Na área de energia, mudanças animadoras

wind farmWashington Novaes, O Estado de S.Paulo, 12 de junho de 2013

Com o panorama nacional na área de energia ainda parecendo confuso e contraditório, em razão de omissões e ações discutíveis de órgãos reguladores federais, felizmente surgem informações alentadoras, principalmente em setores das chamadas energias “alternativas”, dentro e fora do País.

Pode-se começar pela notícia de que o governo federal decidiu (Folha de S.Paulo, 5/7) incluir usinas eólicas no leilão de novas fontes que fará em outubro – depois de o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) haver declarado que não poderia incluí-las porque certamente ganhariam e não dariam oportunidade a outras fontes (Estado, 26/5). Elas serão entregues em três anos, para se somarem à fração da matriz energética que já representam.

Outra boa notícia é de que o governo resolveu (Agência Brasil, 3/7) desligar todas as usinas termoelétricas a óleo combustível e diesel, ligadas desde outubro de 2012 (34 no total), com a alegação de que o nível dos reservatórios das hidrelétricas estava “muito baixo”. A economia será de R$ 1,4 bilhão por mês. Mas permanecerão outras usinas, inclusive a carvão. Continue lendo

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Que energia queremos nos próximos dez anos?

O Ministério de Minas e Energia colocou em audiência pública a versão preliminar do Plano de Expansão Decenal de Energia de 2021. O plano, que é atualizado anualmente e que prevê os rumos energéticos do Brasil para os próximos dez anos, apresenta avanços em relação às edições anteriores, mas mantém outros tantos retrocessos.

Marina Yamaoka, Greenpeace, 26 de setembro de 2012

Os já elevados investimentos previstos para petróleo e gás natural aumentaram e a previsão é de que totalizem R$749 bilhões nos próximos dez anos, sendo que eram de 686 bilhões no PDE anterior. Elevar os investimentos em combustíveis fósseis equivale a aumentar sua queima, uma das responsáveis pelas emissões de gases estufa que causam as mudanças climáticas. Pelo menos, os investimentos previstos para termelétricas fósseis e nucleares até 2021 foi reduzido de R$ 24,7 bilhões para R$22,9 bilhões também foi um anúncio positivo. Continue lendo

Nuclear em desuso

Heitor Scalambrini Costa, Correio da Cidadania, 21 de Setembro de 2012

Setembro de 2012 ficará marcado na história pelos anúncios feitos pelos governos japonês e francês, a respeito da decisão de se afastarem da energia nuclear, responsável pelos piores pesadelos da humanidade. Esta tomada de posição tem um significado especial, visto que estes países, até então defensores de tal fonte energética, têm em suas matrizes a maior participação mundial da nucleoeletricidade. Depois da histórica decisão do governo alemão em abandonar em definitivo a energia nuclear, agora são os governos do Japão e da França que vão rever os planos relativos ao uso do nuclear. Continue lendo

As más lembranças e as megaobras

Washington Novaes, O Estado de S. Paulo, 17 de agosto de 2012

Há poucos dias, o 67.º aniversário da primeira bomba atômica, despejada sobre Hiroshima, provocou uma catadupa de artigos na comunicação mundial, já preocupada com as consequências que a guerra cibernética – aqui comentada na semana passada – possa a vir a ter nos destinos do planeta. Agora se começa a recordar que no final do mês será lembrado o 25.º aniversário do acidente com o césio 137 em Goiânia. Continue lendo

Afinal, bons passos na área da energia

Washington Novaes, O Estado de S.Paulo, 25 de maio de 2012

Boas notícias na área da energia. A primeira, segundo o Ministério de Minas e Energia (Estado, 9/5), é a de que o Brasil não prevê novas usinas nucleares (perigosas, caras, sem destinação para o lixo radiativo) para antes de 2021; e só Angra 3 continuará em construção – a parte discutível é que retomará depois o projeto de implantar de quatro a oito centrais nucleares dali até 2030. A segunda é que a Agência Nacional de Energia Elétrica vai reduzir em 80% os tributos a serem pagos por usinas fotovoltaicas e solares térmicas que entrarem em operação até 2017 (Folha de S.Paulo, 13/4). Continue lendo

Por um Brasil livre de energia nuclear

O acidente nuclear de Fukushima reacendeu o debate da energia nuclear no Brasil. Enquanto o governo defende a conclusão de Angra III, integrantes da sociedade civil se organizam na tentativa de banir a energia nuclear do país. Hoje, a campanha “Por um Brasil livre de energia nuclear” é promovida por duas frentes de discussão: a Coalizão por um País Livre de Usinas Nucleares, e a Articulação Anti-Nuclear Brasileira, que divulgam informações sobre os riscos desse modelo energético e promovem ações para repensar a composição da matriz energética brasileira. O arquiteto e ativista brasileiro Francisco Whitaker participa da Coalizão e diz que as duas frentes atuam no sentido de convencer o governo federal a desistir da ampliação da energia nuclear no país.

IHU On-Line entrevista Francisco Whitaker, IHU On-line, 17 de maio de 2012

Francisco Whitaker foi presidente da Juventude Universitária Católica – JUC em 1953-1954, assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB no 1° Plano Pastoral de Conjunto em 1965-1966, e assessor da Arquidiocese de São Paulo e da CNBB de 1982 a 1988. Foi vereador de São Paulo, SP. É sócio-fundador da Associação Transparência Brasil e foi professor no Instituto de Formação para o Desenvolvimento de Paris e no Instituto Latino-Americano de Pesquisas Econômicas e Sociais (Ilpes/ONU). Continue lendo

A conta nuclear é nossa

No dia 24 de abril, o Greenpeace amanheceu na porta do BNDES, centro do Rio de Janeiro, com um recado impossível de não ser visto: envolto em uma fumaça laranja, simbolizando uma nuvem radioativa, o pedido para que o banco não financiasse a construção da usina nuclear de Angra 3. A resposta chegou: o BNDES continuará investindo neste monstrengo atômico. Se faltar dinheiro, a conta vai para o contribuinte.

Greenpeace, 13 de maio de 2011

Em carta, o banco avisa que manterá o aporte já aprovado de R$ 6,1 bilhões para colocar de pé a velharia. Com a resposta, o banco deixa claro seu descaso com o dinheiro público e a segurança da população e, contrariando o discurso do seu presidente, Luciano Coutinho, de que o futuro tem pressa, o BNDES demonstra apreço ao atraso. Angra 3 é um projeto datado da década de 1970 que, além de antiquado, é perigoso e caro. Seu custo está estimado em mais de R$10 bilhões, dos quais R$2 bilhões já foram investidos. Continue lendo

Fukushima acirra debate nuclear no país

Cláudia Schüffner e Chico Santos, Valor, 26 de abril de 2011

Mesmo que não haja interrupção definitiva, a execução do programa nuclear brasileiro, já aprovado, sofrerá atrasos, por causa do acidente nuclear de Fukushima, no Japão, provocado pelo terremoto, seguido de tsunami, em 11 de março. O acidente também abriu intenso debate sobre a viabilidade da aprovação de novos projetos no Brasil, problema não trivial para o país, que já enfrenta polêmicas sobre o impacto ambiental do aproveitamento do que resta do seu potencial mais fecundo, o hidrelétrico. Continue lendo

Após acidente no Japão, 54% dos brasileiros ficam contra uso da energia nuclear no País

Daniel Bramatti e José Roberto de Toledo, O Estado de S.Paulo, 18 de abril de 2011

O desastre nuclear no Japão consolidou uma maioria entre os brasileiros contrária ao uso da energia atômica para gerar eletricidade no País. São 54%, dos quais 7 em cada 10 são “totalmente contra”, e os demais, “parcialmente contra”. A oposição a esse tipo de produção de energia cresceu 5 pontos após o acidente na usina de Fukushima.

Uma fatia ainda maior dos brasileiros, de 57%, mostrou-se preocupada -metade deles muito preocupados- com a possibilidade de um acidente nuclear acontecer também no Brasil. O grau de preocupação é superior à média mundial, de 49%. Continue lendo

Após Fukushima, governo alemão reavalia aval a Angra 3

O acidente nuclear de Fukushima, no Japão, levou o governo alemão a reavaliar a garantia de crédito prometida para a usina de Angra 3.

Denise Menchen, Folha de S. Paulo, 16 de abril de 2011

O Ministério de Economia e Tecnologia do país confirmou à Folha que o assunto está sendo repensado “à luz dos acontecimentos recentes e dos parâmetros legais”.

Em fevereiro de 2010, a agência alemã Hermes, ligada ao governo, aprovou de forma preliminar uma garantia de crédito às exportações da multinacional Areva para Angra 3, um projeto da Eletronuclear. Continue lendo

Angra 3 pode perder aval do governo alemão

Os impactos do desastre nuclear de Fukushima, no Japão, podem chegar ao Brasil como obstáculos financeiros à construção da usina de Angra 3. Na Alemanha, país que registra a maior movimentação política em função do desastre japonês, o debate agora é sobre a garantia de crédito concedido pelo governo alemão para que Angra 3 seja construída. O governo estaria dando seu aval a nucleares também na China.

Claudia Schuffner e Daniela Chiaretti, Valor, 13 de abril de 2011

Em 28 de março, uma moção dos partidos Verde e Social Democrata no Parlamento pretendia revogar o decreto que autorizava o aval a um empréstimo em dólares do equivalente a €1,5 bilhão. A garantia de crédito foi concedida pela Hermes, a agência alemã de seguro de crédito para exportação, para a Areva NP que irá fornecer equipamentos à Eletronuclear, responsável pela operação das centrais nucleares brasileiras. Continue lendo

Investimento nuclear no Brasil é determinado por ‘poderoso (e corruptor) lobby’

Valéria Nader e Gabriel Brito entrevistam Joaquim Francisco de Carvalho, Correio da Cidadania, 9 de abril de 2011

O planeta voltou a se deparar com o fantasma nuclear após o terremoto seguido de tsunami que varreu principalmente o nordeste japonês, causando posteriormente a explosão e vazamento dos reatores da usina de Fukushima. O governo japonês tenta tranqüilizar o público, sempre reiterando que os níveis de radiação no ar se encontram aceitáveis, mas não há quem se satisfaça com tais explicações e durma em paz. Continue lendo

Especialistas aconselham Brasil esperar evolução tecnológica antes de optar por mais usinas nucleares

Gilberto Costa, EcoDebate, 24 de março de 2011

O Brasil deve aguardar o desenvolvimento de novas tecnologias de construção e funcionamento de usinas nucleares antes de tomar a decisão de incrementar o Programa Nuclear Brasileiro. A opinião é do professor Luiz Pinguelli Rosa, da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). Continue lendo

Governo descarta adiar projetos de usinas nucleares

Rafael Bitencourt, Valor, 24 de março de 2011

Ainda que alguns países tenham aproveitado o acidente nuclear em Fukushima, no Japão, para reavaliar a segurança de programas nucleares em execução, o governo brasileiro tem descartado a hipótese de adiar projetos, mesmo diante de incoerências observadas na liberação de usinas. A usina nuclear Angra 2, por exemplo, funciona comercialmente há dez anos, mesmo sem contar com a Autorização de Operação Permanente (AOP), que deveria ter sido expedida pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). Continue lendo

Angra 3 vai sair mais caro do que o esperado

O BNDES fechou o ano de 2010 com o anúncio, no dia 30 de dezembro, de um empréstimo de 6,1 bilhões de reais para a construção da usina de Angra 3, o correspondente a cerca de 60% do valor total da obra.

Greenpeace, 11 de janeiro de 2011

A estimativa de custos da obra, que era de R$ 7,2 bilhões em 2008, pulou para R$10,4 bilhões, de acordo com a Eletronuclear. Isso sem contar os R$ 1,5 bilhão já empregado na construção e os US$ 20 milhões gastos anualmente para a manutenção dos equipamentos adquiridos há mais de 20 anos. Continue lendo

Usinas Nucleares – Chernobyl – Angra

Angra 3 e a metamorfose ambulante

Marcelo Leite, Ciência em dia, 26 de julho de 2008

Ninguém está obrigado a gostar de Raul Seixas a vida inteira, claro, nem a ser contra os transgênicos, contra a transposição do rio São Francisco ou contra a usina nuclear de Angra-3. Eu mesmo me divirto ouvindo as canções do roqueiro baiano e não morro de medo dos organismos geneticamente modificados, mas tenho sérias dúvidas sobre a transposição e as usinas termelétricas atômicas.

A julgar pela foto acima, enviada pelo incansável Roberto Smeraldi, quem exagera na “metamorfose ambulante” é Lula, nosso presidente. Como cita com freqüência a música homônima de Seixas, conclui-se que o ex-parceiro de Paulo Coelho é o único que ainda escapou do realismo governista (ou seria autocrítica de resultados?) do transpresidente. Continue lendo