Névoa de poluição some na China, mas país precisa mudar economia

Níveis perigosos de contaminação do ar dos últimos dias sofreram redução. No entanto, indústria do carvão e uso de automóveis devem ser revistos.

Globo Natureza, 17 de janeiro de 2012

A China já conseguiu limpar seu ar, mas especialistas afirmam que para evitar a neblina tóxica, conhecida como “smog”, que sufocou o país esta semana, o país precisa superar uma economia alimentada por indústrias movidas a carvão, uma fonte altamente poluente, e ao uso de automóveis.

Dias seguidos de perigosa qualidade do ar em grande parte do norte da China levaram a respostas de emergências, como a decisão das escolas de manter as crianças trancadas, o fechamento de fábricas e a paralisação de carros do governo.

Especialistas exigem que as autoridades tomem medidas mais duras para enfrentar as consequências da rápida industrialização da China e dos hábitos de consumo da classe média criada por seu florescimento econômico.

Os apelos por um ar mais limpo vieram depois que o novo líder do Partido Comunista, Xi Jinping, disse que o governo se esforçaria para atender a demandas por “condições de vida mais confortáveis e um meio ambiente mais bonito”.

População mais consciente

A China começou a divulgar dados sobre a poluição no ano passado, uma manobra que observadores afirmam ter impulsionado uma grande reação contra a névoa de poluição, tanto de um público recém conscientizado sobre o problema, que cada vez mais usa a internet, e de uma mídia estatal normalmente partidária.

Enquanto a nociva neblina cobria Pequim esta semana, fazendo disparar as vendas de máscaras filtrantes e de purificadores de ar, a agência de notícias Nova China reportou que a promessa do partido de construir uma bela China estava “ameaçada”. “Um país com um céu marrom e um ar nocivo obviamente não é bonito”, destacou a agência.

A China enfrentará “perdas econômicas de curto prazo” ao fazer mudanças de limpeza, mas o governo deveria olhar para o longo prazo, afirmou John Cai, diretor do Centro de Gestão e Políticas de Saúde da Escola Internacional de Negócios China-Europa, em Xangai.

O crescente uso de automóveis tem sido, ao mesmo tempo, um importante motor da economia e um símbolo declarado do enriquecimento dos chineses. Mas com cinco milhões de veículos e os 20.000 novos carros que Pequim ganha a cada mês, Cai disse que enfrentar esta questão é essencial, sugerindo que os proprietários sejam forçados a pagar altas taxas de licenciamento por cada veículo a fim de reduzir as emissões.

Indústria do carvão deve ser repensada

Enfrentar o uso de carvão é mais problemático. Enquanto as famílias precisam ser encorajadas a usar um sistema central de aquecimento, 79% da eletricidade na China é gerada com este combustível, segundo a Associação Mundial do Carvão.

A maior parte deste carvão é de um tipo “sujo”, de baixa qualidade, ao invés do carvão ‘limpo’, preferido em muitos mercados ocidentais. “Pequim tomou medidas emergenciais para combater a poluição atual, mas a longo prazo, nós precisamos uma política regional para cortar o uso de carvão para melhorar a qualidade do ar”, disse Zhou Rong, ativista de clima e energia do Greenpeace.

A poluição foi reduzida depois que a legislação forçou que as usinas de geração de energia deixassem a cidade e baniu muitos combustíveis emissores de fumaça. Em maio, Pequim disse que se livraria de 1.200 empresas altamente poluentes até 2015.

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