Por que cooperar faz bem à espécie

A partir de estudos sobre seres humanos modernos, incluindo populações de caçadores-coletores cuja vida nos diz muito sobre as origens da raça humana, os psicólogos sociais deduziram o crescimento mental desencadeado pela caça e pelos acampamentos. As relações pessoais entre os membros do grupo, calibradas, ao mesmo tempo, sobre a competição e a colaboração, adquiriram um papel predominante.

 Edward O. Wilson, La Repubblica, 2 de marco de 2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Compreender a humanidade é uma tarefa importante e grave demais para deixar às ciências humanas. As muitas disciplinas dessa grande corrente do saber, da filosofia ao direito, da história às artes criativas, descreveram as particularidades da natureza humana com genialidade e extraordinária minuciosidade, para a frente e para trás em transmutações infinitas. Mas não explicaram por que temos essa natureza aqui e não alguma outra entre uma quantidade interminável de possibilidades imagináveis. A esse respeito, as ciências humanas não permitem uma compreensão plena da existência da nossa espécie.

Então, o que nós somos? A resposta a esse grande enigma está nas circunstâncias e no processo que deu origem à nossa espécie. A condição humana é um produto da história, e não falo somente dos 6 mil anos de civilização, mas sim de um arco muito mais amplo, que remonta a centenas de milhares de anos atrás. Para dar uma resposta a esse mistério, é preciso explorar a evolução no seu conjunto, como um todo único e indivisível, tanto nos aspectos biológicos, quanto nos culturais. E desse modo a história humana, vista em todas as suas facetas, por sua vez, torna-se a chave para entender como e por que a nossa espécie sobreviveu. Continue lendo

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