternativa da administração estadual para minimizar enchentes na capital já desperta polêmica: além de ineficaz, especialistas dizem que ela pode aumentar o volume de sujeira no manancial que abastece quase 30% da Região Metropolitana de São Paulo. Continue lendo

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Darwinismo social

Frei Betto, Adital, 24 de janeiro de 2011

A catástrofe na região serrana do Rio de Janeiro é noticiada com todo alarde, comove corações e mentes, mobiliza governo e solidariedade. No entanto, cala uma pergunta: de quem é a culpa? Quem o responsável pela eliminação de tantas vidas?
Do jeito que o noticiário mostra os efeitos, sem abordar as causas, a impressão que se tem é de que a culpa é do acaso. Ou se quiser, de São Pedro. A cidade de São Paulo transbordou e o prefeito em nenhum momento fez autocrítica de sua administração. Apenas culpou o excesso de água caída do céu. O mesmo cinismo se repetiu em vários municípios brasileiros que ficaram sob as águas. Continue lendo

O preço de não escutar a natureza

Leonardo Boff, Vi o mundo, 15 de janeiro de 2011

O cataclisma ambiental, social e humano que se abateu sobre as três cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na segunda semana de janeiro, com centenas de mortos, destruição de regiões inteiras e um incomensurável sofrimento dos que perderam familiares, casas e todos os haveres tem como causa mais imediata as chuvas torrenciais, próprias do verão, a configuração geofísica das montanhas, com pouca capa de solo sobre o qual cresce exuberante floresta subtropical, assentada sobre imensas rochas lisas que por causa da infiltração das águas e o peso da vegetação provocam frequentemente deslizamentos fatais. Continue lendo

Chuva é a última a ser culpada, diz cientista

Sabine Righetti entrevista Debarati Guha-Sapir, Folha de S. Paulo, 15 de janeiro de 2011

O Brasil tem especialistas e tecnologia para prevenção e gestão de enchentes, mas falta vontade política, diz a epidemiologista belga Debarati Guha-Sapir, diretora do Cred (Centro de Pesquisas sobre Epidemiologia de Desastres), referência mundial na área, e professora da Universidade de Louvain, em Bruxelas. Para ela, as chuvas não devem ser culpadas pela tragédia no Rio. “Também tivemos chuvas fortes na Bélgica, mas ninguém morreu.” Continue lendo

Mais déjà-vu ou novas estratégias?

Washington Novaes, O Estado de S.Paulo, 31 de dezembro de 2010

E se chega ao fim do ano com a incômoda sensação – relendo o que o autor destas linhas escreveu neste espaço no primeiro dia de 2010 – de que o tempo não passou ou não foi aproveitado para enfrentar as graves questões ali enumeradas. De novo, várias capitais e outras cidades às voltas com inundações, evidenciando seu despreparo para se adaptarem às mudanças climáticas com programas de readequação das áreas urbanas aos eventos extremos, cada vez mais frequentes. O último balanço do ano acusa 250 mil mortos no mundo em consequência de “desastres naturais” (incluindo enchentes, terremotos, etc.), mais que os 115 mil que perderam a vida em atos terroristas ao longo de 40 anos (The Washington Post, 20/12). E US$ 222 bilhões de prejuízo. Continue lendo

Las inundaciones de agua para Pakistán y las de dinero para Zardari

Tariq Ali, Counterpunch / Sin Permiso, 5 de setiembre de 2010

Un desastre de dimensiones bíblicas: las inundaciones causadas por las profusas lluvias monzónicas de hace un mes han afectado a más de 17,2 millones de personas y matado a más de 1.500, de acuerdo con el organismo de gestión encargado del desastre de Pakistán. Agosto es la estación del monzón en Pakistán. Este año una abundante lluvia ha seguido cayendo, razón por la que las aguas no disminuyen. Cerca de 2.000 muertos y más de 20 millones de personas sin hogar. Los desastres por causas humanas (la guerra en Afganistán y su extensión dentro de Pakistán) son muy malos. Ahora el país debe afrontar su peor desastre natural nunca habido. La mayoría de gobiernos encontrarían dificultad para afrontar el desastre, pero el actual régimen está virtualmente paralizado. Continue lendo

‘A Mãe Terra é quem nos culpa’

Plácido Junior e Renata Albuquerque, Portal da CPT, 7 de julho de  2010.

Nas vésperas da festa de São João, festa da colheita do milho no Nordeste brasileiro, assistimos com muita tristeza as enchentes na Zona da Mata Sul de Pernambuco e Zona da Mata Norte de Alagoas. Foram vidas ceifadas, casas destruídas, escolas e hospitais sem condições de funcionarem, pontes levadas pela força das águas, um verdadeiro cenário de guerra.

As últimas estimativas falam em 57 mortes, sendo 39 em Alagoas e 20 em Pernambuco. No estado alagoano, passa de 26 mil o número de desabrigados e de 47 mil o de pessoas desalojadas. Já em Pernambuco, são mais 26 mil desabrigados e mais de 55 mil desalojados. Mas, como todo cenário de guerra tem sempre inimigo e culpados, escolheram desta vez a Natureza como responsável. Continue lendo

Nordeste de luto

Roberto Malvezzi (Gogó),  5 de julho de 2010

É época de São João, quando o Nordeste se torna mágico. As festas juninas por aqui têm o sabor das festas natalinas em outras regiões do país. Época de comer, brincar de quadrilhas e forró, celebrar, reencontrar a família, experimentar a gratuidade da vida.

Este ano ficou diferente. O Nordeste ficou de luto pelas cidades arrasadas pelas águas em Pernambuco e Alagoas. Algumas pessoas me escreveram perguntando: como se explica o que está acontecendo? Continue lendo

Como se fôssemos rãs em água fervente

Washington Novaes, O Estado de S.Paulo, 2 de julho de 2010

É mais do que oportuna a divulgação (Estado, 15/6) de estudo de várias instituições respeitadas (Inpe, Unicamp, Unesp, USP e Fapesp) segundo o qual a temperatura média na Região Metropolitana de São Paulo subirá entre 2 e 3 graus Celsius neste século. E com isso dobrará o número de dias com chuvas intensas (hoje, de duas a cinco por ano). O estudo dramatiza a necessidade de ações concretas nas zonas urbanas, para impedir, além dos deslizamentos de morros e encostas, a formação de ilhas de calor, que atraem os “eventos extremos”. Questão aguda, quando o próprio estudo enfatiza que, se a expansão urbana continuar como hoje, em 2030 a mancha ocupada será o dobro da atual e 11% das ocupações humanas estarão em áreas com risco de deslizamento e mais de 20% em áreas sujeitas a enchentes e inundações. Continue lendo

Enchentes: algumas propostas políticas

Raul Marcelo, Correio da Cidadania, 9 de março de 2010

“Há uma força motriz mais poderosa que o vapor, a eletricidade e a energia atômica: a vontade.”  Albert Einstein

O cientista mais popular do século XX, além de saber muito sobre física, também reconhecia a importância da vontade e do planejamento para as realizações humanas. Einstein deixou isto cristalino em seus apontamentos sobre nossa sociedade, registrados sob o título “Como eu vejo o mundo”. Esta referência é importante para refletirmos sobre as chuvas deste início ano, classificadas corretamente como fora do comum, mas cujos efeitos sobre os municípios e especialmente sobre a população pobre são recorrentes. Continue lendo