Ferrovia e mineração, casamento impotente diante da pobreza brasileira

ferrovia_A Ferrovia Carajás, considerada a mais eficiente do Brasil, mantém um serviço de passageiros que lhe causa perdas, para beneficiar a população. Porém, isso pouco alivia seu pecado original: nasceu para exportar minerais, cruzando uma região de pobreza crônica. Três décadas depois de sua construção, o corredor de Carajás, por onde passa um terço do minério de ferro exportado pelo Brasil, continua sendo provedor de mão de obra barata para regiões mais prósperas e grandes projetos amazônicos, segundo a IPS constatou ao percorrer a área.

Mario Osava, IPS / Envolverde, 27 de fevereiro de 2014

Auzilândia, povoado de 12 mil habitantes e humildes casas dos dois lados dos trilhos, “fica vazia” ao final de cada ano, segundo Leide Diniz. Seu marido foi, “pela segunda vez”, para o Estado de Santa Catarina, mais de três mil quilômetros ao sul, viajando três dias em ônibus. Deixou seus três filhos com ela em novembro, para trabalhar em um restaurante durante a temporada turística de verão. “Ganha e volta”, se conforma a mulher, porque “aqui não tem emprego”, explicou. Continue lendo

Mundo perde 62 milhões de empregos

yacht-landscape-billion-oxfam-460A crise financeira iniciada em 2008 expulsou do mercado de trabalho 62 milhões de pessoas no mundo e, hoje, 202 milhões de pessoas estão desempregadas, o equivalente a um Brasil inteiro. Enquanto isso, uma elite composta por apenas 85 indivíduos controla o equivalente à renda de 3,5 bilhões de pessoas no mundo.

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo, 21 de janeiro de 2014

Dados divulgados nesta segunda-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela entidade Oxfam revelam o impacto social da crise de 2008. Meia década depois do colapso dos mercados, os ricos estão mais ricos e a luta contra a pobreza sofreu forte abalo. Hoje, 1% da população mundial tem metade da riqueza global. Continue lendo

Manifestações de rua acendem alerta no G-20

20jun2013---milhares-de-pessoas-seguem-em-protesto-no-centro-do-recife-pe-nesta-quinta-feira-segundo-a-secretaria-de-defesa-social-a-manifestacao-reune-100-mil-pessoas-dez-foram-detidas-pela-pm-1371764710675_1920xPreocupação sobre a coesão social, diante do desemprego recorde e da desconfiança generalizada nas instituições, marcará a primeira reunião de ministros das Finanças e do Trabalho das maiores economias desenvolvidas e emergentes, reunidas no G-20, amanhã em Moscou.

“Há um sentido de urgência, as autoridades estão um pouco assustadas, eu diria mesmo com um pouco de medo”, afirmou uma autoridade internacional. “A perda de confiança é generalizada. Governos, partidos políticos, bancos ou sindicatos, ninguém escapa.”

Assis Moreira, Valor, 18 de julho de 2013

Manifestações de rua ocorreram na Rússia, Indonésia, Índia, África do Sul, Chile, Peru, Turquia e Brasil. Sem falar da nações mais em crise na Europa, como Portugal, Grécia e Espanha, onde o desemprego está em 18% no primeiro país e 27% nos outros dois.

Centrais sindicais compareceram em peso a Moscou desta vez. A Confederação dos Sindicatos Alemães apareceu com um plano de desenvolvimento, investimento e retomada econômica da Europa que acredita poder juntar parceiros sociais, políticos e sociedade civil. Continue lendo

Protestos – de onde vêm e para onde irão

Washington Novaes, O Estado de S.Paulo, 21 de junho de 2013

Ao mesmo tempo que se amiúdam na comunicação análises preocupadas com a situação econômica do País, vão-se tornando mais frequentes também manifestações populares de inconformismo e desapreço por governos, de protesto contra preço e qualidade de transportes, custo de vida, insatisfação com a saúde e educação ou ainda por causa do custo de construção de estádios de futebol. Que significado político mais amplo podem ter? Muitos, certamente. Mas índices de inflação e custos de alimentos têm tido presença importante. Continue lendo

OIT alerta que mundo terá 208 milhões de desempregados em 2015

desempregoOIT alerta que mundo terá 208 milhões de desempregados em 2015
Cinco anos depois do início da crise econômica mundial, o mercado de trabalho ainda sofre e está longe de retornar ao nível de antes da turbulência. Relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) com o tema “Reparando o tecido econômico e social” estima que o número de desempregados no mundo chegue a 207,8 milhões em 2015, frente aos cerca de 200 milhões atuais.

Lucianne Carneiro, O Globo, 3 de junho de 2013

O déficit frente ao número de empregos de antes da crise ainda é de 14 milhões de vagas. Se considerarmos os 16,7 milhões de jovens que chegarão ao mercado ainda este ano, a falta de postos de trabalho é estimada em 30,7 milhões em 2013.  O cenário traçado pela OIT é de uma situação desigual, em que economias emergentes e em desenvolvimento mostram uma recuperação muito mais rápida que a de economias avançadas. Continue lendo

As ‘coisas indescritíveis’ do mundo do consumo

Washington Novaes, O Estado de S.Paulo, 19 de outubro de 2012

O historiador Eric J. Hobsbawn, que morreu no começo da semana passada, deixou livros em que caracterizou de forma contundente os tempos que estamos vivendo. “Quando as pessoas não têm mais eixos de futuros sociais acabam fazendo coisas indescritíveis”, escreveu ele no ensaio Barbárie: Manual do Usuário (Estado, 2/10). Ou, então, “aí está a essência da questão: resolver os problemas sem referências do passado”. Por isso, certamente Hobsbawn não se espantaria com a notícia estampada neste jornal poucos dias antes de sua morte: Na Espanha, cadeados nas latas de lixo (27/9). “Com cada vez mais pessoas vivendo de restos, prefeitura (de Madri) tranca as latas como medida de saúde pública.” Nada haveria a estranhar num país onde a taxa de desemprego está por volta de 25%, 22% das famílias vivem na pobreza e 600 mil não têm nenhuma renda. Continue lendo

Desemprego na Europa bate novo recorde: 25 milhões

O desemprego na zona do euro quebrou um novo recorde histórico no mês de agosto. Dados revelados ontem pelo Escritório Estatístico das Comunidades Europeias (Eurostat), de Bruxelas, indicam que 25 milhões de pessoas – ou 11,4% da população ativa – estão desempregadas na União Europeia. No agregado dos últimos 12 meses, o desemprego cresceu 1,2%. Para a União Europeia, os números apontam para um provável “desastre econômico e social”.

Andrei Netto, O Estado de S. Paulo, 2 de setembro de 2012

Os números revelados ontem comprovam o que institutos nacionais de estatísticas já vinham anunciando. De norte a sul, o desemprego vem aumentando mês após mês e pelo 16.º período consecutivo superou a barreira dos 10%. São 2,14 milhões a mais de trabalhadores sem postos na zona do euro em apenas um ano. Continue lendo

90 Million Workers Won’t Be Needed By 2020, Study Says

Bonnie Kovoussi, The Huffington Post, June 19, 2012

Tens of millions of people worldwide will be condemned to long-term joblessness unless global leaders make significant changes to address unemployment and worker training, according to a new study.

Between 90 and 95 million low-skill workers — or 2.6 percent of the global workforce — will not be needed by employers by 2020 and will be vulnerable to permanent joblessness, according to a report released Thursday by the McKinsey Global Institute. Continue lendo

Ni presente, ni futuro

Com desemprego em 50%, jovens espanhóis que não ganhavam nem 1.000 hoje ganham menos e emigram

Juliana Sayuri entrevista Javier de Lucas, O Estado de S.Paulo, 7 de abril de 2012

Quiçá destino. Pois emprego não há. Na semana passada, a Espanha foi palco de uma greve geral – trabalhadores cruzaram os braços, indignados fizeram manifestações em 110 cidades espanholas. A paralisação nacional do dia 29 de março confrontava as medidas de austeridade e reformas trabalhistas propostas pelo primeiro-ministro Mariano Rajoy.

Depois da algazarra espanhola, o silêncio europeu. Na terça-feira, dia 3, índices minavam expectativas esperançosas no continente mais uma vez. O desemprego na zona do euro hasteou o nível mais elevado desde 1997, com mais de 17,1 milhões de pessoas sem trabalho. As maiores altas foram justamente na Espanha, onde a taxa de desemprego entre jovens está na casa dos 50,5%, ingrato recorde que derruba o “conquistado” pelo país em 1986. Na quarta, as ações castelhanas despencaram, arrastando novamente os mercados europeus. Continue lendo

Less Work, More Living

Working fewer hours could save our economy, save our sanity, and help save our planet.

Juliet Schor, YES! Magazine, September 6, 2011

Millions of Americans have lost control over the basic rhythm of their daily lives. They work too much, eat too quickly, socialize too little, drive and sit in traffic for too many hours, don’t get enough sleep, and feel harried too much of the time. It’s a way of life that undermines basic sources of wealth and well-being—such as strong family and community ties, a deep sense of meaning, and physical health. Continue lendo

Colapsos

Juan Gelman
Rebelión

“Irresponsabilidad. Egoísmo. Actuar como si los actos no tuvieran consecuencias. Hijos sin padres. Escuelas sin disciplina. Recompensas sin esfuerzo. Crimen sin castigo. Derechos sin responsabilidades. Comunidades fuera de control. Algunos de los peores aspectos de la naturaleza humana tolerados, consentidos –a veces hasta incentivados– por un Estado y sus organismos que en parte han perdido literalmente la moral.” El primer ministro británico David Cameron explicó así la violencia desatada en Tottenham, uno de los barrios más pobres de Londres, y en otras ciudades de Inglaterra (www.guardia.co.uk, 15/8/11). Calificó la situación de “colapso moral”.

Olvidó señalar que la desocupación entre los jóvenes londinenses asciende al 23 por ciento y es aún más alta en el interior del país. O que los costos de la educación universitaria la convierten en algo prohibido, salvo para los hijos de familias ricas: 15 mil dólares anuales. Olvidó sobre todo el costo de 30 años de thatcherismo para amplias capas de la sociedad británica, las comunidades devastadas por la desindustrialización cualquiera fuese el color de la autoridad, conservador o laborista. Continue lendo

La rebelión de l@s indignad@s.

Notas desde la Plaza Tahrir de Barcelona

Josep Maria Antentas e Esther Vivas

Ya no hay dudas. El viento que ha electrizado el mundo árabe en los últimos meses, el espíritu de las protestas reiteradas en Grecia, de las luchas estudiantiles en Gran Bretaña e Italia, de las movilizaciones anti-Sarkozy en Francia…ha llegado al Estado español.

No son estos, pues, días de business as usual. Las confortables rutinas mercantiles de nuestra “democracia de mercado” y sus rituales electorales y mediáticos se han visto abruptamente alteradas por la irrupción imprevista en la calle y el espacio público de la movilización ciudadana. Esta “rebelión de l@s indignad@s” inquieta a las élites políticas, siempre incómodas cuando la población se toma en serio la democracia…y decide empezar a practicarla por su cuenta. Continue lendo

Un día en la república de Sol

Los indignados acampados en el kilómetro cero construyen una pequeña sociedad espontánea y dan forma a su proyecto organizados de manera horizontal

Inés SantaEulalia, El Pais, 19 de mayo de 2011

Ni la Junta Electoral Provincial, que decidió no autorizar la concentración convocada a las 20.00 de ayer en el kilómetro cero, ni la lluvia, que hizo su aparición al caer la noche. Nada pudo con la multitud de los indignados. La Puerta del Sol ya era una ciudad en miniatura apenas 12 horas después de que los miles de asistentes a la primera concentración del martes decidieran montar un campamento hasta el día de las elecciones. Continue lendo

Cidades brasileiras já se aproximam de nível ”norueguês” de desemprego

No embalo da forte demanda interna, que puxa a economia, regiões mais prósperas estão alcançando os níveis de desemprego mais baixos já registrados no País. A taxa de desemprego na região metropolitana de Porto Alegre em outubro caiu para 3,7%, comparável com padrões noruegueses, um dos mais baixos do mundo. Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo também se destacam pelos índices reduzidos, segundo dados do IBGE.

Glauber Gonçalves, O Estado de S. Paulo, 5 de dezembro de 2010

Os indicadores excepcionais levantam questionamentos sobre a sustentação do desempenho e não escondem que o Brasil precisa avançar muito para se aproximar da realidade de países mais desenvolvidos. A queda do número de desocupados, embora positiva para o País, traz um problema: a falta de mão de obra disponível no mercado de trabalho. Continue lendo

Cuba: adeus ao subsídio de desemprego

O ministério do Trabalho emite regulamento para permitir o despedimento de meio milhão de pessoas: entra em vigor a reforma económica

Gerardo Arreola, La Jornada / Esquerda.net, 14 de novembro de 2010

A reforma económica entrou oficialmente em vigor com a publicação, na Gaceta Oficial, do pacote legal que, entre outras medidas, marca o fim de quase cinco décadas em que o Estado cubano garantiu a todos os trabalhadores um posto de trabalho ou um subsídio de desemprego que podia prolongar-se por tempo indefinido. Continue lendo

Desemprego cresce entre os mais pobres

Marcelo Rehder, O Estado de S. Paulo, 12 de outubro de 2010

A parcela mais pobre da população desempregada não foi beneficiada pela reativação do mercado de trabalho nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil. Entre agosto de 2004 e agosto deste ano, a taxa de desemprego dos 20% mais pobres (com renda per capita domiciliar inferior a R$ 203,3 por mês) saltou de 20,7% para 26,27%, enquanto o desemprego total caiu de 11,4% para 6,7%.

Entre os 20% mais ricos (com renda per capita domiciliar superior a R$ 812,3 mensais) a taxa de desocupação despencou de 4,04% para 1,4% nesse mesmo período. Continue lendo

Direita e Esquerda: para onde vai esse debate nos EUA

Dean Baker, Sin Permiso / Carta Maior, 16 de setembro de 2010

A renda dos trabalhadores é um custo para os ricos. Eles tratarão de cortar tudo o que possam e onde possam, sejam salários dos trabalhadores do setor privado, pensões dos funcionários ou seguridade social dos aposentados. Esse é o seu objetivo. Na luta em resposta a isso temos de nos servir da mesma lógica. Sua renda é nosso custo: os bônus multimilionários para os assistentes de Wall Street é uma drenagem direta praticada na economia.A esquerda tem de se preparar para usar as mesmas táticas, a fim de trazer para o lado de cá a renda dos ricos e dos poderosos, as mesmas táticas que eles usaram para reduzir a renda dos demais. Continue lendo

Recessão mundial já destruiu 30 milhões de empregos

Para os trabalhadores, a crise continua, registando-se a subida do número de desempregados a nível mundial para 210 milhões. Agora é o presidente do FMI que diz que “a vida, a segurança e a dignidade de milhões de pessoas está sob ameaça”.

Esquerda.net, 14 de setembro de 2010

De acordo com o relatório divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a crise gerou em três anos 30 milhões de desempregados, o que elevou para 210 milhões o número de desempregados a nível mundial. Continue lendo

Ponzi Solitário

Immanuel Wallerstein, Esquerda.net, 14 de setembro de 2010

Ler os jornais pode ser uma experiência surpreendente. Em 26 de Julho deste ano, os jornais dos EUA publicaram dois artigos bastante contraditórios. No primeiro, o USA Today escreveu acerca da sua previsão quadrimestral de economistas. O título dizia: “Cai o optimismo dos economistas”. Parece que a combinação de “turbulência na Europa, crescimento de emprego sem brilho, um fraco mercado de habitação e uma diminuição da produção industrial” tornam muito improvável que os Estados Unidos consigam recuperar a perda de 8,5 milhões de empregos “a um ritmo mais que glaciar”. Além disso, temem a “instabilidade financeira global”. Continue lendo

Taxa mundial de desemprego jovem atinge nível histórico

Esquerda.net, 12 de agosto de 2010

OIT defende que crise económica é oportunidade para lançar estratégias de combate ao desemprego jovem que registou em 2009 a taxa mais alta de sempre, 13%, correspondente a 81 milhões de pessoas – e deverá ainda aumentar este ano.
Os números foram divulgados nas conclusões do relatório “Tendências Mundiais do Emprego Jovem 2010”. Continue lendo