“Espero que as proezas de Snowden inspirem os quatro cantos do mundo”

Os documentos publicados pelo The Guardian e The Washington Post permitiram revelar que a NSA havia acionado um sistema de espionagem em escala mundial. Na origem deste vazamento está Edward Snowden, um novo tipo de “lançador de alerta”.

Arnaud Aubry entrevista Jérémie Zimmermann, La Vie, 18 de junho de 2013. A tradução é do Cepat. Reproduzido de IHU On-line.

Os jornais anglo-saxões The Guardian e The Washington Post revelaram, no dia 07 de junho, que a NSA, a Agência de Segurança Nacional americana, acionou o programa PRISM, isto é, um sistema de escuta bem aperfeiçoado que permite espionar todos os intercâmbios digitais dos nove maiores atores na área da informática e da internet, entre eles o Google, Apple, Microsoft ou ainda o Facebook. Em síntese, um sistema de espionagem em escala mundial.

Essas revelações foram feitas por Edward Snowden, um americano de 29 anos, ex-funcionário da CIA. Mais próximo de Bradley Manning (soldado que está na origem da divulgação de 250.000 documentos sobre segurança nacional para o Wikileaks) e de Aaron Swartz (um cyberativista que teletransportou e disponibilizou on-line 4,8 milhões de artigos acadêmicos pagos) do que dos whistle-blowers clássicos, os “lançadores de alerta”, do que a América conheceu vários exemplos, de Daniel Ellsberg o Garganta Profunda, Edward Snowden poderia representar esse novo tipo de lançador de alerta, geek, aficionado da internet e adepto da “ética hacker”.

Jérémie Zimmermann responde às perguntas da revista La Vie. Ele é o porta-voz e co-fundador da Quadrature du Net, associação de defesa dos direitos e liberdades dos cidadãos na internet.

Em que esses “vazadores” (Snowden e Manning) são diferentes de seus antecessores (Daniel Ellsberg ou Garganta Profunda, por exemplo)?

A diferença está no contexto. O ato técnico tornou-se mais simples. Daniel Ellsberg passou anos fotocopiando documentos que queria tornar público ao passo que aqui em um clic podemos revelar o que queremos. Além disso, [a principal diferença com os mais antigos provém da] inflação exponencial do culto do segredo nos Estados Unidos, onde partes inteiras da administração estão ocultas ao grande público. Mas, no fundo, a intenção é a mesma: cidadão, patriota, movido por um sentimento de justiça e a consciência de que eles têm nas mãos, por meio do seu acesso, o poder de fazer aparecer a verdade.

A revista americana Time decidiu fazer uma edição sobre Manning, Snowden e Swartz, os chamados “geeks que estão na origem dos vazamentos”. Seu andamento tem alguma relação com a “ética da internet”?

Estou convencido de que Julian Assange e o Wikileaks jogaram um papel importante pelo fato de chamar a atenção sobre o poder do lançador de alerta e a teoria sobre a qual se baseia o Wikileaks, a da “ética hacker”, isto é, a partilha do conhecimento, o fato de pensar fora da caixa, não reconhecer as formas de autoridade ilegítimas.

Podemos ler na imprensa que Snowden e Manning são libertários. O que pensa sobre isso?

Se defender as liberdades contra o segredo, as mentiras, os crimes de Estado e o comércio de armas é ser libertário, então todos devemos sê-lo.

Esses dois personagens são os primeiros de uma longa lista de lançadores de alerta que vão emergir nos próximos anos?

Ouso esperar que a “coragem é contagiosa” [em referência ao slogan de Wikileaks, “courage is contagious”] e que as proezas de Snowden e de todos esses lançadores de alerta inspirem os quatro cantos do mundo.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: