Grupo convoca protesto também do lado de dentro de estádios da Copa

cnt474291_h229_w407_aNoChange_veja-protesto-contra-a-copa-das-confederacoes-em-brasiliaOrganizadores de um protesto contra os gastos públicos para a Copa do Mundo em Fortaleza – palco do segundo jogo do Brasil na Copa das Confederações, na quarta-feira – querem levar para dentro do estádio o que até agora vem ficando do lado de fora.

Rogerio Wassermann, BBC Brasil, 18 de junho de 2013

Em uma página no Facebook criada para convocar a manifestação desta quarta-feira, os organizadores sugerem aos torcedores que compraram ingressos para as partidas da Copa das Confederações que não deixem de ir aos estádios, mas que se vistam de preto, pintem as mãos de vermelho e levem em cartazes para protestar.

“Não ir ao jogo não muda nada, os ingressos já estão pagos”, diz texto publicado na página, mantida pelo Comitê Popular da Copa de Fortaleza. “Toda forma de protesto está valendo”, afirma à BBC Brasil o professor André Lima Souza, de 31 anos, integrante do Comitê Popular da Copa de Fortaleza. Segundo ele, tem havido uma conscientização da população brasileira sobre os custos de se sediar o evento.

“Antes era só oba-oba, mas agora a situação se reverteu. As pessoas estão revoltadas com a situação, com os gastos públicos, com a remoção forçada de pessoas para as obras da Copa”, diz. “As pessoas estão aderindo aos protestos. Vejo que até a quantidade de bandeirinhas do Brasil por aí é pequena.”

Feriado

Na segunda-feira, uma pequena manifestação reuniu centenas de pessoas entre o bairro de Benfica, próximo ao estádio Presidente Vargas, onde a seleção treinou à tarde, e o hotel Marina Park, onde a equipe está hospedada.

Mas os organizadores esperam um contingente bem maior de pessoas nesta quarta-feira, ao lado do estádio Castelão, onde o Brasil enfrenta o México a partir das 16h. Até o início da tarde desta terça-feira, quase 30 mil pessoas haviam declarado na página do Facebook a intenção de ir ao protesto do dia seguinte. Outras 6,4 mil diziam que “talvez” compareçam.

Indiretamente, as autoridades municipais podem ter contribuído para aumentar a participação no protesto. Isso porque a Câmara Municipal de Fortaleza determinou feriado na cidade nos dias de jogo da Copa das Confederações no Castelão.

André Souza Lima afirma que o protesto deve ser pacífico e que não há a intenção de impedir a entrada de torcedores no estádio. “Esperamos que a polícia tenha bom senso, como em Belo Horizonte, e não parta para o confronto”, diz.

A Secretaria de Segurança Pública do Ceará afirma que haverá 7 mil agentes de segurança nas ruas de Fortaleza durante a Copa das Confederações para proteger os torcedores

‘Para Copa, basta estádio’

Para o comunicador social Roger Pires, de 23 anos, membro do Comitê Popular da Copa, o protesto não é contra a realização dos eventos esportivos em si. Mas sim contra os gastos públicos que, segundo ele, atenderiam aos interesses da Fifa, organizadora dos torneios, e não às necessidades da população.

“Gosto de futebol, quero ver futebol e não teria problema nenhum com a realização da Copa aqui, mas para isso bastaria um estádio”, afirma. “O que não aceito são obras que não vão resolver os problemas da população e que vão consumir bilhões em verbas públicas. O que acontece fora do campo é o que me incomoda”, diz.

O comitê questiona, entre outras coisas, os projetos de mobilidade urbana relacionados à Copa. Eles privilegiam principalmente o transporte entre o centro e a orla da cidade até a região do estádio do Castelão, na periferia de Fortaleza.

O principal desses projetos, o VLT (veículo leve sobre trilhos) – uma espécie de metrô de superfície, que deve ligar Mucuripe, na orla de Fortaleza, ao bairro de Parangaba, a poucos quilômetros do estádio Castelão – deve provocar a remoção forçada de 5 mil famílias, segundo o comitê.

A Secretaria de Infraestrutura do governo do Ceará, responsável pela obra, afirma que mudanças nos projetos reduziram o número de desapropriações necessárias e que serão cerca de 2 mil os imóveis desapropriados para a construção do VLT.

De acordo com a secretaria, os proprietários receberão uma indenização, além de uma unidade habitacional do programa “Minha Casa, Minha Vida”, no caso de imóveis com valor abaixo de R$ 40 mil.

O governo do Estado contesta o argumento de que as obras de mobilidade urbana atendem somente aos interesses da Fifa, afirmando que a ligação entre Mucuripe e Parangaba deverá atender diariamente cerca de 100 mil pessoas, com integração a outros meios de transporte da cidade.

Visibilidade

Além das questões ligadas às obras de transporte, o Comitê Popular da Copa também afirma que a Copa do Mundo pode aumentar o turismo sexual na cidade. O evento atrairia muitos estrangeiros com o perfil dos exploradores identificado na recente CPI da Exploração Sexual da Criança e do Adolescente, da Câmara dos Deputados.

Segundo seus organizadores, a manifestação aproveita a Copa das Confederações para ganhar visibilidade. “O fato de o evento chegar à cidade oferece a oportunidade para nós nos manifestarmos sobre o que não consideramos correto”, afirma Roger Pires.

Para ele, os bilhões de reais em gastos públicos para as obras da Copa levarão ao aumento da dívida do Estado e do Município, que terá que ser compensado com aumento de impostos e de tarifas, como as dos transportes.

“Isso vai ter um impacto direto no nosso custo de vida”, afirma. “Tudo isso me faz querer me mobilizar e, por que não, levar ao cancelamento do evento.” Além do protesto programado para a quarta-feira, próximo ao estádio Castelão, há ainda pelo menos dois outros grandes protestos convocados nos próximos dias em Fortaleza: um na quinta-feira, para pedir melhorias e preços mais baixos nos transportes públicos e outro na sexta-feira, por mais investimentos em educação.

Após o jogo desta quarta-feira, entre Brasil e México, o Castelão sediará também a partida entre Nigéria e Espanha, no dia 23, e uma das semifinais, no dia 27, que poderá incluir o Brasil caso a seleção fique em segundo no seu grupo na primeira fase.

Uma resposta

  1. A voz das ruas – Nasce um partido sem legenda?

    Depois de tentar resolver qualquer mobilização da sociedade através da criação de “bolsas” de todos os tipos e investir na premissa que o brasileiro aceita tudo desde que tenha um bom estádio para ir ver o seu time jogar – a Copa de 2014 já está custando ao Brasil R$ 33 bilhões – parece que as ruas dos grandes centros resolveram “falar”, e alto.
    Os pleitos começaram simples – tarifa dos ônibus – mas aos poucos foram sendo ampliados e consolidados: corrupção e impunidade, gastos excessivos dos Governos, alta dos preços (inflação que persiste com tendência de crescer), desgaste da classe política, impostos demais (sem retorno visível para à sociedade) e serviços públicos deficientes (educação, saúde e segurança).
    O brado vindo das ruas acabou induzindo a gestação de um partido sem legenda, caracterizado por uma força que de pronto foi ouvida pelo Governo, que sempre soube dos pleitos, mas que optou por dizer que agora os pleitos vieram à tona. O país dos sonhos – chegamos até a perdoar dívidas de outros países / seria este o momento? – começou a ser substituído pelo país real cuja sociedade sai às ruas para deixar claro que nossos governantes têm que estar voltado para uma realidade que precisa ser encarada de frente.
    O país dos “mensaleiros” já punidos pelo STF, mas que ainda, fora das grades, debocham da lei de forma acintosa, apoiado por muitos que insistem em achar que há ainda muito tempo para voltar a discutir as penas aplicadas e, se isso não der certo, assegurar (com o passar do tempo) que as penas caduquem.
    Infelizmente – e isso se diz o preço (alto) a ser pago pela democracia – os oportunistas de plantão resolveram dar o ar de sua (infeliz) graça e inseriram atos de violência no seio de um movimento de claros objetivos pacíficos. O joio que por melhor que seja a qualidade do trigo, sempre existe, apesar de indesejável.
    Este partido sem legenda deve assegurar sua posição no cenário político nacional e para tal deve agir no sentido – violência não – de ir minimizando esta “pequena minoria” que não tem interesse em encontrar soluções para os problemas, pois vivem de fazer parte deles.
    Não seria a hora – na verdade já passou – das forças de segurança pública se concentrar especificamente em identificar (registros de vídeo, fotos, etc.) quem são os “baderneiros de plantão” e suas origens políticas? Tenho certeza que a sociedade teria inteiro interesse em saber estas origens e, sobretudo, pensar o que deve fazer nas próximas eleições.
    Apenas coibir os excessos não é uma solução, pois não se está atuando nas bases do problema. Cadastrar o perfil dos “agitadores de plantão” e não divulgá-los à sociedade também não o caminho correto. Se quisermos um país forte, precisamos (antes de tudo) de uma sociedade forte e, sobretudo, esclarecida.
    Que este novo partido sem legenda – Partido das Vozes das Ruas – possa, sem ter espaço na propaganda eleitoral, pautar a posição do cidadão nas urnas. Certamente os partidos com legenda (pelo menos alguns deles) não vão gostar muito desta opção, mas isso é o que menos interessa, neste momento, para a sociedade.
    Como diz uma propaganda voltada à Copa do Mundo – Vem para a rua, a maior arquibancada do Brasil – mas que pode ser uma boa motivação para cada cidadão procurar o seu espaço (ordeiro) no processo em marcha com foco unicamente político.

    Roosevelt S. Fernandes
    Cidadão brasileiro
    roosevelt@ebrnet.com.br

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