À sombra dos grandes asteroides

meteorcraterA curto prazo, o seu risco é irrelevante. Mas a história mostra: mesmo a colisão de um objeto astronomicamente pequeno pode abalar a vida terrestre.

Joel Achenbach, Outras palavras, 16 de fevereiro de 2013

Nesta sexta-feira, a Terra viu-se em meio a um tiroteio cósmico. O petardo maior veio do Sul; o menor, do Leste. Eram objetos sem relação entre si, com órbitas distintas. Um, do tamenho de um prédio de apartamentos; o outro, bem menor, mas com mira mais precisa.

O asteróide maior errou o alvo por 28 mil quilômetros, como esperado, mas o meteoro russo roubou o espetáculo, caindo como bola de fogo entre os Montes Urais e explodindo em fragmentos, criando uma poderosa onda de choque que estourou vidraças, derrubou telhados e feriu 1,2 mil pessoas — a maior parte, vítima de vidros partidos.

Foi com certeza o meteoro mais intensamente documentado na História — capturado por inúmeros motoristas russos, com suas câmeras acopladas a celulares. O espetáculo marcou um dia extraordinário para o planeta. O objeto, que explodiu sobre a cidade industrial de Chelyabinsk, causou o maior impacto humano num século e foi o primeiro, nesse período, a provocar vítimas — ao menos 48 pessoas hospitalizadas. Continue lendo

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Petroleum and Propaganda: The Anatomy of the Global Warming Denial Industry

John W Farley, Monthly Review, May 2012

James Lawrence Powell, The Inquisition of Climate Science (New York: Columbia University Press, 2011), 232 pages, $27.95, hardcover.

James Powell was inspired to write this important new book because of a remarkable paradox: among climate scientists, there is a near-unanimous consensus that global warming is occurring now, is largely human-made, and will cause very severe environmental problems if humanity continues business as usual. However, among the lay public the picture is much more mixed: only about half of the U.S. public agrees with the climate scientists. Why the enormous discrepancy? Continue lendo

As ciências do Sistema Terra e as disputas epistemológicas do século XXI

A ciência moderna nasce com uma dupla vocação, buscando um entendimento abrangente e verificável da realidade e o controle das forças da natureza. Mas as ciências do sistema Terra, consolidadas nas últimas décadas, apontam a necessidade não da humanidade ampliar seu controle sobre a natureza, mas refrear seu ímpeto de modela-la – apontam para o auto-controle da intervenção da sociedade sobre seu meio ambiente. Isto provoca um choque político entre cientistas e governos: figuras de proa das ciências da Terra tem sofrido censura e perseguição por suas posições. Mas há também um confronto epistemológico, um questionamento à tradição baconiana da ciência.. Poderão estas ciências oferecer um novo paradigma de cientificidade, distinto aquele que tem prevalecido nos últimos séculos?

José Correa Leite, Revista FACOM, maio de 2012

A ciência nasceu, no século XVII, com uma alma dupla, buscando um entendimento abrangente e verificável da realidade e o controle das forças da natureza. Descartes e Bacon expressam esta dupla vocação desta nova forma de conhecimento, a ciência experimental e matematizável, desenvolvida por Galileu e Newton. Sua trajetória posterior confirmou esta simbiose entre os dois aspectos – tendo cada vez mais o domínio da natureza como força motora. A transformação da tecnociência em um grande empreendimento capitalista, a partir do final do século XIX, coloca esta atividade no coração da economia contemporânea – fonte do crescimento e, portanto, do “progresso”. Continue lendo