Estádios do Brasil são os mais caros

maracanaO Brasil é um país otimista e esse reconhecimento que nos é creditado por estrangeiros que aqui aportam – a turismo ou a negócios – não teria como passar despercebido sequer nos investimentos dedicados à Copa de 2014. Os estádios Mané Garrincha, Maracanã e Mineirão – estando as duas primeiras entre as obras mais dispendiosas dos últimos quatro torneios mundiais – são exemplos de otimismo com gasto aquém do efetivamente exigido nas construções. O trio grandalhão tem custo por assento de, respectivamente, US$ 8.830, US$ 7.730 e US$ 5.512. Onde não houve otimismo na estimativa de custos, houve superestimação dos benefícios a serem proporcionados pela Copa: investimentos complementares nas infraestruturas urbanas, estímulo à economia pelo aumento do turismo, melhoria da imagem internacional do país.

Angela Bittencourt, Valor, 1 de julho de 2013

Os dois consultores-legislativos do Senado Federal, Marcos Mendes e Alexandre Guimarães, responsáveis pelo estudo “Quanto custa um estádio de futebol? Ou: ainda temos tempo de economizar 42 maracanãs” publicado pelo Instituto Braudel de Economia, afirmam que a diferença entre benefícios e custos tornou-se “douradamente positiva” com alguns estádios tendo seu custo subestimado e o evento como um todo tendo benefícios superestimados.

“Igualmente otimista foi o argumento adicional de que parte substantiva dos investimentos seria feita pela iniciativa privada, não onerando o Erário. Na prática, mesmo nos projetos contratados sob a forma de parceria público-privadas (PPP), há significativos recursos públicos envolvidos, com participação direta dos governos estaduais no financiamento das obras, no financiamento subsidiado via BNDES, que, em última instância, obtém seus recursos por meio de receitas tributárias federais e de transferências do Tesouro Federal”, afirmam os pesquisadores. Continue lendo

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Organizações preparam ato nacional contra o investimento nas obras para a Copa neste domingo

protesto_licitacao_maracana_andur2O Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro realiza neste domingo (30), dia da final da Copa das Confederações no estádio do Maracanã, o ato nacional “Domingo eu vou ao Maracanã por direitos”. A caminhada pacífica terá concentração a partir das 10h na Praça Saens Peña e seguirá até a Praça Afonso Pena. O objetivo é protestar contra obras relacionadas com a Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (2016) e levantar uma série de questionamentos sobre os gastos com as obras de preparação aos megaeventos mundiais esportivos frente aos investimentos precários nas áreas de saúde e educação.

 Tatiana Félix, Adital, 28 de junho de 2013

Segundo Sandra Quintela, coordenadora da Rede Jubileu Sul Américas, a ideia é fazer atos descentralizados ao mesmo tempo em várias cidades do país, como forma de potencializar as manifestações em todos os locais. De acordo com ela, os pontos principais da pauta de reivindicações são a anulação imediata da privatização do estádio Maracanã, “que foi feita com cartas marcadas”, e o fim das remoções não só no Rio de Janeiro, mas em todo o Brasil. Ela ressaltou que o estádio Maracanã deve servir para a população de todo o Brasil e que a comunidade do Horto e a Vila Autódromo, locais onde as famílias sofrem ameaça de remoção, não podem ser removidas e, por isso, pedem a permanência, urbanização e regularização fundiária dessas e de outras comunidades do Rio. Continue lendo

O futuro que passou

Paulo-ArantesHá duas décadas, o Brasil só faz avançar – e no entanto ninguém aguenta mais.

Ivan Marsaglia entrevista Paulo Arantes, O Estado de São Paulo, 22 de junho de 2013

Enfim concedida a revogação dos aumentos das tarifas de transporte nas duas principais metrópoles brasileiras, Rio de Janeiro e São Paulo, a tarde de quinta-feira se anunciava como o momento de comemoração para o movimento cívico e apartidário que tomou as ruas do País nas últimas duas semanas. O que se viu, no entanto, foi a expansão incontrolável dos protestos, com mais de 1 milhão de pessoas em cerca de cem cidades brasileiras.

No calor de acontecimentos que atingem proporções inéditas desde a redemocratização brasileira, o filósofo Paulo Arantes desfia, na entrevista a seguir, as perplexidades do “país do futuro” – que afinal chegou, trazendo consigo antigas contradições. “A vida no Brasil sem dúvida melhorou, e muito, nestas duas décadas de ajuste ao capitalismo global. No entanto, ninguém aguenta mais”, afirma o professor aposentado da USP e doutor pela Universidade de Paris X, Nanterre.

Para Arantes, nunca é demais lembrar que o Maio de 1968 na França também eclodiu em um contexto de crescimento econômico, pleno emprego e políticas de bem-estar social. Comparação que, no entanto, para por aí. E que se as “jornadas de junho” nacionais, como o filósofo as chama, referenciam-se de fato em rebeliões altermundistas como a de Seattle-1999 ou de Nova York-2011, encontram no Brasil ambiente ainda mais explosivo, “tamanha a desagregação social em que nos enfiamos”. E avisa: para evitarmos o risco de uma derivação autoritária, será preciso que governantes municipais, estaduais e federais deixem de lado suas “cabeças de planilha” e levem a sério a reivindicação radical de cidadania expressa nas ruas. Continue lendo

A revolução não será transmitida por Facebook

cnt474291_h229_w407_aNoChange_veja-protesto-contra-a-copa-das-confederacoes-em-brasiliaOsvaldo Coggiola, 22 de junho de 2013

O movimento de manifestações de rua pela redução da tarifa de transporte começou há duas semanas, a 6 de junho, com manifestações que reuniram 2.000 pessoas na Av. Paulista. Dez dias depois, os jornais avaliavam subestimados 230 mil manifestantes em doze capitais. A 20 de junho, os manifestantes já se contavam na casa do “mais do milhão”, com um milhão só no Rio de Janeiro. Continue lendo

Manifestantes planejam ampliar ações na Copa das Confederações

EBC7DDDB9BB9D0B38CFFA894391Motivados pela grande repercussão do protesto contra o aumento das tarifas de ônibus e metrô em São Paulo na quinta-feira, movimentos contrários às obras para a Copa do Mundo de 2014 pretendem aproveitar o início da Copa das Confederações, neste fim de semana, para realizar uma série de manifestações e dar mais visibilidade às suas demandas.

BBC Brasil, 14 de junho de 2013

O Comitê Popular da Copa, grupo que tem entre suas principais bandeiras o fim das remoções de moradores para obras do Mundial, vem realizando desde a quarta-feira ações nas 12 cidades que sediarão jogos do torneio. Uma delas ocorreu nesta sexta em Brasília, quando cerca de 300 manifestantes bloquearam uma via no centro da cidade com pneus em chamas. Continue lendo