”O STF mais parece uma casa de horrores”, afirma filósofo

Vladimir Safatle, Folha de S. Paulo, 29 de março de 2011

Há momentos em que o STF mais parece uma casa de horrores. Como se não bastasse ter se notabilizado nos últimos anos por tirar da cadeia banqueiros corruptores e proteger torturadores da ditadura militar, ele agora conseguiu colocar em xeque a aplicação de uma lei que visava impedir políticos em julgamento de se apresentar em eleições.

Se levarmos em conta as argumentações de certos juízes do STF, nem sequer a aplicação da lei a partir de 2012 está realmente garantida. Continue lendo

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”No julgamento do STF, uma só pessoa decidiu os resultados das últimas eleições e das futuras”

No julgamento do STF, uma só pessoa decidiu os resultados das últimas eleições e das futuras

Jânio de Freitas, Folha de S. Paulo, 25 de março de 2011

Diante de uma decisão por seis votos a cinco, dizer que o Supremo Tribunal Federal decidiu em conformidade com a Constituição, como foi dito no próprio tribunal, tem menos sentido do que concluir que os ministros votaram e decidiram em conformidade com suas cabeças, e pronto. Continue lendo

Decisão sobre Lei da Ficha Limpa frustra a sociedade, afirma OAB

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) considerou frustante a decisão do Supremo Tribunal de Federal (STF), que decidiu ser a Lei da Ficha Limpa válida somente a partir das eleições municipais de 2012. Com isso, políticos que obtiveram votos suficientes para se eleger no pleito de 2010, mas foram impedidos pela lei, poderão tomar posse.

Carolina Pimentel e Daniella Jinkings, Agência Brasil, 23 de março de 2011

“A decisão do Supremo Tribunal Federal, proferida com o voto do ministro Luiz Fux, recém-nomeado pela presidenta Dilma Rousseff para compor o mais importante Tribunal do país, frustra a sociedade que, por meio de lei de iniciativa popular, referendada pelo Tribunal Superior Eleitoral, apontou um novo caminho para a seleção de candidatos a cargos eletivos fundado no critério da moralidade e da ética, exigindo como requisito de elegibilidade a não condenação judicial por órgão colegiado”, diz, em nota, o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante. Continue lendo

TSE liberou um terço dos ‘fichas-sujas’

Ainda existem mais de 70 casos pendentes de decisão final, entre eles o de Maluf.

Flavio Ferreira e Elida Oliveira, Folha de S.Paulo, 13 de dezembro de 2010

Mais de um terço dos políticos julgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por conta da aplicação da Lei da Ficha Limpa tiveram suas candidaturas liberadas. Após serem considerados “fichas-sujas” por Tribunais Regionais Eleitorais, cerca de 200 candidatos recorreram ao TSE. Já houve decisões em 164 casos, com 59 julgamentos favoráveis aos políticos. Continue lendo

Lula e a novela da Ficha Limpa

Chico Whitaker, Carta Capital, 25 de novembro de 2010

A história da Lei da Ficha Limpa é um autêntico roteiro de novela de sucesso, com seus suspenses, alegrias e tristezas, surpresas e alívios. Seu último capitulo vai ser filmado na sala majestosa da mais alta Corte do país, onde os ”bons” e os “maus”, acompanhados pela televisão em todo o Brasil, vão quebrar o empate em que se encontram.

Ao que tudo indica esse capitulo só irá ao ar no ano que vem, para que o suspense seja bem prolongado. E sem que os telespectadores vejam Lula, o personagem que se tornou decisivo nesse fim de novela. Ele ficará detrás das câmeras, depois de designar o Ministro ou Ministra que ocupará a 11ª vaga do Supremo. Continue lendo

Lula consolidou o capitalismo e instrumentalizou o Estado no Brasil’

Valéria Nader e Gabriel Brito entrevistam Ildo Sauer, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP e ex-diretor de Petróleo e Gás da Petrobrás na gestão Lula até 2007. Correio da Cidadania, 12 de novembro de 2010

Como encarou o período eleitoral, os debates que foram levados a cabo, culminado com a vitória de Dilma Roussef nessas eleições?

De certa forma, a campanha eleitoral acabou sendo resolvida em parte pela longa metamorfose pela qual o governo Lula passou. Logo em seu início, quando liderava um governo hegemonicamente do PT, veio a Carta aos Brasileiros, a fim de garantir algo que era razoável – estabilidade econômica, tranqüilidade social, pois se esperava um processo de profundas mudanças por parte dos mercados. Uma carta que, portanto, tornava o governo aparentemente aceitável para alguns segmentos como estratégia de transição. Continue lendo

O dualismo eleitoral

Ricardo Antunes, Folha de S. Paulo, 10 de novembro de 2010

Terminou o processo eleitoral pautado pelo dualismo eleitoral, sem empolgação e exíguo em emoção. Resumido a uma disputa entre os dois blocos da ordem: de um lado, postava-se o tucanato desencantado e fraturado; de outro, o lulismo em alta, empurrado pelo líder, forçando para além do limite que a imagem da criatura fosse associada ao seu criador.

Na base, os capitais poderosos encontram-se ancorados em porto seguro, com a certeza de que, qualquer que fosse o resultado, a fonte do saque estaria preservada.A eleição era, enfim, uma disputa definida pelos embalos do marketing – “ciência” que os capitais tão bem conhecem. Continue lendo

Ateísmo militante

Frei Betto, Correio da Cidadania, 30 de outubro de 2010

No decorrer da campanha presidencial afirmei, em artigo sobre Dilma Rousseff, que ela nada tem de “marxista ateia” e que “nossos torturadores, sim, praticavam o ateísmo militante ao profanar com violência os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte”.

O texto provocou reações indignadas de leitores, a começar por Sr. Gerardo Xavier Santiago e Daniel Sottomaior, dirigentes da ATEA (Associação Nacional de Ateus e Agnósticos). Continue lendo

Lula venceu

Vladimir Safatle, Folha de S. Paulo, 1 de outubro de 2010

Alguns fatos devem ser analisados em sua enunciação bruta, sem “mas”, “entretanto”, “mesmo assim” ou condicionantes do gênero.

O resultado destas eleições é um destes casos. Lula venceu. Como se não bastasse, transformou-se no primeiro presidente da história brasileira a conseguir fazer seu sucessor em uma eleição realmente livre. Continue lendo

Consolidação democrática é vantagem brasileira entre Bric

Maria Inês Nassif entrevista André Singer, Valor, 1 de novembro de 2010

Qual o balanço do governo e o que Lula deixa para o país?

O que marcou politicamente esses oito anos foi a ocorrência de um realinhamento eleitoral. Realinhamento é um fenômeno que, para ser assim considerado, precisa ser de longo prazo. Se o eleitorado fica oscilando de eleição para eleição, ocorre o desalinhamento. Nós estamos entrando num novo realinhamento que deverá durar um período longo, caracterizado pela troca de bases sociais, com a perda da classe média, que era característica das candidaturas de Lula e do PT até 2002. Essa base migrou para o PSDB, que já tinha uma parcela desse setor, mas que cresceu e se consolidou a partir do afastamento em relação ao PT. Foi substituída por uma adesão maciça de eleitores de baixíssima renda, o que começou a acontecer em 2002 e cresceu em 2006. Continue lendo

El efecto Gardel en el triunfo de Rousseff

Santiago O’Donnell, Pagina 12, 1 de novembro de 2010

Dilma ganó fácil porque representa un gobierno que hizo las cosas bien, al menos para la mayoría de los brasileños. Fue el triunfo de un proyecto político, algo poco común en estos tiempos de personalismos mediáticos. No hace falta consultar encuestas para darse cuenta de que Dilma fue elegida presidenta por su cercanía con el actual mandatario. Nunca había participado de una elección por un cargo electivo, no tenía poder territorial ni peso dentro de su partido ni era conocida como figura mediática. Prácticamente su única carta de presentación ante el electorado era haber sido una estrecha colaboradora de Lula y haber sido ungida por él como su sucesora. Continue lendo

Neutralidade pela consolidação do socialismo

André Rossi, Revista Fórum / Agência Envolverde, 28 de outubro de 2010

Em entrevista à Fórum, Plínio de Arruda Sampaio reitera sua posição pelo voto nulo no segundo turno, fala sobre sua relação com Heloisa Helena e analisa as possibilidades de avanço do socialismo no cenário político brasileiro.

Plínio de Arruda Sampaio recebeu Fórum em sua casa para uma entrevista, em que o ex-presidenciável do Psol falou sobre o segundo turno, sua relação com Heloisa Helena e as possibilidades que enxerga para o socialismo. Ele reafirmou sua opção pelo voto nulo, distintamente de membros de seu partido que optaram pelo voto em Dilma. “Proponho voto nulo porque acho que o importante na campanha eleitoral da esquerda é a conscientização. E nesse caso, preciso conscientizar a massa de que nenhum dos dois candidatos traz solução em hipótese nenhuma.” Continue lendo

Uma reportagem sobre a religião na eleição presidencial

Religião invade eleição e repete no Brasil fenômeno dos EUA  
Portal UOL, 26 de outubro de 2010 – Para rir (e chorar)!

A escola, o emprego, a renda, a violência

Washington Novaes,  O Estado de S.Paulo, 22 de outubro de 2010

O Brasil tem vivido embalado, nos últimos tempos, pelas animadoras notícias de redução da miséria, da pobreza e do desemprego, graças às políticas sociais e econômicas dos últimos governos. Produzem um choque, por isso, as informações do Ipea e do IBGE (Estado, 12/10) de que entre agosto de 2004 e agosto último a taxa de desemprego dos 20% mais pobres da população (renda per capita domiciliar abaixo de R$ 203,3 mensais) aumentou de 20,7% para 26,27%. No mesmo período, a desocupação dos 20% de renda maior (acima de R$ 812,3 mensais) caiu de 4,04% para 1,4% – ou seja, caiu 67,9%. E as causas são claras, segundo Márcio Pochmann, do Ipea: dificuldades relacionadas com baixa escolaridade, num momento em que “a competição é por trabalhadores qualificados”. Continue lendo

Dilma vai a 56% dos válidos e abre 12 pontos sobre Serra

Pesquisa Datafolha confirma que Dilma Rousseff (PT) estancou sua perda de votos iniciada no final de setembro. A petista voltou a subir e agora tem uma vantagem de 12 pontos sobre José Serra (PSDB) na disputa pela Presidência da República.

Fernando Rodrigues, Folha de S. Paulo, 22 de outubro de 2010

Quando se consideram os votos válidos (excluídos brancos, nulos e indecisos), a petista tem 56% contra 44% do tucano. Esses 12 pontos de vantagem estão abaixo do que foi registrado na véspera da eleição do último dia 3, quando o Datafolha fez uma simulação de eventual segundo turno -Dilma tinha 57% contra 43% de Serra. Continue lendo

Popularidade de Lula e Nordeste alavancam Dilma

A melhora de Dilma Rousseff (PT) teve como alavanca principal o seu desempenho no Nordeste, combinado com um novo recorde de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Fernando Rodrigues, Folha de S. Paulo, 22 de outubro de 2010

No Nordeste (cerca de 27% dos eleitores do país), Dilma cresceu cinco pontos em uma semana, indo de 60% a 65% das intenções de voto. Já Lula registrou nesta semana 82% de aprovação para o seu mandato (respostas “bom” e “ótimo”), a maior taxa desde quando assumiu o Planalto, em janeiro de 2003. Essa é também a melhor marca já apurada pelo Datafolha para todos os presidentes civis desde 1985. Continue lendo

Que Brasil queremos?

A análise da conjuntura da semana é uma (re)leitura das ‘Notícias do Dia’ publicadas, diariamente, no sítio do IHU. A análise é elaborada, em fina sintonia com o Instituto Humanitas Unisinos – IHU, pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – CEPAT – com sede em Curitiba, PR, parceiro estratégico do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

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Uma alta capacidade de reproduzir preconceitos

Maria Inês Nassif, Valor, 21 de outubro de 2010

As chances de erro nas previsões eleitorais são altas, pelo simples fato de que, entre o início da campanha e seu final, um processo se coloca em movimento, e só para quando o último eleitor digitar o seu voto na urna. Esse voto, ao longo da campanha, esteve exposto a todo tipo de argumento. Afinal, uma campanha nada mais é do que a tentativa de convencimento da maioria de que o projeto de poder de um determinado partido, ou candidato, é o mais apropriado para o país. Continue lendo

Um debate frustrante

Carlos Lessa, O Globo, 21 de outubro de 2010

Fui professor e convivi com Serra e Dilma. Sei que ambos são bons economistas e têm agilidade intelectual. Assisti atentamente ao debate dos candidatos na TV Bandeirantes e na Rede TV!, e quero manifestar surpresas incômodas. Na Bandeirantes, não houve nenhuma referência a respeito da crise mundial. Continue lendo

Propostas para um país do século XXI

Para ajudar Dilma e Serra, o Greenpeace preparou uma lista de pontos que qualquer candidato deveria adotar para garantir um futuro diferente para o Brasil. Os candidatos à Presidência da Republica, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), ainda não apresentaram à população brasileira seus compromissos com o desenvolvimento sustentável e limpo do Brasil.

Greenpeace Brasil, 20 de outubro de 2010

Até se dignaram a tocar um pouco mais no assunto neste 2ª turno das eleições. Serra e Dilma, por exemplo, rejeitaram a anistia a desmatadores que faz parte da proposta de revisão do Código Florestal que tramita na Câmara dos Deputados. Mas com relação ao compromisso com o desmatamento zero e a ampliação da presença de fontes solar e eólica na matriz energética do país, nenhum dos dois foi muito além de frases de efeito. Continue lendo