A Fifa de hoje e o FMI de ontem

Antes os protestos eram contra o FMI, que se tornou famoso por impor aos países subdesenvolvidos modelos econômicos concentradores de renda, excludentes e elitistas. Agora, o alvo é a Fifa, que faz estádios pasteurizados e elitiza o futebol.

Dermi Azevedo, Carta Maior, 18 de julho de 2013

Tudo indica que as próximas manifestações da sociedade civil incluirão necessariamente a Fifa entre os causadores de muitos males. O FMI (Fundo Monetário Internacional) tornou-se tristemente famoso por impor aos países subdesenvolvidos modelos econômicos concentradores de renda, excludentes e elitistas – em nome da luta contra a inflação, resultando no aumento da pobreza estrutural.

Já a Fifa atua como o czar do futebol mundial. Desconhece o papel dos Estados-nações legitimados pelo Estado Democrático de Direito. A recente realização no Brasil da Copa das Confederações representou um espaço muito especial para a revelação de desse novo Futebol-Ditadura.

Estádios
Passou a ser adotada, em nível mundial, uma arquitetura padronizada pela Fifa, sem qualquer consideração para com os desenhos arquitetônicos nacionais. Tanto faz ser um estádio construído na África, quanto na Europa ou na América Latina. Tudo é pasteurizado. Da mesma forma, os torcedores são empastelados em um perfil único, marcado pela mentalidade alienada e disciplinada.

A Fifa cria um torcedor que obedece de qualquer maneira os ditames neocolonialista de seu presidente, Joseph Blatter. É proibida a presença nos estádios das torcidas organizadas. Era também limitado o número de toques dos poucos tambores admitidos nos espaços reservados ao futebol.

Desaparece também o vínculo entre o torcedor e o estádio: o Maracanã, já deixou de ser o estádio-símbolo dos grandes encontros entre a torcidas e o futebol. Já foi privatizado e ninguém sabe até agora a quem vai pertencer.

Os jogos são definidos apenas por critérios financeiros. Uma partida entre Palmeiras e Corinthians, por exemplo, pode ser mudada de última hora para o estádio do Mangueirão, em Belém/PA. Só interessa o lucro. Não importa o que pensam os torcedores e os jogadores.

Ingressos
As classes populares são segregadas do seu esporte preferido, o futebol. A nova classe média da Fifa tem dinheiro o suficiente para pagar mais de 100 reais para ver uma partida.

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