Governo adia aposta em energia limpa

PollutionRecuo: energia eólica perde espaço em leilões do governo

Wellington Balhnemann, O Estado de São Paulo, 26 de maio de 2013

RIO – Em nome da garantia de abastecimento de eletricidade, o governo federal decidiu, por ora, abrir mão da expansão da matriz energética com base apenas em fontes limpas. 

A crise dos reservatórios no início do ano acendeu a luz amarela do Ministério de Minas e Energia e evidenciou a necessidade de ampliar a participação das térmicas na matriz. Sem gás natural barato disponível, a solução foi recorrer ao carvão, uma das mais poluentes fontes de geração. Esse movimento diminuirá o espaço para as eólicas, que há quatro anos vêm dominando os leilões do setor.

A tendência ficou clara quando a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) excluiu as usinas eólicas do leilão de energia nova que contratará a demanda das distribuidoras em 2018 (A-5), marcado para agosto. Isso foi significativo porque o leilão A-5 aponta para os agentes a direção da expansão da matriz energética no País. O temor do governo era de que, ao misturar eólicas e térmicas na licitação, apenas as eólicas fossem contratadas, dado o baixo custo de geração. “Esse é o momento de equilibrarmos a matriz e darmos mais espaço para as térmicas”, afirmou o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim. Continue lendo

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Gás de xisto, uma nova revolução energética?

José Goldemberg, O Estado de S. Paulo, 20 de maio de 2013

A Revolução Industrial teve início no fim do século XVIII e foi baseada no uso do carvão. A Inglaterra, com suas amplas reservas desse mineral, liderou a revolução. Com o correr do tempo, contudo, o petróleo começou a substituir o carvão por causa de suas características mais atraentes, como ser líquido e mais fácil de transportar. Finalmente, em meados do século XX, o gás natural, que é mais limpo, começou a dominar o cenário energético.

O que vemos aqui é a confirmação do malicioso comentário atribuído ao secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de que “a Idade da Pedra não acabou por falta de pedras”, mas pela descoberta de que metais eram melhores para fazer machados (ou lanças) do que pedras.

Hoje, no mundo, o carvão representa 26% do consumo de energia; o petróleo, 32%; e o gás natural, 20%. O petróleo é ainda dominante, mas a produção mundial está se concentrando no Oriente Médio porque nos Estados Unidos (o maior consumidor mundial) e na maioria dos demais países ela está caindo. Continue lendo

Obama gives Congress climate ultimatum: back me, or I go it alone

President vows to push for new technologies and carbon taxes ‘to protect future generations’

Reuters, guardian.co.uk, February 13, 2013

President Barack Obama on Tuesday gave Congress an ultimatum on climate change: craft a plan to slash greenhouse gas emissions and adapt to the dangers of a warming world, or the White House will go it alone.

“If Congress won’t act soon to protect future generations, I will,” Obama said in his State of the Union address. “I will direct my cabinet to come up with executive actions we can take, now and in the future, to reduce pollution, prepare our communities for the consequences of climate change, and speed the transition to more sustainable sources of energy.”

Congress should consider putting a price on climate-warming carbon emissions, Obama said, briefly nodding to his failed, first-term plan to confront climate change. Republican opposition means the president’s best chance to confront the issue will mean flexing executive power. Continue lendo

O fim da era do carvão: ”Agora a Terra volta a respirar”

A agência norte-americana EIA anunciou que apenas 36% das necessidades energéticas do país são cobertas por fontes poluentes. Em comparação ao ano anterior, registrou-se uma queda de 20 pontos percentuais. Mérito da mobilização dos cidadãos. O objetivo é acabar com a utilização em todo o mundo até 2030.

Mark Hertsgaard (www.markhertsgaard.com), La Repubblica, 6 de junho de 2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O carvão é cada vez menos utilizado nos Estados Unidos, e essa é uma excelente notícia para o clima da Terra. A Energy Information Administration (EIA, agência do governo dos EUA especializada em análise energéticas) anunciou que, no primeiro quadrimestre de 2012, apenas 36% das necessidades energéticas globais dos EUA foram obtidas do carvão, o tradicional combustível fóssil mais poluente em termos absolutos e que produz a maior quantidade de dióxido de carbono. Continue lendo

The Triumph of King Coal: Hardening Our Coal Addiction

Despite all the talk about curbing greenhouse gas emissions, the world is burning more and more coal. The inconvenient truth is that coal remains a cheap and dirty fuel — and the idea of “clean” coal remains a distant dream.

Fred Pearce, Yale Environment 360, October 31, 2011

This year’s UN climate negotiations are in Durban, South Africa. Many delegates will already be looking forward to the chance of going on safari after their labors, visiting Kruger National Park or one of the country’s other magnificent game reserves. But I have another suggestion. Visit the enemy. Just two hours’ drive up the Indian Ocean coast from Durban is Richards Bay, a huge deep-water harbor that is home to the world’s largest coal export terminal.

Anyone seduced by the conference exhibition halls in Durban, filled with the latest renewable energy technology, will get a rude awakening at Richards Bay. For it may tell the real story of our energy futures — and it is scary. Continue lendo

The Triumph of King Coal: Hardening Our Coal Addiction

Despite all the talk about curbing greenhouse gas emissions, the world is burning more and more coal. The inconvenient truth is that coal remains a cheap and dirty fuel — and the idea of “clean” coal remains a distant dream.

Fred Pearce, 360 Yale Environmente, October 31, 2011

This year’s UN climate negotiations are in Durban, South Africa. Many delegates will already be looking forward to the chance of going on safari after their labors, visiting Kruger National Park or one of the country’s other magnificent game reserves. But I have another suggestion. Visit the enemy. Just two hours’ drive up the Indian Ocean coast from Durban is Richards Bay, a huge deep-water harbor that is home to the world’s largest coal export terminal. Continue lendo

Obama Doubles Down on Dirty Energy, Continues to Call Nukes ‘Clean,’ Ignores Clean Air Act

Friends of The Earth, March 30, 2011

WASHINGTON – In response to President Obama’s speech today on the subject of energy security, as well as supporting documentation released by the White House, Friends of the Earth Climate and Energy Director Damon Moglen had the following statement:

“This speech was more about polluting the future than winning it. President Obama today doubled down on his support for dirty energy sources including the nuclear, corn ethanol, oil, natural gas, and coal industries, while going AWOL on a crucial fight over the Clean Air Act. Continue lendo

Estudos concluem: o carvão é caro e vai ser mais caro no futuro

Dois novos estudos mostram que o carvão é menos abundante e mais caro e o seu uso mais prejudicial para o ambiente e a saúde humana que o defendido pela indústria.

Ricardo Coelho, Esquerda.net, 27 de fevereiro de 2011

Os resultados apresentados anunciam um futuro negro para uma das indústrias mais poluentes do mundo. O primeiro estudo, publicado na Nature, revê em baixa as estimativas de produção de carvão no futuro, estimando que o seu preço pode começar a subir já no fim desta década. A previsão, realizada por David Fridley and Richard Heinberg, investigadores do Post-Carbon Institute (Instituto Pós-Carbono, dos EUA), baseia-se em duas observações. Por um lado, estudos recentes têm sugerido que as reservas de carvão de alta qualidade acessíveis se irão esgotar bem mais rapidamente que o estimado pelos principais países produtores de carvão. Por outro, a procura global tem aumentado muito rapidamente, sobretudo graças à industrialização da China. A China é hoje o maior consumidor e produtor de carvão e a sua influência na evolução dos preços do carvão não deve ser subestimada, salientam os autores. Continue lendo

World Bank Pressured over Record Fossil Fuels Lending

Matthew O. Berger, IPS, October 12, 2010

WASHINGTON – With new figures showing a record amount of World Bank funding for projects relying on coal power and other fossil fuels, the issue of reforming the institution’s energy lending was once again a hot topic at the World Bank and IMF annual meetings, which concluded over the weekend.

The figures, released by the Bank in mid-September, show it lent 3.4 billion dollars to coal projects, or one quarter of all its energy lending. If a transmission project meant to connect coal-powered stations to the grid in India is included, that number rises to about 4.4 billion dollars, according to an analysis by the NGO Bank Information Center (BIC).

This higher total also means that lending for coal-based power rose 356 percent from the fiscal year 2009, largely due to a June loan for a 4800-megawatt plant to be built in South Africa. That one loan, to utility giant Eskom, amounted to over three billion dollars. Continue lendo

China, Energy, and Global Power: Twenty-First Century Energy Superpower

Michael T. Klare, TomDispatch.com, September 20, 2010

If you want to know which way the global wind is blowing (or the sun shining or the coal burning), watch China. That’s the news for our energy future and for the future of great-power politics on planet Earth. Washington is already watching — with anxiety.

Rarely has a simple press interview said more about the global power shifts taking place in our world. On July 20th, the chief economist of the International Energy Agency (IEA), Fatih Birol, told the Wall Street Journal that China had overtaken the United States to become the world’s number one energy consumer. One can read this development in many ways: as evidence of China’s continuing industrial prowess, of the lingering recession in the United States, of the growing popularity of automobiles in China, even of America’s superior energy efficiency as compared to that of China. All of these observations are valid, but all miss the main point: by becoming the world’s leading energy consumer, China will also become an ever more dominant international actor and so set the pace in shaping our global future. Continue lendo

World Bank Invests Record Sums in Coal

Last year, $3.4bn was invested in the dirtiest fossil fuel despite international commitments to cut emissions

Juliette Jowit, The Guardian, September 15, 2010

Record sums were invested last year in coal power – the most carbon intensive form of energy on the planet – by the World Bank, despite international commitments to slash the carbon emissions blamed for climate change.

The World Bank said this week that a total of US$3.4bn (£2.2bn) – or a quarter of all funding for energy projects – was spent in the year to June 2010 helping to build new coal-fired power stations, including the controversial Medupi plant in South Africa. Over the same period the bank also spent $1bn (£640m) on looking and drilling for oil and gas. Continue lendo

U.S. Chamber, Energy Trade Groups Urge Spending Panels to Block EPA Climate Rules

Ben Geman, The Hill, September 14, 2010

A group of powerful industry trade associations is urging House and Senate appropriators to delay looming EPA climate change rules that the groups contend will harm the economy and block job creation.

Joint letters Tuesday from two-dozen groups – including the U.S. Chamber of Commerce, American Petroleum Institute, National Mining Association and National Association of Manufacturers – argue that “the appropriations process can ensure that the potentially damaging impacts of EPA’s rules are postponed for a two or three year period pending Congressional action.” Continue lendo

The High Cost of Cheap Coal

The West Virginia mine explosion is, unfortunately, only the most recent reminder of the true price of so-called cheap coal.

Brooke Jarvis, YES! Magazine, April 8, 2010

Monday’s mining disaster in Raleigh County, W. Va.—in which a massive explosion killed at least 25 miners, with four still missing—is a grim reminder of coal’s hidden costs.

Coal, according to conventional wisdom, is the cheapest available source of energy—a bargain when compared to renewables such as wind and solar, as well as to oil and natural gas.

But Monday’s explosion is, unfortunately, only the latest evidence of the high price we really pay for coal. According to the Mine Safety and Health Administration, 104,674 people died in coal mining disasters in the United States between 1900 and 2009. Though death rates have slowed dramatically in recent decades, the years between 2001 and 2005—a period that included two record-setting years for lowest mining fatalities in history—still saw an average of 30 coal mining deaths each year. Continue lendo

Legalização da ação direta para evitar catástrofe climática

Ontem, 10 de setembro, foi um dia histórico. Não, não é porque o mundo não acabou ou porque foi inaugurado o Grande Coalisor de Hádrons, no CERN, na Suíça. É porque um tribunal popular (com júri) julgou inocentes ativistas que violaram a lei para tentar evitar a catástrofe climática que está cada vez mais próxima.

O julgamente tinha como réus 6 ativistas do greenpeace que foram presos enquanto pintavam uma mensagem anti-carvão na Empresa de Energia de Kingsnorth, no Reino Unido. Eles foram acusados de causar US$ 53000 em danos (quase 100 mil reais) e ainda outras violações da lei (violação de propriedade privada alheia etc.).

O julgamento teve como testemunhas importantes climatologisatas, como James Hansen, da NASA, que apelaram para o fim do uso do carvão e os danos ao clima provocados pela queima desse combustível fóssil. As testemunhas falaram também dos danos a comunidades e espécies relacionadas ao Ártico e Antártica, bem como o impacto que a elevação do nível dos mares terá em países como Tuvalu.

Eis o que disse após o julgamento um dos ativistas, em tradução livre:

“Quando 12 pessoas normais (membros do júri) dizem que é legítimo para um grupo de ação direta desligar uma estação elétrica à carvão por causa dos danos que ela causa ao nosso planeta, então onde isso deixa a política governamental de energia?”

É fato que no Brasil ainda não podemos contar com um julgamento desse tipo. Primeiro porque não iríamos a juri popular. Em segundo lugar, porque a justiça é muitas vezes por demais reacionária. Mas, diante do que ocorreu com o protesto da Vaga viva, fica o recado: está chegando a hora em que crime será não fazer nada. Está chegando a hora em que crime será deixar as emissões de CO2 destruíram muias comunidades, espécies e o meio-ambiente. Crime será nós ficarmos de braços parados esperando o governo tomar alguma atitude. Façamos nós mesmos ações diretas para mudar esse estado de coisas. Façamos as bicicletadas, as vagas vivas e muito mais que pudermos. Nós e o planeta precisamos disso.

Petróleo: royalties e fundo solidário para o Brasil de amanhã

Cândido Grzybowski, da Agência Ibase

O anúncio das descobertas gigantes de petróleo no pré-sal torna inevitável o debate sobre como a sociedade brasileira vai utilizar tais recursos. A descoberta ocorre numa conjuntura de disparada dos preços do petróleo, o que pode nos levar à ilusão sobre a sociedade que poderemos construir com tal riqueza fácil. Insere-se, também, num quadro mais amplo de ameaças e desafios representados pela crise climática e, ouso dizer, pela “crise de civilização”.

O petróleo é um dos vilões das emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pela mudança climática. O petróleo e seus correlatos, gás e carvão mineral, são a energia da revolução industrial, com tudo o que ela significa de padrão de produção e consumo. Isto está se esgotando, chegando ao fim.

O debate é urgente. Mas o modo como começa a se estabelecer entre nós mostra o quanto o terreno está minado, ou melhor, loteado por interesses e forças nem sempre visíveis. Está praticamente reduzido à questão dos royalties e ao velho fantasma do papel do Estado. Nada sobre a nossa insustentabilidade ambiental e social. Nada ou pouco sobre um futuro mais justo e sustentável. Quase nada sobre o uso responsável do petróleo, com a busca de alternativas energéticas a ele, além do etanol, que tem como base um sistema de produção de cana dependente do petróleo (fertilizantes e máquinas movidas à energia fóssil). Continue lendo