Portugal: um milhão exige demissão do governo

Maior manifestação desde o 1º de maio de 1974 exigiu a demissão de Passos Coelho, a saída da troika de Portugal e o fim da austeridade, que “deu maus resultados em todo o lado no mundo”. Organizadores propõem uma greve geral popular que pare efetivamente o país e convocam uma nova manifestação para a frente do palácio de Belém na 6ª feira às 18h, dia do Conselho de Estado.

Esquerda.net, 15 de setembro de 2012

O repórter do Esquerda.net esteve há 38 anos na manifestação do 1º de maio em Lisboa, em 1974, e apenas essa – que terá reunido um milhão de pessoas – foi maior que aquela que este sábado decorreu entre a Praça José Fontana e a Praça de Espanha. Mesmo a manifestação da “Geração à Rasca”, a 12 de março do ano passado, que reuniu cerca de 200 mil pessoas, foi superada largamente pela que desfilou sob o lema “Que se lixe a troika, queremos as nossas vidas”. Assim, o número de um milhão de pessoas em todo o país, apesar de não confirmado, não parece exagerado. Além disso, a jornada deste sábado realizou-se também em outras 33 cidades do país e pelo menos seis no estrangeiro, quando se reuniram mais muitos milhares – só no Porto ter-se-ão manifestado 150 mil pessoas. Continue lendo

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Economia chinesa na encruzilhada e Bolsa de Xangai em queda livre

A desaceleração económica da China aprofunda-se à medida que a crise europeia não dá sinais de recuperação e que a economia dos Estados Unidos se mantém estagnada.

Marco Antonio Moreno, Esquerda.net / El Blog Salmon, 6 de setembro de 2012

Durante os últimos meses a economia chinesa desafiou as expectativas e desacelerou de forma muito mais dramática, fazendo temer que a aterragem não seja tão suave como se previa. O curso seguido pelo índice bolsista de Xangai (Shanghai Composite Index) demonstra que é uma tendência inegável e que a China não escapa à pandemia que os países do ocidente vivem. Numa breve síntese: a economia da China começa a mostrar a sua debilidade para conter a crise que se vive no ocidente e desacelera mais rapidamente do que foi previsto. Continue lendo

Desinformação manipulada sobre o Banco Central Europeu

A informação que está a ser propagada sobre o Banco Central Europeu não corresponde à realidade. Leia estes seis esclarecimentos para compreender corretamente a natureza dessa instituição e os interesses que defende.

Vicenç Navarro, Esquerda.net, 16 de agosto de 2012

É importante corrigir a informação sobre o Banco Central Europeu que está a ser propagada nos círculos económicos e financeiros dominantes (tanto na União Europeia quanto na Espanha) e que não reflete corretamente a natureza dessa instituição. Comecemos pelo elevado prémio de risco espanhol, que é atribuído à especulação dos mercados financeiros contra a dívida pública do Estado espanhol, o que não é correto. Que os mercados financeiros especulem é intrínseco à forma como funcionam esses mercados. Mas, repito uma vez mais (ver os meus artigos sobre o tema no meu blog) que a instituição responsável e que determina os juros da dívida pública espanhola e dos países da zona euro é o Banco Central Europeu (BCE) que, durante mais de cinco meses, não comprou dívida pública. Esta é a razão de o prémio de risco espanhol estar pelas nuvens. Enquanto o BCE não comprar dívida pública espanhola, esta continuará vulnerável àquela especulação. A única instituição (repito, a única) que pode fazer descer o prémio de risco é o BCE. Tentar baixar o défice público, cortando e cortando, para “dar confiança aos mercados”, é ou uma frivolidade que reflete uma enorme ignorância de como funciona o sistema financeiro na zona euro, ou uma manipulação para fazer crer que os cortes são necessários para baixar os juros da dívida pública. Continue lendo

O espectro da moratória percorre a Europa

As autoridades económicas europeias poderão superar a crise? Para isso será necessário vencer o dogmatismo neoliberal na Europa e ir por outro caminho.

Alejandro Nadal,  La Jornada / Esquerda.net,14 de Setembro de 2011. Tradução de Carlos Santos para esquerda

A crise na Europa começa uma nova e perigosa etapa. Já quase ninguém descarta a possibilidade de uma moratória na Grécia, seja unilateral ou ditada pelos poderes da União Europeia. Parece que a única pergunta é: quando?

Muito simplesmente, o plano de resgate para a Grécia não funcionou. Era lógico: os pacotes de resgate de tipo neoliberal conduziram a uma contracção brutal da economia: o PIB reduziu-se 7,3% no segundo trimestre deste ano. Com estas receitas de austeridade é normal que as metas definidas não tenham sido alcançadas. Em resumo, os planos de resgate acabaram por afundar a economia deste país. Continue lendo

Enlouquecendo de vez

Obama ofereceu, para ampliar o limite do endividamento na negociação no Congresso, termos que estão muito à direita daquilo que prefere o eleitor americano médio

Paul Krugman, The New York Times/O Estado de S.Paulo, 16 de julho de 2011

Não há muitos aspectos positivos na crescente possibilidade de uma moratória na dívida americana. Mas sou obrigado a reconhecer que há um elemento de alívio cômico – no sentido do humor negro – no espetáculo proporcionado pelas pessoas que insistiram na negação e agora despertam para se deparar com tanta loucura. Continue lendo

Dívida dos ricos chega a 61% do PIB global

Endividamento chega a US$ 42 trilhões nos países desenvolvidos

Fernando Dantas, O Estado de S.Paulo, 23 de abril de 2011

RIO – A dívida de um punhado de países ricos aumentou em US$ 16 trilhões (mais que o PIB americano) desde 2007, e atinge hoje US$ 42 trilhões, ou 61% do PIB global, representando uma das principais ameaças à recuperação da economia mundial. Continue lendo

O povo que insiste em dizer “Não!”

Os islandeses voltaram a dizer “Não!”: “não assumimos a responsabilidade dos erros cometidos por um banco”. Se quisermos fazer uma equivalência directa ao que se passa actualmente em Portugal, o que os islandeses fizeram foi recusar salvar o seu BPN pelos erros que cometeu.

Esquerda.net, Marisa Matias, 17 de abril de 2011

Da Islândia pouco se tem falado em Portugal. Em situações normais, este fato não seria relevante. Mas não é de situações normais que estamos a falar. Trata-se de um país europeu mergulhado na crise, tal como nós, que sofre já da austeridade imposta pelo FMI, a quem já batemos à porta. Numa altura como estas devia, pois, falar-se da Islândia, e muito. Continue lendo

A Islândia nos limites da democracia

O que se passa na Islândia é a resistência popular a levar ao limite as possibilidades que lhe são institucionalmente atribuídas. E é, nesse sentido, uma exposição crua dos limites à soberania popular da presente configuração da ordem económica.

Esquerda.net, Mariana Santos, 16 de abril de 2011

Já tentaram tudo. Mas nem propostas de revisões dos juros exigidos (de 5,5% para 3%) e do prazo de pagamento (que se poderia estender até 2045), nem as já clássicas ameaças de downgrading por parte das agências de rating convenceram os islandeses a pagar as dívidas dos seus bancos falidos. Continue lendo

Islândia: população volta a dizer “não” ao pagamento da dívida com os bancos

s islandeses votaram, novamente, em referendo que o Estado não deve pagar a dívida de cerca de quatro mil milhões de euros à Holanda e ao Reino Unido. De acordo com os resultados já anunciados, o “não” ganhou com quase 60 por cento.

Esquerda.net, 10 abril de 2011

Na Islândia, a palavra de ordem “não pagamos a crise deles” é mesmo o mote que indica o caminho. Segundo os dados já disponibilizados pela televisão islandesa, 58 por cento dos eleitores votaram “não” e 42 por cento votaram “sim” ao pagamento de quase quatro mil milhões de euros a credores externos, nomeadamente à Inglaterra e à Holanda. Continue lendo

Cuando el sueño americano se transforma en pesadilla

Aram Aharonian, ALAI , 11 de enero de 2011

Mientras la prensa hegemónica difunde cartelizadamente la “realidad virtual” de que Estados Unidos, primera potencia mundial, parece estar saliendo de la crisis económica, los sociólogos alertan sobre la muerte del “sueño americano”, hecho reconocido incluso por Timothy Geithner, el Secretario del Tesoro, quien en los primeros días del año señaló que “Estados Unidos está al borde de la insolvencia”. Continue lendo