Sonegação dos ricos é 25 vezes maior que corrupção nos países em desenvolvimento

taxhavenscyNo ano passado, cerca de um trilhão de dólares fugiram dos países em desenvolvimento e terminaram em paraísos fiscais. Conheça as capitais da corrupção.

Marcelo Justo entrevista Jason Hickel, Carta Maior, 25 de fevereiro de 2014

Uma visão muito difundida sobre o desenvolvimento econômico afirma que os problemas enfrentados pelas economias em desenvolvimento e os países pobres se devem à corrupção. Essa visão se choca com um dado contundente da realidade internacional: a China. Nem mesmo o Partido Comunista põe em dúvida que a corrupção é um dos grandes problemas nacionais, o que não impediu um crescimento médio de dois dígitos nas últimas três décadas.

No entanto, segundo Jason Hickel, professor da London School of Economics, esta perspectiva oculta um problema muito mais fundamental em termos sistêmicos para a economia mundial: a corrupção dos países desenvolvidos. Trata-se de uma corrupção do colarinho branco, invisível e refinada, que foi uma das causas do estouro financeiro de 2008. Continue lendo

D’où surgit le nouveau capitalisme chinois ? « Bourgeoisification » de la bureaucratie et mondialisation

new_hong_kong_night_skylineDe la contre-révolution bureaucratique à la contre révolution bourgeoise

Pierre Rousset, ESSF, 23 février 2014

D’où surgit le nouveau capitalisme chinois, qu’est-ce qui a permis son envol et quelles sont ses particularités ? Quelles interrogations de fond cette expérience contemporaine soulève-t-elle ? Ce sont ces questions que la présente contribution veut aborder.

[Nous reproduisons ci-dessous le chapitre d’un livre sur la révolution chinoise qui doit être publié en Espagne. Les deux premières parties (portant sur la lutte révolutionnaire, puis le maoïsme au pouvoir) sont disponibles en français sur ESSF. Ce chapitre aborde des questions de fond et ouvre la troisième partie : la naissance d’un nouveau capitalisme en Chine et les luttes sociales des années 1980 à nos jours. L’écriture de cette troisième partie n’est pas achevée. Nous aimerions susciter des commentaires avant la remise définitive du manuscrit…] Continue lendo

O fim dos paraísos fiscais segue uma promessa não cumprida

Paraiso-FiscalEm 2009, a cúpula do G20, que constitui cerca de 90% do PIB mundial anunciou “o fim da era dos paraísos fiscais”. O estouro financeiro e a crise mundial tinham feito disparar o alarme: era preciso curar um sistema cheio de buracos. Ao invés de terminar, a crise entrou em uma nova fase, a da dívida soberana. Enquanto isso – seis cúpulas do G20 mais tarde – os paraísos fiscais não ficaram sabendo que sua era havia acabado. Em 2010, só o Brasil tinha 520 bilhões de dólares em paraísos fiscais.

Marcelo Justo, Carta Maior, 12 de dezembro de 2012

Londres – Em 2009, a segunda cúpula do G20, que constitui cerca de 90% do PIB mundial anunciou “o fim da era dos paraísos fiscais”. O estouro financeiro e a crise mundial tinham feito disparar o alarme: era preciso curar um sistema cheio de buracos. Ao invés de terminar, a crise entrou em uma nova fase, a da dívida soberana. Enquanto isso – seis cúpulas do G20 mais tarde – os paraísos fiscais não ficaram sabendo que sua era havia acabado. Continue lendo

A New Global Depression?

New Left Review entrevista Richard Duncan, New Left Review 77, september-october 2012

You were one of the very few analysts to predict the full enormity of the financial crisis, writing as early as 2003 of a coming credit crunch that would have ramifications throughout the asset-backed securities sector, necessitating giant bail-outs for Fannie Mae, Freddie Mac and financial-insurance companies, and a possible meltdown in the multi-trillion-dollar derivatives market. This prescience was in stark contrast to the complacency of most mainstream economists. Could you describe how you came to write The Dollar Crisis—what was the course of your intellectual development and what did you learn from your experience as a Far East securities analyst?

I grew up in Kentucky and went to Vanderbilt University. My plan was to go to law school, but I didn’t get in. Plan B was to go to France for a year, picking grapes. I got a job as a chauffeur in Paris, driving rich Americans, and made enough money to backpack around the world for a year, in 1983 and 84. So I was lucky enough to see the world when I was very young. I spent a couple of months in Thailand, Malaysia and Singapore—and even a couple of months there was long enough to realize: go east, young man.

Go east, because?

Economic opportunity. It was obviously booming—there were big skyscrapers going up, and people couldn’t read maps of their own street. So I went back to business school in Boston, at a time when there was of course very little economic growth in the United States. When I finished business school, going to Asia seemed the obvious thing to do. I found a job in Hong Kong, as a securities analyst with a local, Hong Kong–Chinese stock-broking company. This was 1986. In the first twelve months I was there, the Hong Kong stock market doubled—then I woke up one morning and learned that Wall Street had fallen 23 per cent overnight, and Hong Kong immediately fell back to where it had started. By 1990 I had joined James Capel, the oldest and largest uk stock-broking company at that time, and they sent me to Thailand to manage their research department there. We had ten analysts watching all the companies on the Bangkok stock market. At first, there really was something of a Thai miracle—the growth was solid and fundamental. But very quickly, by 1994, it was obviously a bubble and I started being bearish on the market. I wasn’t saying it was going to collapse, but the growth was going to slow down. But it just kept accelerating, and the bubble turned into a balloon. When it did finally pop, in 1997, Thailand’s gdp contracted by 10 per cent and the stock market fell 95 per cent in dollar terms, top to bottom. Continue lendo

Financialization and the World Economy

The Real News, October 1, 2012

Jerry Epstein: Financialization of the economy has been developing since the late 19th century and is now at historic levels

A gestão do capitalismo no governo da srª Dilma

Estado máximo, só para os bancos

Maria Lucia Fattorelli, Auditoria Cidadã da Dívida

Em meio a insistentes ataques da grande mídia à “corrupção” de autoridades dos três poderes institucionais, uma verdadeira corrupção institucional está ocorrendo no campo financeiro e patrimonial do país, destacando-se: privatização da previdência dos servidores públicos, privatização de jazidas de petróleo — inclusive do pré-sal –, privatização dos aeroportos mais movimentados do país, privatização de rodovias, privatização de hospitais universitários, privatização de florestas, privatização da saúde, educação, segurança… Continue lendo

New international land deals database reveals rush to buy up Africa

World’s largest public database lifts lid on the extent and secretive nature of the global demand for land

Claire Provost, guardian.co.uk, April 27, 2012

Almost 5% of Africa‘s agricultural land has been bought or leased by investors since 2000, according to an international coalition of researchers and NGOs that has released the world’s largest public database of international land deals.

The database, launched on Thursday, lifts the lid on a decade of secretive deals struck by governments, investors and speculators seeking large tracts of fertile land in developing countries around the world. Continue lendo

Vende-se a natureza

Frei Betto, ALAI, 27 de abril de 2012

Às vésperas da Rio+20 é imprescindível denunciar a nova ofensiva do capitalismo neoliberal: a mercantilização da natureza. Já existe o mercado de carbono, estabelecido pelo Protocolo de Kyoto (1997). Ele determina que países desenvolvidos, principais poluidores, reduzam as emissões de gases de efeito estufa em 5,2%. Continue lendo

Ofensiva do capital internacional sobre as terras na América Latina

Gerson Teixeira e João Paulo Rodrigues, ALAI, 24 de abril de 2012

O mundo se depara com importantes desafios para garantir as condições de vida do planeta, num futuro mais ou menos distante conforme a intensidade e velocidade da evolução do processo de aquecimento global. Segundo a comunidade científica internacional os riscos para a segurança alimentar subjacentes ao processo de mudanças climáticas são muito fortes. Neste caso, biodiversidade, terra e água, assumem significados cada vez mais estratégicos para o futuro da humanidade. Continue lendo

Política Econômica permanece no reino do curto-prazo

Paulo Passarinho, Correio da Cidadania, 21 de Abril de 2012

“Sob pressão, bancos privados reduzem juros” é a manchete do dia 19 de abril, do Jornal O Globo. A Folha de S. Paulo também vai no mesmo caminho: “Bancos privados cedem a Dilma e barateiam crédito”. Esse diário complementa a informação, destacando que o “Banco Central também reduziu a Selic e levou o Brasil a ter a menor taxa de juros reais já registrada”.

Para um leitor desavisado, essas notícias podem levá-lo a imaginar que estão em curso medidas que acarretariam mudanças substantivas na política econômica. Convém, contudo, prudência e melhor entendimento da atual realidade macroeconômica, antes de conclusões apressadas. Continue lendo

Breaking Up the Banks – The Dallas Fed Weighs In

Wallace Turbeville, The Policy Shop / Demos Blog, March 23, 2012

The Federal Reserve Board of Dallas released a report from its chief researcher, Harvey Rosenblum, which has caused quite a stir. The report cites Fed statistics showing that the five largest US banks hold a remarkable 52% of all bank assets:

Fed statistics as of the end of 2011 identify the five as:

JP Morgan Chase – $2.3 trillion

Bank of America – $2.1 trillion

Citigroup – $1.9 trillion

Wells Fargo – $1.3 trillion

Goldman Sachs – $1.0 trillion

The most dramatic part of the report and the covering letter by Dallas Fed President Richard W. Fisher is that they call for a “downsizing” of these megabanks. Their primary argument is that financial institutions remain “too-big-to-fail,” risking another painful and damaging bailout if a large financial crisis is threatened. In their view, the continuing cloud of too-big-to-fail hanging over the economy is simply intolerable and costly. Continue lendo

La telaraña del poder corporativo y la “economía verde”

Silvia Ribeiro, La Jornada, 10 de marzo de 2012

Apenas 147 empresas trasnacionales controlan el 40 por ciento del volumen total de ventas de todas las trasnacionales del globo. El dato más sorprendente no es que sean pocas –existían ya estudios mostrando el alto grado de concentración corporativa–, sino que están estrechamente interconectadas a través de acciones y participaciones entre ellas, constituyendo una “súper entidad” global que ejerce un control enorme sobre mercados, producción y políticas nacionales e internacionales. Las tres cuartas partes de éstas 147 superpoderosas son bancos e intermediarios financieros, que a su vez tienen un importante porcentaje de acciones en las mayores empresas de capital productivo. Continue lendo

A Grécia e Portugal: os povos contra o terrorismo financeiro

A rejeição da troika e do seu governo é o ponto de partida das alianças necessárias para vencer a austeridade.

Francisco Louçã, Esquerda.net, 25de fevereiro de 2012

O arrastamento das negociações entre o governo grego e os embaixadores da finança demonstra duas coisas.

Em primeiro lugar, que a Grécia está à beira da bancarrota e que essa chantagem tem sempre servido para agravar as medidas de austeridade, que criam novos problemas e uma recessão histórica. Continue lendo

O Capitalismo em Crise e os Meios de a Conjurar

Este é um bom momento para estudar o capitalismo realmente existente. Abandonemos as fantasias cordatas: é mesmo útil saber em que mundo é que se tem os pés assentes, conhecer o poder e as ambições do capital, reconhecer as dificuldades e a vertigem da grande depressão.

Francisco Louçã, Esquerda.net, 24 de fevereiro de 2012

Em 2009, o Financial Times publicou uma série de artigos de debate sobre um tema comum: o “futuro do capitalismo”. A crise financeira anterior e a recessão desse ano de 2009 levaram o jornal a convidar especialistas, governantes e analistas a discutirem este tema. Três anos depois, o mesmo diário convida-nos a lermos um novo debate, desta vez sobre “o capitalismo em crise”. A mudança do enunciado do tema é por si só reveladora da aflição. Continue lendo

Fault Lines: The Top 1%

AlJazeeraEnglish, August 2, 2011

The richest 1% of US Americans earn nearly a quarter of the country’s income and control an astonishing 40% of its wealth. Inequality in the US is more extreme than it’s been in almost a century — and the gap between the super rich and the poor and middle class people has widened drastically over the last 30 years. Continue lendo

Meltdown – The Men Who Crashed the World

AlJazeeraEnglish, Sept. 21, 2011

The first of a four-part investigation into a world of greed and recklessness that brought down the financial world.

The Book of Jobs: “A Banking System is Supposed to Serve Society, Not the Other Way Around”

Forget monetary policy. Re-examining the cause of the Great Depression—the revolution in agriculture that threw millions out of work—the author argues that the U.S. is now facing and must manage a similar shift in the “real” economy, from industry to service, or risk a tragic replay of 80 years ago.

Joseph E. Stiglitz, Vanity Fair, December 23, 2011

It has now been almost five years since the bursting of the housing bubble, and four years since the onset of the recession. There are 6.6 million fewer jobs in the United States than there were four years ago. Some 23 million Americans who would like to work full-time cannot get a job. Almost half of those who are unemployed have been unemployed long-term. Wages are falling—the real income of a typical American household is now below the level it was in 1997.
We knew the crisis was serious back in 2008. And we thought we knew who the “bad guys” were—the nation’s big banks, which through cynical lending and reckless gambling had brought the U.S. to the brink of ruin. The Bush and Obama administrations justified a bailout on the grounds that only if the banks were handed money without limit—and without conditions—could the economy recover. We did this not because we loved the banks but because (we were told) we couldn’t do without the lending that they made possible. Many, especially in the financial sector, argued that strong, resolute, and generous action to save not just the banks but the bankers, their shareholders, and their creditors would return the economy to where it had been before the crisis. In the meantime, a short-term stimulus, moderate in size, would suffice to tide the economy over until the banks could be restored to health. Continue lendo

O mundo já ingressou na segunda fase da crise

 Armando Boito Júnior entrevista Gerárd Duménil, Jornal da Unicamp, 12 a 18 de dezembro de 2011.

Você vem pesquisando o capitalismo neoliberal há muito tempo. Na sua análise, como se deve caracterizar essa etapa atual do capitalismo?

O neoliberalismo é a nova etapa na qual ingressou o capitalismo com a transição dos anos 70 e 80. Eu e Dominique Lévy falamos de uma nova “ordem social”. Com essa expressão nós designamos a configuração de poderes relativos de classes sociais, dominações e compromissos. O neoliberalismo se caracteriza, desse modo, pelo reforço do poder das classes capitalistas em aliança com a classe dos gerentes (classe des cadres) – sobretudo as cúpulas das hierarquias e dos setores financeiros.

No decorrer dos decênios posteriores à Segunda Guerra Mundial, as classes capitalistas viram o seu poder e suas rendas diminuírem sensivelmente na maior parte dos países. Simplificando, nós poderíamos falar numa ordem “social-democrata”. As circunstâncias criadas pela crise de 1929, a Segunda Guerra Mundial e a força internacional do movimento operário tinham conduzido ao estabelecimento dessa ordem social relativamente favorável ao desenvolvimento econômico e à melhoria das condições de vida das classes populares – operários e empregados subalternos. O termo “social-democrata” para caracterizar essa ordem social se aplicava, evidentemente, melhor à Europa que aos Estados Unidos. Continue lendo

Não há sinal de aprendizado dos líderes

A Alemanha e a França não estão simplesmente no rumo errado, elas não se importam com os países pobres do bloco, e o Reino Unido, único país a se recusar a aderir ao tratado, ainda não aprendeu nada sobre a crise. A opinião é do economista americano James Galbraith, filho de John K. Galbraith. Professor da Universidade do Texas, Austin, e autor dos livros “O Estado predatório” e “How Conservatives Abandoned the Free Market and why Liberals Should Too”, que está no Brasil para palestra no BNDES para um balanço de três anos de crise. “Não há sinal de aprendizado por parte dos líderes”, dispara.

Clarice Spitz entrevista James Galbraith, O Globo, 10 de dezembro de 2011

Três anos depois, Europa e Estados Unidos estão diante de uma iminente recessão. A crise não terminou?

É a continuidade da mesma sequência de eventos financeiros. A situação é agravada na Europa por ideias econômicas muito ruins, estrutura institucional muito fraca e uma grande diferença de interesses entre os sistemas bancários no bloco. Não há sinal de aprendizado por parte dos líderes tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. O Reino Unido se recusou a assinar o novo tratado para a União Europeia (UE)… Continue lendo

Economic crisis: fighting back – We need a third way, now

Globalisation has brought economic disaster, but anti-globalisation isn’t the answer. There is an alternative.

Jean-Marie Harribey, Le Monde diplomatique (english edition), October 1, 2011

The financial sector has brought society almost to breaking point. The economic edifice is tottering, and the ideological veil that hid its true face has been torn away. The high priests of globalisation have ceased their hymn of praise to the efficiency of the markets, and a debate has arisen over its opposite: deglobalisation. This debate is unusual: it does not set believers in the current orthodoxy against non-believers, but divides the economists and politicians who objected to the tyranny of the financial markets, especially during the campaign against the ratification of the European constitutional treaty. Continue lendo