Mundo perde 62 milhões de empregos

yacht-landscape-billion-oxfam-460A crise financeira iniciada em 2008 expulsou do mercado de trabalho 62 milhões de pessoas no mundo e, hoje, 202 milhões de pessoas estão desempregadas, o equivalente a um Brasil inteiro. Enquanto isso, uma elite composta por apenas 85 indivíduos controla o equivalente à renda de 3,5 bilhões de pessoas no mundo.

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo, 21 de janeiro de 2014

Dados divulgados nesta segunda-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela entidade Oxfam revelam o impacto social da crise de 2008. Meia década depois do colapso dos mercados, os ricos estão mais ricos e a luta contra a pobreza sofreu forte abalo. Hoje, 1% da população mundial tem metade da riqueza global. Continue lendo

OIT alerta que mundo terá 208 milhões de desempregados em 2015

desempregoOIT alerta que mundo terá 208 milhões de desempregados em 2015
Cinco anos depois do início da crise econômica mundial, o mercado de trabalho ainda sofre e está longe de retornar ao nível de antes da turbulência. Relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) com o tema “Reparando o tecido econômico e social” estima que o número de desempregados no mundo chegue a 207,8 milhões em 2015, frente aos cerca de 200 milhões atuais.

Lucianne Carneiro, O Globo, 3 de junho de 2013

O déficit frente ao número de empregos de antes da crise ainda é de 14 milhões de vagas. Se considerarmos os 16,7 milhões de jovens que chegarão ao mercado ainda este ano, a falta de postos de trabalho é estimada em 30,7 milhões em 2013.  O cenário traçado pela OIT é de uma situação desigual, em que economias emergentes e em desenvolvimento mostram uma recuperação muito mais rápida que a de economias avançadas. Continue lendo

Em tempo de crises que é feito da ecologia?

Com a crise da financeira e económica instalada, a crise ecológica passou para segundo plano. Mas pior que o “apagão” ecológico, é voltarmos a assistir a um recuo na proteção ambiental mínima existente.

Rita Calvário, Esquerda.net, 13 de outubro de 2012

Com a crise da financeira e económica instalada, a crise ecológica passou para segundo plano. Antes deste irromper, os temas ambientais iam, por exemplo, ocupando alguma parte das notícias, surgiam sempre nos discursos oficiais e faziam parte das campanhas e programas eleitorais (veja-se a sua ausência nas eleições dos EUA). Mesmo com abordagens frequentemente superficiais ou segundo perspetivas pouco interessantes, de algum modo era “imperdoável” não considerar as questões ambientais. Continue lendo

A perda das Bolsas na crise: US$ 10 trilhões viraram pó

 [Embora esta artigo não entre na discussão sobre capital fictício, fornece informações relevantes para dimensionar o impacto da crise sobre a acumulação global de capital, J.C.]

Lucianne Carneiro, O Globo, 9 de setembro de 2012

Bolsas no mundo ainda estão bem abaixo de 2008. Crise será longa, dizem economistas

As bolsas de valores em todo o mundo ainda amargam uma perda de US$ 10,6 trilhões em relação a 2008, quando a crise global se agravou, culminando com a quebra do Lehman Brothers, que completa quatro anos no próximo dia 15 de setembro. Apesar do longo tempo passado desde o marco do início da turbulência financeira, o clima de incertezas permanece. Especialistas estimam que a crise continuará por alguns anos e, no melhor dos cenários, estamos fadados a um período prolongado de baixo crescimento. O desdobramento da crise da dívida na Europa e o abismo fiscal nos Estados Unidos são as principais preocupações de economistas para o cenário atual. Continue lendo

Para além da temporada dos furacões

Não há razão para supor que qualquer forma de normalidade venha a ser recuperada na economia mundial em menos do que quatro ou cinco anos, provavelmente ainda mais

Fernando Cardim de Carvalho,Valor, 11 de setembro de 2012

Segundo ele, “as perspectivas para o Brasil no futuro próximo não podem deixar de ser preocupantes. A ênfase no mercado doméstico é destino, mais do que escolha”. Pois, “o Brasil tem o privilégio de contar com um mercado interno promissor. Resta saber se teremos a perícia necessária para concretizar essa promessa”. Continue lendo

A recuperação económica que não acontece

É um círculo vicioso e não há saída fácil ou aceitável. Pode significar que não há saída alguma. É algo que alguns de nós chamamos crise estrutural da economia-mundo capitalista.

Immanuel Wallerstein, Esquerda.net, 22 de agosto de 2012

A maioria dos políticos e dos especialistas tem o hábito arraigado de prometer tempos melhores no futuro, desde que as suas políticas atuais sejam adotadas. As dificuldades económicas globais que hoje vivemos não trouxeram uma exceção a este comportamento. Seja nas discussões sobre o desemprego nos Estados Unidos, sobre a escalada alarmante dos custos de financiamento da dívida pública na Europa ou sobre o súbito declínio dos índices de crescimento económico na China, na Índia e no Brasil, as expressões de otimismo a médio prazo permanecem na ordem do dia. Continue lendo

Fim do euro seria ‘parada cardíaca’ para a Europa

Fragmentação econômica da Europa interromperia, a curto prazo, os fluxos transacionais de bens, serviços e capitais, com risco de calotes múltiplos.

Nicolas Berggruen, Mohamed El-Erian e Nouriel Roubine, O Estado de S.Paulo, 22 de agosto de 2012

Vozes respeitáveis na opinião dominante estão concluindo que a zona do euro pode não ser mais sustentável. Nessa visão emergente, a Europa faria melhor dividindo-se agora do que mais tarde, quando os custos seriam muito maiores. Mas essa opinião vai longe demais. Ninguém deve duvidar: se a zona do euro se fragmentar totalmente, a Europa fracassará como mercado único e a União Europeia também poderá desmoronar.

No curto prazo, uma fragmentação seria o equivalente econômico e financeiro de uma parada cardíaca para a Europa. Os fluxos transnacionais de bens, serviços e capitais seriam interrompidos na medida em que preocupações com as denominações em moedas sobrepujariam o cálculo de valor normal. Os grandes descompassos entre moedas alimentariam uma tensão financeira corporativa, podendo até causar calotes múltiplos. O desemprego aumentaria. E a provisão de serviços financeiros básicos, dos bancários aos seguros, seriam reduzidos, com uma alta probabilidade de corridas aos bancos nos membros mais vulneráveis da zona do euro. Continue lendo

Lições de história: a política de austeridade na europa

O mundo já está no que deveríamos chamar a Segunda Grande Depressão. Enquanto os Estados Unidos entram plenamente numa nova recessão, a crise na Europa vai de mal a pior. A economia chinesa perde velocidade e os chamados mercados emergentes começarão a sofrer as consequências da crise dentro de poucos meses.

Alejandro Nadal, Esquerda.net / La Jornada, 28 de julho de 2012

A política de austeridade que hoje se aplica na Europa está a mergulhar o continente numa profunda recessão. Num cenário tão desolador é bom olhar para as lições da história. Afinal, não é a primeira vez que se recorre aos dogmas do corte ortodoxo para procurar sair da crise. No que se segue, os leitores podem apreciar os paralelismos com a atual crise e a política de austeridade na Grécia, Espanha, Itália e Portugal. Continue lendo

Con los ojos abiertos. Una mirada para cambiar de disco

Yayo Herrero, Éxodo / Rebelión, 6 de julio de 2012

Dice Jorge Riechmann en un poema titulado Con los ojos abiertos:

“Quiero ver todo lo que va a venir (…) quiero estar en la calle / dentro del laberinto / amaestrando el hambre y la angustia / sin ovillo de hilo y con los ojos abiertos”.

Mirar lo que nos está viniendo en los últimos meses no es fácil. La ofensiva neoliberal sobre todos los aspectos que afectan a la vida de las personas es brutal. En apenas unas semanas vemos desintegrarse delante de nosotras una buena parte de las conquistas sociales que ha costado siglos construir. Los llamados recortes sociales son verdaderas amputaciones de las condiciones básicas de humanidad. Es la destrucción de los resquicios de reciprocidad, de los escasos retazos de solidaridad que permiten que seamos sociedad. Continue lendo

The World Class Struggle: The Geography of Protest

Immanuel Wallerstein, Common Dreams, June 2, 2012

When times are good, and the world-economy is expanding in terms of new surplus-value produced, the class struggle is muted. It never goes away, but as long as there is a low level of unemployment and the real incomes of the lower strata are going up, even if only in small amounts, social compromise is the order of the day.

But when the world-economy stagnates and real unemployment expands considerably, it means that the overall pie is shrinking. The question then becomes who shall bear the burden of the shrinkage – within countries and between countries. The class struggle becomes acute and sooner or later leads to open conflict in the streets. This is what has been happening in the world-system since the 1970s, and most dramatically since 2007. Thus far, the very upper strata (the 1%) have been holding on to their share, indeed increasing it. This means necessarily that the share of the 99% has been going down. Continue lendo

O Capitalismo em Crise e os Meios de a Conjurar

Este é um bom momento para estudar o capitalismo realmente existente. Abandonemos as fantasias cordatas: é mesmo útil saber em que mundo é que se tem os pés assentes, conhecer o poder e as ambições do capital, reconhecer as dificuldades e a vertigem da grande depressão.

Francisco Louçã, Esquerda.net, 24 de fevereiro de 2012

Em 2009, o Financial Times publicou uma série de artigos de debate sobre um tema comum: o “futuro do capitalismo”. A crise financeira anterior e a recessão desse ano de 2009 levaram o jornal a convidar especialistas, governantes e analistas a discutirem este tema. Três anos depois, o mesmo diário convida-nos a lermos um novo debate, desta vez sobre “o capitalismo em crise”. A mudança do enunciado do tema é por si só reveladora da aflição. Continue lendo

Harvey: “Las crisis son necesarias en el capitalismo como una forma de reorganizar el sistema”

Bárbara Schijman entrevista David Harvey, LibreRed.net / Debate, 22 de deciembre de 2011

David Harvey es uno de los geógrafos académicos más citados, así como también un referente indiscutido a la hora de desentrañar la naturaleza cambiante que subyace a las crisis del sistema capitalista y el modo en que ellas despliegan sus alas para moverse geográficamente. En una entrevista con Debate, Harvey explicó el origen de la crisis financiera actual, sus consecuencias, los distintos modos de afrontarla, y los beneficios ocultos de la misma para sectores minoritarios del poder global. Asimismo, Harvey advierte sobre la posibilidad de haber previsto el devenir de los acontecimientos y reivindica la necesidad de buscar alternativas al sistema capitalista tal cual opera hoy. Para ello, propone “mudarnos a una economía de crecimiento cero”, y echar mano a la imaginación humana para lograr el “desarrollo de las capacidades y los poderes humanos”, cuestiones estas últimas “ignoradas por la dinámica del capital”. Continue lendo

Os Estados Unidos contra todo o mundo

Era uma vez um tempo em que os Estados Unidos tinham muitos amigos, ou pelo menos seguidores relativamente obedientes. Nos dias de hoje, parecem já não ter outra coisa senão adversários de todas as cores políticas.

Immanuel Wallerstein, Esquerda.net, 29 de dezembro de 2011

Mais ainda, parecem não estar a sair-se bem nas reuniões com os adversários.

Vejam os acontecimentos de novembro de 2011 e da primeira metade de dezembro. Os EUA tiveram conflitos com a China, com o Paquistão, com a Arábia Saudita, com Israel, com o Irão, com a Alemanha e com a América Latina. Não se pode dizer que tenham levado a melhor em qualquer destas controvérsias. Continue lendo

Meltdown – The Men Who Crashed the World

AlJazeeraEnglish, Sept. 21, 2011

The first of a four-part investigation into a world of greed and recklessness that brought down the financial world.

The Book of Jobs: “A Banking System is Supposed to Serve Society, Not the Other Way Around”

Forget monetary policy. Re-examining the cause of the Great Depression—the revolution in agriculture that threw millions out of work—the author argues that the U.S. is now facing and must manage a similar shift in the “real” economy, from industry to service, or risk a tragic replay of 80 years ago.

Joseph E. Stiglitz, Vanity Fair, December 23, 2011

It has now been almost five years since the bursting of the housing bubble, and four years since the onset of the recession. There are 6.6 million fewer jobs in the United States than there were four years ago. Some 23 million Americans who would like to work full-time cannot get a job. Almost half of those who are unemployed have been unemployed long-term. Wages are falling—the real income of a typical American household is now below the level it was in 1997.
We knew the crisis was serious back in 2008. And we thought we knew who the “bad guys” were—the nation’s big banks, which through cynical lending and reckless gambling had brought the U.S. to the brink of ruin. The Bush and Obama administrations justified a bailout on the grounds that only if the banks were handed money without limit—and without conditions—could the economy recover. We did this not because we loved the banks but because (we were told) we couldn’t do without the lending that they made possible. Many, especially in the financial sector, argued that strong, resolute, and generous action to save not just the banks but the bankers, their shareholders, and their creditors would return the economy to where it had been before the crisis. In the meantime, a short-term stimulus, moderate in size, would suffice to tide the economy over until the banks could be restored to health. Continue lendo

Europa gravemente herida

Guillermo Almeyra, La Jornada, 6 de noviembre de 2011

El socialista Giorgios Papandreou no quiso pasar a la historia de Grecia como el hombre que anuló la soberanía nacional para salvar a los banqueros y aceptó un estatus semicolonial para su país, con funcionarios extranjeros que controlarían su economía y su política. Para salvar su responsabilidad pidió un voto de confianza en el Parlamento y, sobre todo, convocó para diciembre un referéndum popular para que la ciudadanía decida si acepta o no el plan que, a costa de los griegos, permitiría a los grandes banqueros salir del brete donde se metieron. Después, tras perder su mayoría absoluta en el Parlamento y bajo presión franco-alemana, anuló el referéndum y tratará de formar un gobierno de unidad nacional con la derecha, aún más débil y desprestigiado que el actual.

La Unión Europea (léase los capitales franco-alemanes y sus agentes gubernamentales), ante esa crisis, abandona a Grecia a su suerte (que la llevará, casi seguramente, a la cesación de pagos de la deuda, a la salida de la zona euro, la creación de una moneda propia y la devaluación de la misma –y, por consiguiente, de los ingresos de los griegos– y que podría llevarla, incluso, a una revolución). Continue lendo

A instabilidade da desigualdade

Os protestos pelo mundo expressam a preocupação de classes diante do maior poder nas mãos das elites

Nouriel Roubini, Folha de S.Paulo, 16 de outubro de 2011

Este ano foi caracterizado por uma onda mundial de inquietações e instabilidades sociais e políticas, com participação popular maciça em protestos reais e virtuais: a Primavera Árabe; os tumultos em Londres; os protestos da classe média israelense contra o alto preço da habitação e os efeitos adversos da inflação sobre os padrões de vida; os protestos dos estudantes chilenos; a destruição dos carros de luxo dos “marajás” na Alemanha; o movimento contra a corrupção na Índia; a crescente insatisfação com a corrupção e a desigualdade na China; e agora o movimento “Ocupe Wall Street”, em Nova York e em outras cidades dos Estados Unidos. Continue lendo

Across the World, the Indignant Rise Up Against Corporate Greed and Cuts

David Randall and Matt Thomas, The Independent, October 16, 2011

Protests against corporate greed, executive excess and public austerity began to gel into the beginnings of a worldwide movement yesterday as tens of thousands marched in scores of cities. The “Occupy Wall Street” protest, which started in Canada and spread to the US, and the long-running Spanish “Indignant” and Greek anti-cuts demonstrations coalesced on a day that saw marches or occupations in 82 countries. Continue lendo

Sonhos e pesadelos do imaginário reaccionário

Hoje todos os indicadores importantes sobre o desempenho da economia mundial indicam que a crise se aprofunda. Dos Estados Unidos à Europa, passando pelo Japão e pela China, o barómetro anuncia uma tempestade que ameaça converter-se num furacão global.

Alejandro Nadal, Esquerda.net, 17 de julho de 2011

Os sonhadores, os especuladores e os reaccionários acabaram por afundar o mundo na Segunda Guerra Mundial. Essa é o grande ensinamento da controversa obra do historiador A. J. P. Taylor sobre As origens da Segunda guerra mundial (publicada em 1961). Só lhe faltou acrescentar como pano de fundo desse processo a Grande Depressão. Uma vez completado o quadro, as semelhanças com os acontecimentos dos nossos dias começam a delinear-se de maneira mais clara e alarmante. Continue lendo

Dívida dos ricos chega a 61% do PIB global

Endividamento chega a US$ 42 trilhões nos países desenvolvidos

Fernando Dantas, O Estado de S.Paulo, 23 de abril de 2011

RIO – A dívida de um punhado de países ricos aumentou em US$ 16 trilhões (mais que o PIB americano) desde 2007, e atinge hoje US$ 42 trilhões, ou 61% do PIB global, representando uma das principais ameaças à recuperação da economia mundial. Continue lendo