Comprar, comprar, malditos

Christmas Sales, Holiday Shopping 2010Esther Vivas, Publico, 24 de dezembro de 2012

São as festas de Natal, o momento de nos juntarmos, comer, celebrar e, sobretudo, comprar. O Natal é, também, a “festa” do consumo, já que em nenhum outro momento do ano, para beneplácito dos mercadores do capital, compramos tanto como agora. Comprar para presentear, para vestir, para esquecer ou, simplesmente, comprar por comprar.

O sistema capitalista precisa da sociedade de consumo para sobreviver, que alguém compre em massa e compulsivamente aquilo que se produz e, assim, o círculo “virtuoso”, ou “vicioso” conforme se olhe, do capital continue em movimento. Que o que compras seja útil ou necessário? Pouco importa. A questão é gastar, quanto mais melhor, para que uns poucos ganhem. E, assim, nos prometem que consumir nos vai fazer mais felizes, mas a felicidade nunca chega por aí. Continue lendo

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Focus on the Global South Position Paper on Climate Change

Focus on the Global South, November 25, 2012

The Link between Emission Cuts, Right to Development and Transformation of Capitalist System

Humanity is running out of time. If there are no deep and real cuts in the next five years the impacts of climate change will lead to a situation ten times worse than what we have seen with hurricane Sandy and other climate change related events in India, Russia, Philippines and Africa in this past year.

That’s what happens with 0.8ºC of global warming, and the current climate negotiations are leading us to a 4ºC to 8ºC scenario.

More than two-thirds of coal, oil and gas should be left under the soil

Different studies say that to limit the increase in temperature to 2ºC, all countries can only emit 565 gigatons of CO2 between 2010 and 2050[1]. At the current rate of 31 gigatons of global CO2 emissions per year, we are going to expend that budget in 15 years.

According to the International Energy Agency, two-thirds of the known reserves of the world’s coal, oil and gas should remain underground to have 50 percent chance of staying below the 2ºC limit.[2] If we want 75 percent chance, we have to leave 80 percent of these reserves under the soil.[3]

To not surpass the limit of 565 gigatons of CO2 until 2050, less than 200 gigatons of CO2 can be sent to the atmosphere from 2010 until 2020. Given this calculation, it is unacceptable and illogical to have a “new” agreement that will only be implemented in 2020, while during this decade, when deep cuts are needed, there will be a “laissez faire” situation in emission reductions with a Kyoto Protocol that is much weaker and has shrunk. Continue lendo

As ‘coisas indescritíveis’ do mundo do consumo

Washington Novaes, O Estado de S.Paulo, 19 de outubro de 2012

O historiador Eric J. Hobsbawn, que morreu no começo da semana passada, deixou livros em que caracterizou de forma contundente os tempos que estamos vivendo. “Quando as pessoas não têm mais eixos de futuros sociais acabam fazendo coisas indescritíveis”, escreveu ele no ensaio Barbárie: Manual do Usuário (Estado, 2/10). Ou, então, “aí está a essência da questão: resolver os problemas sem referências do passado”. Por isso, certamente Hobsbawn não se espantaria com a notícia estampada neste jornal poucos dias antes de sua morte: Na Espanha, cadeados nas latas de lixo (27/9). “Com cada vez mais pessoas vivendo de restos, prefeitura (de Madri) tranca as latas como medida de saúde pública.” Nada haveria a estranhar num país onde a taxa de desemprego está por volta de 25%, 22% das famílias vivem na pobreza e 600 mil não têm nenhuma renda. Continue lendo

Russomanno e a vulgaridade do desejo

O “patrulheiro do consumidor” lidera em São Paulo porque, se a política é de mercado, ele pode convencer como mercadoria

Eliane Brum, Época, 17 de setembro de 2012

Como se define um povo? De várias maneiras. A principal, me parece, é pela qualidade do seu desejo. É por este viés que também podemos compreender o fenômeno Celso Russomanno (PRB). Como um homem que se tornou conhecido por bolinar mulheres na cobertura de bailes de carnaval e como “patrulheiro do consumidor” em programa da TV Record, apoiado pela Igreja Universal do Reino de Deus, torna-se líder de intenções de votos na maior cidade do Brasil? Continue lendo

O luxo não conhece a crise e cresce no Brasil

O luxo não conhece a crise. E está crescendo, sobretudo nos países emergentes, como o Brasil. Em cerca de dez anos, haverá marcas de luxo brasileiras. É o que diz o filósofo francês Gilles Lipovetsky, autor de “O Luxo Eterno”, que esteve no Brasil para participar do evento “The New World of Luxury”. Para Lipovetsky, o luxo é hoje mais bem-estar do que marca. “Até quem mora na favela conhece e deseja marcas de luxo. O ‘hiperconsumidor’ não quer somente comer ou se vestir”.

Maria Paula Autran eentrevista Gilles Lipovetsky, Folha de S. Paulo, 2 de setembro de 2012

O que é o luxo hoje?

Hoje é mais importante falar da diversidade do luxo do que sobre o que ele é. Há diferentes estágios de luxo. O desenvolvimento do premium, por exemplo, não é o luxo inacessível. Ao mesmo tempo, é algo caro, de boa qualidade. Isso é o mais característico dessa época. Diferenciação da definição e nova combinação do luxo com artesanato, arte e moda. Continue lendo

Planeta não é sustentável sem controle do consumo e população , diz relatório

O consumo excessivo em países ricos e o rápido crescimento populacional nos países mais pobres precisam ser controlados para que a humanidade possa viver de forma sustentável.

BBC Brasil / O Estado de S. Paulo, 26 de abril de 2012

A conclusão é de um estudo de dois anos de um grupo de especialistas coordenados pela Royal Society (associação britânica de cientistas). Entre as recomendações dos cientistas estão dar a todas as mulheres o acesso a planejamento familiar, deixar de usar o Produto Interno Bruto (PIB) como um indicativo de saúde econômica e reduzir o desperdício de comida. Continue lendo

Controle do consumo e ‘decrescimento’ econômico podem ser saída para crise, diz ambientalista

Enquanto países afetados pela crise se esforçam para voltar a crescer e emergentes, como o Brasil, fomentam seu mercado de consumo interno, existe um movimento defendendo o “decrescimento” como a única forma de garantir a sustentabilidade do planeta a longo prazo.

Paula Adamo Idoeta, BBC Brasil, 12 de abril de 2012.

O decrescimento (“degrowth”, em inglês) significaria tirar as economias globais da “perpétua busca pelo crescimento” do Produto Interno Bruto (PIB), reduzindo a escala de produção e consumo, distribuindo melhor recursos e trabalho, com a meta de criar uma economia mais sustentável e frear o uso de recursos naturais.

A proposta não é exatamente nova – já vem sendo defendida há alguns anos por correntes ambientalistas -, mas ganha repercussão com uma conferência sobre o tema em Montreal, em maio, e com o encontro Rio+20, em junho, que reunirá delegações de todo o planeta para discutir sustentabilidade.

Em relatório recém-lançado, o instituto de pesquisas ambientais WorldWatch Institute, dos EUA, dedica um capítulo para defender o decrescimento “nos países que se desenvolveram demais”, ou seja, onde o consumismo e a dívida tomaram proporções excessivas. Continue lendo

Decrescimento e a busca de uma sociedade convivial

Discutir o decrescimento é “essencial para desmistificar o ‘fetiche do crescimento ilimitado da população e do consumo’” e o “fetiche da exploração ilimitada dos recursos naturais”

IHU On-liine entrevista José Eustáquio Diniz Alves, IHU On-Line, 15 de novembro de 2011

A teoria do decrescimento, explica, “visa garantir a qualidade de vida das pessoas e a preservação ambiental sem reproduzir a lógica do crescimento infinito do consumo”.

Recordando Karl Marx, Alves diz que a sociedade capitalista “funciona na base do ‘fetichismo da mercadoria’ e da ‘coisificação das pessoas’”. Nesse sentido, assinala, na sociedade do crescimento econômico “a convivência humana é intermediada pela posse de bens de consumo e pelo domínio das outras espécies vivas da Terra. (…) Na sociedade antropocêntrica não existe convivência harmônica entre o homo sapiens e as demais espécies, mas sim relações de dominação e exploração. Uma sociedade convivial tem que romper com essa lógica e estabelecer os princípios da solidariedade ecocêntrica”. Continue lendo

Os fundamentalistas da economia

Se a parafernália cada vez mais rara, escassa e inacessível que é necessária para sobreviver e levar uma vida aceitável se tornar objeto de um confronto de morte entre aqueles que estão totalmente equipados com ela e os indigentes abandonados a si mesmos, a principal vítima da crescente desigualdade será a democracia.

Publicamos aqui um trecho do novo prefácio do sociólogo polonês Zygmunt Bauman à nova edição de Modernidade líquida, publicada pela editora italiana Laterza. O artigo foi publicado no jornal La Repubblica, 21-09-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Continue lendo

“Por novas concepções de desenvolvimento”,

Ivo Lesbaupin *

Nos últimos anos, diversos países latino-americanos, como Equador e Bolívia, vem incorporando nas suas constituições, o conceito do bem-viver, que nas línguas dos povos originários soa como Sumak Kawsay (quíchua), Suma Qamaña (aimará), Teko Porã (guarani). Para alguns sociólogos e pesquisadores temos aí uma das grandes novidades no início do século XXI.

Redescobre-se agora um conceito milenar: O ‘Viver Bem’. “A expressão Viver Bem, própria dos povos indígenas da Bolívia, significa, em primeiro lugar ‘viver bem entre nós’. Trata-se de uma convivência comunitária intercultural e sem assimetrias de poder (…). É um modo de viver sendo e sentindo-se parte da comunidade, com sua proteção e em harmonia com a natureza (…), diferenciando-se do ‘viver melhor’ ocidental, que é individualista e que se faz geralmente a expensas dos outros e, além disso, em contraponto à natureza” – escreve Isabel Rauber, pensadora latino-americana, estudiosa dos processos de construção do poder popular em indo-afro-latinoamérica[1]. Continue lendo

Do Holoceno ao Antropoceno. Por outra forma de organização de vida

IHU On-line entrevista Wagner Costa Ribeiro, IHU On-line, 31 de agosto de 2011

As mudanças climáticas e o aquecimento da Terra indicam que estamos vivendo uma nova era glacial denominada de Antropoceno. A ação do homem na natureza está “promovendo alterações de grande escala na superfície terrestre há pelo menos um século” e, portanto, não é mais possível dizer que a geologia se modifica apenas em função de eventos naturais, explica Wagner Costa Ribeiro.

A ação humana acelerou o aquecimento global e, para conter os danos ambientais causados pelas mudanças climáticas, é fundamental repensar o atual modelo econômico. “Infelizmente, há uma geração bastante numerosa que acredita que a essência da vida é comprar o último eletrônico, o carro novo, a roupa nova, sendo que o telefone utilizado continua em plena condição de uso, o carro e a roupa também”, constata. Continue lendo

Aumento do consumo de energia no mundo contrapõe capitalismo e meio ambiente

Os alemães querem acabar com a energia nuclear e buscar e energia renovável, mas continuam comprando SUVs. As emissões globais de carbono e o consumo de petróleo aumentaram drasticamente durante as duas últimas décadas ambientalmente conscientes – e as tendências continuarão enquanto os ocidentais continuarem a descobrir novas “necessidades”.

Harald Welzer, Der Spiegel / Uol, 18 de julho de 2011

Desde o anúncio da nova redução nuclear da Alemanha e de sua revolução energética vindoura, um fantasma vem assombrando o país. Ele se chama “eco-ditadura”. As pessoas que nos alertam contra seus perigos, ironicamente, não são conhecidas como defensoras passionais do processo democrático. Continue lendo

O lago da riqueza emergente

Banhada pelas águas da represa de Furnas, Capitólio sempre atraiu a elite de Minas Gerais e do interior de São Paulo. Agora, com a multiplicação de fortunas na região e um boom de condomínios de alto luxo, foi elevada a outro patamar

Melina Costa, O Estado de S.Paulo, 2 de maio de 2011

É tarde de sábado de Aleluia e o Pier JTR está lotado. O restaurante fica na extremidade nordeste de uma península de 170 hectares no Lago de Furnas, em Minas Gerais. A maioria dos frequentadores chega de lancha – e há várias delas atracadas próximo a um jardim forrado de palmeiras. Há quem prefira ir de helicóptero, como Paulo Gonçalves, dono da siderúrgica Siderbras, de Divinópolis (MG). Continue lendo

Menos

A resposta da esquerda à crise não se pode limitar a soluções que visem o relançamento do consumo.

Ricardo Coelho, Esquerda.net, 24 de abril de 2011

Quando perguntaram a Samuel Gompers, fundador e ex-presidente da AFL-CIO, a maior central sindical dos EUA, o que queriam os trabalhadores ele simplesmente respondeu “mais!”. Hoje, podemos responder ainda da mesma forma quando nos perguntam o que quer a esquerda. Queremos mais direitos, mais emprego, mais prosperidade e mais bem-estar. Mas atrevo-me a acrescentar, por mais difícil que o seja fazer em período de crise, que poderíamos responder com a mesma assertividade “menos!” a esta questão. Continue lendo

Consumption Dwarfs Population as Main Environmental Threat

It’s overconsumption, not population growth, that is the fundamental problem: By almost any measure, a small portion of the world’s people — those in the affluent, developed world — use up most of the Earth’s resources and produce most of its greenhouse gas emissions.

Fred Pearce, Yale 360, April 13, 2009

It’s the great taboo, I hear many environmentalists say. Population growth is the driving force behind our wrecking of the planet, but we are afraid to discuss it.

It sounds like a no-brainer. More people must inevitably be bad for the environment, taking more resources and causing more pollution, driving the planet ever farther beyond its carrying capacity. But hold on. This is a terribly convenient argument — “over-consumers” in rich countries can blame “over-breeders” in distant lands for the state of the planet. But what are the facts? Continue lendo

Brasil tem condição de ser a primeira potência ambiental tropical, afirma Carlos Nobre

Fabiula Wurmeister entrevista Carlos Nobre, Gazeta do Povo, 8 de dezembro de 2010. Reproduzido de IHU On-line.

Categórico em afirmar que a sociedade moderna industrial se tornou uma força de transformação de proporções idênticas à da natureza, o pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e presidente do Conselho Diretor do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, Carlos Nobre, acredita que apesar de já ter atingido estágios irreversíveis, o aquecimento global e alguns de seus efeitos podem ser amenizados. O resultado seria a prorrogação do que cientificamente é apontado como inevitável: o colapso total dos sistemas naturais que regem a vida na Terra.

O alerta e as sugestões foram apresentados pelo cientista na palestra de abertura do 7.º Encontro Anual do Progra¬ma Cultivando Água Boa, em Foz do Iguaçu. De acordo com Nobre em entrevista à Fabiula Wurmeister da Gazeta do Povo, 08-12-2010, o Brasil tem condições de ser a primeira potência ambiental tropical. Continue lendo

A História dos Eletrônicos

Anne Leonard apresentou mais um vídeo da série A História das Coisas. Reproduzido de Mercado Etico, 12 de novembro de 2010

Eletrônicos não foram feitos para durar. O consumo em massa de gadgets a cada semestre tem uma explicação econômica: é mais barato produzir aparelhos que quebrem com facilidade do que investir em tecnologia mais sustentável e duradoura. Quem mostra isso é Anne Leonard, no vídeo História dos Eletrônicos (disponível apenas em inglês). Esse último filme é uma continuação da série A História das Coisas e foi lançado no dia 9 de novembro. Continue lendo

Terra, o planeta consumido

Antonio Cianciullo, La Repubblica, 9 de novembro de 2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Reproduzido de IHU On-line.

Provocamos várias calamidades ao longo da nossa existência, mas sempre houve fenômenos limitados. Os mamutes foram extintos há 11 mil anos também por causa do homem. E esse é só um dos danos ao ecossistema. Com o caos climático produzido pelo uso dos combustíveis fósseis, tudo muda: a ameaça se torna global. Continue lendo

El modo de vida energético-consumista mata al planeta

Bobbie Johnson/James Randerson/Jeremy Page/Dan Joling, The Guardian/The Times Online/Alternet, 19 de octubro de 2010

Hablando antes de la cumbre 2009 sobre el cambio climático en Copenhague, Rajendra Pachauri, el principal científico del clima de la ONU, advirtió de que la sociedad occidental debe adoptar cambios radicales y medidas reformistas si queremos evitar los peores efectos del cambio de clima. Pachauri, miembro del Panel Intergubernamental sobre Cambio de Clima (IPCC, sigla en inglés) dijo a Observer que la sociedad occidental necesita urgentemente desarrollar un nuevo sistema de valores de “consumo sustentable”. “Hoy hemos alcanzado el punto donde el consumo y el deseo de la gente por consumir ha crecido fuera de proporción”. El ganador del premio Nobel continuó: “La realidad es que nuestras formas de vida son insostenibles”. Continue lendo

Planeta perdeu 30% de recursos naturais

Em menos de 40 anos, o mundo perdeu 30% de sua biodiversidade. Nos países tropicais, contudo, a queda foi muito maior: atingiu 60% da fauna e flora original. Os dados são do Relatório Planeta Vivo 2010, publicado a cada dois anos pela organização não governamental WWF.

O Estado de S. Paulo, 13 de outubro de 2010

O relatório, cujas conclusões são consideradas alarmantes pelos ambientalistas, é produzido em parceria com a Sociedade Zoológica de Londres (ZSL, na sigla em inglês) e Global Footprint Network (GFN).

“Os países pobres, frequentemente tropicais, estão perdendo biodiversidade a uma velocidade muito alta”, afirmou Jim Leape, diretor-geral da WWF Global. “Enquanto isso, o mundo desenvolvido vive em um falso paraíso, movido a consumo excessivo e altas emissões de carbono.” Continue lendo