Por que cooperar faz bem à espécie

A partir de estudos sobre seres humanos modernos, incluindo populações de caçadores-coletores cuja vida nos diz muito sobre as origens da raça humana, os psicólogos sociais deduziram o crescimento mental desencadeado pela caça e pelos acampamentos. As relações pessoais entre os membros do grupo, calibradas, ao mesmo tempo, sobre a competição e a colaboração, adquiriram um papel predominante.

 Edward O. Wilson, La Repubblica, 2 de marco de 2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Compreender a humanidade é uma tarefa importante e grave demais para deixar às ciências humanas. As muitas disciplinas dessa grande corrente do saber, da filosofia ao direito, da história às artes criativas, descreveram as particularidades da natureza humana com genialidade e extraordinária minuciosidade, para a frente e para trás em transmutações infinitas. Mas não explicaram por que temos essa natureza aqui e não alguma outra entre uma quantidade interminável de possibilidades imagináveis. A esse respeito, as ciências humanas não permitem uma compreensão plena da existência da nossa espécie.

Então, o que nós somos? A resposta a esse grande enigma está nas circunstâncias e no processo que deu origem à nossa espécie. A condição humana é um produto da história, e não falo somente dos 6 mil anos de civilização, mas sim de um arco muito mais amplo, que remonta a centenas de milhares de anos atrás. Para dar uma resposta a esse mistério, é preciso explorar a evolução no seu conjunto, como um todo único e indivisível, tanto nos aspectos biológicos, quanto nos culturais. E desse modo a história humana, vista em todas as suas facetas, por sua vez, torna-se a chave para entender como e por que a nossa espécie sobreviveu. Continue lendo

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O DNA do DNA

Mônica Manir entrevista Marcelo Nóbrega, O Estado de S.Paulo, 9 de setembro de 2012

Se temos 21 mil lâmpadas iluminando nosso jeito de ser, where the hell estão os interruptores? Fora do lixo em que os botaram. Esse foi o resultado sustentável do Encode, consórcio de 442 pesquisadores da América do Norte, Ásia e Europa que nessa semana derrubou a ideia de que 98% do DNA não tinha função. Nosso genoma não seria composto de apenas 21 mil genes, 2% de seus 3 bilhões de “letras” químicas, mas também de uma série de elementos que ligam e desligam esses genes. Coisa fina, de grande complexidade, mas que animou o povo especialmente quanto ao diagnóstico e tratamento de doenças.

O recifense Marcelo Nóbrega estava entre esses pesquisadores que contaram com R$ 375 milhões do governo americano para elaborar o “guia do genoma humano”. Há 17 anos nos Estados Unidos, ele chefia um laboratório na Universidade de Chicago que estuda bases genéticas de distúrbios causados exatamente por variações fora dos genes. “Não sou especializado numa doença, mas num processo biológico”, diferencia. Médico formado na UFPE, ele fez Ph.D. em fisiologia e genética molecular em Wisconsin e pós-doc em Berkeley, até criar raiz em Chicago, onde aguarda a chegada do primeiro filho para daqui a dois meses. Continue lendo

Biólogos querem reforçar ensino da evolução

Preocupado com a maneira “anticientífica” com que alguns pesquisadores vêm questionando publicamente a teoria evolutiva, um grupo de cientistas está propondo à Universidade de São Paulo a criação de um Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP) sobre Educação, Divulgação e Epistemologia da Evolução Biológica. O problema, segundo eles, é que os questionamentos não são feitos com base em argumentos científicos, mas em dogmas religiosos “disfarçados” de ciência.

Herton Escobar, O Estado de S. Paulo, 29 de abril de 2012

“Temos assistido a alarmantes manifestações de membros da comunidade científica se posicionando publicamente a favor da perspectiva criacionista, distorcendo fatos para questionar a validade científica da evolução biológica”, justificam os pesquisadores na proposta de criação do NAP, submetida à USP no mês passado. “Tais ações visam a influenciar os currículos escolares brasileiros, por meio de polemistas que ostentam supostas credenciais científicas e utilizam argumentos pretensamente complexos extraídos de diferentes campos.” Continue lendo

Stephen Jay Gould’s Critique of Progress

Richard York and Brett Clark, Monthly Review, February 2011

Richard York is an associate professor of sociology at the University of Oregon and co-editor of the Sage journal Organization & Environment. Brett Clark is an assistant professor of sociology at North Carolina State University. This essay is an adapted chapter from their book The Science and Humanism of Stephen Jay Gould (Monthly Review Press, 2011).

A question of central importance in the interpretation of patterns of evolution is whether history had to turn out the way it did. From before Charles Darwin’s time up to the present it has been commonly assumed that history, both human history and the history of life in general, unfolded in a somewhat deterministic manner, that the present was inevitable, either ordained in Heaven or, in the scientific view, mechanically produced by deterministic natural laws. This view contrasts with that of the historian: that the quirks, chance events, and particularities of each moment make history, and that the world could have been other than it is. Continue lendo

Bactéria que come arsênico abre nova perspectiva para vida fora da Terra

Sinais de que uma bactéria é capaz de substituir o nutriente essencial fósforo por arsênico – um elemento tóxico para a maioria das formas de vida conhecidas – expande o horizonte para a busca de vida fora da Terra, anunciam os cientistas que assinam pesquisa descrita no serviço online da revista Science, o Science Express.

Carlos Orsi, estadao.com.br, 2 de dezembro de 2010

Todas as formas de vida conhecidas até hoje – plantas, animais e micro-organismos – dependem de seis elementos químicos para construir as moléculas que compõem seus corpos: oxigênio, hidrogênio, carbono, fósforo, enxofre e nitrogênio. A bactéria descoberta pela equipe de cientistas liderada por Felisa Wolfe-Simon, da Pesquisa Geológica dos Estados Unidos, seria a primeira exceção conhecida à regra. Continue lendo

Bactéria que ‘come’ arsênico altera definição da vida

REUTERS, 2 de dezembro de 2010

Um estranho lago salgado na Califórnia abriga uma bactéria igualmente estranha, que sobrevive à base de arsênico e que redefine a vida tal qual a conhecemos, disseram pesquisadores na quinta-feira.  A bactéria não só “come” arsênico como também incorpora esse elemento tóxico diretamente ao seu DNA, segundo os pesquisadores. Continue lendo

Mamíferos não crescem há milhões de anos

Tamanho dos animais se estabilizou há cerca de 25 milhões de anos

Ricardo Bonalume Neto, Folha de S.Paulo, 26 de novembro de 2010

O tamanho dos mamíferos terrestres “explodiu” depois da extinção dos dinossauros, 65 milhões de anos atrás. Mas, depois de chegar ao auge do tamanho após 25 milhões de anos, o tamanho se estabilizou em todos os continentes desde então.

A conclusão é de uma pesquisa feita por uma equipe internacional, que analisou fósseis de todo o planeta em busca dos maiores espécimes de cada espécie. Continue lendo