2012 foi um dos dez anos mais quentes já registados

Ranking dos 50 anos mais quentes desde 1850 / OMM

A Organização Meteorológica Mundial afirma que a temperatura em 2012 ficou 0,45ºC acima da média histórica e alerta que o degelo do Ártico é um sinal claro e alarmante das mudanças climáticas.

Fabiano Ávila, Instituto CarbonoBrasil, 7 de maio de 2013

Os representantes dos 195 países reunidos em Bonn, na Alemanha, para mais uma ronda das negociações climáticas sob as Nações Unidas receberam na quinta-feira, 2 de maio, um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) que traça um retrato bastante preocupante sobre o clima no planeta.

Segundo o documento, 2012 foi o nono ano mais quente desde que as medições começaram, em 1850, e o 27o ano consecutivo com temperaturas acima da média entre 1961 e 1990, marcando 14,45oC quando a média é de 14oC.

A NASA e a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) já haviam afirmado que 2012 teria sido um dos dez anos mais quentes.

A OMM destacou que nem mesmo sendo influenciado pelo La Niña, fenómeno nas águas do Pacífico que tem como consequência o resfriamento das temperaturas, 2012 desmentiu a tendência atual de aquecimento global. Os anos entre 2001 e 2012 estão todos entre os mais quentes já registados (veja gráfico).

“Apesar de a taxa de aquecimento variar anualmente conforme fatores naturais, como o ciclo do El Niño e erupções vulcânicas, o aquecimento sustentado na baixa atmosfera é bastante preocupante”, afirmou Michel Jarraud, secretário-geral da OMM.

O relatório destaca ainda como o gelo do Ártico está a desaparecer devido a esse aumento nas temperaturas, com a extensão do gelo marinho tendo alcançado apenas 3,41 milhões de quilómetros quadrados no verão de 2012, um recorde de baixa.

“A perda massiva de gelo marinho no Ártico entre agosto e setembro, 18% a menos do que o recorde anterior de 4,17 milhões de quilómetros quadrados em 2007, é um sinal perturbante das mudanças climáticas”, declarou Jarraud.

A Gronelândia também vem sentindo os efeitos do aquecimento global; em julho do ano passado 97% da superfície de gelo da região derreteu. Foi a primeira vez em 34 anos de monitorização de satélite que um degelo tão grande foi visto.

A OMM aponta que a precipitação em 2012 ficou acima da média entre 1961 e 1990, mas que a sua distribuição foi extremamente desigual.

A maior parte dos Estados Unidos, México, Rússia central e o centro sul australiano experimentaram secas severas. O Nordeste brasileiro também está nessa lista, e ainda sofre com a falta de chuvas.

Eventos Extremos

O relatório destaca que é muito difícil apontar todas as causas por trás de fenómenos climáticos, mas a OMM reconhece que na teoria um mundo aquecido tende a sofrer mais eventos extremos.

“A variabilidade climática natural sempre resultou em eventos extremos, mas as características desses fenómenos têm sido cada vez mais moldadas pelas mudanças climáticas”, apontou Jarraud.

Um exemplo disso foi a super tempestade Sandy, que provavelmente teria sido muito mais fraca e adotado um trajeto diferente se não fosse o aquecimento das águas do Atlântico.

Outro fator que tornou o Sandy tão poderoso para a OMM foi o aumento do nível do mar. “Como o nível dos oceanos está agora cerca de 20 cm acima do que era em 1880, tempestades como o Sandy estão a resultar em mais inundações do que no passado”, explicou Jarraud.

Entre os eventos extremos marcantes de 2012, a OMM destacou ainda as enchentes na África oriental e no Paquistão, o tufão Bopha, que matou mais de 600 pessoas nas Filipinas, e as ondas de calor e de frio intenso que afetaram diversos continentes em períodos diferentes do ano.

A relação entre as mudanças climáticas e os eventos extremos está cada vez mais evidente.

Em fevereiro, o Instituto Potsdam para Investigações de Impacto Climático (PIK) afirmou, depois de analisar 32 anos de dados, que as alterações nos padrões de fluxos atmosféricos, responsáveis pelas correntes de ar, ventos e deslocamento de humidade e calor pela Terra, são a causa comum que pode estar a ocasionar esses fenómenos extremos.

Também reforçando essa relação, a Comissão Climática do governo da Austrália publicou em março o relatório Angry Summer (Verão Furioso), no qual destaca que as mudanças climáticas são a principal força por trás de uma série de eventos de secas e enchentes que atingiram grande parte do país nos últimos meses.

“As mudanças climáticas já se transformaram numa fonte de incerteza para diversos setores económicos, como a agricultura e a energia. É vital que continuemos a investir nas observações e investigações que melhorem o nosso conhecimento sobre a variabilidade climática”, concluiu Jarraud.

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