Biocombustíveis e fome, dois lados da mesma moeda

Apesar das crescentes provas de que a produção de combustíveis orgânicos é responsável pela insegurança alimentar, o novo projeto da União Europeia (UE) sobre energias renováveis ignora as consequências sociais desta atividade agrícola.

Daan Bauwens, IPS Envolverde/IPS, 28 de junho de 2012

Para reduzir a emissão de dióxido de carbono na atmosfera, a UE decidiu, há três anos, aumentar o uso de biocombustíveis no transporte. Na diretriz de 2009 sobre energias renováveis, foi fixado o objetivo obrigatório de elevar para 10% a proporção de agrocombustíveis no transporte até 2020. Contudo, mesmo antes da aprovação desse documento, organizações não governamentais de diferentes partes do mundo já haviam assinalado vários dos problemas associados aos combustíveis orgânicos. Continue lendo

Anúncios

Ofensiva do capital internacional sobre as terras na América Latina

Gerson Teixeira e João Paulo Rodrigues, ALAI, 24 de abril de 2012

O mundo se depara com importantes desafios para garantir as condições de vida do planeta, num futuro mais ou menos distante conforme a intensidade e velocidade da evolução do processo de aquecimento global. Segundo a comunidade científica internacional os riscos para a segurança alimentar subjacentes ao processo de mudanças climáticas são muito fortes. Neste caso, biodiversidade, terra e água, assumem significados cada vez mais estratégicos para o futuro da humanidade. Continue lendo

Monsanto Taking Over Global Agriculture

Monsanto has been on a mission to control US agriculture. With the help of politicians and regulation agencies, the biotechnology company has been putting many farmers out of business. Many critics of the company believe it is the right of the people to know if they are consuming genetically-modified food. Jeffrey Smith, author of Seeds of Deception, joins us with more on the Monsanto.

Agricultura mundial vai consumir 19% mais água

A agricultura mundial necessitará de 19% a mais de água até 2050, se quiser atender à demanda crescente por alimentos de um mundo em rápida expansão. O problema, segundo o novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), é que a maior parte dela será requisitada em bolsões agrícolas que já sofrem com uma oferta apertada ou com a escassez desse bem natural.

Valor, 13 de março de 2012

Divulgado ontem, o quarto “Relatório Mundial sobre o Desenvolvimento da Água” é categórico: a situação vai piorar. “A escala desses problemas aumentará, sem dúvidas”, disse Olcay Unver, coordenador do estudo lançado na abertura do Fórum Mundial de Águas, um evento internacional realizado a cada três anos e que desta vez é sediado na cidade de Marselha, na França. Continue lendo

How to feed a hungry world

Nature

Producing enough food for the world’s population in 2050 will be easy. But doing it at an acceptable cost to the planet will depend on research into everything from high-tech seeds to low-tech farming practices.

With the world’s population expected to grow from 6.8 billion today to 9.1 billion by 2050, a certain Malthusian alarmism has set in: how will all these extra mouths be fed? The world’s population more than doubled from 3 billion between 1961 and 2007, yet agricultural output kept pace — and current projections (see page 546) suggest it will continue to do so. Admittedly, climate change adds a large degree of uncertainty to projections of agricultural output, but that just underlines the importance of monitoring and research to refine those predictions. That aside, in the words of one official at the Food and Agriculture Organization (FAO) of the United Nations, the task of feeding the world’s population in 2050 in itself seems “easily possible”. Continue lendo

Responsible Agricultural Investments: Rationalizing Land Grabbing

Focus on the Global South – Joseph Purugganan*

Since January 2010, global institutions like the World Bank, the Food and Agricultural Organization (FAO), the International Fund for Agricultural Development (IFAD), the United Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD) have been pushing for Principles for Responsible Agricultural Investment that Respects Rights, Livelihoods and Resources or RAI as a means to address growing concerns over the possible negative impact of huge acquisitions of agricultural lands on people’s rights and livelihoods.

RAI is a set of seven principles that all stakeholders (governments, investors, communities) should adhere to for investments to do no harm, be sustainable, and contribute to development. (1)

These principles include:
1. respect for land and resource rights — which entails the recognition and demarcation of land rights, setting limits on expropriation, and clear and transparent mechanisms to transfer land rights;
2. ensuring food security — making sure that investments are consistent with national agriculture and food policies and that risk and mitigation measures are put in place;
3. ensuring transparency, good governance and a proper enabling environment — better access to information, clearer and more effective incentives for investors, and appropriate business, legal and regulatory environment at par with global standards;
4. consultation and participation — linking investments to local development plans, meaningful consultation and representation, and meaningful and enforceable agreements;
5. economic viability and responsible agro-enterprise investing — adherence to high standards of business practice and ethical behaviour by investors, cost-effective processes to assess viability and monitor implementation by governments;
6. social sustainability — providing for fair compensation for displaced communities, and benefit-sharing arrangements; and
7. environmental sustainability — quantifying and measuring environmental impacts, pushing for sustainable resource use, and minimizing and mitigating the risk and magnitude of negative impacts. Continue lendo

Maior parte da área desmatada da Amazônia foi transformada em pastos

Carta Maior, 03 de setembro de 2011

Levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostra que mais de 60% da área já desmatada na Amazônia foram transformados em pastos. A produção agrícola ocupa cerca de 5% da área total desmatada na Amazônia. Os 720 mil quilômetros quadrados de florestas derrubados até 2008 representam uma área equivalente ao tamanho do Uruguai. Segundo avaliação do Inpe, produtividade da pecuária é baixa e desmatamento não gerou necessariamento desenvolvimento econômico.

Mais de 60% da área já desmatada na Amazônia foram transformados em pastos. A conclusão está em um levantamento divulgado sexta-feira (2) e que, pela primeira vez, mapeou o uso das áreas desmatadas do bioma e mostrou o que foi feito com os 720 mil quilômetros quadrados de florestas derrubados até 2008 – uma área equivalente ao tamanho do Uruguai. A maior parte foi convertida para a pecuária.

O levantamento, feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), dividiu a área desmatada em dez classes de uso, que incluem pecuária, agricultura, mineração, áreas de vegetação secundária, ocupações urbanas e outros. Continue lendo

El gran debate de la agricultura mundial

Carmelo Ruiz Marrero, Defensa Territorios / Rebelión, 16 de agosto de 2011

“La agricultura moderna, tal como hoy se practica en el mundo… está explotando excesivamente el suelo, nuestro recurso natural básico, y es insostenible porque hace un uso intensivo tanto de la energía proveniente de los combustibles de origen fósil como del capital, al mismo tiempo que básicamente no tiene en cuenta los efectos externos de su actividad”, declaró Hans Herren, copresidente del IAASTD. “Si seguimos con las actuales tendencias en materia de producción de alimentos agotaremos nuestros recursos naturales y pondremos en peligro el futuro de nuestros hijos.”

La agricultura es la actividad más importante de la humanidad, en términos ecológicos al igual que económicos. Según algunos estimados, el 70% del agua que utilizamos va a cultivos y animales de finca, y la agricultura ocupa más espacio que cualquier otra actividad humana. Según la Organización de las Naciones Unidas para Agricultura y la Alimentación (FAO), la agricultura emplea al menos la mitad de la fuerza trabajadora del planeta, por lo que debemos concluir que no hay ni habrá ninguna actividad económica que genere tantos empleos como el agro. Es por esto que entendemos que la agricultura debe estar en el centro de todo proyecto de cambio social revolucionario, no puede ser una nota al calce ni uno de muchos items de agenda. Continue lendo

The Other Inconvenient Truth: The Crisis in Global Land Use

As the international community focuses on climate change as the great challenge of our era, it is ignoring another looming problem — the global crisis in land use. With agricultural practices already causing massive ecological impact, the world must now find new ways to feed its burgeoning population and launch a “Greener” Revolution.

Jonathan Foley, Yale Environment 360, October, 5, 2009

It’s taken a long time, but the issue of global climate change is finally getting the attention it deserves. While enormous technical, policy, and economic issues remain to be solved, there is now widespread acceptance of the need to confront the twin challenges of energy security and climate change. Collectively, we are beginning to acknowledge that our long addiction to fossil fuels — which has been harming our national security, our economy and our environment for decades — must end. The question today is no longer why, but how. The die is cast, and our relationship to energy will never be the same.

Unfortunately, this positive shift in the national zeitgeist has had an unintended downside. In the rush to portray the perils of climate change, many other serious issues have been largely ignored. Climate change has become the poster child of environmental crises, complete with its own celebrities and campaigners. But is it so serious that we can afford to overlook the rise of infectious disease, the collapse of fisheries, the ongoing loss of forests and biodiversity, and the depletion of global water supplies?

Although I’m a climate scientist by training, I worry about this collective fixation on global warming as the mother of all environmental problems. Learning from the research my colleagues and I have done over the past decade, I fear we are neglecting another, equally inconvenient truth: that we now face a global crisis in land use and agriculture that could undermine the health, security, and sustainability of our civilization. Continue lendo

Aquecimento global reduz oferta de água para lavoura

A FAO, órgão das Nações Unidas para agricultura e alimentação, advertiu ontem que as mudanças climáticas terão graves consequências sobre a disponibilidade de água destinada à produção de alimentos. Afetará também a produtividade das lavouras nas próximas décadas.

O Estado de S. Paulo, 10 de junho de 2011

O estudo Mudanças Climáticas, Água e Segurança Alimentar, divulgado ontem em Roma, indica que haverá uma aceleração do ciclo hidrológico do planeta, pois a alta nas temperaturas aumentará a taxa de evaporação da água tanto na terra como no mar. Continue lendo

La producción agropecuaria con “paquetes tecnológicos” llamados de “punta”, un mito similar a los “espejitos de los colonizadores”

Luis L. Vázquez Moreno, Rebelión, 26 de abril de 2011

Con posterioridad a la Segunda Guerra Mundial la producción agropecuaria sufrió un cambio tecnológico trascendental, que devino en el paradigma del productivismo, sobre la base de la explotación intensiva de las tierras. Este consistió en un proceso acelerado de desarrollo de nuevas tecnologías, principalmente de maquinarias e implementos diversos, de fertilizantes, plaguicidas y otros agroquímicos, así como de tecnologías de preparación del suelo y manejo del cultivo, incluyendo el mejoramiento genético para lograr variedades con alta respuesta productiva.

Después de más de 50 años de lo que se llamó “Revolución Verde”, el saldo de experiencias es inmenso, pues efectivamente se logró incrementar la producción de alimentos frescos o procesados para el mercado y de biomasa como materia prima para la agroindustria. Se ha acumulado una gran cantidad de información científica y técnica, debido a diversas fuentes de financiamiento que han tributado a universidades y centros científicos, la mayoría de estos creados durante este periodo, entre otros avances en lo que se ha nombrado también “tecnologías de punta”, las que a través de la globalización han devenido en un sistema de colonización tecnológica para muchos países. Continue lendo

The Cerrado: Brazil’s Other Biodiverse Region Loses Ground

While Brazil touts its efforts to slow destruction of the Amazon, another biodiverse region of the country is being cleared for large-scale farming. But unlike the heralded rainforest it borders, the loss of the cerrado and its rich tropical savanna so far has failed to attract much notice.

Fred Pearce, Yale Environment 360, April 14, 2011

Brazil is justly proud of how much it has reduced deforestation in the Amazon, with rates of forest loss down 70 percent since 2004. Indeed, delegates to last year’s world biodiversity conference in Nagoya, Japan, and climate conference in Cancun, Mexico, could hardly miss the Brazilian government’s boasting about its conservation achievements. Continue lendo

Eco-agricultura pode duplicar a produção alimentar em 10 anos

Baseado numa extensa revisão da literatura científica recente, um estudo das Nações Unidas apela a uma viragem fundamental para a agroecologia como forma de expandir a produção alimentar e melhorar a situação dos mais pobres.

Esquerda.net, 13 de março de 2011

“Até este momento os projectos agroecológicos têm mostrado um aumento de 80% no rendimento médio das culturas em 57 países em desenvolvimento, com um aumento médio de 116% para todos os projectos Africanos”. Continue lendo

É uma mentira dizer que no Brasil a terra é produtiva

Márcia Junges entrevista Ariovando Umbelino, IHU On-line, 10 de janeiro de 2011

Uma agricultura que, historicamente, produziu às custas de mão de obra escrava. Essa é a agricultura brasileira, que hoje quer se chamar de agronegócio, sinônimo de modernidade e alta produção. Trata-se, na verdade, de uma agricultura capitalista, “que agora aparece com essa cara de agronegócio”, uma grande falácia, esclarece o geógrafo Ariovaldo Umbelino, na entrevista que concedeu por telefone à IHU On-Line. Para piorar a situação, o Estado brasileiro não fiscaliza e não aplica as leis como deveria, o que gera um sentimento de impunidade e proteção. Continue lendo

Falta de terras não atrapalha agricultura

É a falta de crédito agrícola, não de terras para o plantio, que limita a produção de alimentos no Brasil. A conclusão é de um novo estudo de pesquisadores da USP, da Unicamp e do Inpe, que usa dados do IBGE e das Nações Unidas para afirmar que não é o Código Florestal que impede que o brasileiro tenha mais comida na mesa.

Fernanda Odlla e Cláudio Angelo, Folha de S. Paulo, 13 de novembro de 2010

A pesquisa, publicada no periódico brasileiro “Biota Neotropica”, mostra que a área colhida de feijão e de arroz no país tem caído, de 6 milhões de hectares nos anos 1980 para menos de 5 milhões de hectares em 2007. Continue lendo

Las muchas caras de la crisis rural

Luis Hernández Navarro, Rebelión, 14 de noviembre de 2010

Smithfield, el más importante procesador de puerco en el mundo, se puso el año pasado en el centro de la tormenta. Científicos y analistas determinaron la probabilidad de que el brote de influenza porcina que asoló al mundo se relacione con Granjas Carroll, una de sus dos empresas subsidiarias en México. Muy probablemente la enfermedad fue gestada en el modelo de producción industrial de puercos. Continue lendo

Corporações são causa da crise alimentar

Frank Mulder, IPS / Esquerda.net, 20 de outubro de 2010

Utrecht, Holanda – Esqueçam os especuladores e os agrocombustíveis. A verdadeira causa da contínua crise alimentar são as corporações do setor, porque espremem a agricultura, disse o professor holandês Jan-Douwe van der Ploeg. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) reuniu em Setembro vários especialistas para discutir as causas do aumento do preço do trigo. “A procura mundial por cereais e a produção parecem estar equilibradas. Não há indícios de uma iminente crise alimentar”, concluíram. Continue lendo

Padrão de chuvas é alterado por aquecimento

Pesquisa alerta que é preciso diversificar as fontes de água para evitar o aumento da fome

O Globo, 8 de setembro de 2010

A precipitação de chuvas, cada vez mais imprevisível devido às mudanças climáticas, ameaça seriamente a segurança alimentar e o crescimento econômico, segundo especialistas em hidrologia. Num relatório do Instituto Internacional para a Gestão da Água, no Sri Lanka (IWMI, na sigla em inglês), eles defendem um maior investimento em armazenamento de água e afirmam que a Ásia e a África são as regiões mais suscetíveis porque, em grande parte, dependem diretamente da chuva para a agricultura.

Os políticos e agricultores precisam encontrar urgentemente formas de diversificar as fontes de água, alertam os autores da pesquisa para o IWMI. E eles estimam que até 499 milhões de pessoas na África e na Índia poderiam se beneficiar de uma melhor gestão da água na agricultura. Continue lendo

Maior parte da expansão agrícola ocorreu às custas das florestas tropicais

Fernanda B. Müller, Carbono Brasil, 6 de setembro de 2010

Um novo estudo, liderado por Holly Gibbs da Universidade de Stanford, concluiu que nas décadas de 1980 e 1990 mais de 55% das novas terras agrícolas foram resultantes da eliminação de florestas intactas e outros 28% de florestas já perturbadas.

As análises dos pesquisadores foram feitas com base no banco de dados com imagens Landsat criado pela Organização para Alimentação e Agricultura (FAO – Food and Agricultural Organization), examinando os caminhos percorridos pela expansão agrícola nas principais regiões tropicais. Continue lendo

Quando dói no bolso

Se o aumento de temperaturas, nível do mar e extinção de espécies ainda não mobilizaram alguns para o aquecimento global, é possível que se convençam por outra via: os impactos econômicos que devem vir na cola do fenômeno.

Debora Antunes, Ciencia Hoje On-line, 30 de agosto de 2010

O aquecimento global deve prejudicar consideravelmente a economia brasileira. Os impactos que terá sobre a agricultura foi tema do trabalho de doutorado do economista Gustavo Inácio de Moraes, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Esalq/USP). A partir do atual cenário agrícola do país, ele baseou-se em cálculos matemáticos para prever como as mudanças na temperatura devem afetar as diferentes regiões e suas culturas. Continue lendo