Não devemos, não pagamos

Esther Vivas,  1 de outubro de 2012

“A dívida: paga-se ou paga-se”. Ela foi gravada em nós a ferro e fogo; é como uma dessas máximas que, ao ser repetida inúmeras vezes, se converte em verdade absoluta. Porém, isso é correto? E se a dívida hipoteca nosso futuro? E se a dívida não foi contraída por nós? Então, por que pagá-la?

Anteontem o Ministro da Fazenda, Cristóbal Montoro, apresentava o projeto de Lei dos Orçamentos Gerais do Estado. Tudo, ou praticamente tudo, calculado por baixo. A saúde encabeça a lista, com uns 22,6% de recortes; a educação perde 17,4%. Querem que fiquemos doentes e analfabetos. Também diminui o seguro desemprego, os fundos destinados às políticas de igualdade, as subvenções à cultura, à cooperação ao desenvolvimento… E, o que sobe? Somente os juros da dívida! Continue lendo

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Espanha: medidas visam salvar a banca alemã

O objetivo dos cortes orçamentais anunciados pelo governo Rajoy tem pouco a ver com recuperar a economia espanhola, mas sim com o pagamento da dívida, com altos juros, aos bancos europeus, incluindo aos alemães.

Vicenç Navarro, Esquerda.net, 12 de julho de 2012

Uma das teses promovidas com mais afinco nos círculos neoliberais do país é que a Espanha entrou e permanece em crise devido aos seus excessivos gastos públicos e à falta de disciplina fiscal. Desta tese conclui-se que é preciso reduzir os gastos públicos e recuperar a famosa disciplina fiscal, reduzindo o défice público para alcançar o nível exigido pelo Pacto de Estabilidade (3% do PIB). Continue lendo

Günter Grass critica Merkel e apoia Grécia em novo poema controverso

O escritor Günter Grass voltou a publicar um poema no jornal alemão Süddeutsche Zeitung, desta vez a criticar a política da Europa em relação à Grécia, lamentando que esta, por estar a enfrentar uma crise económica, esteja a ser humilhada. “A Vergonha da Europa” é o título do poema.

Esquerda.net, 28 de maio de 2012

Quase dois meses depois de ter comparado Israel com as ditaduras, Günter Grass voltou a publicar um poema no jornal alemão Süddeutsche Zeitung desta vez a criticar a política da Europa em relação à Grécia, lamentando que esta, por estar a enfrentar uma crise económica, esteja a ser humilhada. Continue lendo

A gestão do capitalismo no governo da srª Dilma

Estado máximo, só para os bancos

Maria Lucia Fattorelli, Auditoria Cidadã da Dívida

Em meio a insistentes ataques da grande mídia à “corrupção” de autoridades dos três poderes institucionais, uma verdadeira corrupção institucional está ocorrendo no campo financeiro e patrimonial do país, destacando-se: privatização da previdência dos servidores públicos, privatização de jazidas de petróleo — inclusive do pré-sal –, privatização dos aeroportos mais movimentados do país, privatização de rodovias, privatização de hospitais universitários, privatização de florestas, privatização da saúde, educação, segurança… Continue lendo

Las diversas facetas de la crisis europea

Alberto Rabilotta, ALAI, 27 de abril de 2012

La primera ronda de la elección presidencial en Francia y la lucha política para la segunda ronda, el 6 de mayo, puso el dedo en la inflamada llaga de la crisis financiera, monetaria y económica que afecta a la Unión Europea (UE), y expuso la faceta faltante, la profunda crisis política que viene gestándose en el interior mismo del modelo neoliberal. Continue lendo

O acordo da Cúpula europeia é inaceitável

Decisões adiam os problemas sem os resolver. Uma vez mais os banqueiros saem-se muito bem: os títulos gregos já sofriam uma queda de 65 a 80% no mercado secundário. A redução da dívida grega é totalmente insuficiente.

Pascal Franchet, Yorgos Mitralias, Griselda Pinero, Eric Toussaint, Esquerda.net, 29 de outubro de 2011

O acordo concluído na madrugada de 27 de Outubro de 2011 não representa uma solução para a crise da zona Euro tanto no plano da crise bancária quanto no da dívida soberana ou do Euro. As decisões que foram tomadas adiam os problemas sem os resolver de forma satisfatória. O CADTM considera que este acordo é inaceitável. Continue lendo

O espectro da moratória percorre a Europa

As autoridades económicas europeias poderão superar a crise? Para isso será necessário vencer o dogmatismo neoliberal na Europa e ir por outro caminho.

Alejandro Nadal,  La Jornada / Esquerda.net,14 de Setembro de 2011. Tradução de Carlos Santos para esquerda

A crise na Europa começa uma nova e perigosa etapa. Já quase ninguém descarta a possibilidade de uma moratória na Grécia, seja unilateral ou ditada pelos poderes da União Europeia. Parece que a única pergunta é: quando?

Muito simplesmente, o plano de resgate para a Grécia não funcionou. Era lógico: os pacotes de resgate de tipo neoliberal conduziram a uma contracção brutal da economia: o PIB reduziu-se 7,3% no segundo trimestre deste ano. Com estas receitas de austeridade é normal que as metas definidas não tenham sido alcançadas. Em resumo, os planos de resgate acabaram por afundar a economia deste país. Continue lendo

A China pode comprar a Grécia

Reservas chinesas poderiam “resolver” crise; mas China teria de mandar no mundo e poupar menos”

Reportagem de Vinícius Torres Freire, jornalista, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 13-09-2011.

E se a China comprar a Grécia? O que aconteceria se a China incorporasse a Grécia como sua província mais ocidental?

A dívida grega desapareceria no mar de haveres chineses. Assim desapareceria um fator imediato do tumulto mundial. No limite, a megapoupança chinesa poderia resolver grande parte dos problemas financeiros do mundo.

Parece piada, se a coisa é posta nesses termos. Mas não se trata mais de piada, e os termos não são muito diferentes do absurdo.

Rumor ou não, ontem “os mercados” se acalmaram depois de ouvir que a Itália foi pedir um dinheiro à China, segundo o “Financial Times”.

A Itália está no bico do corvo. Paga juros cada vez mais altos para rolar sua dívida. Ontem, teve um dia de cão pegando dinheiro caro com seus credores. Os credores cobram juros maiores porque, acham, subiu o risco de a Itália dar calote (o país deve muito e “ganha pouco”: seu PIB cresce pouco). Continue lendo