Sonegação dos ricos é 25 vezes maior que corrupção nos países em desenvolvimento

taxhavenscyNo ano passado, cerca de um trilhão de dólares fugiram dos países em desenvolvimento e terminaram em paraísos fiscais. Conheça as capitais da corrupção.

Marcelo Justo entrevista Jason Hickel, Carta Maior, 25 de fevereiro de 2014

Uma visão muito difundida sobre o desenvolvimento econômico afirma que os problemas enfrentados pelas economias em desenvolvimento e os países pobres se devem à corrupção. Essa visão se choca com um dado contundente da realidade internacional: a China. Nem mesmo o Partido Comunista põe em dúvida que a corrupção é um dos grandes problemas nacionais, o que não impediu um crescimento médio de dois dígitos nas últimas três décadas.

No entanto, segundo Jason Hickel, professor da London School of Economics, esta perspectiva oculta um problema muito mais fundamental em termos sistêmicos para a economia mundial: a corrupção dos países desenvolvidos. Trata-se de uma corrupção do colarinho branco, invisível e refinada, que foi uma das causas do estouro financeiro de 2008. Continue lendo

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Depois de 20 anos em São Paulo, tucanato mostra sua cara

metro_lotadoWaldemar Rossi, Correio da Cidadania, 7 de fevereiro de 2014

Quando Fernando Henrique Cardoso (FHC) foi eleito presidente da República, em 1994, Mário Covas também se elegeu governador pelo estado de São Paulo. O PSDB planejava ficar no governo por 20 anos, pelo menos. Convenhamos, um projeto ousado. Com FHC não funcionou, bastaram oito anos para que o povo brasileiro acordasse, e vivesse nova (?) experiência com o PT. Mas com Covas/Alckmin/Serra deu certo. Deu certo?

Não houve alternância no governo paulista: Covas-Alkmin-Serra-Alkmin e lá se vão os 20 anos planejados. Com o apoio de um eleitorado estadual majoritariamente conservador e a cobertura midiática, conseguiram passar goela abaixo todos os projetos que interessavam ao capital, ditados pelo Consenso de Washington (CW). Continue lendo

A pane no metrô: dos rolêzinhos à irresponsabilidade política

metro spJoão Sette Whitaker, Cidades para que(m)?, 6 de fevereiro de 2014

Seria muito, mas muito bom que o governador provasse, o quanto antes, as graves acusações que fez sobre a interrupção do dia 5 no metrô de São Paulo e toda a confusão que se seguiu (milhares de usuários andando pelos trilhos, gente passando mal, brigas, que mais uma vez não resultou em mortes por pura sorte): a de que ela foi provocada pela ação de “vândalos”. Caso não consiga, estaremos face a um perigoso cenário em que não há limites para criar versões que isentem o governo de suas responsabilidades.

Vale qualquer coisa para fugir dos fatos. Aponta-se como causa dos problemas os “distúrbios sociais”, o “vandalismo”, de responsabilidade difusa (a “situação do país”, o prefeito, o Governo Federal?), desviando-se o foco das suas causas reais, absolutamente mensuráveis e de responsabilidade bem precisa: o Governo do Estado. Continue lendo

China: família do primeiro-ministro fica milionária durante o seu mandato

Investigação do New York Times mostra como a família do primeiro-ministro Wen Jiabao juntou uma fortuna avaliada em 2,7 mil milhões de dólares durante o seu mandato. China baniu o acesso ao site do jornal.

Tomi Mori, Esquerda.net, 26 de outubro de 2012

O jornal New York Times desferiu um poderoso golpe na elite chinesa ao publicar uma reportagem de investigação mostrando como a família do primeiro-ministro Wen Jiabao, um dos principais dirigentes “comunistas”, enriqueceu espetacularmente durante o seu mandato. Segundo esse influente e reacionário jornal, a mãe de Wen Jiabao, uma ex-professora do norte da China, cujo nome é Yang Zhiyun, de 90 anos, tornou-se milionária, sem que ninguém consiga explicar como uma viúva nessa idade pôde ter investimentos em seu nome avaliados há cinco anos em 120 milhões de dólares. Todos sabemos que uma professora, mesmo estando entre as melhor remuneradas, teria que reencarnar milhares e milhares de vezes para poder economizar tal cifra, apenas com o seu salário, dando aulas para alunos chineses. Continue lendo

Os 99% que ocuparam Wall Street

Amy Goodman – Democracy Now

Duas mil pessoas ocuparam Wall Street no dia 17 de setembro. A sua mensagem era clara: “Somos os 99% da população que não toleram mais a ganância e a corrupção do 1% restante”. Se dois mil ativistas do movimento conservador Tea party se manifestassem em Wall Street, provavelmente haveria a mesma quantidade de jornalistas cobrindo o acontecimento. Mas o interesse da mídia em divulgar protestos contra Wall Street parece ser bem menor. O artigo é de Amy Goodman.

Se dois mil ativistas do movimento conservador Tea party se manifestassem em Wall Street, provavelmente haveria a mesma quantidade de jornalistas a cobrir o acontecimento. Duas mil pessoas ocuparam de fato Wall Street no dia 17 de setembro. Não levavam cartazes do Tea party, nem a bandeira de Gadsden com a serpente em espiral juntamente com a ameaça “Não te metas comigo”. Mas a sua mensagem era clara: “Somos os 99% da população que não toleram mais a ganância e a corrupção do 1% restante”, diziam. Ali estava uma maioria de jovens a protestar contra a especulação praticamente incontrolável de Wall Street, que provocou a crise financeira mundial. Continue lendo

O “Jogo” da Fifa

Eliomar Coelho, Caros Amigos, julho de 2011

Em recente entrevista, o engenheiro responsável pela reforma do Maracanã, Ícaro Moreno Jr., tenta justificar a reforma do estádio. Seus argumentos, porém, não convencem. Ele defende abertamente que é necessário “jogar o jogo da Fifa”. Pois é aí, justamente, que mora o perigo.

Para realizar a Copa do Mundo é necessário um investimento enorme para atender as exigências do caderno de encargos da Fifa. A cada Copa que passa, as exigências vêm aumentando. E os elefantes brancos, herdados pelas cidades que gastam fortunas para construir estádios, também. A África do Sul, palco do último encontro mundial das seleções, que o diga. Continue lendo

Chico Alencar no Blog do Juca sobre a COPA 2014

Irretocável

Pronunciamento Do Senhor Deputado Chico Alencar, PSOL/RJ

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados e todo(a)s o(a)s que assistem a esta sessão ou nela trabalham:
Surgiu aqui uma poderosa líder de bancada multipartidária, a “deputada FIFA”.
Sua força é tanta que, junto com o “deputado COI”, ela conseguiu aprovar uma Copa flexível e uma Olimpíada heterodoxa.
Para esses megaeventos haverá o “Regime Diferenciado de Contratações Públicas”, facilitador das licitações. Continue lendo

É o dinheiro, estúpido!

Enriquecimento patrimonial atípico não causa desconforto sequer em partido que tem inspiração socialista, cada vez mais ligado às corporações

Chico Alencar, Socialismo e Liberdade, 20 de junho de 2011

A famosa exclamação do publicitário James Carville -“É a economia, estúpido!”- aventando a derrota de Bush pai para Bill Clinton, em 1992, admite paráfrase sobre o Brasil de hoje. O caso Palocci vai muito além da consultoria milionária que prestou enquanto exercia mandato de deputado federal. Continue lendo

É o dinheiro, estúpido!

Enriquecimento patrimonial atípico não causa desconforto sequer em partido

Chico Alencar, Folha de S.Paulo, 17 de junho de 2011

A famosa exclamação do publicitário James Carville -“É a economia, estúpido!”- aventando a derrota de Bush pai para Bill Clinton, em 1992, admite paráfrase sobre o Brasil de hoje. O caso Palocci vai muito além da consultoria milionária que prestou enquanto exercia mandato de deputado federal.

O essencial da questão produz, recorrentemente, características regressistas à nossa República: a total promiscuidade entre negócios privados e interesse público. Continue lendo

Natureza vai pagar a blindagem de Palocci

Rodrigo Ávila, Socialismo e Liberdade, 19 de maio de 2011

A Agência Câmara mostra que a base do governo na Câmara e os partidos PSDB e DEM fecharam acordo para votar, na próxima terça-feira, o Novo Código Florestal, que prevê, dentre outras coisas, a anistia a desmatadores e a redução das áreas de preservação permanente e reserva legal. Estas medidas favorecem o setor primário-exportador, que obtém dólares para as reservas internacionais, garantindo assim a confiança do “mercado”, que ganha com as dívidas interna e externa. Continue lendo

A súbita riqueza do ministro chefe

Léo Lince, Socialismo e Liberdade, 19 de maio de 2011

Em priscas eras, quando o PT ainda postulava a mudança na ordem econômica e defendia uma “nova gramática do poder”, a palavra “projeto” sempre aparecia em seus documentos associada ao esforço coletivo: projeto estratégico dos trabalhadores, projeto político para o Brasil. Como goiabada cascão em caixa, coisa fina que não mais se acha.

Depois de quase uma década na posse da principal alavanca do poder político, a palavra mudou de conteúdo no vocabulário petista. O que era plural se individualizou. Projeto, agora, é uma empresa particular de consultoria financeira. Continue lendo

O poder corrompe absolutamente

Carlos Fonseca, Pátria Latina, 21 de maio de 2011

A mulher de César não tem que ser apenas honesta, sobretudo, tem que parecer honesta. Esse é o dilema do ministro Palocci, enriquecido nas águas da traficância-comercialização das influências produzidas pela força das informações que somente aqueles que se situaram nas alturas dos poderes políticos dispõem para serem vendidas por alto preço àqueles que delas dependem para multiplicar seu capital nas esferas governamentais que puxam a demanda econômica por meio dos gastos públicos.

O ministro da Casa Civil foi pego no contrapé, mas não fez nada que a oposição, quando no poder, não tenha feito à larga. O problema todo é que nesses casos o que vale não é a verdade mas a versão. E as versões correm os corredores do Congresso onde a disputa política se dá com grande velocidade e dose elevada de multiplicações diversionistas e diversificadas, ampliando as maledicências. Estaria o ministro contrariando interesses poderosos expressos na exclusão deles do poder político dilmista? Tudo pode estar acontecendo, mas o próprio Palocci reconhece que praticou as consultorias. Usou do poder das informações que angariou. Moral ou imoral? O capitalismo é isso aí, minha gente, sem tirar nem por. Continue lendo

México se hunde

Nada funciona en México, donde la sociedad civil se encuentra atrapada – y olvidada – en el fuego cruzado entre el gobierno y los cárteles de la droga

David Broman, Rebelión, 26 de abril de 2011

El 7 de abril miles de ciudadanos protestaban con el grito de “¡Basta de sangre!” en una docena de ciudades en México encabezadas por el poeta y periodista Javier Sicilia teniendo en memoria presente a su propio hijo, muerto una semana antes y encontrado por la policía en unas fosas comunes en el estado de Tamaulipas. Más de 59 cuerpos en las fosas comunes. Continue lendo

A verdadeira face do Supremo Tribunal Federal

IHU On-line entrevista Vladimir Safatle, IHU On-line, 5 de abril de 2011

No artigo ”O STF mais parece uma casa de horrores”, Vladimir Safatle faz profundas críticas sobre o funcionamento do Supremo Tribunal Federal. Na entrevista que concedeu à IHU On-Line, realizada por telefone, ele aponta que “há um conjunto de decisões que o STF tomou nestes últimos anos que são absolutamente contrárias ao que nós podemos esperar de um tribunal realmente comprometido com a democracia e a universalização dos direitos”. E cita exemplos: “a maneira como que certos banqueiros, conhecidamente corruptores, utilizaram-se do STF para conseguir ou escapar do país ou sair da prisão também é algo que nos deixa bastante dubitativos sobre o que este órgão compreende por universalização de obrigações”. Continue lendo

Os bancos das democracias ocidentais são cúmplices de um crime contra a humanidade

Os bilhões que são roubados a cada ano dos países mais pobres seguem sempre o mesmo caminho que os leva aos maiores bancos das democracias ocidentais. É um crime contra a humanidade.

Eduardo Febbro, Página/12, 27 de marzo de 2011. A tradução é do Cepat. Reproduzido de IHU On-line.

Um crime contra a humanidade. Silencioso, sem violência aparente. Uma espantosa máquina de pilhagem dos povos levada a cabo com a cumplicidade do sistema bancário mundial. As fortunas dos ditadores estão dormindo nos bancos ocidentais enquanto dezenas de milhares de pessoas morrem de fome ou não têm condições de pagar o tratamento da Aids. Continue lendo

A corrupção da democracia

O “caso Bettencourt” que agita a França com o seu vendaval de detenções, ódios familiares, cheques ocultos, gravações furtivas, malfeitorias fiscais e doações ilegais ao partido do Presidente Nicolas Sarkozy, está a afundar o país numa profunda crise moral.

Ignacio Ramonet, Le Monde Diplomatique, 28 de agosto de 2010

Liliane Bettencourt, uma das mulheres mais ricas do mundo, possuidora de uma fortuna de 17.000 milhões de euros e proprietária do império de cosméticos e perfumes L’Oréal, encontra-se no epicentro de um alucinante folhetim que se tornou assunto de Estado. Conversas roubadas no seu domicílio revelaram que o ministro do Trabalho, Eric Woerth, usou da sua influência (quando era ministro do Orçamento, e portanto responsável pela administração fiscal) para obter que a sua esposa, Florence, fosse contratada pela multimilionária – com um salário anual de 200.000 euros – para administrar a sua fortuna… De passagem, Eric Woerth, que também era tesoureiro do partido do Presidente, recebeu supostamente doações de dezenas de milhares de euros1 para financiar a campanha eleitoral de Sarkozy… Em troca, suspeita-se que o ministro fez vista grossa sobre uma parte do património oculto da dona da L’Oréal: por exemplo, várias contas milionárias na Suíça e uma ilha nas Seychelles avaliada em 500 milhões de euros… Continue lendo

Tentáculos da alta sociedade

Serge Halimi, Le Monde Diplomatique, agosto de 2010

Uma rajada de revelações está a suscitar estupefacção em França. Fala-se de dirigentes políticos que permanentemente se relacionariam, como bons amigos, com homens e mulheres de negócios. Os segundos financiariam os partidos dos primeiros. Em troca receberiam uma considerável redução da taxa dos seus impostos. Mais perturbador ainda, a diminuição da fiscalidade sobre os altos rendimentos (perto de 100 mil milhões de euros em dez anos) teria beneficiado sobretudo os altos rendimentos, protegidos desde 2006 por um “escudo” concebido com esse objectivo. Por fim, os governantes (e as suas famílias), desejosos de experimentarem eles próprios os rigores da nova lei comum, teriam passado a reconverter-se mais aos negócios do que ao sindicalismo. Continue lendo

‘Votar era dar um tiro no próprio pé, mas foi impossível ser contra’

Roberto Almeida entrevista Chico Whitaker, O Estado de S. Paulo, 20 de maio de 2010

Que avaliação o sr. faz da tramitação do Ficha Limpa?

O projeto saiu aperfeiçoado, melhor do que entrou, porque o processo a que ele foi submetido levou à incorporação de 10 outros projetos, com tudo o que tinham de bom pra agregar. E nessa fase foi feita uma modificação importante, que seria necessária de qualquer maneira, que era passar da condenação de 1.ª instância para órgão colegiado. Do ponto de vista do movimento, a emenda saiu melhor que o soneto. Continue lendo

Violência, corrupção e a política dominante

Leo Lince, Correio da Cidadania, 7 de agosto de 2008

Zuenir Ventura, o cronista que definiu o Rio de Janeiro como cidade partida, voltou ao assunto em artigo recente para observar que, contrariando a sua natureza cheia de encantos mil, a antes gloriosa cidadela de São Sebastião está sendo governada pela pulsão da morte.

Segundo ele, “dói constatar que a Cidade Maravilhosa virou um lugar lindo para se morrer”. Extermínio, balas certeiras e perdidas; mortes no varejo e nas chacinas que se repetem; crianças, velhos, mulheres, civis e militares atingidos a qualquer hora do dia e da noite e em todos os cantos da cidade. Interpela a política de insegurança do governador: a polícia que mais mata e mais morre só faz agravar a espiral da violência. O cronista se horroriza com o que lhe parece ser o mais terrível: “o que deveria ser um escândalo banalizou-se e tornou-se rotina”. Continue lendo